Estava chovendo naquele dia. Aquele fatídico dia. Me lembro como se fosse ontem, o dia em que tornei vampira.

15 de Agosto de 1789

A praça central da vila onde morava estava bem movimentada naquele dia, parecia que a Revolução Francesa teve algum sucesso nesses dias. Estava com as filhas do meu chefe, o mesmo me pediu pra comprar alguns ingredientes para fazer a comida favorita delas e elas insistiram muito para me acompanhar.

— Tivemos grandes notícias da Revolução! — Um homem fala bem alto para todos o ouvissem. — No dia, 14 de Julho de 1789... eles conseguiram tomar a Bastilha!

Assim que ele falou aquilo todos gritaram de alegria, até eu gritei, já que estamos a um passo de ter os nossos direitos.

— Sim, meus irmãos, estamos perto do nosso objetivo! Vamos fazer justiça com aqueles que nos menosprezaram a vida toda! — O povo gritaram concordando, já eu estava saindo de lá. Tinha que voltar rapidamente para casa de meu chefe, senão ia ter problemas.

Mesmo estando um pouco longe da praça consegui ouvir eles gritando: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". Durante o caminho as meninas ficaram me perguntando do que eles estavam falando, obviamente eu não respondi, não podia falar nada disso porque se não iam achar que estava manipulando elas e isso podia ser um grande problema tanto para mim quando pra elas.

Chegamos na casa e as meninas foram para a mesa de jantar, estavam muito ansiosas para a comida, já eu fui pra cozinha.

— Tem notícias, Lexi? — Pergunta uma amiga do trabalho.

— Sim, a Bastilha caiu. — Assim que respondo os empregados ficaram animados, mas nem tanto por conta da família que mora naquela casa, eles são contra o movimento.

— Gente, vamos logo arrumar a mesa. O chefe está começando a perder a paciência. — Um dos empregados falou entrando no local apresado.

Nem precisou falar duas vezes que todos começaram a preparar a mesa rapidamente. Todos têm medo do chefe, principalmente quando está de mal humor, só de me lembrar do que ele é capaz de fazer minhas costas doem.

Ele chegou na sala exatamente quando terminamos de arrumar, ele ficou um pouco feliz ao ver a mesa.

— Finalmente! — Ele exclama e se senta no seu lugar.

Um homem estranho o estava acompanhando, era um pouco alto do que a maioria dos homens. Tem cabelos negros como a noite e seus olhos são azuis intensos, qualquer um que encarava aqueles olhos ficavam hipnotizados, sua pele é bastante pálida. Usava um terno e gravata preto, mesmo usando muitas roupas dava para notar os enormes músculos que possuía.

Esse homem se chama Alexander Johnson e é britânico. Sim, a sentença é no presente já que foi ele que me transformou.

Nós começamos a servir a comida enquanto o chefe e aquele homem conversavam sobre negócios, servi a comida dele e foi nesse momento em que nos conhecemos. Quando encarei aqueles olhos, tive calafrio, um mal pressentimento me invadiu mas a idiota ignorou.

O jantar foi normal, até acho que o humor do chefe melhorou um pouco mas não durou muito. Um dos homens que espiona a gente entrou na sala e falou sobre a praça, claro que antes eu não sabia disso.

Enquanto isso acontecia estava dando banho nas meninas, depois coloquei elas para dormir. Estava indo fazer outras atividades quando Alexander apareceu de repente na minha frente, o mal pressentimento aumentou assim que ele disse aquelas palavras:

— Se fosse você, tomava cuidado com seu pequeno chefe.

Se virou e saiu da casa. Pisquei um par de vezes e retornei o caminho, enquanto fazia as atividades não conseguia tirar da cabeça aquele aviso. Até que quando acabei a última, dois homens me pegaram pelos os meus braços e me levaram para a sala de tortura.

Prenderam os meus pulsos pro alto e rasgaram as minhas roupas. O desespero tomou conta de mim, sabia exatamente o motivo de estar lá e estava com medo com qual nível de tortura ia enfrentar.

