Uneven Odds
22 Capítulo 17 - Deslocada - Parte 3
Notas iniciais
Edward POV
Deitei minha cabeça no encosto do banco e fechei os olhos, aproveitando por um momento o silêncio para repassar cada segundo de tudo o que tinha acontecido essa noite, especialmente o final.
Após seu delicioso rompante no aeroporto, fui incapaz de dizer qualquer coisa coerente enquanto ela apenas sorria travessa. Ainda em transe, eu a levei para casa, onde, ao se despedir, ela me beijou mais uma vez. Meu estado precário se intensificou e minha vontade era pegá-la nos braços e fodê-la ali mesmo, mas procurei segurar meu ímpeto.
Não queria assustá-la.
Isabella sempre foi extremamente passional quando o assunto era sexo, mas agora, apesar de seu desejo ser evidente, eu percebia que não era isso que ela estava buscando, era “algo a mais”. E foi exatamente por isso que deixei que tomasse as rédeas, pelo menos por enquanto.
Não queria que ela parasse de me surpreender.
Ainda era a garota esperta, divertida e provocante por quem eu me apaixonei, só que agora tinha esse outro lado que, quanto mais eu conhecia, mais eu adorava.
Precisaria de muito autocontrole de agora em diante, em todos os sentidos.
Sorri e finalmente saí do carro. Observei a casa de meus pais e meu sorriso sumiu, trazendo de volta toda a apreensão que passei com Anthony mais cedo. Pela hora já deveria estar dormindo. Só esperava que, pela manhã, estivesse melhor e menos arredio com minha presença.
Entrei pela porta da cozinha e ouvi gritos. Minha testa franziu. Parecia com as vozes dos meus pais.
– Eu estou cansada, Carlisle! Essa é a verdade. Eu tento ser compreensiva, mas você está passando todos os limites! Olha que horas são! Hoje é sábado, droga! — me surpreendi ao escutar a voz de minha mãe tão alterada.
– Eu te avisei que seria assim, Esme. Expliquei que o escritório precisa de mim e...
– Isso foi há dois anos! Achei que fosse algo provisório e não permanente. Eu já não aguento mais essa distância — sua voz soou chorosa. — Você nunca está presente. Nunca. Edward está passando por problemas e você só conversa com ele sobre trabalho. Ele precisa de você, Carlisle. Precisa do pai dele — escutei meu pai bufando.
– E de quem é a culpa disso tudo senão dele mesmo? — rebateu com austeridade. — Nós avisamos para não se casar com aquela mulher, que não ia dar certo, mas ele ouviu? Não, claro que não.
Encostei o corpo contra a parede da cozinha. Meu pai continuava com sua implicância com Isabella. Pensava que isso teria diminuído, mas via agora que não. Era só para refrear minhas atitudes e ajudá-lo. Ele nunca iria aceitar minha esposa.
– Você está sendo injusto. Depois que começaram a namorar, Isabella sempre esteve ao lado de Edward, até mesmo quando você virou as costas para ele — minha mãe acusou.
– Ah, claro! Agora a culpa é minha. Não dela que enfeitiçou o meu filho e o afastou de mim.
Já era o bastante.
– Tem certeza que foi ela que me afastou? — perguntei entrando na sala e surpreendendo aos dois. Minha mãe ficou pálida e meu pai não perdeu a pose autoritária. — O senhor se diz tão justo e correto e é incapaz de ver um palmo a frente do nariz.
– Edward, me respeite.
– Respeito? — caçoei. — O mesmo que você tem pela sua esposa ou pelo casamento de Jasper? Se fosse por você, ele estaria divorciado agora e longe da esposa e do filho que ama. Mas não, o senhor não pensa assim. Só consegue pensar no maldito escritório — esbravejei.
– E você na sua maldita mulher! — cuspiu, fazendo com que eu perdesse a cabeça.
