Uneven Odds

24 Capítulo 18 - Memórias - Parte 2


Notas iniciais
Obrigada Carol pela linda recomendação :3 Fico feliz em saber que a história superou suas expectativas!! Aproveito para agradecer todos os comentários recebidos!! Muito obrigada a todas pelo carinho, significa muito para mim =D Agora vamos ao capítulo!! Boa leitura!

Edward POV

Despertei um pouco desnorteado, não reconhecendo instantaneamente o local onde estava. Aos poucos, as lembranças da noite passada foram tomando forma.

Anthony. Isabella. Festa. Aeroporto. Conversa. Beijo. Discussão. Casa. Hotel.

Grunhi, colocando o braço sobre os olhos. Se não fosse pelo tempo que passei com Isabella, essa seria uma noite que eu adoraria esquecer.

Girei na cama e peguei meu celular no criado-mudo.

Passava das nove da manhã.

Nenhuma ligação.

Espreguicei e levantei. Deixei o celular no lugar e fui tomar um banho.

Já tinha meu dia planejado. Ia para casa, conversar com Isabella e Anthony e dependendo dela, passar o dia com eles. Sentia falta dos nossos domingos juntos. Assistindo filmes, passeando no parque, fazendo inúmeras brincadeiras.

Encostei a testa na parede de azulejos, deixando a água escorrer pelo meu corpo.

Precisava mais do que nunca da segurança do meu lar, da risada do meu filho, da atenção e racionalidade da minha mulher. Precisava da minha família ou iria enlouquecer.

Saí do chuveiro, enrolei uma toalha na cintura e enxuguei meu cabelo. Voltei para o quarto, liguei para a recepção e pedi um café da manhã simples. Quando estava voltando para o banheiro, meu celular tocou.

Por um momento pensei que fosse Isabella, mas não. Era Jasper. Sentei na cama e atendi.

– Aposto que já sabe o que aconteceu — falei antes que dissesse qualquer coisa.

– É, dona Esme me ligou há pouco, ela queria saber se você estava aqui — explicou, com cautela.

– Estou em um hotel, vou ligar para ela depois.

– Podia ter vindo para cá, Edward.

– Eu sei, Jazz, mas precisava ficar sozinho. Foi uma longa noite.

– Posso imaginar. Sinto muito que tenham brigado novamente — lamentou.

– Nosso pai está fora de controle, Jasper — suspirei. — Só espero que ele perceba isso antes que seja tarde demais.

– O que quer dizer? — perguntou intrigado.

– Que ele está fazendo as escolhas erradas e vai ter que arcar com as consequências. Ontem à noite, quando eu cheguei em casa, ele e nossa mãe estavam discutindo por causa do trabalho. Sinceramente, não sei até quando ela vai suportar.

– Queria poder discordar, mas eu sei que você está certo. Eu mesmo quase perdi a Alice pelo mesmo motivo. Eu tento falar com ele, mas não adianta, Edward. Ele fingi que ouve, só isso. Achei que ia melhorar depois que vocês tiveram aquela conversa, no entanto, nada mudou.

– Carlisle só queria minha ajuda, Jasper. Aposto que se não precisasse de mim, nem teria conversado comigo. Ele parece esquecer que foi ele mesmo que me demitiu. Sem contar que continua insistindo que a culpa é da Isabella — bufei.

– Ele nunca a perdoou por ter deixado você daquela vez. Nossa mãe ainda deu uma chance, mas nosso pai sempre teve esse jeito duro de tratar as coisas. Um erro, e você não é mais confiável. Infelizmente puxei isso dele — completou insatisfeito, sabendo exatamente o quê esse seu jeito de ser quase o custou.

– Eu acho que esqueci como nosso pai podia ser rancoroso, acreditando que, conversando sinceramente, poderíamos mesmo voltar a ser uma família de verdade. Pura ilusão — passei minha mão na testa, encarando o chão acarpetado. — Estou tão cansado, Jasper — confessei abatido. — É tanta coisa e para piorar, discuti com Anthony, com nosso pai, se não fosse Isabella, eu não sei... Mesmo com a perda da memória, ela tem sido meu porto seguro.