— Sabe porquê está aqui, Lexi? — Perguntou o chefe atrás de mim e podia ouvir ele mexendo os objetos de tortura.

— S-sim senhor. — Respondi trêmula.

— Então, me fale.
— O senhor soube que a Revolução tomou a Bastilha e, de alguma forma, eu apoio o movimento.

— Exatamente. Tenho que admitir a você, Lexi, fiquei muito desapontado quando soube sobre você. A melhor empregada que já tive, tinha certeza de que não iria me apunhalar pelas as costas até porque é graças a mim que não está mais morando nas ruas.

— Eu sei disso senhor mas... não sou tola o suficiente para não ver o que o senhor faz com os outros empregados. Principalmente não esquecer o que você fez com a minha família.

Assim que disse essas palavras, encostaram um pedaço de ferro que acabou de sair do fogo nas minhas costas. Foi inevitável gritar e chorar de dor, até hoje me lembro da dor.

— Você não tem família! Eu que sou sua família! Fui eu que te dei um lugar dormir confortável, te dei comida e água!

— Pode ter feito isso, mas eu sei que você matou a minha família a sangue frio!

— Do que você está falando?!

— Alguns anos atrás, estava limpando o seu escritório. E lá achei umas cartas falando que o plano na casa de campo no monte foi concluída e que o fogo matou todas pessoas da casa menos uma mas conseguiram fazer com que parecesse com acidente. Aquela era minha casa e você mandou alguém para nos matar por causa de rumor idiota.

— E mesmo assim não fez nada. — De alguma forma, sabia que ele estava sorrindo debochado.

— Quem disse que não? No dia seguinte que descobri isso, procurei um dos membros da revolução que estava se abrigando na vila, contei tudo sobre você e ele logo mandou isso para a sede da Revolução. Não demorou muito para eles responderem e mandarem um grupo de homens para ficar te observando e quando for o momento certo te prenderem. Agora que tomaram à Bastilha, já estão vindo para te pegar.

Depois disso veio uma enorme sequência de golpes com vários tipos de armas, foi tão intensa que no final me deixei ficar totalmente pendurada pelos pulsos, já que não conseguia ficar em pé, e estava morrendo pela enorme perda de sangue.

Nesse momento o chefe estava arrumando as suas coisas para fugir, ele deixou as meninas naquela casa com os empregados já que na cabeça dele foi por causa delas que a mãe morreu no parto. E também, uma das empregada foi me visitar, Charlotte Taylor era a pessoa que pensava fosse minha melhor amiga, até aquele momento.

— Lexi? — Escutei a voz dela e parecia surpresa.

— É você, Charlotte? – Consegui perguntar, minha voz estava bastante rouca por conta da tortura.

— Sim, minha amiga. Meu Deus, o chefe exagerou. — Ela fica na minha frente e fez um carinho no meu rosto. — Soube que ele está fugindo da Revolução e que vai deixar as meninas aqui com os outros empregados, o que é bom para mim.

— Do que você...

— É bem simples, ele me prometeu em me tornar sua esposa se fizer alguns favores a ele. — Ela se afastou e escutei pegando alguma coisa.

— Charlotte, não dê ouvidos a ele. Você sabe que...

— Shh! — Ela colocou o seu dedo indicador na boca e vi uma adaga na sua outra mão. — Vou acabar com seu sofrimento rapidamente.
Sem hesitar, ela enfiou a adaga no meu coração. Depois saiu correndo em direção ao chefe.

— Nunca pensei que ela iria realmente fazer isso. — Escutei uma voz masculina falando mas não conseguia ver nada. Senti os meus pulsos sendo libertados. — Não se preocupe, vai morrer mas vai reviver, tecnicamente. Aí vai ter de tomar uma decisão.

Depois disso morri.

Foi tranquilo, parecia que tinha pego no sono. Quando acordei estava num quarto extremamente luxuoso e que estava vestindo uma camisola branca.

— Bem-vinda de volta, Bela Adormecida. — Olhei pro lado e Alexander estava encostado na parede com os braços cruzados.

