Uneven Odds
10 Capítulo 9 - Ameaça
Notas iniciais
Edward POV
Sentia meu corpo tremer de raiva. Mal podia me controlar. O elevador parou e finalmente as portas se abriram, segui diretamente no meu objetivo. Toquei a campainha e esperei. Batendo o pé no chão, ansioso. A porta abriu e antes que ele pudesse registrar qualquer coisa, estava no chão com o golpe que desferi contra seu queixo. Ele parecia completamente aturdido, mas quando se deu conta do que estava acontecendo, tentou levantar e revidar, só que o soquei novamente no rosto e no estômago. Fui para cima dele com uma fúria descontrolada, sem deixar qualquer brecha, segurando-o pelo colarinho da camiseta com força.
– Fique longe dela! Isso é uma aviso, Jacob!
– Você não é mais nada de Isabella para mandar em mim — cuspiu ofegante, tentando se soltar. Só que eu não deixei. Ele podia parecer mais forte do que eu, mas no momento eu o subjugava, tamanho era minha raiva e ódio.
– E você? Acha que merece ser qualquer coisa dela depois do que fez ontem? Acha que merece sequer ser seu amigo. Você é um ser desprezível! — seus olhos arregalaram.
– Como você soube? — perguntou, surpreso.
– Reneé me contou hoje pela manhã. Estou com vontade de matá-lo por tê-la deixado abandonada! — retruquei com ódio, apertando mais ainda o colarinho ao redor do seu pescoço.
– Eu não queria — grunhiu com dificuldade. — Foi em um momento de raiva, depois eu voltei, mas ela não estava mais lá. Tentei procurá-la em casa, mas Reneé não deixou que falasse com ela... — seu ar estava quase esvaindo, mais um pouco e eu poderia matá-lo.
– E nem vai falar — disparei, jogando-o sobre o sofá. Ele tossiu e passou a mão pela garganta. Estava com medo de fazer uma loucura e me arrepender. — Onde estava com a cabeça, Jacob! — gritei, externando toda minha fúria. — Tem noção do que poderia ter acontecido? — mais uma vez, mil cenários se formaram na minha mente. Um pior que o outro. Se eu não tivesse...
– Eu já disse! Eu voltei, mas ela não estava mais lá. Reneé me contou que a ajudaram. Quem foi? — perguntou, exigente. Como se ainda tivesse algum direito de saber qualquer coisa sobre Isabella.
– Não sei, mas agradeça que, quem quer que tenha sido, não se aproveitou da situação, porque se tivesse acontecido alguma coisa com ela, qualquer coisa, eu não responderia por mim, Jacob — falei ameaçador, chegando bem próximo do seu rosto. Ele engoliu em seco, se encolhendo contra o sofá.
Era bom mesmo que sentisse medo de mim, que isso servisse para que ele não ousasse se aproximar de Isabella novamente. E se não fosse o bastante, o motorista que mandei para casa, tomaria conta que nada acontecesse com ela.
Olhei o relógio e vi que estava atrasado. Precisava ficar com Anthony hoje e não estava disposto a perder mais o tempo que deveria ser dedicado ao meu filho com esse verme.
– Edward! — chamou, quando já estava perto da porta. Parei, virando parcialmente o meu rosto. — Eu não vou deixar que ela volte para você. Isabella ainda vai ser minha — ameaçou.
Apertei com força a maçaneta. Segurando para não perder a cabeça e terminar o que tinha começado. Não podia deixar esse canalha vencer. Eu tinha uma família. Isabella e meus filhos. Precisava pensar neles. Dei as costas e saí do apartamento, batendo a porta.
Jacob precisava de tratamento e já estava na hora de Alice intervir antes que a situação fugisse do controle. Talvez mais tarde fosse falar com ela. Agora minha prioridade era meu filho.
Conforme seguia de carro para casa, parei em um semáforo. Apertei minha testa com os dedos. Minha cabeça fervia. Foi então que vi o shopping aberto Center Street Plaza à alguns metros. Todo ano, no inverno, eles abriam uma grande pista de patinação. Lembrei das minhas tentativas infrutíferas de ensinar Isabella a patinar e acabei sorrindo. Ela era péssima, ainda assim não desistia. Caíamos juntos no gelo, ríamos e depois tomávamos chocolate quente. Era bom. Muito bom.