– Meça suas palavras para falar dela! — gritei apontando meu dedo. — Isabella não é perfeita, mas é a mulher que eu amo e escolhi para passar o resto da minha vida. O senhor não tem moral alguma para falar dela, porque quando o senhor me demitiu, foi ela que me apoiou.
– Você é cego, Edward. Sempre foi quando se trata dela.
– Carlisle, por favor. Já discutimos muito, Anthony está dormindo — minha mãe tentou apaziguar, mas ele negou.
– Não, Esme. Está na hora de dizer tudo o que está engasgado na minha garganta.
– Carlisle... — advertiu.
– Pode deixar ele falar, mãe. Eu quero ouvir — desafiei, cruzando os braços.
– Ela não te ama, Edward. Nunca deve ter amado. Uma mulher incapaz de demonstrar qualquer afeição pelo marido claramente não sabe o que é amor — acusou friamente. Nada do que disse me afetou. Ele não sabia quem ela era.
– Você não a conhece — respondi. Meu pai riu.
– Eu não preciso conhecer, eu vejo. Vocês nunca pareceram um casal de verdade e quer saber, todo mundo pensa o mesmo. Ficam querendo passar a mão na sua cabeça, evitando o inevitável, querendo que não sofra, mas eu cansei de teatro. Você devia desistir e pedir o divórcio. Essa mulher nunca vai fazer você feliz, ainda mais agora sem lembrar quem você é.
E eu era o cego?
– Acontece que ela faz — retruquei decidido. — Mesmo do jeito dela, eu sei que Isabella me ama, agora, mais do que nunca. E ninguém, especialmente o senhor, vai fazer com que eu mude de ideia sobre isso — disparei e caminhei até a escada.
– Edward, você não... — levantei minha mão quando começou a falar.
– Acho que já fui bem claro. Acabou a discussão. Tentei fazer você enxergar que a vida é minha, mas não adiantou. Cansei. Agora quem está cortando relações sou eu. Amanhã mesmo irei embora com Anthony e pode esquecer qualquer ajuda no escritório — fui taxativo. Seu semblante tencionou.
– Edward, não faça isso, por favor — minha mãe pediu, mas meu pai a ignorou.
– Por que amanhã e não hoje? Se quer tanto ir embora, vai agora! Pronto!
Encarei meu pai com rancor, procurando o homem que havia me criado com tanto amor e atenção. Onde ele estava?
– É triste olhar para o senhor e não reconhecer a pessoa que me criou. Espero que perceba a tempo o que está perdendo em nome do seu precioso trabalho — disparei e virei de costas, ainda ouvindo os resmungos do meu pai e o choro de minha mãe.
Fui para o meu quarto e peguei as malas no armário, as mesmas que havia usado quando me mudei para cá. Foi uma ideia estupida. Achei que iria ser melhor para Anthony e talvez para fazer as pazes com meu pai, mas não adiantou de nada. Ele só estava atuando, agindo como se estivesse arrependido só para que eu ajudasse no escritório. Falso. Dissimulado.
– Edward, filho, não vá. Seu pai está com a cabeça quente, nós discutimos, dê um tempo para ele — minha mãe pediu, entrando no quarto enquanto eu jogava minhas coisas de qualquer jeito nas malas.
– Não dá, mãe. Ele não mudou nada. Prometeu ser mais atencioso e o que aconteceu? Nada! Deixa você sozinha a maior parte do tempo e continua a agredir minhas escolhas. Eu sei o que eu faço, pode não ser o melhor caminho, mas foi o que eu escolhi — peguei meus sapatos e coloquei sobre a cama.
– Filho, e o Anthony? Ele não pode ficar sozinho. Quem vai cuidar dele quando voltar da escola? — argumentou, parei de mexer nas malas e fui na sua direção.
– Ele vai ficar bem — assegurei. — Assim que descobrir um lugar para ficar eu ligo para passar o endereço.
– Edward... — murmurou com a voz embargada. Segurei seu rosto.
