Uneven Odds
21 Capítulo 17 - Deslocada - Parte 2
Notas iniciais
Bella POV
– Vai me dizer onde vamos? — perguntei não me aguentando de curiosidade.
Edward somente sorriu. Tínhamos acabado de sair do estacionamento do prédio onde Alice morava e seguíamos pela rua até a avenida principal.
– Espere e verá — respondeu com tranquilidade. Bufei, o que fez com seu sorriso aumentasse ainda mais. – Por que não tenta adivinhar — ofereceu. Pensei por um instante.
– É algum lugar nosso? — seu cenho franziu.
– Lugar nosso?
– É, algum lugar que seja especial para nós. Muitas colegas minhas tinham um lugar assim com os namorados. Atrás do ginásio, no armário do zelador ou qualquer outro buraco que elas diziam ser especial para eles. Sei lá — dei de ombros, não sabendo exatamente se tinha conseguido explicar direito.
Edward pareceu um pouco desconfortável com o assunto, já que seu cenho permanecia franzido.
– Você também? — indagou subitamente, sem tirar os olhos da rua.
– Eu também, o quê? — rebati confusa.
– Também tinha algum lugar especial com algum desses moleques? — sua mão apertou com mais força o volante e não foi difícil perceber que estava com ciúmes. Segurei a vontade de rir de seu bico. Ele estava adorável.
– Eu tinha, era um carvalho nos fundos da escola — seu maxilar tencionou e resolvi parar de provocá-lo. — Meus livros e eu tínhamos ótimos momentos ali — comentei com certo saudosismo. Edward relaxou e vi um sorriso começar a brincar em seus lábios.
– Livros?
– É, livros, mas confesso que até gostava de provocar os moleques, como você disse, mas nunca levei ninguém a sério. Namorar era a última coisa que eu queria.
– Por que não queria namorar? — perguntou interessado. Eu não esperava essa pergunta. Ele não sabia ou apenas queria mostrar interesse pelo que eu me lembrava?
– Eu não via muito sentido em ter um relacionamento amoroso — respondi simplesmente. — Para mim era perda de tempo, preferia me focar nos estudos. Meu pai costumava dizer que eu só falava isso porque não havia me apaixonado. Ele era um romântico incurável — sorri, ao mesmo tempo procurando não me emocionar. — Eu acho que depois da morte dele, isso se tornou ainda mais importante. Ver minha mãe perdê-lo, doeu quase o mesmo que saber que nunca mais o veria. Eu não queria isso para mim — admiti. Olhei de relance para Edward e ele parecia pensativo.
– Eu imaginava — respondeu com a voz baixa.
Eu imaginava? Que tipo de resposta era essa?
– Eu nunca disse isso para você? — questionei intrigada. Ele maneou a cabeça, negando. Sua resposta me surpreendeu.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa o carro parou. Estava tão distraída com nossa conversa que nem percebi que havíamos entrado em um estacionamento fechado.
– Chegamos — disse abrindo sua porta e saindo do carro, fiz o mesmo.
Edward veio na minha direção e estendeu a mão, segurei-a e caminhamos juntos até um elevador. Gostava de sentir sua pele na minha.
Levantei a cabeça e foi nesse instante que li em letras maiúsculas:
AEROPORTO INTERNACIONAL SEATTLE-TACOMA
Minha testa enrugou e mil perguntas se formaram em minha mente. Edward olhou para mim e pareceu se divertir com minha confusão. Estreitei os olhos para ele e o desgraçado gargalhou! Puxei minha mão da sua e cruzei os braços. Odiava quando riam às minhas custas, ainda mais nessa situação. Por certo ele conhecia esse lugar e fazia graça do fato de eu não saber onde estávamos. Sentia-me profundamente magoada com sua atitude. Ele percebendo meu súbito mal-humor se aproximou, afagando de leve minhas costas, por pura birra me afastei. Edward colocou o dedo sobre a boca e disfarçou um sorriso.
Argh! Eu odiava esses sorrisinhos.
Entramos no elevador ainda em silêncio, ele apertou o botão do segundo andar e voltou a se aproximar, virei o rosto e me encostei na parede fria de alumínio. Senti seus lábios no meu cabelo.
– Desculpe, Süsse.
– Não gosto que se divirtam às minhas custas e odeio quando fica sorrindo como um idiota — disparei, ainda sem encará-lo.
