Uneven Odds
23 Capítulo 18 - Memórias - Parte 1
Notas iniciais
Bella POV
A noite estava muito agradável.
Os pais de Jasper, como sempre, foram ótimos anfitriões e a festa de bodas era um sucesso. Bem executada e frequentada. A única exceção era a presença insuportável de Edward e sua amiguinha borbulhante, que ria de tudo.
Infelizmente, não podia reclamar. Afinal, como filho de Carlisle e Esme, era natural que ele viesse. Só não previa que fosse aparecer com uma mulher parasita, daquelas que grudam em seu pescoço e não soltam por nada. Não podia acreditar que ainda existiam mulheres que se humilhavam perante os homens dessa maneira. E o pior. Ele nem prestava atenção nela.
Por que eu me importava? Eles que casassem e tivessem vários filhinhos com risada irritante!
Bufei e deixei minha taça com um dos garçons. Pedi licença ao grupo que conversava e subi as escadas. Alice avisou que se precisasse usar o toalete poderia utilizar os que ficavam no segundo andar.
Retoquei a maquiagem, ainda pensando em Edward. Não entendia essa implicância que tinha com ele. Toda vez que o via, tinha vontade de... Argh! Nem conseguia expressar em palavras o que sentia. Era um misto de raiva e desejo completamente fora da minha compreensão.
Eu já me senti assim? Alguma vez?
Talvez se encontrasse um parâmetro com o qual pudesse fazer um comparativo. Não ficaria tão... perdida.
Esquece isso, Isabella. Só esquece.
Dei uma última olhada em meu reflexo e saí do banheiro.
Para acabar com minha paz de uma vez, Edward estava lá, encostado na parede oposta. Resolvi passar por ele como se não o tivesse visto.
Isso, ia agir como uma criança mimada e ignorá-lo.
– Me ignorando, Isabella? — provocou, segurando meu braço. Fechei os olhos por um instante, controlando minha raiva.
– Você se dá importância demais, Edward — rebati com desdém, virando o rosto para encará-lo e puxando meu braço. Vi seu maxilar travar e a tensão irradiar do seu corpo.
– Bom, eu não sou o único — retrucou. — Alias, eu tenho muito o que aprender com a rainha da indiferença e superioridade, não acha? — fez uma saudação real e um sorriso prepotente surgiu em seus lábios. Senti meu coração acelerar.
Ah! Como eu odiava esse homem! Ele era chato, inoportuno, idiota e mesmo assim não saía da minha mente.
– Antes ser superior e indiferente do que uma poodle treinada como sua namoradinha — respondi. Edward parou para me observar e não gostei nada do sorriso que surgiu em seu rosto.
– Pelo jeito eu te afeto mais do que você demonstra — respondeu com prepotência.
Não pude fazer outra coisa, senão rir, ou melhor, gargalhar. Edward grunhiu e me apertou entre a parede e o seu corpo. Senti o ar faltar. Nem quando dançamos no casamento ficamos tão próximos. Nossas respirações se mesclaram e eu me vi encarando sua boca deliciosa. O desejo turvando meus pensamentos.
– Você deveria se importar com a sua namorada que esta lá na sala e não ficar prensando estranhas no corredor — consegui advertir entre os arquejos da minha respiração trepida. Seu sorriso descarado e irritante aumentou.
– Ciúmes? — provocou. Estreitei os olhos e tentei me soltar, mas ele me apertou com mais força. Senti sua ereção contra minha pélvis e deixei escapar um gemido. — Você me deseja, Isabella — acusou aproximando seu rosto do meu. — Tanto quanto eu desejo você — sussurrou com a boca próxima a minha.
Pronto! Foi o bastante para que qualquer traço de razão fosse jogado ao vento. Passei meus braços pelo seu pescoço e o beijei com volúpia. Nada mais importava naquele instante do que extinguir o desejo que estava me queimando. Edward pareceu surpreso com meu ataque, mas logo me beijava com mesmo entusiasmo. Gemi contra seus lábios, aturdida com a avalanche de sensações que estavam me invadindo. Nunca havia sentido tanto calor, tanto desejo como agora. Nem ao menos percebi como tínhamos parado em uma cama. Eu só queria ele dentro de mim. Sua pele contra a minha. Seu sabor. Seus beijos. Seu corpo. Suas mãos...
Acordei em um átimo, sentando na cama com a respiração entrecortada. Olhei ao redor e vi que estava no meu quarto. O relógio marcava oito horas. Inspirei fundo. Tinha sido apenas um sonho. Apenas um sonho. Sorri prazerosamente.
