Un(forget)table.
2 CAPÍTULO UM: Desmemórias, parte um.
Notas iniciais
Então, está aí, a primeira parte do primeiro capítulo. Por que eu dividi ele em duas partes? Porque eu quis. ÇLAÇSLÇALSÇ Tenho costume de fazer, sorry. :c
Enfim, espero que gostem.
Ah, quase ia esquecendo de agradecer vocês. Tanto pelos leitores que ganhei, pelos reviews e pelo favorito que recebi, cês são demais. ♥
Sem mais enrolações...
CAPÍTULO UM.
"Desmemórias. — Primeira parte"
Freddie's POV.
Na vida de um cara, a melhor parte é quando você cresce. Aí você ganha sua independência, sai de baixo da saia da sua mãe e vai viver a vida. Bem, pelo menos deveria ser assim. Alguém poderia me explicar então por que estou sentado aqui no sofá da casa da minha mãe – vulgo minha casa também -, e ouvindo ela falar um cado de baboseiras?
Marissa é uma mulher protetora, nunca duvidei disso, fui refém de suas milhões de maneiras de proteger um filho. Mas nunca pensei que a loucura dessa mulher seria tanta. No momento, tentava me convencer a vir morar aqui com Sam. Ou então passar os finais de semana aqui.
- E a minha vida de casado fica onde, mãe?
- Fica aí, ué. Vocês vão estar casados, só que morando comigo. Fredwar... Freddie, você é bebê demais pra ser o chefe de uma família.
- Mãe, eu sou um adulto.
- Não, você não é. — Resmungou em tom de “estou prestes a fazer uma chantagem emocional com você, até que você atenda ao meu pedido”. Ignorei-a, tombando a cabeça para trás, até que me apoiasse em uma das almofadas grandonas atrás de mim. — Filho...
- Ei. — Interrompi, exausto dessa conversa. Marissa não mudaria nunca, não importa quantos anos eu faça. — Mãe, escuta, você apoiou esse casamento, não foi?
- Foi, quero sua felicidade ué. Mas você sabe o que eu penso sobre a monst... Sam.
Ergui minha cabeça para fitá-la, não, não, não, ela não iria começar isso de novo. Convencê-la de abençoar esse relacionamento não fora nada fácil. Ela negou, bateu de pé junto que não me via casado. Principalmente com ela. Eu usei as táticas dela, e depois de muita chantagem emocional, consegui a benção, e ainda de quebra, a promessa de que faria de tudo para se dar bem com a minha loirinha.
- Eu sei mãe, mas já conversamos sobre isso e... — Corri meu olho pela blusa dourada da minha mãe. — Bonita blusa. — Na verdade, não era lá aquelas coisas, mas a cor me fez lembrar dos cabelos torcidos e dourados de Sam.
Tal pensamento me fez lembrar de mandar uma sms pra ela. Que demora era essa? Tipo, eu sei que uma mulher demora séculos para escolher vestidos. Mas também não milésimos.
- Obrigada, filho. Ma..
- Mas nada, dona Marissa. A escolha é minha, e olha só, faltam quase dois dias pro casamento. Nada do que você faça, mudará isso. — Proferi, pegando o celular. — Eu te amo. Agora chega dessa conversa. — Levantei-me e beijei sua testa, a vi fechar os olhos por um momento e só então, concordar com a cabeça. É, Freddie Benson, você está melhorando no quesito ganhar discussões com a sua mãe.
Corri pro quarto, me jogando na cama e então, digitando uma mensagem:
“Loirinha, cadê você, hein? Você vai ficar linda com qualquer vestido. Volta logo, tô com saudade.”
Enviar mensagem.
Joguei o celular no criado mudo, e então desliguei-me do mundo por alguns minutos num cochilo. Fui acordado com batidas desesperadas na porta da frente.
- Mãe! A porta.
Nada. Ela deveria ter saído.
Outra batida me fez xingar em silêncio, e me arrastar até a porta. Logo a abri.
Me deparei com um Spencer com os olhos e bochechas vermelhas, os lábios cerrados e rígidos, e os olhos castanhos marejados.
- O que houve, cara? — Perguntei, e notei que minha voz falhou.
- As meninas... Elas sofreram um acidente. — Spencer respondeu devagar, como se estivesse forçando as palavras a saírem de sua boca.
Meu coração deu um salto. Eu pensei em rir e dizer algo sobre “Tá, Spencer, parou com a palhaçada. Hoje não é primeiro de Abril”, mas notei que não tinha brincadeira em sua voz. Ao contrário disso, tinha dor, uma dor que me atravessou. Eu senti medo de perguntar algo novamente, mas tinha que fazer isso.