– Não fique se martirizando por causa do nosso pai. Não vale a pena. Quanto ao Anthony, eu te falei ontem, é capricho. Você mesmo me disse que ele está com ciúmes do Matt, só quer chamar atenção. Agora se as coisas estão indo tão bem com Isabella, deveria falar com ela sobre voltar para casa. Isso resolveria grande parte dos seus problemas. Sabe disso.

– Eu não vou falar com ela sobre isso, Jasper. É uma decisão que eu quero que venha dela. Não vou apressar nada e ferrar a única coisa que está dando certo na minha vida — fui enfático.

– Ok, espere então, mas não vai reclamar depois — revirei meus olhos. — Por que não vem para cá com Anthony? — ofereceu.

– Não, estou bem aqui e Anthony está com a mãe — expliquei, o telefone ficou mudo. — Jasper?

– Anthony está com a mãe e você em um hotel? Não vou falar nada, já disse o que penso sobre isso — respondeu, acabei sorrindo.

– Talvez passe aí amanhã, à noite.­

– Não é amanhã que o Matt terá alta?

– É sim, tirei o dia de folga e irei com Isabella buscá-lo. Ficarei com eles durante o dia, além disso ainda temos uma lista de referências para verificar e escolher uma enfermeira.

– Acha mesmo necessário?

­– Sim, ao menos nos primeiros meses.

– Se você voltasse...

– Pensei que não fosse falar nada sobre o assunto, Jasper — adverti, cortando-o. Ele riu.

– Tem razão. Já calei a boca — balancei a cabeça e acabei rindo também.

**

Após tomar meu café da manhã, liguei para minha mãe e conversamos alguns minutos. Ela disse que estava pensando em ir para a casa de Jasper por um tempo, pois não estava suportando mais as brigas com meu pai. A única coisa que pude dizer era que pensasse no que era melhor para ela. Terminamos a ligação e pensei em como meu pai lidaria com a falta da minha mãe.

Seria possível que nem se importasse?

Gostaria de pensar que não, que assim ele veria seus erros e correria atrás para consertá-los, mas percebia que a cada dia eu conhecia menos esse homem que ele havia se tornado.

Parei de pensar nisso e fui me arrumar. Não sabia exatamente o porquê, mas estava me sentindo apreensivo, angustiado. Troquei de roupa, escovei os dentes e desci para o estacionamento. Entrei no carro, dando partida logo em seguida.

Queria chegar rápido em casa. Era como se ficar perto da minha esposa e filho, amainasse um pouco dos meus problemas. Entretanto, algo me dizia que essa aflição estava relacionada diretamente com Isabella. Acelerei e nem me importei quando passei no sinal vermelho. Lidava com a multa depois.

Cheguei em casa e saltei do carro, correndo até a porta. Ouvi vozes agitadas dentro da sala, o que me deixou ainda mais tenso. Toquei a campainha sentindo meu coração disparar e tudo piorou ao ver a expressão de Renée quando abriu a porta.

– Graças aos céus, você chegou — disse aliviada colocando a mão no peito. Entrei como um furacão. — Ia ligar agora para você, Isabella...

– O que aconteceu com ela? — perguntei inquieto, meu corpo inteiro tencionando.

– Eu não sei, ela... — Renée nem terminou e eu já estava subindo as escadas. — Ela está no escritório, Edward, mas... — desci as escadas correndo e fui para o corredor que dava para o escritório, ignorando Renée.

Eu só queria ver Isabella.

Ou era o que eu achava.

Parei em choque com a cena que se desenrolava na minha frente.

Michael estava de pé, abraçando Isabella pela cintura enquanto ela tinha os olhos fechados, a cabeça tombada em seu peito.

Que porra era aquela? O que ele estava fazendo ali? Ela não tinha cortado todas as relações com ele? E tudo o que me disse sobre querer recomeçar? Isabella mentiu para mim? Pior, me enganou?

