Unforgettable
1 Song of Beginning
Notas iniciais
–Vamos lá! – A perna da Ino se jogou para cima até perto da cabeça dela, eu ainda me pergunto como ela consegue fazer isso. Ela correu até o centro do grande estádio de futebol e foi seguida por uma multidão de “pompons, saias curtas e mortais”, traduzindo, ela foi seguida pelo seu bando de lideres de torcida.
Ela estava torcendo no jogo da nossa escola contra o nosso pior inimigo. Minha escola é a Konoha High, nosso pior inimigo é o Suna high. E o jogo é futebol americano, não me perguntem como funciona e quais são as regras, pois eu tenho certeza que eu não vou saber responder.
A Konoha High é uma escola como todas as outras. Havia os atletas, que são apreciados por toda a escola, Ino é uma atleta, porque, eu não sei quem, insistiu em dizer que torcida é um esporte, não que a minha opinião seja valida porque eu tenho uma pequena implicância com a torcida.
Havia os nerds, que insistiam em vir aos jogos, mesmo não sabendo nada sobre esportes e tendo o conhecimento que seriam provavelmente atacados pelos atletas depois do jogo. Havia os góticos que não vinham para nenhum jogo, eles e torcida ou qualquer coisa viva e animada não combinam muito.
O pior grupo é os dos encrenqueiros, rebeldes, bad boys- eles têm vários nomes- que vem para os jogos pra conseguir algumas líderes de torcida depois do jogo, mas isso é o depois do jogo, enquanto isso eles ficam bebendo atrás do campo ou zoando os jogadores.
E havia pessoas como eu, me chame como você quiser, pode até ser popular, metida, It Girl, mas eu sou, digamos, da turma dos riquinhos, filhos de pessoas conhecidas com nomes importantes que vestem as melhores roupas e são a pessoa que todo mundo quer ser, muitos dos atletas se encaixam nesse grupo também, a diferença é que eles se tornaram atletas para poder entrarem no grupo, ou pode até ser porque gostam do esporte mesmo.
Mas voltando para o jogo. O grupo das lideres de torcida – que incrivelmente também tem homens como integrantes. – estava animando a multidão no meio do campo e eu estava tentando matar a Ino com o meu olhar de raiva ou tentar psiquicamente fazer com que ela caísse quando fosse levantada.
De onde vem toda essa raiva da loira? Vejam, Ino é a minha melhor amiga, eu a amo, mas no momento, eu a odeio. Tudo começou ontem, quando a diretora anunciou que precisava urgentemente de alguém que pudesse cantar ou tivesse uma voz razoável, adivinha quem levantou e me indicou? Se você respondeu Ino, parabéns, você está certo. No final de tudo, eu vou ter que ir lá pro meio do campo e cantar o hino dos Estados Unidos. Essa é uma tradição da nossa escola, em todo o primeiro jogo do ano letivo em que acontece no nosso campo, Tsunade, a diretora, contrata alguém para cantar, mas parece que esse ano a diretora esqueceu da parte de contratar alguém.
Eu parei de encarar a Ino e comecei a andar de um lado para o outro, nervosa. A loira insiste que eu tenho uma voz bonita, mas eu não tenho certeza quanto a isso, e eu posso fazer papel de boba lá na frente, tudo bem que eu vim ensaiando desde o momento em que Tsunade me aprovou como cantora, mas mesmo assim eu ainda podia fazer alguma besteira, como tropeçar no meu próprio pé.
–Sakura. – Virei-me ao ouvir a tão familiar voz da minha outra melhor amiga, Hinata. Eu quase pulei em cima dela de tanta alegria por ela estar aqui.
–Hinata! – Suspirei aliviada. Ela ergueu uma sobrancelha e ajeitou a sua bolsa Victor Hugo no braço
–Você está bem? – Eu queria rir de nervosismo agora, não sei por quê. Fiquei girando meu microfone com a mão direita, acho que esse é um gesto nervoso.
–Não. Acho que vou vomitar no meu Louboutin... Pensei que você não vinha porque o seu carro quebrou. – Ela fez uma careta e apontou pra alguma coisa.