– Eu sei, sinto muito. Foi indelicado da minha parte. Por favor, me perdoe — virei a cabeça e fitei seus olhos. Ele parecia realmente arrependido. Talvez eu mesma tivesse exagerado, afinal, sempre estávamos brincando e nos provocando. Não era novidade. Não entendia porque havia me irritado tanto. Sorri, mais calma.
– Tudo bem — aquiesci e ele me abraçou pela cintura, beijando novamente meu cabelo. Seu gesto carinhoso logo me fez esquecer porque estava irritada.
A porta do elevador se abriu e vi o belo aeroporto à minha frente. Entretanto, nada chamou minha atenção tanto quanto a ampla lanchonete Burger King.
– Com fome? — Edward perguntou percebendo para onde olhava, assenti sorrindo. Não havia comido nada na festa de Alice, principalmente por causa do nervoso. Agora, sentia-me faminta.
Entramos e Edward apontou uma mesa no canto, ao lado da grande janela de vidro, onde podia-se ver o movimento do aeroporto. Perguntou o que eu gostaria e seguiu para a fila. Aproveitei e fiquei observando-o. Era raro prestar tanta atenção em um homem, mas já havia percebido que Edward era exceção a regra. Sua altura e postura o destoava dos outros, sem falar em seus belos cabelos em um tom loiro escurecido. Desci os olhos pelo seu corpo e me vi fitando descarnadamente sua bunda. Senti meu rosto esquentar e desviei o olhar. Estava parecendo uma tarada. Além disso, tinha coisas mais importantes para me concentrar, como por exemplo, o porquê de estarmos aqui.
Pela nossa conversa no carro, estava claro que não era um local nosso, já que Edward nem fazia ideia de que isso existia. Suspirei. Eu ainda não entendia como ele poderia não saber as razões pelas quais eu nunca quis me casar, em especial, sobre como me sentia em relação a morte de meu pai.
Como ele poderia não saber disso? Não conversávamos? Como podia me conhecer se não sabia o que se passava pela minha cabeça?
– Confesso que também estava com fome — ouvi sua voz e voltei minha atenção a ele.
Seu sorriso era contagiante, depositou a bandeja na mesa e se sentou na minha frente. Não se fez de rogado e logo desembrulhou seu lanche, abrindo-o e colocando mostarda e ketchup, fechou e não demorou a devorá-lo. Com o lanche ainda na boca, ergueu seu olhar e me pegou observando-o. Meu sorriso se alargou, ele mordeu o lanche e mastigou, limpando a boca com o guardanapo.
– Não é educado fitar tão descaradamente uma pessoa enquanto ela se alimenta, Isabella — repreendeu solenemente.
– Sinto muito, meu senhor — brinquei, rindo com o modo formal com que falou. Edward sacudiu a cabeça e sorriu.
Peguei meu lanche e mordi. Gemi ao sentir o gosto. Era bom demais! Lembrava as vezes que fugia com meus amigos para a lanchonete mais próxima do colégio e nos matávamos de comer. Olhei para Edward e ele me observava.
– Achei que não fosse educado encarar uma pessoa enquanto come — adverti, tomando um gole de refrigerante. Edward não respondeu, apenas vi um lento sorriso crescer em seus lábios. Um sorriso de satisfação.
– Lembra quando me falou que não gostaria de esquecer o passado, que queria saber mais sobre a Isabella antes do acidente? — deixei o lanche na bandeja, perdendo interesse nele instantaneamente.
– Lembro — respondi.
– Bom, foi aqui que nos conhecemos. Quer dizer, no aeroporto, não na lanchonete — esclareceu ao ver minha expressão confusa, mas isso não tirou minhas dúvidas.
– Achei que tínhamos nos conhecido no casamento de Alice — comentei lembrando de um comentário qualquer que ouvi.