- Como elas estão?
- Sam está no hospital. — Ele fez uma pausa, eu sentia que ele buscava as palavras certas pra dizer de uma forma menos dolorosa. Tanto pra mim, como pra ele. — Mas Carly... — Ele pôs as mãos no rosto. E eu faria de tudo pra não ter que ouvir o resto da frase. — Ela não resistiu.
- Meu Deus. — Foi tudo o que eu consegui dizer. Eu tinha uma bomba nas minhas mãos, e ela estava prestes a explodir. Queria gritar, chacoalhar o pulso do homem chorão a minha frente e implorar para que ele dissesse que era mentira. Minha melhor amiga, morta? E minha noiva internada? Se eu tivesse dormindo, seria esse com certeza, o meu pior pesadelo. Mas era pior que isso, porque ele era real. Eu daria minha vida para eu ainda estivesse cochilando.
- Samuel também faleceu.
Desculpa pelo egoísmo, eu sentia muito por ele, mas essa notícia não me doía um porcento do que as outras duas anteriores me doeram.
- E agora? — Falei como uma criança indefesa, e eu já podia sentir meus olhos arderem. É feio um homem chorar?
- Eu não sei, cara. — Spencer respondeu, e então me abraçou. Choramos juntos, como crianças pequenas. Tínhamos que ter esse tempo infantil e chorão, antes de vestir a armadura e enfrentar tudo o que viria. Quero ver o que será da Sam quando souber.
Nesses últimos dias, minha vida virara um inferno. Perdi minha melhor amiga. Morreu, acabou. Eu nunca mais ouviria suas reclamações, suas birras, nunca mais vou poder cuidar dela quando pegar uma Verminose ou qualquer coisa do tipo. Carly era um anjo, sempre fora, e eu tinha certeza que agora, ela ganharia suas asas. Isso se já não estivesse com ela, voando por minha cabeça, ou segurando as mãos da minha noiva.
Por falar nela, fui impedida nos últimos dois dias de visitá-la. E isso me tirou o sono ainda mais. Mas eu não ficaria sentado esperando por ordens médicas, a loirinha sempre me cobrou um pouco de insanidade. Então aqui vou eu, insanamente desesperado para ver a minha garota. Ela seria a minha única alegria. Fico pensando em como está, ou se já acordou.
Coloquei a primeira roupa, e penteei meus cabelos com os dedos mesmo. Não tinha tempo para pseudos metrossexualidades agora. Passei pelo corredor e avistei minha mãe falando com alguém no telefone, deveria estar desmarcando as coisas do casamento. Que no caso, aconteceria hoje, se não fosse essa tragédia toda. Ela sorriu piedosa, e voltou a sua atenção pro telefonema. Eu forcei um sorriso de volta, e saí porta a fora.
- Spencer? — Chamei assim que abri a porta do apartamento. Prometi a mim mesmo que passaria todos os dias para ver meu grande amigo. A atmosfera estava pesada, e triste, muito triste. Os móveis continuavam no mesmo lugar, e se duvidar, inclusive a louça não fora mexida desde o dia do acidente. Subi as escadas e fui até o antigo estúdio do iCarly. Vi a sombra do Spencer, ele mexia em algo. Na verdade, fazia uma escultura. Bati na porta, e esperei que ele mesmo viesse abrir, com as mãos no bolso.
- E aí. — Ele disse, apontado com a cabeça para a escultura. — Linda, não é?
Passei meus olhos até a escultura. Parecia ser feita com porcelana, a garota esculpida era Carly. A escultura franzia o cenho, enquanto depositava uma das mãos na cintura. Era linda, com certeza.
- É maravilhosa. — Proferi. — Era uma das melhores faces da Carly, né?
Spencer riu.
- Parecia uma princesinha zangada.
Eu assenti. Por toda minha vida, fui acostumado com essas caras e bocas. Sinto falta delas.
- Com certeza. Acho que ela fez uma expressão parecida quando praticamos Esgrima, lembra?
Spencer riu novamente.
- Como poderia esquecer? Fez muitas caras como essa pra mim. Eu era o rei em proporcionava. — Ele proferiu num sorriso, orgulhoso pelo posto conquistado.
Minha vez de rir.
- É verdade. Mas eu fui bastante vítima dessa carinha aí.
- Todos foram. — Ele se silenciou por alguns segundos. — Aonde você vai?
- Eu? É, vou ir visitar Sam.
- Mas ela já está autorizada para receber visitas?
- Não sei.
Spencer me olhou confuso.
- Eu não sei, Spencer. Só sei que não vou mais ficar mais um dia sem saber notícias concretas dela. Essa história está me torturando.