–Vim com o meu primo, aproveitei a carona. – Segui a direção que seu dedo apontava, era onde estavam os encrenqueiros, dois deles estavam mexendo com uns nerds e os outros encaram as lideres de torcida, o primo da Hinata era um desses outros.
–Ah...Mas sim, voltando pra mim...eu não acho que vou conseguir cantar Hina! Eu acho que vou chegar lá e sair correndo igual a uma retardada, mas eu vou provavelmente cair e ser motivo de risada, porque não se corre com saltos tão altos em grama! – Minha cara é de desespero e a da Hina é como se eu tivesse acabado de contar uma piada, é tão reconforte que ela ache graça da minha desgraça.
–Calma Sah, vai tudo dar certo. – Eu juro que gritei o mais alto que eu já havia gritado em toda a minha vida, Ino apareceu magicamente do meu lado, eu jurava que a um minuto atrás ela estava no campo.
–Como você chegou aqui?! – Dei dois passos para trás ainda assustada, ela franziu as sobrancelhas e botou a mão na cintura.
–Andando, claro. E pare de gritar, não quero que a sua voz comece a falhar no meio da musica.
–Fa-alhar? – Ótimo Ino, eu estou me sentindo muito mais confiante do que há poucos segundos atrás.
–Pare de bobeira Sakura. A Tsunade já vai anunciá-la. – Era agora. Eu iria ter que caminhar até o centro desse maldito campo e cantar em frente de quase todo o meu colégio. Eu ouvi Tsunade falar o meu nome e a Ino me empurrou para frente. Timidamente eu comecei a andar, mas logo fui ganhando a postura de uma verdadeira Haruno. Estava tudo bem até o momento em que eu cheguei ao meu lugar e senti todos aqueles olhos me encarando, eu quase podia sentir a prece de algumas pessoas para que eu errasse.
Olhei ao redor e vi Tsunade dando sinal para que eu começasse. A letra começou a sair da minha boca e fluiu calma, no segundo em que eu comecei a cantar meu corpo todo se relaxou e eu deixei minha mente ficar perdida naquele momento. A melodia começou a me acompanhar. Ok, eu admito, eu até que estava gostando disso.
Quando terminei, o publico se levantou e aplaudiu. Acho que eu fiquei cinco minutos parada e encarando as arquibancadas enquanto tentava assimilar o que estava acontecendo, acordei ao ouvir os gritos da Ino e da Hina se destacarem entre todos os outros, olhei para elas e elas fizeram sinal para que eu saísse do campo.
–Vocês viram isso? – Perguntei eufórica. Eu comecei a pular e elas me acompanharam. Foi tão divertido! Eu nem parecia mais a garota que estava para ter um colapso nervoso.
-Ta vendo Testuda? Nem foi tão ruim assim. Você até que foi boazinha. – Paramos de pular e eu olhei para Ino incrédula. Boazinha? Eu arrasei lá fora.
-Porca, eu fui a estrela da noite, nem que os jogadores marquem o melhor touchdown da historia do futebol eles vão poder ser melhores que eu, eu fui incomparável, imbatível...
–Já ta bom, né? Eu acho que seu ego já ta quase explodindo. – Mostrei a língua para a loira.
–Ok. Vamos assistir a esse jogo. — Hinata entrelaçou o seu braço ao nosso, uma de cada lado e nos puxou até as arquibancadas lotadas de gente, mas eu e Ino continuávamos nos implicando enquanto a morena nos guiava.
....
–Melhor jogo da historia. Bem feito para aqueles imbecis do Suna High. – Ino deu uma risada maléfica, que eu odeio admitir, mas me assustou. O jogo já havia terminado e todos estavam saindo, fomos mais rápidas que a multidão e corremos para o estacionamento, onde o carro da Ino estava perfeitamente estacionado.
–Então, jantar no Ichikaru? – Hinata perguntou. Ichikaru é a lanchonete mais famosa da cidade, todos os tipos de pessoas se encontraram lá.
–Com certeza, eu não como desde o almoço, estou preparada para um grande hambúrguer. – Chegamos ao carro e eu fui logo pulando para cima do assento do motorista, o carro pode ser da Ino, mas permitir que ela o dirija significa querer morrer em um acidente.