– A maioria acha que foi assim, acredito que só Jasper e Alice sabem que nos conhecemos antes. Ela pediu que você viesse me pegar no aeroporto — apoiei meu cotovelo sobre a mesa e deixei meu queixo descansar sobre minha mão. Edward continuou:
– Eu tinha terminando meu mestrado em estatística na Inglaterra e voltava para casa. Meu irmão havia avisado que a madrinha de sua noiva viria me buscar e que seu nome era Isabella. Eu tentei negar, mas não teve como discutir — Edward sorriu, como se a lembrança o divertisse. — Juro, eu podia esperar qualquer coisa, menos que encontraria uma mulher completamente encharcada segurando um celular com meu sobrenome piscando na tela. Quando me aproximei, eu estava me segurando para não rir e você percebeu. Eu sei, eu sei — levantou as mãos diante da minha expressão de censura. Ele tinha que rir de tudo?– Eu estava exausto, e me desculpei logo em seguida, perguntando se não estava com frio, mas minha preocupação não pareceu ajudar seu ânimo. Você me deu as costas e seguiu sem se importar se eu estava atrás de você ou não, ao invés disso, me ignorou. Até tentei puxar assunto, mas o máximo que você me disse foi: “Não imaginava que o irmão de Jasper fosse um idiota.” – mordi os lábios, segurando a vontade de rir. Ele sorriu, assentindo.
– Eu mereci, eu sei. A viagem até a casa dos meus pais foi um inferno, a chuva parecia cada vez pior e dentro do carro o clima não estava melhor. Você começou a reclamar de tudo, como se eu não estivesse ao seu lado. Descobri que o pneu tinha furado quando estava a caminho do aeroporto e havia trocado sozinha, isso me deixou admirado. Só que suas próximas reclamações derrubaram qualquer fascínio. Você não aprovava o casamento da sua amiga e começou a discursar como aquilo era ridículo, antiquado e piegas. Depois resmungou por ter que se prestar ao papel de motorista, quando minha família tinha empregados para isso, que a mania de Alice em fazer com que todos se dessem bem a irritava profundamente. Eu não aguentei mais e já sem paciência, indaguei o que você estava fazendo ali, agindo como madrinha, já que abominava a ideia de casamento. Que nem devia ter se dado ao trabalho de ir me buscar, que eu poderia me arrumar ao invés de aguentar uma mulher mesquinha e amargurada reclamando da vida. Você ficou puta e me largou em uma rua qualquer. Eu nunca disse isso para ninguém — confessou achando graça. Arregalei levemente meus olhos com a história e meu gênio. Sabia que não era fácil, mas também nunca fui tão grossa. Estava claro que Edward despertava esse meu lado.
– E depois?
– Bem, as coisas só pioraram — Edward disse traçando seu dedo pela tampa do refrigerante. Nosso lanche esquecido na bandeja. — No jantar de ensaio no dia anterior ao casamento, sem querer derrubei vinho na sua roupa — arqueei minha sobrancelha ao ouvir o “sem querer”. Edward riu. — Foi sem querer, juro! Eu estava fugindo de você, a última coisa que queria naquela noite era encontrá-la, mas parece que o destino tinha outros planos — seu olhar vagou, pensativo.
– Aposto que não deixei isso barato — Edward concordou com um sorriso.
– Não mesmo, mas na hora procurou ser educada e não disse nada. Só no dia seguinte, ou melhor, na noite seguinte, senti sua ira.
– O que eu fiz? — perguntei curiosa.
– Você era meu par no casamento e fomos forçados a dançar juntos, o resultado foi que eu quase saí mancando do casamento. Toda vez que você pisava no meu pé, com força, sorria descaradamente e pedia desculpas. Você me enlouqueceu aquela noite, chegou a esbarrar em minha acompanhante só para que derramasse bebida em mim. E não foi sem querer — garantiu. Gargalhei alto, atraindo olhares. Coloquei a mão na boca, procurando disfarçar.
Éramos piores que cão e gato. Descobrir que nosso inicio não foi muito normal, fazia com que me sentisse mais ligada a essa Isabella que havia me tornado. Tinha muito a ver comigo.
– Tem uma coisa que não entendo, Edward — comentei, respirando fundo e parando de rir. — Como ficamos juntos? — perguntei genuinamente interessada. Ele sorriu.
