Uneven Odds

18 Capítulo 16 - Realidade - Parte 2


Notas iniciais
Capítulo de sábado um pouquinho atrasado rsrs Boa leitura!

Edward POV

Olhava admirado para a mulher que brincava e ria com meu filho. Ou melhor, nosso filho. Ainda não conseguia dimensionar de forma correta o que eu via de diferente, mas alguma coisa não parecia a mesma. Isabella ainda gostava de me provocar e ainda ficava com a mesma expressão zangada que eu adorava quando a irritava.

Só que tinha algo a mais.

Algo havia mudado e eu ainda não conseguia discernir exatamente o que era. Dez anos era muito tempo. E eu via agora como eu conhecia tão pouco dessa Isabella que estava na minha frente. Era muito mais do que um sabor de pizza. Eram atitudes que não condiziam com ela. Como ter ido atrás de mim na noite anterior e permanecido ao meu lado. Não para brigar ou discutir por eu ter fingido ser outra pessoa, mas para conversar sobre nós. Sobre nossa vida. A Isabella que eu conheci nunca teria feito isso. Por isso era tão difícil acreditar que ela tinha voltado de sua viagem, há quatro anos, por minha causa.

Michael não tinha porque inventar algo assim. Não fazia sentido ser sincero com ela, se ele a queria. Ainda assim, era uma atitude tão espontânea e romântica. Nada a ver com ela. Foram raras às vezes que eu a vi perder o controle assim, ou se mostrar vulnerável. De fato, conseguia lembrar perfeitamente apenas de três momentos. Nossa primeira vez, quando ela praticamente me atacou; Durante nossa lua de mel e outro, quando descobriu que estava grávida de Matthew. Parecia uma vida, não apenas alguns meses.

Abri a porta e segui silenciosamente até a cama do quarto. Isabella dormia com a expressão serena. Nunca iria imaginar que a ligação sobre o acidente de Alice, terminaria desse modo. Estava eufórico com a notícia. Não podia acreditar que estava grávida. Segurei sua mão e ela abriu os olhos, despertando aos poucos. Assim que me encontrou ao seu lado, sorriu, me aproximei, beijando seus lábios.

– Como você está? — perguntei procurando segurar a euforia que sentia.

– Bem. Faz tempo que você chegou?

– Você quer saber se eu estava aqui quando a senhora desmaiou? — ela sorriu, travessa. — Desde quando está passando mal? — quis saber.

– Nas últimas semanas — explicou com calma, sentando na cama. Puta que pariu! Últimas semanas? Como não tinha percebido?

– Isabella, que absurdo! — ralhei com ela.

– Nós já tínhamos tantas coisas com as quais nos preocuparmos, Edward. Não estava com cabeça para procurar um médico — dispensou a ideia como se não fosse importante. Isso só me deixou mais irritado.

– Isso não importa. Você tinha pelo menos que falar comigo, é sua saúde — pleiteei ainda chateado.

– Vou tentar, ok? — respondeu com a intenção de apaziguar o clima. Bom, já era alguma coisa. De qualquer forma ela estava bem, era isso que importava.

– Você só faz isso porque sabe que eu não consigo ficar bravo com você — falei com suavidade, beijando sua mão, ela sorriu.

– E a Allie, como está? — perguntou, mudando de assunto.

– Está bem, o acidente foi só um susto. Torceu o pulso e machucou a testa. Jasper está com ela — resumi a situação.

– Que bom — suspirou aliviada enquanto eu a encarava admirado. — Por que está me olhando assim? — indagou desconfiada.

– Assim como, Süsse? — fiz de desentendido.

– Sei lá, parece meio bobo, mais do que o normal — provocou com um sorriso arrogante. Resolvi devolver na mesma moeda.

– É você que me deixa assim — respondi todo romântico. Ela revirou os olhos, e como sempre, eu ri. — Na verdade, vocês — completei, movendo minha mão para seu ventre. Ela parou e olhou alarmada da minha mão para meu rosto.

– Não pode ser — alegou, com os olhos arregalados. — Pode? — sua expressão estava lívida. Sorri. Era agora.

– Você está grávida!

Isabella parecia não acreditar, seu queixo começou a tremer, assim como suas mãos que cobriram a minha em seu ventre. Uma emoção sem tamanho em seus olhos, puxei-a para meus braços enquanto ela chorava emocionada, entre lágrimas e risos. Ambos celebrando aquela notícia maravilhosa. Aquele milagre. Quando estava mais calma, ela se afastou e vi medo em seu olhar.

– E...e se eu perdê-lo, como na primeira vez? — perguntou amedrontada, com a voz falhando. — O médico avisou que seria praticamente impossível que eu engravidasse de novo e se acontecesse seria uma gravidez de risco, lembra? — completou insegura.

– Não quero que fique pensando nisso. Só vai fazer mal a você e ao bebê — adverti, ela assentiu, concordando, ainda um pouco incerta. — Vamos procurar um especialista, fazer todo o possível para que nada aconteça com vocês. Eu vou cuidar de vocês, Isabella. Nada de mal vai acontecer. Prometo — garanti, passando segurança para ela. Seu semblante suavizou.

– Eu também vou cuidar dele e de mim, juro — sorri satisfeito, enxugando seu rosto com o polegar. Admirado e ainda mais apaixonado por essa mulher. — Você acha que o Tony vai gostar de ter um irmãozinho? — perguntou interessada. Sentei ao seu lado na cama e a trouxe para os meus braços.

– Bom, eu espero que sim. Vamos ter que conversar com ele com calma, é possível que fique com ciúmes — alertei, escovando seu cabelo com os dedos.