–Preciso lembrar que o seu uniforme mostra a sua barriga e por isso ela tem que estar sempre perfeita. – Já dentro do carro eu falei e mostrei a língua para Ino em um gesto infantil.
–Diferente de você, Testuda, eu posso comer o que quiser e não engordar. – Dessa vez foi a vez dela de me mandar a língua, revirei os olhos e liguei o carro.
–Como eu odeio essas loiras de olhos azuis e magricelas. – Brincou Hina do banco de trás.
–Pois é, nem todo mundo pode ser perfeita como eu. – Ignorei a piscadela que ela deu em minha direção. Liguei o radio e coloquei em qualquer estação. Ino abaixou o espelho e começou a retocar o seu batom, eu dobrei bruscamente na curva mais próxima e ela foi jogada contra a porta do carro, deixando uma marca de batom cruzar o seu rosto.
–Filha da... – Aumentei o radio. Hinata explodiu em uma grande gargalhada e eu não pude evitar em acompanha — lá. Foi engraçado ver Ino vermelha de raiva e com o batom borrado no rosto.
–Se acalma loirinha, não é nada que você não possa limpar. – O resto do caminho nós continuamos conversando e brincando. Cheguei no Ichikaru e estacionei, todas as vagas ao meu lado estavam ocupadas, é impressionante como toda escola decidiu vir para cá depois do jogo.
Descemos do carro e caminhamos até o restaurante. O estacionamento estava animado, imagine lá dentro. Desviamos das pessoas até encontrar uma mesa, graças a Deus era na parede, perto da janela, como nós gostamos.
–Os per rapados deviam arranjar outro lugar para ir. – Ino olhava para uma das mesas com uma cara de desgosto. Eu e Hinata seguimos o seu olhar para encontrar a turma dos encrenqueiros fazendo barulhos no lado oposto ao nosso do restaurante.
–Concordo. – Disse
–Meninas! – Hinata nós repreendeu. Viramos-nos para ela confusas. – Todos têm o mesmo direito de vir para cá, não os rebaixe.
–Ah, claro. Você só fala isso porque o Uzumaki está aqui. – Sorri maliciosa para a morena. Desde pequena ela tem essa paixão pelo garoto loiro mais irritante do colégio. Naruto Uzumaki é o exato oposto da Hinata, mas ela parece ver nele tudo o que ela sempre quis ser.
–Nã-ã-ão é ver-er-dade. — Rimos quando a morena gaguejou. É até engraçado a paixonite dela por ele, mas as vezes eu tenho pena, porque talvez ela nunca vá ser correspondida.
–Claro que não. – Murmurou Ino sarcástica. Não pude evitar rir mais uma vez, só que fui tirada do meu momento de alegria quando senti alguém sentar ao meu lado. Virei meu rosto, surpresa, e me deparei com grandes orbes azuis me encarando, meus olhos logo caíram para a boca da pessoa, que sustentava um grande sorriso brincalhão.
–Ah! – Gritei assustada. Naruto Uzumaki apenas aumentou o seu sorriso. Mas o que ele estava fazendo sentando ao meu lado?! E de onde ele veio?! Há um minuto ele estava do outro lado do restaurante! Hinata a minha frente, ficou mais vermelha que um tomate. – O que é isso?!
–Olá! Naruto Uzumaki! – Ainda com o mesmo sorriso, ele levantou a mão e a estendeu em minha direção.
–Nós sabemos, loirinho. O importante é o que você está fazendo aqui? – Ino se debruçou sobre a mesa com um olhar desconfiado e assustador. Ouvi Naruto engolir em seco ao meu lado.
–Ahn...Eu vim falar com a Sakura. – Falou como se parecesse obvio. Ergui minha sobrancelha, desconfiada. Afastei-me alguns centímetros do loiro abusado.
–E o que você gostaria de falar comigo? – Perguntei.
–Bom, pra começar... Aqui. – Ele deslizou sobre a mesa, na minha direção, um CD, um daqueles brancos que você compra em lojinhas para gravar qualquer coisa dentro. O CD estava devidamente guardado em uma capa, escrito com caneta permanente “7leaf”. Mas que merda é 7leaf?