Minha cabeça fervilhava com perguntas sem respostas, trazendo lembranças que eu queria esquecer. Os dois na cama. Isabella gemendo seu nome. Fechei minhas mãos com força e fiquei ereto. Não ia deixar que vissem como aquela cena me afetava. Como doía ver os dois juntos. Não ia dar esse prazer para ele ou ela.

– Posso saber o que significa isso? — perguntei incapaz de encobrir a raiva na minha voz.

– Eu ia avisar, Edward — Renée explicou em um sussurro.

Fuzilei ela com o olhar.

Estava metida nisso também? Encobrindo a filha?

Michael desviou a atenção que dava para Isabella e olhou para mim assustado. Era bom mesmo se sentir assim. Hoje eu não ia embora sem acertar minha contas com ele. E com ela!

Voltei meu olhar para Isabella e ela me encarava de volta com horror. Seus olhos inchados, a ponta do nariz vermelho e o rosto pálido como a neve. Só que nada disso foi o suficiente para aplacar minha raiva.

– Edward, não é... Por favor, me deixa explicar — Isabella implorou em desespero, sacudindo a cabeça e tentando se soltar de Michael, que ainda a segurava.

Como poderia justificar qualquer coisa se eu os peguei no flagra?

– Não tem nada o que explicar, eu estou vendo com meus próprios olhos. Há quanto tempo isso tem acontecido pelas minhas costas? Há quanto tempo está me traindo, Isabella? — exigi saber. Ela pareceu chocada com minhas palavras.

– Edward! — Renée exclamou com horror.

– Você está sendo injusto — Michael protestou, segurando Isabella com mais força contra si.

– Injusto?! — ri. — Sim, estou sendo injusto, mas comigo mesmo que não acabei esse casamento antes! — gritei, encarando Isabella. Seus lábios tremeram e vi tanta dor no seu olhar que quase me arrependi das minhas palavras. Precisava sair dali. Longe da sua influência. Dei um passo para trás e saí pelo corredor.

– Edward, espera! Por favor! — ouvi Isabella chamar, mas ignorei, assim como fiz com os pedidos de Renée para explicar o que estava acontecendo.

– Basta! — respondi chegando até a porta. — Acabou, Renée, cansei de ser feito de idiota! Cansei!

– Mas Edward... — tentou argumentar quando ouvimos um grito vindo do escritório.

Era Isabella.

Um arrepio transpassou pela minha espinha e nada mais importou.

Corri de volta para o escritório e encontrei Isabella desmaiada nos braços de Michael que tentava sem sucesso acordá-la.

– O que aconteceu? — perguntei com urgência, ajoelhando no chão e a puxando para os meus braços. Michael a deixou vir sem reclamar. Ela parecia tão frágil. Tão indefesa.

– Eu não sei, ela quis ir atrás de você, mas sentiu uma forte dor de cabeça e desmaiou de novo — disse desesperado.

De novo? Isso tinha acontecido antes? Era por isso que Michael a segurava?

Levantei com Isabella no colo e olhei para Renée que estava branca como um papel nos observando da porta.

– Liga para o médico dela. Agora! — ordenei, ela assentiu e saiu correndo para a sala.

Eu fiz o mesmo. Enquanto Renée estava no telefone, subi as escadas até nosso quarto. Pedindo a cada instante que ela acordasse. Que me perdoasse mais uma vez por ser um estúpido filho da puta.

Eu não estava mais bravo ou chateado com ela. Nem podia. Estava com ódio de mim mesmo, que mais uma vez me deixei levar pelo ciúmes irracional, sem me dar conta que ela estava passando mal.

Eu era um desgraçado.

Entrei no quarto e a deitei na cama. Sua respiração estava serena, como se tivesse caído em um sono profundo. Tentei chamar seu nome, mas ela apenas resmungou algumas palavras desconexas. Fiquei velando seu sono até que Renée apareceu.

– Como ela está?

– Dormindo, eu acho — respondi sem tirar os olhos de Isabella.