– É, tem razão. Ele é tão apegado conosco, não quero em momento algum que se sinta excluído. Quero que fique feliz com o irmão — disse afagando o ventre.

– Obrigado — disse de repente, beijando sua cabeça, ela ergueu o rosto e me olhou confusa.

– Pelo quê?

– Por amar meu filho dessa maneira, como se fosse seu, eu não tenho palavras para descrever o que isso significa para mim — ela sorriu e apertou minha mão na sua.

– Ele é meu — afirmou com possessividade. Sorri satisfeito com sua resposta. Ela estava certa. Sempre estava. Afinal de contas foi quem criou Anthony. Abaixei a cabeça e tomei seus lábios nos meus, provando seu doce sabor.

– Edward? Edward? — encarei Isabella na minha frente um pouco perdido. — Estava dormindo acordado? — perguntou com um sorriso brincalhão. Era bom vê-la assim comigo, mais a vontade e sem aquela tensão que nos cercava no começo do jantar. A ideia, no fim, não foi ruim.

– É, acho que estava viajando um pouco — respondi aéreo, ela assentiu, ainda me olhando desconfiada.

– Anthony está com sono, é melhor irmos — avisou. Olhei para nosso filho e ele estava quase dormindo sobre a mesa.

Chamei o garçom e paguei a conta. Levantamos e Anthony segurou a mão da mãe.

– Você parece distraído. Está tudo bem? — questionou enquanto seguíamos até a saída.

– Sim, só estava pensando no Matthew. Queria que ele já estivesse aqui — respondi e não era mentira. Ela sorriu, concordando.

– Eu também, não vejo a hora de levá-lo para casa — disse com os olhos brilhando.

Ficava feliz com sua animação e o fato de querer que fosse morar com ela. Podia contratar alguém para ajudá-la e sempre ficar por perto. É, esse era um bom plano. Anthony parou de andar e levantou os braços para ela.

– Mãe, colo — pediu manhoso. Isabella sorriu e o pegou em seus braços.

Coloquei o casaco de Isabella sobre seus ombros e saímos da pizzaria. Entreguei o ticket para o Vallet e ficamos esperando.

Anthony estava agarrado ao pescoço de Isabella como se ela fosse sumir. Ele ainda estava se acostumando em ter um irmão. Apesar de, na maioria das vezes gostar da ideia e até perguntar por ele, isso não queria dizer que sentia menos ciúmes. Agora, era só ouvir o nome de Matthew que já fazia manha.

– Ciumento — movi os lábios sem som. Isabella riu baixinho e beijou os cabelos dele com doçura.

Essa cena sempre acabava comigo. E saber que isso não havia mudado, que ela ainda amava e cuidava de Anthony da mesma forma e talvez até com mais carinho, só aumentava a admiração que sentia por ela.

O carro chegou e abri a porta para Isabella colocar Anthony no banco de trás. Ela beijou seu rosto e foi para seu lugar. Entrei também e dei partida.

– Estava pensando, — começou dizendo. — o que acha dele dormir lá em casa essa noite, assim não precisa levá-lo para a casa dos seus pais e voltar — aconselhou.

Não era uma má ideia, sem contar que Anthony ia adorar. No dia seguinte, podia levar seu material e acompanhá-lo até a escola. E ainda veria Isabella mais uma vez.

– Por mim, tudo bem — ela sorriu satisfeita e virou para olhar pela janela. Sua expressão serena. Observei pelo retrovisor Anthony dormindo e me vi sorrindo. Era como se nada tivesse mudado. Como se fossemos uma família de novo. Agora só faltava Matthew para ficar perfeito.

Sentia-me muito mais tranquilo e em paz depois de descobrir que toda a conversa sobre o caso havia sido um infeliz mal entendido, mas isso era só o começo. Tínhamos que acertar muitos detalhes. Ela ainda não se lembrava de nada e quando falei sobre recomeçar, Isabella pareceu reticente. Precisava descobrir o que a estava incomodando e mostrar para ela que valeria a pena lutar. Que apesar de tudo o que estava acontecendo, nossa história valia a pena.

Notas finais
Spoiler: "Edward estacionou seu carro e piscou para mim quando abriu sua porta. Devia ser algum código nosso, ou um simples modo para manter o clima ameno. Não sabia direito. Saí do carro enquanto Edward pegava Anthony nos braços. Peguei as chaves na bolsa e abri a porta da sala. - Vou colocá-lo na cama - Edward avisou conforme subia as escadas. - Ok, vou preparar algo para bebermos. Prefere chá ou café? - ofereci. Fazer alguma coisa talvez me acalmaria um pouco. - Chá, por favor - respondeu, assenti e fui para a cozinha. Deixei a água fervendo e fui atrás das ervas. Camomila seria bom. Tudo o que eu precisava no momento era calma. A conversa que teríamos seria definitiva e eu estava a flor da pele, sem ter a mínima ideia do que dizer ou de como tudo iria caminhar. Ainda bem que minha mãe dispensou a empregada mais cedo. Era bom que ficássemos a sós. Peguei duas xícaras, desliguei o fogo e as enchi com a água. Colocando com cuidado os saquinhos de chá. Sobre o que falaríamos primeiro? Sobre o recomeço? Deveria ser sincera e falar sobre meu receio dele querer esquecer o passado? Essa noite eu senti isso bem acentuado em tudo o fez. Em nenhum momento ele impôs ou disse algo sobre como eu era. Não entendia essa sua atitude. Ele não deveria querer que eu lembrasse? Como faria isso se ele não ajudava?" Beijos e até o próximo!