Un(forget)table.
5 CAPÍTULO TRÊS: A aliança.
Notas iniciais
CAPÍTULO TRÊS
"A aliança."
Freddie's POV.
Eu então a abracei, como nos velhos tempos. Mantendo a promessa que fiz um dia, de protegê-la de qualquer mal. Eu a manteria segura em meus braços até toda essa dor passar. Porque ela é a minha vida, a minha razão.
O caixão desceu, e meus olhos ficaram grudados no mesmo, enquanto eu sentia um pedaço de mim morrendo. Lembrei de cada momento que eu passei junto com a morena, as brigas, os beijos descuidados, minha primeira paixonite. Minha eterna melhor amiga. Eu a salvei uma vez, e faria de novo, se possível. Mas eu falhei, e não me perdoo por não ter impedido de as duas de terem ido naquela maldita loja. Perder a senhorita ironia era triste, quase insuportável. E de alguma forma muito estranha, eu me sentia aliviado por Sam não lembrar da amizade forte das duas.
O resto da cerimônia fora triste. O caixão desceu, e logo milhões de grãos de terra vetaram qualquer esperança de ver o sorriso de Carly novamente. Spencer foi o que mais chorou, e o único que arriscou algumas palavras. O pai dela, apenas olhava para o vazio, talvez lamentando todas as vezes que não contou historinhas para a little Shay dormir. Depois, todos caminharam em silêncio para a saída. Eu e Sam ficamos para trás.
– Freddie? — A ouvi proferir baixinho, como fazia quando tinha medo.
– Diga, meu am... S-Sam. — Ela se desfez do meu abraço, me olhando.
– Como ela, digo, Carlotta era? — Seus olhos azuis ainda marejados me olhavam curiosos, como se fosse importante pra ela ouvir cada segundo que passou ao lado da melhor amiga.
– Ela era incrível. — Era exatamente o que eu iria dizer, mas a voz que saiu não foi minha. Spencer encontrava-se ali, com um sorriso triste nos lábios. A loira virou para ele. Spencer se apresentou antes de Sam ter que fazer qualquer esforço, e gentilmente a abraçou.
– É bom ter você de volta.
Sam sorriu.
– Obrigada. Sinto muito por sua irmã, queria muito lembrar dela.
– Você vai lembrar, não se cobre tanto, loirinha.
– Vocês poderiam me contar como éramos, né? — Indagou, e eu não pude deixar de sorrir fraco. Mas ainda sim é um sorriso, não? Afinal, ela quer se lembrar, ela nos quer em sua nova vida. E eu de alguma forma, estou incluída nela, não? Estou peguntando demais. Menos perguntas e mais respostas, Freddie.
– Não tem nada mais que represente vocês que o iCarly.
– Que o que?
– iCarly, Sam. — Falei. — É um programa que fazíamos.
– Sério? Uau. — Disse, surpresa. — Eu poderia ver alguns?
– Claro! — Spencer disse. — Tenho todos os programas gravados, acho que isso a ajudaria, certo?
Ela fez que sim com a cabeça.
– Bem, eu preciso ir, sabe como é, família lá em casa e com esse clima ainda. — Ele suspirou. — Eu me movi, e o abracei. Não falei nada, pois já compartilhávamos um silêncio doloroso. E tendo ele, não se faz necessário nenhum vocábulo. Sam também o abraçou, mas ela disse algumas palavras quase num sussurro que eu, não fui capaz de ouvir.
Logo ficamos sozinhos novamente, naquele cemitério sombrio. Só nós e nossos corações quebrados, triste.
– Eu, eu preciso ir. — Ela disse, e a vi inquieta. Talvez ficar sozinha comigo a deixa sem graça, ainda mais depois de tudo que soube.
– Tudo bem, eu te levo pra casa.
– Não precisa, o porteiro do prédio vem me buscar. Só preciso ligar pra ele.