– O médico estará aqui em pouco tempo — avisou.

– Obrigado, Renée e desculpa se eu me excedi. Eu só... — passei a mão na nuca. — Michael me tira do sério.

– Eu não devia ter deixado ele entrar — virei para encará-la. — Mas ele insistiu que precisava falar com ela — explicou.

– Como ela desmaiou?

– Eu não sei, Michael me chamou e falou que ela estava bem e de repente tinha desmaiado — meu maxilar travou.

– Acha que ele fez alguma coisa? — procurei saber, ela negou.

– Não, sei que não vai gostar do que vou dizer, mas Michael não é esse monstro que você imagina — virei o rosto, voltando minha atenção a Isabella e ignorando seu comentário.

– Onde está Anthony? — perguntei secamente, mudando de assunto.

– No quarto com Irina — assenti, sem saber o que fazer.

Devia ir ver como ele estava, mas e se perguntasse sobre a mãe? O que eu diria? Que ela passou mal? Ele ia querer ficar com ela e não sabia se isso seria benéfico ou não no momento, para ambos.

– Pode ficar com ele enquanto o médico não chega?

– Claro, Edward.

– Explica que nós saímos e que vamos voltar logo, não sei se quero que ele veja a mãe assim, não até saber o que ela tem.

– Você tem razão, é informação demais para a cabecinha dele. Vou pedir para Irina trazer o médico aqui, assim que ele chegar — concordei, sem dizer mais nada. O silêncio predominou, até que Renée voltou a falar:

– Isabella acordou chorando e chamando por você depois que desmaiou a primeira vez. Achei que devia saber — declarou e saiu do quarto.

Isso só serviu para a culpa que eu sentia aumentar ainda mais.

Ela me queria ao seu lado. Não Michael.

Suspirei, sentando na cama. Segurei sua mão, correndo meus dedos em um carinho delicado. Queria me distrair do bolo que se formava na minha garganta e da vontade de chorar.

Esse pesadelo algum dia ia acabar?

Isabella se mexeu e aos poucos abriu os olhos. Estava com receio que fosse me expulsar do quarto, mas ao invés disso ela sorriu. Sempre me surpreendendo.

– Como está se sentindo? — perguntei preocupado, movendo uma de minhas mãos para seu rosto pálido.

– Bem, só minha cabeça que ainda dói um pouco — assenti.

Não sabendo ao certo o que isso significava. Seria grave? Não conseguia sequer pensar nessa hipótese. Talvez fosse melhor levá-la para o hospital.

– Sonhei com você — murmurou chamando minha atenção.

Olhei para ela, intrigado.

– Nós estávamos brigando por causa do Michael, dissemos coisas horríveis e você me expulsou de casa — comentou passivamente.

Meu corpo ficou em estado de alerta. Ela havia se lembrado! E justo da nossa maior briga.

– Isso aconteceu de verdade, não é? — questionou, percebendo minha expressão.

– Sim, foi um dia antes do acidente — admiti e ela assentiu.

– Eu estava certa em pensar que tínhamos problemas, só não imaginava que a situação fosse tão grave — afirmou com tristeza.

– Eu fui um imbecil aquele dia, assim como fui hoje — condenei-me, Isabella negou.

– Você não é o único culpado, Edward. Eu também provoquei — justificou, cabisbaixa.

– Você não fez de propósito — rebati.

Isabella sempre foi assim, adorava me provocar, só que com Michael era diferente e a culpa era minha, já que nunca fui sincero com ela sobre isso, alias, com ninguém. Sua expressão tencionou e ela desviou o olhar. Nem podia reclamar, estava certa em ficar brava comigo. Precisava pedir desculpas, ou melhor, perdão.

– Eu fui um ogro, nas duas ocasiões, aquele dia e hoje, e posso atestar que houveram outras vezes — apertei sua mão na minha. — Eu não sou perfeito, Isabella, mas sou homem o suficiente para dizer que eu estou errado e implorar mais uma vez que me perdoe — ela voltou a olhar para mim. Senti meu coração acelerar.