E quê sonho.
Voltei a deitar sentindo meu corpo languido e a respiração aos poucos normalizando. Parecia ter sido tão real. Tão vivido. Gemi. Tão bom. Só não conseguia discernir se era uma lembrança ou apenas minha imaginação dando asas a tudo o que Edward havia me dito na noite anterior. Francamente, no momento, isso era o que menos me importava. A única coisa que pensava era em sentir tudo aquilo de novo e dessa vez sem ser por sonho ou me masturbando, como tinha feito ontem à noite, antes de Edward aparecer com Anthony.
Ele realmente me conhecia. Sorri.
Não via a hora de pedir para que voltasse para casa. Por certo isso seria benéfico para nossa relação. Especialmente para nossos filhos. Anthony ficaria exultante. E eu estava ansiosa para aumentar ainda mais nossa intimidade.
Eu não queria que o sexo fosse a base de nosso relacionamento, como pareceu ser da primeira vez, mas não podia negar que estava ansiosa para quando isso acontecesse.
**
Tomei um banho, me arrumei e desci para a cozinha. Lá, encontrei Irina preparando o café da manhã.
– Bom dia, Irina — cumprimentei, ela desviou o olhar rapidamente para mim.
– Bom dia, senhora Cullen. Parece animada hoje — comentou com um sorriso.
Não tinha como negar ou esconder. Diferente de outros dias, esse trazia algo novo. Era como se tudo estivesse se encaixando.
– Estou mesmo — concordei devolvendo o sorriso. — Anthony vai tomar café da manhã conosco e gostaria que fizesse aquelas panquecas com geleia que ele adora, por favor.
– Sim, senhora. Vou caprichar — piscou e voltou sua atenção aos ovos mexidos.
Saí da cozinha e dei de cara com minha mãe.
– Bom dia, mãe — disse sorridente.
– Hum... Parece que a noite foi boa — apontou me observando.
– Melhor impossível — respondi com o sorriso que não saía do meu rosto.
– Vocês se acertaram? — perguntou com expectativa.
– Quase, ainda é um começo, mas estamos seguindo por esse caminho. Decidi finalmente chamá-lo para morar aqui — contei sem conseguir segurar. Ela me olhou emocionada.
– Ah, meu amor, isso é ótimo! Fico tão feliz! — celebrou alegre, me abraçando.
– Eu sei, também me sinto assim. Parece certo, não sei — expliquei enquanto ela se afastava para me encarar. — Depois que conversamos, eu perdi todo o meu medo e insegurança. Era como se tudo estivesse no lugar que deveria.
– E é assim que tinha que ser. Sem apressar nada, aos poucos. Dar essa chance porque você quer e não porque se sente obrigada — assenti, concordando.
– Pensei durante muito tempo em manter um casamento pelos nossos filhos, na base do companheirismo, mas a verdade é que eu quero mais com ele. Nunca pensei que fosse me sentir assim por alguém — confessei, soterrada pela onda de sentimentos que Edward despertava em mim. Minha mãe sorriu encantada.
– Seu primeiro amor — atestou. Minha testa franziu.
– Não sei se é amor, mas posso garantir que estou sim, apaixonada por ele.
– Já é o bastante, por enquanto. Vocês ainda tem muito o que viver juntos — assegurou. — Edward deve estar radiante.
– Ele parece feliz, eu acho — respondi incerta.
Era difícil saber exatamente como o outro se sentia. Seus beijos, pelo menos, me diziam que estava muito satisfeito, assim como o modo como me olhava ou como me tratava com carinho. É, não podia negar. Edward estava muito mais que feliz.
– Tenho certeza que aquele menino está no sétimo céu, assim como ficará o Anthony quando descobrir que vai voltar para casa — sorri.
– Anthony vai pirar. À proposito, ele passou a noite aqui — comentei e ela não pareceu surpresa.
– Bem que ouvi algumas vozes ontem à noite, mas achei que fosse a TV que esqueci ligada — deu de ombros. — Edward também ficou? — perguntou interessada.
– Não, ele não ficou. Vai passar mais tarde para explicar o que aconteceu, ele parecia chateado. Espero que não seja nada sério — comentei preocupada.
– Aposto que Anthony sentiu sua falta no meio da noite e Edward achou que seria melhor que viesse ficar com você — explicou.
– É, pode ser — concordei hesitante. Fazia sentido, mas porque não esperar para trazê-lo pela manhã? Ao menos que Anthony tenha brigado novamente com o pai. — Edward contou que ele estava um pouco arredio e carente. Anthony anda tão ciumento com a chegada do Matt, preciso conversar com ele sobre isso — disse caminhando até a escada.