- Torturou e moeu todos nós, me sinto uma carne moída prontinha pra ser colocado dentro de um pastel gorduroso.
Olhei pro chão e ri, Spencer sempre seria o Spencer. Nem a morte da irmã o tiraria isso.
- O enterro vai ser quando?
- Depois de amanhã. Já era pra ter acontecido, mas meu pai só poderá vir depois de amanhã. Ocupado até quando a filha morre. — Ele suspirou.
- Mas como andam as coisas com ele?
Spencer riu sem humor.
- Bem... mal. Meu pai tá arrasado, mas ainda sim me culpa pelo o que aconteceu.
- Foda, cara. — Depositei minha mão em seu ombro, em sinal de apoio.
- Mas eu dou meu jeito. Agora vai lá para sua Samantha antes que fique muito tarde. E mande um beijo pra ela.
Assim que pisei no hospital fui invadido por aquele cheiro de remédio e gaze esterilizada. Eu odiava esse cheio, me embrulhava o estômago e me fazia suar frio. Suspirei, enquanto caminhava até a recepção.
Northwest Hospital ficava uns 20 minutos do Bushwell Plaza. Era consideravelmente grande, sua estrutura era bonita, e a fachada era rica em vidraças e janelões. Para um hospital, era bem agradável. Por dentro, era ainda mais bonito, mesmo que não fuja do padrão de clínicas. Chão branco e lustroso, e as paredes claras, dependendo do cômodo. O corredor era azul bebê, mas a recepção já mudava para uma parede verde, seguida de todas as outras brancas. Minha cabeça girou, o branco me fez lembrar de Sam. Eu quis sair correndo gritando seu nome, mas me contive.
A recepção estava deveras vazia, com três pessoas lá. Uma era eu, outra, a recepcionista que aparentava ter uns 50 anos. E por último, um paciente que assinava uns papéis do qual imaginei ser sua alta. O resto do local era preenchido por um balcão de madeira no canto esquerdo, e poltronas pretas espalhadas pelo resto das paredes, com algumas revistas jogadas em praticamente todos os assentos.
Me sentei em um deles, até que a paciente se despedisse da recepcionista e me lançasse um sorriso, e então, quando saiu porta a fora, me aproximei do balcão.
- Boa tarde. — Eu proferi.
A senhora ergueu o olhar na minha direção, e balbuciou um 'boa tarde' de volta. Vendo-a de perto, as rugas se tornavam ainda mais acentuadas, e sua expressão era de uma pessoa cansada e irritadiça. Algo me diz que ela não irá facilitar nada.
- Posso ajudar? — Ela indagou por fim.
- Sim, gostaria de saber se Samantha Puckett está podendo receber visitas.
- Você é o que dela? — Ela parecia me expulsar com os olhos, incomodada.
- Sou noivo.
A recepcionista remexeu-se na cadeiras e pôs os cabelos semi grisalhos atrás da orelha.
- Só é autorizado família, meu senhor. E além do mais... — Ela digitou algo no computador. — Não está autorizada visitas nem mesmo para os tais. Desculpe.
Fechei os olhos por uma fração de segundos, xingando mentalmente aquela mulher. Eu não viria em vão.
- Poderia pelo menos dizer em que quarto está?
- Pra quê?
- Pra ter uma ideia de como ela está. Não tem uma hierarquia pra essas coisas?
- Não seria melhor perguntar como ela está, então?
- Você diria? — Cuspi a frase.
- Não.
Ergui a sobrancelha, em sinal de vitória.
- Ela está se recuperando, é tudo o que eu posso, e quero, dizer. — Ela deu ênfase no quero.
- Obrigado. — Respondi. Precisava de um plano rápido.
Minha mente pensava, agitada, procurando desesperadamente por uma solução, enquanto a mulher, que nem crachá tinha, me encarava.
Cambaleei nos pés, e saí sorrateiramente, não tirando os olhos dela. Enquanto acenava.
Passei pelo corredor rumo a saída, e não, eu não iria desistir tão fácil. Chegando na porta de entrada novamente, corri o olho pelo local e então achei o que eu estava procurando: O mapa do hospital. Estava pendurado na parede. Nele tinha um desenho de toda estrutura, sinalizando os locais, escrito com letras pequenas, e algumas legendas coloridas. Estreitei os olhos, forçando para enxergar. No subsolo: o estacionamento, apenas. Primeiro andar: Logo na entrada, depois de alguns metros de corredor, tinha um almoxarifado, no lado oposto tinha a Copa, depois a recepção, e no final da recepção, os elevadores. Corri o olho pela legenda, até então, em rosa achar um lugar chamado “Ala de recuperação”. Bem, se aquela mulher não estivesse mentindo, ela poderia estar ali. Em um dos quartos. Arquitetei um plano em mente, e voltei a adentrar o hospital.