– Você mentiu para mim — falou com suavidade. Meu cenho franziu. — Disse ontem que eu nunca fiz nada espontâneo, mas depois da briga, eu voltei para casa, voltei para você — sua resposta me deixou surpreso.

Ela estava certa. Havia passado horas procurando por ela e Isabella estava em casa. Eu sequer tinha percebido na época o quanto esse gesto significava. Ela suspirou e continuou:

– E por mais que você negue, eu tenho minha parcela de culpa em tudo isso e é por isso que eu não tenho nada para perdoar, Edward. Eu só quero saber uma coisa, e preciso que seja sincero sobre isso — pronunciou em um tom mais formal.

– Pode falar — pedi, ansioso.

– Você acredita que nós temos um futuro? Apesar de tudo? — questionou insegura.

Ela parecia apreensiva com minha resposta, segurando com firmeza minha mão. Os olhos esperançosos. Isabella nunca foi tão transparente. Ela queria isso, talvez tanto quanto eu, mas estava assustada. Seu receio era compreensível. Eram acontecimentos demais em pouco tempo. Só ficava chateado em ver toda a evolução que havíamos feito na última semana, praticamente desaparecer por culpa da minha atitude explosiva.

– Desde que nos conhecemos, nada foi fácil ou simples — comecei dizendo, passeando meus dedos pela palma da sua mão. Ela me olhava atenta. — E mesmo assim, os piores momentos que passamos foram os que ficamos separados. Eu me sinto vazio e perdido sem você, Isabella. Brigamos, sim. Temos nossas diferenças, como qualquer outro casal. Mas nada disso importa quando estamos juntos — afirmei, ela sorriu, emocionada. — Eu não posso imaginar um futuro sem ser ao seu lado, Süsse. E nem quero — respondi com convicção. — E você, acredita que temos futuro? — questionei, sentindo a mesma insegurança que ela demostrou antes. Sua resposta definiria tudo.

Isabella sentou na cama e se aproximou. Sua mão tocou meu rosto e senti minha pele esquentar.

– Eu acredito, Edward. E não é só para fazer esse casamento dar certo ou pelos nossos filhos. É muito mais. Mais do que um futuro, eu quero uma vida ao seu lado — declarou, me deixando aturdido.

Sorri completamente enfeitiçado e me inclinei, tomando seus lábios nos meus, primeiro com calma e depois com paixão. Isabella gemeu e me afastei, preocupado.

– Está se sentindo bem? — perguntei, segurando seu rosto, procurando qualquer problema. Ela assentiu, lambendo os lábios e me deixando ainda mais louco.

– Você beija bem — respondeu, faceira.

Ri, trazendo seu corpo contra o meu, beijando seus cabelos e sentindo seu aroma delicado. Toda minha tensão e medo se esvaindo, me relaxando. Era a paz que eu buscava.

A campainha tocou, me lembrando de outro assunto importante.

– Seu médico chegou — avisei e ela me encarou, aborrecida.

– Não precisava chamar um médico — reclamou, voltando a deitar na cama.

– Precisava, sim — fui enfático. — Você desmaiou. Temos que saber o que está acontecendo.

– Deve ser só minha memória voltando, Edward. Não é para tanto — olhei para ela com a testa franzida. Ela tinha desmaiado duas vezes. Na segunda, lembrou da nossa briga, mas e na primeira?

– O que mais você lembrou? — questionei intrigado. Isabella arregalou levemente os olhos e se mexeu desconfortável na cama, gesto que não ignorei, assim como seu rosto, que ainda estava marcado pelo choro recente.

O que poderia ter sido? Mais uma briga? Algo mais intimo? Ou a lembrança foi com outra pessoa? Afinal, ela estava com Michael quando passou mal.

Fiquei rígido na cama só de pensar nisso. O ela teria lembrando com Michael, que a fez chorar. Sacudi a cabeça, espantando qualquer lembrança desagradável dos dois juntos.