– É o melhor, mãe — afirmei com segurança. Meu pai e eu não tínhamos mais como dividir o mesmo espaço. — Obrigado por tudo — agradeci, depositando um beijo em seu rosto. Ela assentiu, já não segurando as lágrimas. Mesmo não concordando com minha decisão, me ajudou a arrumar minhas coisas e as de Anthony.
Quando estava tudo pronto, colocamos no carro e fui pegar Anthony. Ele felizmente não acordou. Coloquei um agasalho nele, enquanto resmungava. Acomodei-o no assento traseiro e fechei a porta com cuidado. Minha mãe me abraçou apertado e depois eu fui embora. Sem voltar a ver meu pai.
Dirigia sem destino. Minha cabeça queimando com lembranças da nossa discussão.
Meu pai não estava completamente errado. Isabella e eu tínhamos um relacionamento incomum. Não era segredo que ela sempre teve problemas em demonstrar seus sentimentos, em se abrir. E confesso que, em certos momentos, suas atitudes tinham afetado minha segurança. Demonstrações de afeto e carinho eram raras e por muitas vezes eu me vi refletindo se Isabella me amava ou não. Era estranho que na época eu não tenha me importado tanto. Talvez por ela ter sido sempre assim, acabei me acostumando com seu jeito. Por isso não entendia quando Alice insistia que Isabella havia mudado depois que se apaixonou por mim. Para mim, ela sempre foi a mesma. Nunca senti diferença.
Isto é, até agora.
Não tinha percebido como sentia falta de receber um carinho de forma voluntária e espontânea, como acontecia agora.
Espontaneidade.
Era justamente isso que faltava na nossa relação antes. Isabella sempre parecia pensar demais antes de fazer qualquer coisa e só se entregava completamente no sexo. Sacudi a cabeça. Não querendo voltar a pensar nisso. Sexo e Isabella era um assunto que eu preferia não incluir em uma mesma frase ou pensamento. Era demais para meu autocontrole.
– Mamãe — ouvi Anthony sussurrar.
Olhei para ele pelo retrovisor e o vi se remexendo no banco. Torcia para que não acordasse. Não sabia como iria explicar mais essa mudança para ele. Sua cabecinha já devia estar cheia de novidades.
Voltei a encarar a estrada e pensar em Isabella. Desviei o olhar para Anthony novamente. Não existia lugar melhor para ele ficar senão com a mãe.
Mas o que ela pensaria se eu chegasse agora lá?
Eu não queria forçar nada, só que ao mesmo tempo, não queria que meu filho passasse a noite em um hotel quando tinha a casa da mãe e seu próprio quarto. Não. Eu não podia ficar preso em conjecturas. Isabella entenderia a situação.
Sem perder mais um segundo, fiz o retorno e segui para casa.
**
Parei no meio fio e observei. Estava tudo escuro e silencioso. Por um instante minha ideia fraquejou, mas ao olhar para Anthony, percebi que era a coisa certa a ser feita.
Desci do carro, segui até a porta e toquei a campainha.
Maldita hora que fui devolver a chave da minha própria casa.
Fiquei olhando o carro, para o caso de Anthony acordar, quando ouvi sons dentro da casa. A luz da sala acendeu e pouco depois a porta abriu.
Meu coração disparou ao ver a figura de Isabella e seu belo sorriso. Nem parecia que havíamos nos visto há poucas horas. Segurei a vontade de puxá-la para meus braços e parei para admirá-la. O rosto um pouco corado, os cabelos soltos e bagunçados. Ela exalava sensualidade usando um robe branco de seda por baixo de um casaco preto de frio. Uma verdadeira tentação.
– Edward! — cumprimentou animada me dando um selinho. Deixei minha mão passar pelas suas costas enquanto a sua pousava sobre o meu ombro. Não esperava uma recepção tão calorosa. Era quase como se estivesse esperando minha vinda. — Entra, está frio aqui fora — chamou, me puxando.