Uma buzina alta me tirou dos meus devaneios. Estava travando o trânsito. Sacudi a cabeça e dei partida no carro. Precisava de algo para relaxar e esquecer toda essa loucura e algo assim seria perfeito. Podia levar Anthony lá hoje. Ele também adorava quando íamos patinar. Quando nossa família estava unida. Sem querer, flashes da noite passada invadiram minha mente e um sorriso bobo se formou no meu rosto. Sabia que tinha sido uma atitude arriscada, mas não me arrependia. Sabe-se lá o que poderia ter acontecido se eu não tivesse aparecido. Travei o maxilar e minhas mãos apertaram o volante. Odiava sequer pensar nisso.
Sim, foi a melhor decisão.
Só queria ter ficado toda noite ao seu lado, conversando, rindo. Sentia-me ganancioso agora.
Precisava de mais. Muito mais.
**
Cheguei em casa e encontrei minha mãe com Anthony na sala.
– Papai! — ele veio correndo na minha direção, pulando nos meus braços. Ri com sua animação. Ele havia adorado nosso acampamento improvisado na noite anterior e queria outro, dessa vez com a presença da mãe. Esperava que seu desejo não demorasse a ser atendido.
– E aí, rapaz? O que aprontou na minha ausência?
– Nada — respondeu um pouco culpado. Sorri, bagunçando seu cabelo. Olhei para minha mãe e ela parecia apreensiva.
– Aconteceu alguma coisa? — perguntei intrigado, colocando Tony no chão.
– Não, só fiquei preocupada com sua demora. Onde foi? — suspirei.
– Resolver um problema.
– Em relação a ligação dessa manhã? — assenti, concordando. Não queria falar disso na presença de Anthony.
– Que ligação? — meu curioso perguntou.
– Uma que o papai recebeu do trabalho — expliquei, para logo em seguida emendar. — O que acha de irmos patinar hoje? — ele sorriu e pulou animado.
– Oba! Quero sim!
– Não é perigoso, Edward? — minha mãe apontou, sem esconder sua apreensão.
– Não é, não, vó. É muitoooo divertido. Fomos ano passado com a mamãe. Ela caiu em cima do papai e nós rimos muito — ele se virou para mim — Podemos chamar ela? Por favor. Por favor — pediu juntando as mãos e me olhando daquele jeito pidonho.
– Hoje não — ele cruzou os braços e fez um bico. — Anthony, já falamos sobre isso. Nós vamos nos divertir muito — tentei levantar seu ânimo.
– Seria mais divertido com a mamãe — murmurou tristonho.
– Eu sei, mas você vai poder ligar para ela mais tarde e contar tudo o que fizemos, inclusive sobre o acampamento de ontem — isso não pareceu melhorar a situação. Olhei para minha mãe em busca de socorro.
– Talvez ele prefira ficar, Edward. Podemos fazer uma sessão de filmes antigos. O que acha, Tony? — ele balançou a cabeça.
– Não, quero ir patinar com o papai — decidiu segurando minha mão. Minha mãe sorriu.
– Se é assim, o agasalhe bem e não deixe patinar sozinho.
– Mãe! — exclamei, até parecia que eu era pai de primeira viagem.
– Ok, ok — disse levantando as mãos. — Vou ver o que Maria irá preparar para o jantar, não voltem tarde — avisou, seguindo para a cozinha.
– Vamos, campeão? — Tony me seguiu em silêncio até seu quarto. Coloquei uma roupa mais quente nele e não esqueci o casaco. Peguei os patins e equipamentos de segurança que havia trazido de casa junto com meu material esportivo e fomos até o carro. Anthony ficou lá dentro, enquanto eu guardava tudo no porta-malas. Assim que entrei no carro, encontrei-o com o nariz empinado, inspirando o ar com força,
– O que foi? — perguntei curioso, ele olhou para mim.
– Seu carro está cheirando como a mamãe — comentou com naturalidade.
– Ela deve ter deixado seu perfume aqui em algum lugar — disfarcei. — Pronto para patinar? — mudei de assunto e ele concordou. Liguei o carro e dei a partida. Inconscientemente, inspirando o aroma do ambiente. Era relaxante.
Durante o caminho, olhei pelo retrovisor algumas vezes para verificar como Anthony estava. Ele permanecia quieto, algo incomum, mas que eu já sabia o motivo. Estacionei o carro em uma das vagas do shopping e virei para conversar com ele.
– Sei que está chateado com essa situação, filho. Mas Isso não vai ser para sempre, só precisamos dar um tempo para a mamãe. Ela vai se lembrar — Anthony olhou de volta para mim.
– E se não lembrar? — retrucou, cabisbaixo.