— O que aconteceu?

— Em resumo: a sua amiga Charlotte te matou, eu te trouxe aqui na minha casa, te limpei, coloquei essa roupa quentinha em você e fiquei esperando você acordar.

— Como assim eu morri? Isso é impossível!

— A prova está no seu peito, meu bem.

Rapidamente abri os botões da camisola e tinha uma cicatriz no mesmo lugar onde Charlotte me apunhalou. O toquei para ver se era real mas infelizmente era.

— Infelizmente não tinha o meu sangue suficiente para não deixar cicatrizes mas sim para transformação.

— Sangue? Transformação? Do que você está falando?

Ele se aproximou de mim e o seu rosto mudou, apareceu veias negras em torno de seus olhos e se espalhou um pouco pelo rosto, sua pele ficou mais pálida do que o normal e suas presas se alongaram e ficaram mais afiadas. Quando me toquei o que ele é corri em direção à porta mas ele impediu ficando na minha frente, sua aparência tinha voltado ao normal.

— Não fique assustada, meu bem. — Ele acariciou o meu rosto delicadamente. — Se for o seu desejo, vai se tornar que nem eu.

— O que? Me de um bom motivo pra tornar uma vampira?

— Pra começar, você vai sentir mais forte e veloz do que nunca. Vai ter uma vida imortal, então uma longa vida pela frente. Mas principalmente... — Ele andou atrás de mim e colocou a sua boca próximo ao meu ouvido. – os sentimentos vão ser mais intensos, em outras palavras o prazer vai ser em dobro.

Assim que terminou de falar isso, mordeu de leve o meu pescoço. Isso fez com que ficasse toda arrepiada e rapidamente me afastei dele, Alexander riu com essa atitude.

— Então, o que vai ser, meu bem?

Antes que pudesse pensar em uma resposta, alguém bate na porta e Alexander permite entrar. Era uma mulher, mas quando o cheiro dela invadiu as minhas narinas as minhas presas aumentaram e perfuraram as minhas gengivas.

Já ele sorriu ao ver o estado em que eu estava, esse foi um dos momentos em que mais odiei ele.

— Sr. Johnson, vim aqui para saber se precisava de alguma coisa. — Fala ela.

— Não, obrigado, Jessica. — Ele chega perto dela e seu coração dispara por causa disso.

Mas ela se afastou e foi em direção à porta, meu corpo inteiro fala para beber o seu sangue e tento me controlar em vão. Quando estava prestes a fechar a porta, fui na direção dela com velocidade sobre-humana e bebi o seu sangue.

Quando percebi que estava passando dos limites consegui parar com muita dificuldade, a mulher caiu no chão quase morta. Foi nesse momento que fiquei desesperada, pensei que tinha a matado.

— Ei! — Fiquei balançando e chamando ela por um tempo até ouvir Alexander batendo palmas.

— Incrível! Nunca vi um vampiro novato se controlar tão bem quanto você. Sabia que você é especial.

— Como pode falar essas coisas?! Eu a matei!

— Não, meu bem. Ela está viva por um fio. — Fiquei procurando algum vestígio que indique ela está viva por um tempo até que ele fala: — Apure os seus sentidos que vai saber.

Fiz o que falou e pude ouvir os fracos batimentos cardíacos dela, sentir um pouco o color do corpo e vi o ferimento se curando bem aos poucos.

— Graças à Deus! — Falei aliviada e me joguei contra a parede.

— Nossa... me chamando assim de Deus até fiquei comovido. — Olhei para ele com raiva. — Não me olhe assim, meu bem. Vai se limpar que depois vou te ensinar a como se controlar. E não aceito "não" como resposta.

Ele colocou a mulher no ombro e saiu do lugar, sem ter mais nada para fazer fiz o que ele mandou. Mesmo que tentasse fugir não ia dar certo, já que ele é anos mais velho do que eu e quando falo isso é quinhentos anos pra cima.

Esse foi o início da minha longa jornada como vampira e maga. Não fiquem confusos, na próxima vocês vão entender.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.