– E o que seria isso? – Ino puxou o CD antes que eu pudesse pega-lo, ela começou a analisá-lo, como se fosse encontrar algo mais interessante lá.
–Esse é o CD da minha banda. – Banda? Os encrenqueiros tinham uma banda? É, até que isso nem parece tão surpreendente assim. – Eu e os meus amigos. – Apontou para a sua mesa. – Formamos essa banda chamada 7leaf. O problema é que a nossa vocalista foi embora e bom...nós estamos procurando uma nova...
–E onde eu entro nisso? – Eu já sabia onde ele queira chegar, mas mesmo assim eu quero ouvir para ter certeza.
–Sakura Haruno, certo? Nós queremos saber se você aceita ser a nossa vocalista. – Cai na gargalhada, não sei porque, mas o pedido soou tão engraçado para mim. Eu? Como vocalista de uma banda de rock – o que eles provavelmente cantam -? Isso parece tão...absurdo! Sakura Haruno é a garota que só tira dez no colégio, freqüenta todas as aulas, é comportada e vai para Harvad! Nada a ver com uma garota que faz parte de uma banda de rock e faz shows por ai!
–Qual é a graça, Testuda? – Parei de rir imediatamente e olhei para Ino incrédula. Ela estava mesmo fazendo essa pergunta?
–O que?
–Vamos lá, Sakura. Não é uma proposta ruim! – Dessa vez foi a vez de olhar incrédula para Hinata, ela não gaguejou e nem parecia envergonhada quando falou, mas logo em seguida, quando Naruto a olhou, ela se afundou no banco e ficou mais vermelha.
–Claro que é uma proposta ruim! Eu tenho que me concentrar nos estudos, pra poder me tornar uma boa médica! – Por um segundo esqueci que o Naruto estava ali, eu ainda nem havia respondido para ele direito.
–Qual é! Sakura, você nunca, nem por um momento, em sua vida inteira, pensou em ser uma cantora? Com a Voz que você tem? Duvido. – Olhei para o loiro. É verdade que quando eu era pequena, eu realmente cantava no chuveiro fingindo ser famosa e estar cantando para uma multidão de pessoas, mas quem nunca fez isso?
–Não tenho tempo para esses sonhos, estou ocupada sendo realista. – Argumentei.
–Isso soou tão...falso. – Fiquei encarando o loiro, sustentando o olhar intenso dirigido a mim. Por alguns momentos fiquei presa naquele silencio, sem poder argumentar. – Sonhos são as coisas que te deixam feliz, que você ama. Se você não tem tempo pra sonhos, então medicina não é algo que você ama, soa mais como uma obrigação vindo de você, Sakura.
–E-eu...Nã-ã-o... – Abri e fechei a boca. Merda! Porque eu não conseguia responder? Porque eu senti um nó se formar na minha garganta? O loiro parecia tão...certo.
–Nossa. Alguém que finalmente falou para a Testuda o que eu sonho em dizer a 10 anos. – Complô contra a Sakura. Fuzilei Ino, mas ela me ignorou. – Então, aposto que ela tem que fazer algum teste ou algo do tipo.
–Claro. Eu já ia falar! – Naruto parece radiante. Começou a caçar algo em seus bolsos e finalmente achou o que estava procurando, do bolso de trás puxou um papelzinho com um endereço e um número. – Por favor, estejam aqui, nesse endereço, amanha às dez da manha. Qualquer duvida, esse é o meu numero.
–Ela estará lá, espero que aceite intrusas. – A loira piscou para o Naruto e ele saiu saltitando da mesa, meu olhar o seguiu até ele chegar à sua mesa e ele parecia uma criança que havia ganhado um novo brinquedo.
–Eu não vou. – Cerrei os olhos desafiadoramente, encarando a Porquinha a minha frente.
–Vai sim. – Ela devolveu o olhar a altura. Hinata finalmente levantou e se pronunciou.
–Você vai sim, Sah. Nós todas sabemos que você adora cantar. Você vive cantarolando por ai!
–Só porque eu amos isso, não significa que eu queria viver disso!
–Isso soou tão errado de tantas maneiras. – Ino bateu a sua mão contra a mesa. – Está decidido! Você vai para esse teste amanha.