– Filha? — minha mãe chamou e eu virei. Ela se aproximou. — Minha licença no trabalho está acabando e eu preciso ir para Nova Iorque. Agora que Edward virá morar aqui, estava pensando que era um bom momento para voltar para casa. Tudo bem para você? — perguntou hesitante.
Olhei para ela e senti meu peito apertar. Não, não estava bem, mas não podia ser egoísta e pedir que ficasse. Já era hora de retornarmos nossa vida.
– Claro, Mãe. Me desculpe, com tantas coisas eu acabei esquecendo que sua permanência aqui era provisória. Sei que tem sua vida lá, não faz sentido prendê-la aqui quando eu já estou melhor — deixei um sorriso fraco escapar. — Não significa que vou sentir menos sua falta — confessei, ela abriu os braços e eu fui correndo.
– Vamos manter contato, meu amor. Não vou perder minha filha de novo — garantiu, segurando meu rosto. — Eu prometo — assenti, desejando profundamente que não nos afastássemos mais uma vez.
Minha mãe sorriu e me deu um beijo na testa. Depois seguiu para a cozinha enquanto eu ia para o quarto de Anthony.
Subi as escadas com o forte sentimento de perda. Seria complicado viver nessa casa e não ter a presença constante de minha mãe. Havíamos nos tornado cúmplices e agora ela ia embora. Não podia ficar triste, afinal era a vida dela, mas isso não diminuía a saudade que ia sentir.
De agora em diante seria só eu e meus três rapazes. Seriamos uma família. Senti um frio na barriga. Uma expectativa misturada com medo pelo desconhecido.
Só quero que saiba que não importa as decisões que tome, eu estarei aqui, ao seu lado.
As palavras ditas por Edward no dia anterior invadiram minha mente, me trazendo calma e paz.
Ele estaria ao meu lado e eu ao lado dele.
Essa era toda a certeza que eu precisava.
**
Acordei Anthony com cuidado, para que não estranhasse o ambiente. Assim que me viu, no entanto, pulou em meu pescoço, dizendo que tinha sonhado comigo e estava com muitas saudades. Ri do seu entusiasmo.
– Eu também, meu bem — respondi beijando sua cabeça. — Pedi para Irina preparar um café da manhã com sua panqueca favorita — anunciei.
– Com geleia também? — perguntou interessado.
– Com geleia e tudo mais que quiser — seu sorriso se alargou. — Agora, vamos tomar um banho para ficar limpinho para o café — completei fazendo cócegas nele. Anthony rolou na cama rindo.
Ajudei ele no banho e depois a se vestir. Colocava sua camiseta do homem aranha quando percebi seu rostinho triste.
– O que foi, filho? — ele olhou para mim.
– Cadê o papai?
– Ele vai vir mais tarde — expliquei. Anthony assentiu ainda chateado. — Seu pai me contou que você gritou com ele ontem — comentei.
– Eu não gosto mais dele — respondeu cruzando os braços.
– Por quê?
– Ele não me ama mais. Só o Matt, por isso ele vem para casa e eu não. Papai vai me deixar sozinho de novo — fez um bico e começou a chorar. Trouxe ele para meu peito e o abracei.
Sua confissão fez minha cabeça fervilhar. Anthony estava bravo com o pai quando toda a culpa era minha. Foi minha ausência e meu acidente que o fez tão inseguro.
– Isso não é verdade, amor. Papai te ama muito. Você é o melhor amigo dele. Ele nunca vai deixá-lo — garanti. Sentei no chão e enxuguei seu rosto com o polegar.
– Nem você? — Anthony fungou. Sorri.
– Não, nunca! Você é nosso pequeno e sempre vamos amá-lo — ele maneou a cabeça, e veio para o meu colo.
– Eu não quero dividir meus brinquedos com Matt — resmungou pouco depois.
– Ele vai ter seus próprios brinquedos, mas poderão brincar juntos — sugeri.
– E se ele quebrar? — seus grandes olhos verdes se alargaram com horror.
– Você nunca quebrou nada do seu pai? — rebati com outra pergunta. Seu rosto corou.
– Uma vez. Quebrei a calcudora dele — respondeu sem graça. Sorri.
– Calculadora — corrigi.
– É, esse mesmo. Papai explicou que tinha que ter cuidado com as coisas dele e me deu uma calcudora para brincar.
– Você pode fazer o mesmo se o Matt quebrar algo seu. Ele vai aprender muito com você.
– Mesmo?