– Espera — pedi e seu cenho franziu. — Anthony está no carro — expliquei.
– O que ele está fazendo lá? — perguntou alarmada.
– É uma longa história. Queria saber se ele pode ficar aqui?
– Claro que sim — respondeu de imediato. Suspirei aliviado. Não podia esperar outra atitude dela. — Vou arrumar a cama dele enquanto você o traz para dentro — avisou.
Concordei e fui até o carro.
Peguei Anthony no colo e ele resmungou algumas coisas. Beijei sua cabeça e o acomodei em meus braços, querendo evitar que passasse frio. Travei o carro e entrei em casa.
Quando cheguei no quarto de Anthony, Isabella terminava de organizar tudo.
– Troquei a roupa de cama, ele adora o homem aranha — explicou, terminando de embalar o travesseiro na fronha. Sorri com o carinho e cuidado que demonstrava ter com Anthony. — Pronto — anunciou, jogando o travesseiro na cama.
Coloquei ele sobre o colchão e tirei com cuidado o casaco grosso que usava. Beijei sua testa e o cobri com o lençol e a coberta. Virei e encontrei Isabella me observando, ela sorriu e se aproximou, beijou Anthony e afagou seu cabelo.
– Boa noite, meu bem — disse baixinho.
Acendeu o abajur e levantou, me abraçando pela cintura. Passei meu braço pelo seu ombro e depositei um beijo em sua cabeça, aproveitando aquele momento família.
**
– Desculpe ter aparecido essa hora — disse, quando saímos do quarto.
– Não tem problema algum, Edward. Ainda estava acordada — explicou com um sorriso sonhador.
Seu comentário chamou minha atenção e observei novamente seu rosto. Eu conhecia muito bem aquele rubor, aquele brilho nos olhos e aquele aroma. Não podia sequer ficar pensando no que Isabella estava fazendo naquele quarto antes que eu chegasse, caso contrário, iria entrar em combustão. Só que não podia deixar esse momento escapar sem provocá-la.
– Está com a feição tão bela e relaxada que pensei que tivesse interrompido algum sonho extremamente prazeroso — declarei, acariciando sua bochecha. Isabella arregalou os olhos de leve. Tinha sido pega!
– Você me conhece muito bem — acusou com a boca próxima a minha. Sorri, sabendo que no fundo isso não era totalmente verdade.
– Ainda tenho muito o que conhecer e estou ansioso por isso — confessei, afagando seu rosto com delicadeza.
– É o que eu quero também, Edward — declarou. — Depois de tudo o que aconteceu hoje, eu não tenho mais dúvida alguma sobre isso — sorri satisfeito, lembrando da nossa conversa e do beijo no aeroporto.
Olhei sua boca e tentei me segurar. Quando ficamos juntos pela primeira vez o desejo falou mais alto e o sexo nos uniu, mas agora eu queria mais. Muito mais. E sabia que com Isabella não era diferente.
– Eu preciso ir, já está tarde — avisei, Isabella pareceu decepcionada, mas disfarçou.
– Antes, se não for intromissão, queria saber o que aconteceu para sair com Anthony no meio da noite. Você pareceu um pouco tenso quando abri a porta — segurei sua mão e fiz um carinho.
– Pode ser amanhã? Se não tiver problema posso passar aqui e conversamos — propus.
– Claro, Edward. Mas você está bem? — perguntou apertando minha mão e acariciando minha nuca. Sua preocupação comigo fez qualquer outra dissipar. Nada mais importava nesse momento.
– Agora, eu estou — garanti, sem tirar meus olhos dos seus. Isabella sorriu.
Passei meu polegar pela sua bochecha, deixando um beijo casto em seus lábios e me despedi. Se ficasse mais um segundo ali eu seria incapaz de ir embora.
E essa decisão eu queria que partisse de Isabella.
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