– Eu insisto, me deixa te levar pra casa.
Ouvi um suspiro e então seus dedos remexeram os botões no celular em uma sms.
– Pronto, eu vou com você.
Não pensei que seria tão silencioso no carro. Sam costumava colocar o som do último volume, por a cabeça para o lado de fora da janela e gritar um, desculpa a expressão, “Foda-se você, mundo”. Agora tudo o que faz é cutucar o esmalte descascado, e vejam só, até cinto de segurança ela pôs. Sim, eu também sei que estamos em clima de luto, mas de qualquer forma, é extremamente estranho.
Passei uns dez minutos tentando achar alguma coisa pra quebrar o gelo, e quando pensei em falar sobre sei lá, a minha escova de dente, ela quem proferiu.
– Freddie?
– Hm.
– Eu tô com fome.
É, parece que as coisas não mudaram tanto assim.
– Novidade.
– Oi?
Eu ri.
– Você sempre foi, digamos... Muito esfomeada.
– Sério? — Ela sorriu. Acho que é por isso que estou com a sensação que meu estômago colou nas costas.
Balancei a cabeça e gargalhei.
– Já sei o que seu estômago quer pra voltar pro lugar.
– Sabe?
É claro que sei. Qualquer pessoa sabe, até o estômago ela deveria saber, porque se agitou só de parar em frente do estabelecimento. Pulei do carro e a fiz esperar, logo mais, voltei e coloquei o balde em cima de suas coxas.
– O que é isso? — Ela me olhou.
– Balde de frango frito. Vai por mim, você adora.
No início, Sam comeu devagar, mas depois que reconheceu o gosto, praticamente sugou as coxas de frango. Quase podia ver uma faísca da antiga Sam surgindo. E bem, eu a faria queimar. Irei ajudá-la a relembrar de cada coisa que gostava e odiava, vou trazer minha Killer que usa meia de manteiga para o mal de volta.
Estacionei o carro em frente ao seu condomínio, e adivinha quem estava na frente? Sim, Pam. Seus olhos encontraram o meu, e eu sabia que ela estava apavorada.
– Você discutiu com a sua mãe?
– Mais ou menos, mas não quero falar sobre isso. — Disse, e remexeu-se no banco, enquanto lambia os dedos.
– Tudo bem. Você está bem?
Ela fez que sim.
– Obrigada.
– Pelo que?
– Por me trazer aqui, e por não ter ficado chateado comigo.
– Eu não tenho motivos, eu fui um estúpido com você. É só que...
– Eu sei, eu sei. É difícil, mas me dê um tempo, certo? Eu vou conseguir pôr todos os pingos nos “i”, prometo.
– Eu vou ajudar você.
A loira fez que sim com a cabeça.
– Obrigada mais uma vez.
– De nada.
Ela abriu a porta, mas não saiu, apenas me olhou. Eu a abracei, querendo que ela diminuísse o suficiente para caber no meu bolso. Logo resmungou que tinha que ir, então eu a larguei.
Ela saiu em silêncio, mas pôs a mão pra dentro da janela do carro, e estendeu-a com a aliança nas mãos.
– Acho que é sua.
Meus olhos se arregalaram. Primeiro: Como a aliança foi parar ali? Ela foi perdida nos escombros do carro. E, segundo: Por que ela me devolveria?
– Na verdade é sua.
– Eu não posso ficar com ela agora, não somos mais noivo. Eu espero que você entenda.
Assenti. Ela desapareceu, enquanto Pam ia a trás, falando decerto minhões de coisas pra ela. Enquanto eu segurava aquele objeto metálico, e sentia meu coração doer. Eu sei que não éramos mais noivos, mas ter isso de verdade, e não só hipoteticamente, fazia toda diferença.
Girei a chave e fui embora.
Notas finais
E ah, obrigada pelos reviews e pela outra recomendação que recebi. Vocês são demais, e eu amo vocês. []
xx, Phants.
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