Não. Renée afirmou que Isabella me chamou. Só podia ser comigo. Mas o quê? Antes que ela pudesse abrir a boca, bateram na porta.

– Senhor Cullen, doutor Malek está aqui — Irina anunciou, abrindo a porta para ele passar. Levei um tempo para absorvei a informação, ainda vidrado em Isabella e no que ela poderia ter lembrado. Estava intrigado com sua reação.

**

A consulta foi mais rápida do que eu imaginava. Malek fez diversas perguntas para Isabella, mediu sua pressão e batimentos cardíacos.

No final, explicou que as dores de cabeça e desmaios podiam estar relacionados ao grande número de informações que seu cérebro precisava processar para trazer a tona os fragmentos de memórias.

Isabella me encarou com a sobrancelha arqueada como se dissesse: “eu avisei”.

Ignorei sua provocação e voltei a atenção ao médico. Ele pediu uma série de novos exames só por precaução. Perguntei se não seria melhor levá-la para o hospital. Isabella balançou a cabeça em pânico e o médico sorriu, explicando que não era necessário, só no caso de aparecer um novo sintoma. Por hora, indicou apenas repouso.

Malek se despediu de Isabella e antes que eu saísse para acompanhá-lo, ela pediu para que trouxesse Anthony. Olhei para o médico, procurando sua aprovação. Ele assentiu com um sorriso e completou:

– Vai fazer bem a ela.

Pedi que ele esperasse um segundo e fui buscar meu filho.

O vídeo game estava ligado um pouco mais alto do que costume, provavelmente com a intenção de distrair Anthony dos sons do andar de baixo e do quarto ao lado.

Quando o chamei, ele correu para me abraçar, dizendo que estava com saudades. Apertei seu corpo contra o meu. Aliviado por saber que não estava mais chateado comigo. Beijei seus cabelos e sentei com ele na cama para conversar.

– Mamãe está doente de novo? — perguntou assustado quando contei o que estava acontecendo.

– Não, filho, mas ela passou mal e precisa descansar — expliquei, mas sua expressão não mudou, estava quase chorando.

– Eu quero ficar com ela. Posso?

– Pode, mas precisa ter cuidado e não falar alto ou deixá-la nervosa, ok? — ele assentiu.

Peguei sua mão e saímos do seu quarto. Renée nos seguiu. Deixei Anthony com ela e fui falar com Malek, que estava me esperando no final do corredor.

– Eu posso fazer alguma coisa para ela se sentir melhor? — perguntei enquanto Anthony e Renée iam para o quarto de Isabella.

– Não, Edward. Só esteja ao lado dela, evite emoções muito fortes e fique atento a qualquer novo sintoma. Ela precisa de calma agora — assenti, me sentindo ainda mais culpado por minha explosão mais cedo. — E amanhã não deixe de levá-la para fazer os exames. Vão buscar o Matthew também, não é?

– Sim, ele vai ser liberado à tarde — respondi automaticamente, o acompanhando pelo corredor até a escada. — Acha que Isabella pode ter algo mais sério? — externei meu maior medo.

– Os exames que ela fez ainda essa semana voltaram perfeitos, mas o cérebro é uma máquina complexa e somos incapazes de prever o que pode acontecer de um dia para o outro. Só quero garantir que nada novo apareceu — assenti não muito seguro da sua resposta.

Malek começou a falar sobre a saúde de Matthew e como ele parecia cada dia maior e mais saudável. Isso ajudou a roubar minha atenção para um assunto mais prazeroso.

Descemos as escadas e o acompanhei até a porta, agradecendo a agilidade com que tinha vindo. Malek foi embora e eu fiquei ali, perdido em pensamentos, ainda preocupado com a saúde de Isabella.

Precisava manter a calma.

Virei para voltar ao quarto quando dei de cara com Michael.

Que porra ele ainda estava fazendo ali?

Notas finais
Ih!! O que será que o Michael quer?? O que acharam da reação do Edward, ele exagerou ou sua atitude foi justificada?? Não deixem de comentar!! Beijos e até o próximo!