Enquanto passava pelos primeiros centímetros do corredor, avistei algumas câmeras de segurança. Tinha certeza que o hospital era cheia delas, e eu, o covarde Fredward Benson estava cavando a própria cova. Girei a maçaneta do almoxarifado, e abri a porta. Não tenho tempo pra pensar muito, mas lá deveria ter o tempo pra buscar algo que me ajude. Vasculhei as prateleiras com milhares de caixas, e finalmente achei algo útil. Na caixa, estava escrito: “Vestimentas – Pacientes”. Puxei a caixa, e então, tirei uma camisola típica de hospitais. Escondi em um lugar nada peculiar – sim, minhas calças. E então, respirei fundos algumas vezes, antes de sair do Almoxarifado. Saí então, correndo até a recepção.
Ao me ver, a recepcionista, que agora tinha um crachá que a nomeava como Thelma, ergueu as sobrancelhas. Mas ao ver minha expressão – fingida – de desespero, se manifestou:
- O que houve, Jesus?
- Tem uma mulher tendo uma convulsão na entrada no hospital. Ela precisa de ajuda! — Ótimo, Fredward. Ótimo, uma mulher tendo uma convulsão, não poderia ser mais criativo numa desculpa?
- Meu Deus. Vou chamar um médico, agora.
- Não! — Respondi. – Quero dizer, ela precisa de primeiros socorros, e eu não sei o que fazer.
- Oh, certo. — Disse, e saiu da recepção, correndo de uma forma engraçada, até sumir da minha visão.
Assim que ela saiu, fui até o elevador. Enquanto ele subia em direção a Ala de recuperação, eu tirava a camisola das minhas calças, e deixava dobrava em meus braços. O corredor que dava o acesso aos quartos estava vazio, sorte.
Dei um de Slenderman e caminhei devagar por ele. As portas de todos os quartos eram numerados, e na parte superior tinha uma pequena janelinha de vidro, dando visão para o paciente. Espiei alguns, e nada. Continuei caminhando, quando fui surpreendido por um enfermeiro.
- Posso ajudar?
Pigarreei.
- É, então. Thelma me pediu pra trazer uma camisola para Sam... Samantha Puckett.
- E ela mesma não a trouxe, por..?
- Não sei. Acho que foi ajudar alguém que estava passando mal lá em baixo, ela me pediu isso.
Ele deu de ombros. E eu pude seguir caminho. Realmente não tinha ideia de que era tão bom ator.
Passei por mais algumas portas, e enfim, no quarto 211 vi uma loira inconfundível deitada em uma das macas. Senti minhas pernas bambearem, e minha garganta fechar.
- Finalmente. — Sussurrei para mim mesmo.
O quarto estava aparentemente vazio, com apenas a presença da minha noiva. Então fui lodo adentrando-o.
Ela não dormia, mas sim olhava na TV um programa qualquer. Custou alguns segundos para ela notar minha presença ali, e quando a fez, seus olhos me indagaram em dúvida.
- Sam? — Proferi baixo, e notei minha voz falhar.
Ela assentiu, mas continuou com a mesma expressão.
- Você está bem? — Certo, Fredward, que pergunta mais inútil. Ela estava numa maca, com uma camisola ridícula, branca como leite e estava tudo bem. Palmas para sua idiotice.
Esperei por alguma resposta típicamente dela, mas tudo o que proferiu foi:
- Sim, estou. — Eu sorri, sua voz estava sonolenta e levemente rouca. Senti meus olhos arderem, e um sorriso escapar de meus lábios. Como eu amava aquela garota, e como eu senti falta dela. Minha vontade fora de correr para seus braços, pegá-la no colo e sair correndo desse hospital. Mas me contive.
- Senti tanto sua falta. — Proferir aquilo me tirava um peso das costas. Dei alguns passos em sua direção.
Tá certo, depois de todo esse pesadelo, o mínimo que eu esperava era um: “Também senti saudades”, mas neste momento, Sam estreitava os olhos, acentuando aquela mesma feição de dúvida. Podia-se notar que ela fazia algum tipo de força mental, como se tentasse lembrar de algo. Bem, eu tinha me preparado para tudo na minha vinda arriscada pra cá. Vê-la em uma UTI, ser preso, ou qualquer coisa do tipo. Mas o que veio da loira, a seguir, me surpreendeu totalmente.
- Desculpa, mas eu não sei quem é você.
Notas finais
Reviews são motivos pra Phantasie aqui continuar escrevendo. :3
xx, Phants.
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