– Claro, e você vai poder me ajudar a cuidar dele, ensinar a andar, falar.
– Bebês gritam e são fedidos — reclamou com uma careta. Ri dos seus protestos.
– Ok, depois dessa não tenho mais o que dizer — não ia adiantar falar nada que Anthony iria retrucar. Estava decidido a não aprovar o irmão. Precisaria esperar Matt chegar para mostrar à ele que ter um irmão não seria tão ruim. — Vamos tomar café? — ofereci. Ele pulou do meu colo e correu para a porta. Levantei e fui até ele. Anthony estendeu a mão e descemos para nosso desjejum.
Durante o café da manhã, Anthony estava falante e risonho. Percebi que nosso papo mais cedo havia tirado um pouco dos seus medos. Pelo menos o maior deles.
Ser mãe era tão difícil.
Eu me via lendo cada vez mais livros sobre o assunto e descobrindo a cada dia que eu sabia menos. Teoria era uma coisa, a prática outra bem diferente. Fazia o meu melhor, sem saber se era o suficiente. Nem podia imaginar o que Edward passou com Anthony enquanto eu estava no hospital.
Era sem dúvida um homem incrível e um pai excepcional.
Após a refeição, levei Anthony para escovar os dentes e fiquei com ele em seu quarto, brincando com um jogo de montar. Reservávamos apenas duas horas no dia para Anthony mexer em seus jogos eletrônicos, fosse no tablet ou no vídeo game. Anthony entendia mais de tudo isso do que eu. Era tanta tecnologia e redes sociais hoje em dia, que muitas vezes me via perdida com seus nomes. Edward explicou basicamente para mim o que cada uma significava e quais eu tinha conta. Era interessante, mas não algo que fizesse muito sentido para mim. Pelo menos, não no momento. Talvez com o tempo, voltasse a utilizar. Por hora, não me fazia falta.
Ouvi a campainha e meu coração disparou. Edward.
– É o papai? — Anthony perguntou olhando para mim. Sorri.
– Acho que sim — ele levantou, mas o segurei. — Espera aqui, filho. A mamãe quer conversar com o papai antes.
– Por quê? — apertei seu nariz.
– É uma surpresa. Aposto que vai amar — seus olhos brilharam. Beijei seu rosto e levantei. Abri a porta e encontrei minha mãe. Sua expressão me deixou preocupada.
– Filha, você tem visita — comunicou tensa.
Se não era Edward, quem poderia ser?
– Quem é?
– Michael.
Um arrepio passou pelo meu corpo. Ah, não! O que ele queria? Merda! E se Edward o encontrasse aqui?
– Você não tinha cancelado o treinamento com ele? — minha mãe perguntou.
– Sim — respondi no automático, o treinamento era no sábado, não fazia sentido ele aparecer hoje. — É melhor ver o que ele quer. Pode ficar com Anthony? — ela assentiu.
Minha mãe concordou e avisou que tinha pedido que ele esperasse no escritório. Era melhor, desse modo poderia evitar um encontro desastroso entre ele e Edward.
Desci as escadas, sentindo meu corpo trepidar de nervoso. Parei em frente a porta e respirei fundo antes de abrir. Assim que me viu, Michael abriu um enorme sorriso, parecia encantado ao me ver.
– Você está linda — elogiou.
– Obrigada — respondi seca, mantendo uma postura firme. Não queria que percebesse minha apreensão e interpretasse de outra forma. Ele ficou sem jeito, mas logo se recuperou.
– Sinto muito vir sem avisar, mas precisava pedir desculpas pelo modo como me portei quando falamos pelo telefone no começo da semana. Não havia razão para ser grosso com você. Foi um lapso da minha parte.
– Você podia ter ligado, Michael. Não precisava vir até aqui — rebati, cruzando os braços.
– Eu sei, mas acredito que um pedido de desculpas deva ser feito pessoalmente, nunca por telefone — explicou, se aproximando. Desviei dele e caminhei até ficar atrás da mesa do escritório.
– Tudo bem, eu entendo. Obrigada pela consideração — agradeci, esperando que isso fosse o suficiente.
– Consideração não é o que eu sinto por você, Isabella. Nunca foi — pronunciou com afinco, colocando as mão sobre a mesa.
– Michael, eu não quero discutir sobre o que aconteceu entre nós. É passado. Eu me casei, segui em frente. Você devia fazer o mesmo — seu rosto empalideceu.
– Eu achei que... — começou a dizer, mas parou, parecendo incerto.
– Que o quê?
