Unexpected
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Quando entrei no carro, acabei me sentando ao lado de Ruki, que também estava atrás. O fato de eu ter descoberto que eles eram gays, fizeram eles pararem de disfarçar e “soltar a franga”. Aqueles três perfumes misturados naquele carro estava insuportável. E pela conversa que ouvi, percebi que quem deveria enfiar na privada era Uruha.
Apesar de eu estar meio inconformado com o fato de ser o único heterossexual ali, fiquei tentando parecer natural. Se bem que o meu natural, convenhamos, era meio estranho também. Que foi? Eu era um cara tímido. Mas vamos voltar aos fatos. Entrando no pub, quase tive um AVC. Aquele monte de pluma, gente gay saltitando, aquela decoração rosa e um segurança marombado que não parava de olhar minha bunda. Era tudo o que eu queria: sair com os meus amigos GAYS para uma balada GLS e ser assediado visualmente pelo tal “armário”.
Naquela noite, eu cogitei a possibilidade de a minha bunda ser, na verdade, um tipo de corrimão. Por Buda! Minha mãe não me colocou no mundo para ter o traseiro alisado por um bando de libélulas. Bem, mas voltando, naquele dia, “amasso” foi apelido para o que eu vi: Uruha beijava o pescoço de Ruki enquanto este tinha os lábios explorados por Aoi, e assim revezando. Cara, fiquei enojado, mas o semblante de Ruki parecia tão... adorável enquanto sentia prazer. Espera! Eu não posso pensar nisso, eu sou hétero, gosto é de mulher. Isso foi o que eu pensei antes de “pegar” a primeira mulher que apareceu na minha frente, e logo depois sua namorada veio brigar comigo. Meu, que deplorável.
Resumindo, aquela noite foi muito, muito estranha... Eu vi gays homens, mulheres, travestis e sapatões... Bom, eu me sentia enojado, mas tenho que admitir, as pessoas que conheci eram muito legais, tinham estudantes como nós, advogados, médicos, policiais, mecânicos, enfermeiras! Eu não acreditava... Bom, mas retornando ao foco, os três que me levaram pra lá estavam “em casa”. Foi essa impressão que tive... Assisti muita coisa e não me dei bem, os ‘simpatizantes’ me pareceram beeeem adeptos ao estilo de vida, creio que mudavam de ‘S’ para ‘GL’. Sentei-me em um banquinho no balcão e pedi uma bebida. Observei cautelosamente se não estavam pondo coisa a mais nela e constatando que havia apenas uísque e gelo. O copo me foi entregue e quando fui pegar minha carteira, o rapaz que me atendeu pegou na minha mão e disse que era por conta da casa, enquanto anotava seu telefone na palma da mesma. Com um sorriso falso, levantei-me e fui procurar os rapazes para lhes avisar que eu estava indo embora, já que não agüentava mais ficar ali. Foi quando vi Ruki empurrando um cara que insistia em tentar beijá-lo. Como não vi Aoi nem Uruha por perto, logo concluí que Ruki não o conhecia. E , Deus, não creio que fiz aquilo até hoje. Rezei para que não tivesse ninguém ali que me conhecesse além dos rapazes. Aproximei-me de Ruki, puxando-o pela cintura, afastando o tal cara com a mão. O cara se afastou e eu vi Ruki com um olhar espantado e agradecido. Soltei-o mais do que rápido perguntando se ele estava bem e este disse que sim, me agradecendo. Depois, encontramos os rapazes, e depois de Aoi tentar me fazer reconhecer o “desgraçado” para que ele batesse no cara, fomos embora.
Ao me deixarem na porta de casa, Ruki desceu do carro e me deu um forte abraço em agradecimento por ter “salvo sua vida”, cara, será que Ruki sempre foi cheiroso e frágil? Não, eu tinha que tirar isso da minha cabeça. Logo que o abraço se desfez, entrei em casa e fui direto pra ducha fria, afinal, aquelas idéias absurdas não podiam permanecer na minha cabeça. Depois daquele dia, minha amizade com o trio foi aumentando, nossas saídas ainda mais, e pouco a pouco, fui entendendo melhor o universo daquelas bichas. Aoi tentava manter a pose séria, mas não passava de um boiola, Uruha já era mais ‘delicado’, e Ruki era... fofo, sim, eu admito, podem me jogar pedras por dizer isso, mas é a mais pura verdade.
No ano seguinte, a relação dos três ainda estava forte, e as cenas que antes me enojavam, naquele momento passaram a me dar curiosidade... Tá, eu sei que é totalmente o oposto do que eu disse no começo, mas venhamos e convenhamos, opiniões são mutáveis né!? Mas voltando, “que gosto teria os lábios de Ruki?” Essa era a pergunta que atormentava minha cabeça e confundia meu coração. A idéia de arranjar uma namorada, para esquecer disso, não me pareceu tão ruim, mas nenhum namoro dava certo, na mesma semana em que terminei um namoro, um livro foi me dado de presente, nele um parágrafo me chamou a atenção. Ele dizia que apenas o amor saciava as pessoas, e não importava quantas vezes pudesse se relacionar com alguém, sua vontade nunca era saciada. Esse trecho me fez ficar atormentado mais que o normal naquela semana.
Esquece, porque eu estou lembrando disso agora? Certo que minhas desventuras não acabaram por aí. Lembro de que nas férias de inverno daquele ano houve uma ‘crise’, nunca vi algo tão fútil... Em todo caso me convenci de que eles eram muito bibas.
Uruha estava cozinhando e Aoi ajudando, eu estava com Ruki na sala conversando e assistindo TV, não sei por que, Ruki foi para a cozinha e viu Uruha abraçado com Aoi sussurrando algo que ele ouviu como “te amo mais que o mundo” e se beijaram. Ruki foi acometido por uma crise de ciúmes, chorando e xingando-os. Uruha se desculpou, junto com Aoi e eu não sabia o que fazer, já ouviu o ditado “Em briga de marido e mulher não se mete a colher”? Bom, não era bem essa a situação, nem ao menos eram duas pessoas, mas fiquei no meu canto.
Se eles eram um trio e estavam juntos, não era normal eles se declararem? Bem, acabei ouvindo um monte de coisas por conta da fúria do menor. He he, Uruha era um sodomita (óbvio) passivo que gemia como uma cadela e o Aoi era um retardado que nunca sabia onde colocar as mãos... Fiquei paralisado na hora que ouvi isso, não sabia se ia embora ou se eu ria... Como era de se esperar, eu ri.
Lembro-me de alguns minutos depois encontrar Ruki emburrado num canto da sala, Aoi com uma cara de culpa horrível, como se tivesse acabado de matar um cachorro e Uruha magoado por ter sido o estopim da discussão e por seus gemidos...ahn... escandalosos demais. Bom, estava aquele silêncio mortal , quando Ruki se levantou, pegando seu casaco e saindo.
Notas finais
até a proxima ...
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