– O papai vai dar um jeito — seus olhos ganharam um novo brilho. Esperança.
– Vai trazer a mamãe de volta? — perguntou mais animado.
– Vou. Confia em mim? — ele sorriu, assentindo.
– Confio! — sua fé em mim me deixava um pouco mais confiante. Só esperava que meu plano desse certo e não complicasse ainda mais a situação.
– Agora, o que acha de patinarmos? — questionei, abrindo a porta. Ele assentiu.
– Quero patinar muito para depois mostrar para a mamãe! — comentou entusiasmado, tirando o cinto com pressa e saindo do carro, quase correndo.
– Hey! Espera! — gritei, ele parou no mesmo instante. Peguei os equipamentos no porta-malas, travei o carro e fui na sua direção, pegando sua mão. — Nada de sair correndo, entendeu? — repreendi, recordando do seu sumiço recente em um passeio no shopping com minha sogra e Isabella.
– Quero patinar! — respondeu pulando.
– Eu sei, nós vamos. Mas não nada de ficar longe de mim — adverti. Ele acenou, concordando. Segurei com firmeza sua mão, Anthony era rápido e adorava brincar de esconder. Tínhamos um trabalho redobrado com ele.
Chegamos no ringue de patinação e fomos até os bancos para trocarmos nossos sapatos. Guardei os que usávamos nos armários que tinham no canto e fui ajudar Anthony a colocar seu patins. Terminava de amarrar o meu, quando uma moça que trabalhava ali se aproximou.
– Posso ajudá-los com alguma coisa? — questionou solicita.
– Não, obrigado. Estamos bem.
– Qualquer coisa é só chamar — sorriu e saiu para atender outros clientes. Peguei o capacete e coloquei em Anthony. Ele fez uma careta.
– Não gosto de usar isso. É chato — resmungou.
– É para sua proteção. Tem muitas pessoas usando — apontei o ringue.
– Você não está usando — acusou seriamente.
– Porque o papai já é experiente — ele me encarou confuso.
– Exp... o quê? — sentei ao seu lado.
– Experiente. Quer dizer que eu sei patinar e se cair, sei como evitar bater a cabeça — expliquei, tentando aplacar suas dúvidas.
– Se eu bater a cabeça vou esquecer as coisas como a mamãe? — voltou a questionar. Anthony e suas perguntas desconcertantes.
– Não sei, filho — coloquei a mão sobre seu capacete. — Cada um pode reagir de uma forma, mas precisamos proteger do melhor modo que podemos, por isso é preciso usar o capacete — ele ficou quieto por um instante, então se virou para trás.
– Senhorita! — chamou a mulher que há pouco havia falado conosco. Franzi o cenho, mas não falei nada, queria ver o que ele faria. Ela se aproximou com um sorriso.
– Oi, mocinho. Precisa de alguma coisa?
– Eu quero um desse — apontou o capacete em sua cabeça. — para o meu pai. Tem?
– Temos sim, vou pegar um — disse, saindo logo em seguida. Ele olhou para mim.
– Mesmo que seja experente, tem que proteger a cabeça. Não quero que você também se machuque e se esqueça — falou, para se explicar. Não pude fazer outra coisa, senão sorrir orgulhoso do meu garoto.
– Está certo, filho. Também preciso de proteção — concordei.
A funcionária do ringue retornou com um capacete azul e me entregou. Coloquei e olhei para Anthony.
– Como estou? — ele riu.
– Ficou engraçado — finge uma cara de bravo e o ataquei.
– Engraçado, né? — questionei sem parar de fazer cócegas nele.
– Para, papai — pedia sem parar de rir. Ouvi outra risada e só então lembrei que não estávamos sozinhos. Afastei dele e fitei a moça que ainda permanecia ali.
Quando ia abrir minha boca, meu celular de trabalho tocou. Era só o que faltava. Uma emergência do mercado financeiro em pleno sábado.
– Se o senhor quiser, posso levar seu filho para dar uma volta pelo ringue? Ensinar alguns truques — ofereceu educada, piscando para meu filho ao mesmo tempo que eu pegava meu celular do bolso, desligando o som.
– Deixa, papai! Deixa! — Anthony pediu.
– Ok, só tome cuidado — adverti. Ele assentiu sorrindo e pegou a mão da moça.
– Qual seu nome? — ela perguntou enquanto seguiam para a pista de patinação.
Peguei o aparelho e um sorriso lento começou a surgir em meu rosto conforme meu coração acelerava.
Era ela.
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