–Nem por cima do meu cadáver!
....
–Eu odeio a Ino. – Murmurei sonolenta. A loira me acordou oito horas e não parou de ligar até eu me render e decidir ir. Não bastou eu desligar o meu celular, ela ligou para a minha casa, eu estava perdida.
Levantei da cama e me arrastei até o banheiro, onde eu tomei um longo banho e escovei os dentes. Sai coberta por uma toalha e fui escolher uma roupa, peguei a primeira que vi, pra que me vestir bem para uma audição que eu nem queria ir mesmo. Vesti-me bem devagar, por causa do sono e porque eu tenho tempo de sobra.
Já pronta, desci para tomas café. Meu estomago gritava de fome, desejando uma panqueca deliciosa com calda de frutas vermelhas, assim como só a Chyo sabe fazer, a governanta da casa, que apesar de não ser cozinheira, insistia em fazer as minhas panquecas todo sábado,
–Bom dia. – Disse à meus pais assim que entrei na cozinha. Os dois me olharam por um segundo e depois voltaram a fazer o que estavam fazendo antes.
–Vai sair? –Mamae perguntou. Sentei-me e fui logo atacando as panquecas que a Chyo já havia separado em um prato para mim.
–Uhum – Murmurei de boca cheia.
–Posso saber para onde? – Suspirei. Eu não poderia dizer para ela onde eu realmente estaria indo, meu pai com certeza me trancaria dentro de casa e me deixaria de castigo por pelo menos ter considerado fazer um teste desses.
–Compras, com a Ino e a Hina. – Bom, eu estaria com a Ino e a Hinata, essa parte não é mentira, então eu estou contando uma meia mentira, não é?
–Só não gaste muito dinheiro com coisas desnecessárias, você quase comprou o shopping da ultima vez. –Dessa vez foi o meu pai quem se pronunciou. – Mas sim, vamos ao que interessa, como foi a escola essa semana?
–Excelente, como sempre. – Mostrei o meu melhor sorriso falso, um que eu inventei especialmente para a minha família.
–Ótimo, espero que as suas notas estejam dignas de Harvard. – Enfiei um grande pedaço de panqueca na boca, para evitar fazer uma careta de desgosto.
–Como foi o jogo ontem, querida? – Outra coisa que eu não podia mencionar era a minha pequena aventura de cantar o Hino ontem. Engoli a panqueca e mostrei mais um sorriso para a minha mãe.
–Bom, nós ganhamos de lavada e Ino conseguiu fazer aquele salto que ela vinha treinando a meses. – Depois que terminei de falar, abaixei o rosto, me concentrando apenas na minha comida.
–Que bom, querida. – Engoli o mais rápido que pude a minha panqueca e levantei abruptamente, atraindo os dois olhares para mim.
–Tenho que ir, tchau. – Corri até a porta da frente. Puxei o celular do meu bolso e mande a Ino vim me buscar logo.
Odeio as refeições em famílias, em que eles fazem milhões perguntas sobre a vida perfeita que eles esperam que eu leve. Bufei irritada só de pensar o quão problemático seria se eles descobrissem que eu andei cantando por ai. Eles morrem de medo que eu vire uma cantora rebelde, tudo porque quando eu era criança, eu clamava que iria ser uma cantora famosa um dia, mas eu era uma criança e crianças vivem falando besteiras.
Sentei-me na escada de casa. Quase nenhum carro passava essa hora no bairro de luxo que eu vivo e Ino estava demorando demais para alguém que mora na esquina. Foi só pensar na loira que ela e seu conversível vermelho apareceram na minha frente, com a Hinata no banco do carona.
–Você pareceu bem apressada. Teve um bom café da manha? – A porquinha perguntou sarcástica.
–Excelente, como sempre. – Repeti as mesmas palavras que eu disse pro meu pai e elas já sabiam o que significava.
–Difícil né? – Pulei no banco de trás e afundei ali, deixando todos os meus músculos relaxarem.
–Mais do que você imagina. – Respondi para Hinata. Mas eu sei que ela sabe como é, menos Ino, que os pais não a pressionam para nada, eles a deixam fazer o que quiser. Às vezes eu desejo ter nascido no lugar da loira, mas ai, eu me lembro que poderia nascer com os mesmos neurônios que os dela, então eu desisto.