– Você estava interessada em mim, Isabella. Eu via. Ok, você mudou depois da gravidez, mas o modo delicado como sempre falava comigo quando conversávamos pelo telefone e todas às vezes que... — ele ficou mudo e se sentou no sofá, como se tivesse levado um choque.
– Michael?
– Como eu não percebi isso antes? — condenou-se aturdido, colocando as mãos no rosto. Sentei ao seu lado, intrigada pelo seu comportamento
– Percebido o quê? — ele ergueu a cabeça e me fitou com raiva.
– O que eu era para você, hein, Isabella? Um fantoche? Um brinquedinho? — acusou com agressividade.
– Eu... eu não sei do que está falando — me defendi assustada com sua reação.
Ele suspirou e sua expressão suavizou, talvez por ter percebido que eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Balançou a cabeça e segurou minha mão, por um instante, permiti esse contato. Ele parecia tão abatido e triste.
– É claro que você não faz ideia do que estou falando. Perdeu a memória. Sou um estúpido — despejou e sem que pudesse esperar, declarou: — Eu amo você, Isabella — murmurou, brincando com meus dedos.
Puxei minha mão e levantei do sofá, ficando de costas para ele. Sua declaração me deixou inquieta. Era o segundo homem que dizia que me amava e nenhum deles era Edward.
– Michael, por favor — pedi, não sabendo o que dizer. Senti sua presença e suas mãos afagando meus braços.
– Você pode não se lembrar, mas nós somos iguais, Isabella. Por favor, pensa nisso. Em nós. Edward nunca a fará feliz. Vocês não tem nada em comum. Nunca tiveram. Ele a fez acreditar que essa vida doméstica e convencional era o que você queria, mas não é. Você é muito maior que tudo isso. Deixa eu te mostrar como pode ser bom — sussurrou no meu ouvido e senti sua mão apertar minha cintura.
Virei e ficamos cara a cara, dei um passo para trás e encostei contra a mesa, sem saída. Senti minha cabeça girar e me apoiei na mesa, com medo de cair.
– Isabella? — sua voz soou distante e preocupada.
Quando voltei a encará-lo, não era Michael que estava ali e sim, Jacob.
– Eu sou melhor para você do que ele, Isabella — afirmou se aproximando. Ainda estávamos em um escritório, mas esse era mais escuro e bem maior.
– Jacob, eu amo o Edward. Já está mais do que na hora de você aceitar isso — minha voz saiu sem que abrisse a boca.
O que estava acontecendo?
O rosto de Jacob se transformou e ele veio com tudo para cima de mim, segurando meus braços e me deixando completamente imobilizada contra a parede.
Era como se eu estivesse fora do meu próprio corpo, mas incapaz de controlar minhas ações. Eu via tudo o que estava acontecendo sem poder interferir.
Seria um pesadelo? Eu teria desmaiado?
– Me solta, Jacob! — pedi, sentindo a pressão dos seus dedos aumentarem em meus braços.
– Você vai ser minha, Isabella e vai ser agora, enquanto seu querido namorado espera lá embaixo com toda a família — sua voz me deixou arrepiada.
Namorado? Não! Edward era meu marido! Queria sair dali, mas não conseguia me mover. Nem ao menos gritar.
Jacob afastou minhas pernas, enquanto eu protestava. Eu via a cena de fora e ao mesmo tempo como se eu estivesse sentindo tudo.
Era uma sensação de tortura. Acorda, Isabella. Acorda!
– Não vejo a hora de aproveitar tudo isso mais uma vez — murmurou contra o meu pescoço, passando a mão pelo meu seio. Não! Seu toque me enojava.
– Me beija — pedi de repente. Jacob ergueu o rosto e sorriu.
Arregalei meus olhos. Como podia pedir isso para ele?
– Sabia que não ia resistir, linda. Sentiu minha falta, não foi? Aposto que Edward nunca a satisfez como eu.
– Nunca, você foi o primeiro e o melhor — respondi sedutora.
Estava espantada com minha atitude. Como podia fazer isso com Edward? Como?
Ele sorriu satisfeito e aproximou sua boca da minha. Queria virar o rosto, mas meu corpo não obedecia. Nossos lábios se encontraram e precisei me controlar para não vomitar. A sensação era tão real. Queria chorar. Gritar. Jacob gemeu e no instante seguinte, estava no chão, com as mãos sobre seu membro, grunhindo de dor e me xingando conforme eu saía do escritório. Olhei o corredor e parecia a casa dos pais de Edward.
Como fui parar ali?
Desci as escadas correndo quando senti uma forte pontada no baixo ventre, tentei segurar no corrimão, mas era tarde demais.
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