–Vamos animar Testuda! Eu quero ver você poderosa hoje! – Aah! Maldita animação pela manhã! Quem consegue ser assim na manhã de um sábado?
–Quando algo que valha a minha animação aparecer, eu me animo. – Cruzei os braços sobre o peito e fiz biquinho. Pude ver a loira revirar os olhos pelo retrovisor. Hinata esticou o braço e ligou o radio, em que estava tocando One Direction...Sério?
–Adoro essa musica! – Ino aumentou o volume mais ainda e começou a cantar junto. Logo Hinata foi levada pela empolgação da loira. – Vamos Sakura!
–Duas palavras pra explicar a razão de eu não estar cantando: One Direction. – Resmunguei com a voz elevada para elas poderem ouvir, mas as duas me ignoraram.
–Deixa de ser chata Sakura! – Hinata disse. Que se dane. Comecei a acompanhá-las, baixinho no começo, mas logo fui pegando a empolgação. Parecíamos estar em um daqueles filmes sobre viagens entre amigas, em que elas cantam que nem loucas no seu conversível.
Quando a musica terminou, nós não nos importamos e nem perdemos a animação, porque logo vinha outra. O caminho todo foi assim, cantando e brincando, até chegarmos ao lugar. Eu não sei se Ino estava com o endereço certo, porque ela ficou com o papelzinho de ontem a noite. A casa parecia ser um daqueles balcões abandonada e se não fosse o numero do balcão que estava escrito no papel combinar com os pintados na parede, eu acharia que era o lugar errado.
–É isso? –Perguntou Hinata, enquanto saiamos do carro.
–Eu acho. Vamos entrar. – Paramos na porta e ficamos encarando, Ino foi quem teve a coragem de abrir a porta. Entramos e um barulho musica invadiu o meu ouvido. Não era uma musica ruim, tenho que admitir, na verdade é muito boa. Fomo caminhando pelo corredor até entrar em uma sala mais bonita do que todo o resto. Ela era enfeitada de discos na parede e pendurados por fios transparentes, suas paredes eram pintadas de um vermelho quase vinho e todas pichadas, mas não de uma maneira ruim, mas de um jeito quase artístico. Havia vários pufes espalhados e um grande sofá encostado na parede ao nosso lado. Os meninos e os instrumentos estavam no meio e ainda havia uma escada que levava para o segundo andar, onde eu pude ver uma TV, uma mesinha de centro e o que eu acho que era um sofá cama. Simplificando, era um loft antigo que os garotos devem ter reformado.
–Sakura! – Eu vi o loiro gritar o meu nome e jogar o seu baixo de lado, ele veio correndo até mim e me abraçou, o que foi um pouco estranho, já que a primeira vez que eu falei com ele a minha vida inteira foi ontem.
–Olá Naruto. – Ele se separou de mim com um grande sorriso.
–Oi meninas! – Cumprimentou as duas. Ino acenou para ele e Hinata corou violentamente. O loiro pegou o meu pulso, me surpreendendo e me puxou até perto dos amigos deles.
–Sakura, esse são Neji, nosso agente. –Apontou para o garoto encostado na parede com um celular na mão, desgrudou os olhos do objeto e acenou educadamente para mim. – Gaara, o baterista. – Olhei para o ruivo que ele havia apontado, o garoto estava sentado atrás da bateria, mas mesmo assim ele ainda conseguia chamar atenção por trás de todos os tambores ou sei lá o que sejam. – E Sasuke, o guitarrita. – Por ultimo me mostrou um moreno de perfeitos olhos negros, prendi a respiração por um minuto, encarando a beleza do moreno, como eu nunca havia percebido antes que Sasuke Uchiha era tão bonito, principalmente com um casaco de couro e segurando uma guitarra vermelha. – Só está faltando o Shikamaru, nosso produtor, que cuida da iluminação dos nossos shows também.
–E você seria? – Perguntei mesmo já sabendo a resposta eu queria o ouvir dizer, só para ter certeza.
–Ah, claro! Desculpe a minha falta de educação. Naruto Uzumaki, baixista. – Ele levantou a mão e de dessa vez eu a apertei.
–Prazer. – Sorri do mesmo modo como ele sorria para mim. Logo ele me virou e me botou a sua frente.
–Galera, essa é Sakura Haruno, a garota do Hino.
–E o que a Hinata está fazendo aqui? – Neji, o garoto de longos cabelos castanhos, perguntou.
–Acompanhando a nossa amiga Sakura, que por acaso nem estaria aqui em primeiro lugar, se nós não a tivéssemos trazido. – Ino não é o tipo de pessoa que leva certas coisas na boa, então ela deve ter achado o Neji grosso e deu alguns passos para frente o encarando desafiadoramente e ficando na mesma linha que eu e o Naruto.
–Se ela não queria vir, então não deviam ter trazido-a. – A voz do moreno saiu fria e causou um calafrio que passou por todo o meu corpo,mas o jeito com que ele falou me incomodou, era como se ele não me quisesse ali, mas o Naruto só teria me convidado se a banda toda estivesse de acordo, certo?
–Teme! Para de ser mal educado. – O moreno bufou. Seus olhos passaram por mim, mas pareciam mostrar mais desprezo do que qualquer outra coisa. Agora eu me senti com raiva.
–Não, não tem problema e para a sua informação eu vim para cá por pura e espontânea vontade. Então, nós não vamos cantar ou algo do tipo? – Naruto riu alto e o Uchiha fechou a cara.
–Vamos para o que interessa então. Queremos testar uma musica com você, Sakura. –Ele saiu de perto de mim e foi até o seu baixo laranja. Pisei forte com os meus saltos e caminhei confiante até o microfone, antes de virar para o Naruto e dizer a musica que eu queria, eu olhei por um segundo para o Uchiha com o mesmo olhar de desprezo que ele havia me dado a minutos atrás.
Recebi um sinal do Naruto com a cabeça para que eu começasse. A letra começou a sair da minha boca tímida no primeiro verso, mas logo foi ganhando vida e eu me senti mergulhada na musica.
Birds flying high
You know how I feel
Sun in the sky
You know how I feel
Breeze driftin' on by
You know how I feel
Eu ja não sabia o que estava fazendo ou onde estava, me senti perdida no meio da musica, sendo deixada levar pela melodia. Olhei para os meninos e eles pareciam tão concentrados quanto eu.
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good
Dragonfly out in the sun you know what I mean
Don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Oh, Sleep in peace when day is done
That's what I mean
Soltei o microfone do suporte e deixei meus pés me levarem para onde eles queriam. Fui mais para frente e encontrei as meninas me encarando risonhas. Sorri de volta.
And this old world
Is a new world
And a bold world
For me
And I'm feeling good
Oh i'm feeling so good, yeah
Oh, oh, oooh
Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Oh freedom is mine
And I know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
It's a new life
For me
And I'm feeling good
I'm feeling good, good
Terminei a musica e recebi aplausos das minhas amigas e do Neji, Naruto também largou o seu baixo e aplaudiu, até o Gaara bateu suas baquetas uma nas outras. Mas o Uchiha decidiu me ignorar completamente, depois que eu terminei ele só prestou atenção para a sua guitarra, como se afiná-la fosse a coisa mais interessante do mundo.
–Sakura. Você é perfeita! – Corei um pouco com o elogio do Naruto.
–Claro que ela é! — Ino e Hinata me apertaram em um grande abraço.
–Mas vamos pular para a parte importante. Você está dentro, rosada? – Aquela foi a primeira vez que eu ouvi a voz rouca do Gaara e foi nesse momento que eu percebi que, isso tudo é sério. Ninguém está brincando. Um choque de medo atingiu o meu corpo, o que eu faria agora? O que eu diria? Eu tinha uma resposta presa na garganta e outra gritando dentro da minha cabeça que era a certa. Na minha cabeça se passaram todas as razões para aceitar ou não. Eu travei impedida de dizer qualquer coisa, a única coisa que eu conseguia fazer era abrir e fechar a boca.
–Então...?
Notas finais
Imaginem a voz da Sakura como a da menina do video, obrigada!
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