– Quatro meses depois do casamento, meus pais fizeram um coquetel para comemorar as bodas de prata. Eu a vi subindo as escadas e não resisti, fui atrás. Você entrou no banheiro e eu esperei no corredor. Não sabia ao certo o que estava fazendo ali. Sempre que a via, meu sangue subia. Você me provocava e eu retrucava — disse movendo as mãos em um movimento de vai e vem. — A hora que saiu do banheiro, você passou direto por mim, como se não tivesse me visto. Aquilo me enervou. Eu a segurei e começamos a discutir, foi só então que percebi que eu não era o único incomodado ali. Você jogou na minha cara que tinha alguém me esperando e na hora percebi que estava com ciúmes de uma amiga que me acompanhava, joguei isso na sua cara e você riu. Não me dei por vencido e a imprensei contra a parede, dizendo que você me desejava. Esperava uma negativa, lutando contra a vontade de beijá-la, quando você me pegou de surpresa pulando em meus braços e fazendo o que eu mais queria — corei ao ouvi-lo falar de algo tão intimo e me olhando com tanta intensidade. — Eu esqueci da festa, das pessoas que estavam lá embaixo, de tudo. Peguei-a em meus braços e a levei para meu quarto — ele pigarreou e desviou o olhar.
– Nós...? É... — gaguejei sem conseguir completar a pergunta, brincando com a borda da bandeja. Edward riu.
– Sim, exatamente isso — engoli em seco e encarei sua boca, lembrando do nosso beijo há apenas alguns dias e tentando adivinhar se o primeiro teria sido tão bom quanto ele. Senti meu corpo esquentar com o pensamento. — Nós queríamos prazer e isso nos uniu. Eu sabia que você não queria formar família e naquela época eu também não estava pensando nisso. Parecia perfeito que curtíssimos esse momento e foi o que fizemos.
– O que aconteceu? — Edward cerrou o cenho, como se algo o chateasse.
– Eu me apaixonei, perdidamente — vendo sua expressão, deixei a pergunta escapar:
– Você se arrepende? — sussurrei timidamente. Seu olhar encontrou o meu. Alerta e fascinado.
– Não. Nunca. Só foi um período difícil, eu sabia que você não queria um relacionamento sério e doeu muito mais do que eu esperava ouvir isso da sua boca.
– Foi quando viajei para Inglaterra? — perguntei, juntando as peças.
Ele assentiu, a expressão abatida, como se lembrar desse momento ainda o machucasse. O clima que até então estava leve, divertido e sensual, se tornou pesado e tenso. Tinha muitas perguntas, mas não sabia por onde começar e nem se Edward estaria disposto a saná-las nesse momento.
– Você não é a mesma — afirmou com serenidade, como se expressasse um pensamento em voz alta, atraindo minha atenção e me fazendo esquecer qualquer outra coisa.
Suas palavras soaram em minha mente como uma acusação.
Você não é a mulher por quem me apaixonei.
Senti um mal estar, como se ele tivesse me agredido fisicamente.
Estava tão preocupada com meus próprios sentimentos — se eu conseguiria sentir algo por ele, se eu me apaixonaria — que havia esquecido completamente que ele também precisava se apaixonar. E eu havia mudado. Não era preciso ser um gênio para ver isso.
Se minha mãe e Alice viam isso como ele não veria?
Olhei para ele e Edward parecia ponderar se dizia algo ou não. Senti um arrepio ao imaginar que poderia ser sobre uma possível separação. Ele já tinha pensado em um divórcio antes e agora que via que a memória de sua amada esposa, provavelmente, estava para sempre perdida, era a solução mais racional.
Só que pela primeira vez eu não queria seguir o lado mais lógico. Eu queria seguir o que eu sentia. E eu sentia que entre nós existia um futuro.
Será que ele não via isso?
– Eu sei que não sou a mesma — admiti com tristeza.
– Sabe? — Edward arqueou uma sobrancelha.
– Juntando tudo o que já descreveram, eu devia ser uma vadia fria e calculista, para dizer o mínimo. Bom, isto até conhecer você. Segundo Alice e minha mãe, depois que casamos eu me tornei alguém mais tolerante — ele sorriu e balançou a cabeça.
– Você nunca foi nada disso, Isabella — alegou com candura. — É só ver pelas fotos, você era e sempre foi uma pessoa feliz. Muito racional, mas feliz. Em relação a Alice e sua mãe, não entendo porque teimam em dizer que mudou depois que ficamos juntos — seu comentário chamou minha atenção.
– O que quer dizer?
– Que você não mudou ao se apaixonar por mim — esclareceu. — Acho que as duas acreditam nisso cada uma por uma razão. Alice por não crer que você pudesse ser feliz sozinha e sua mãe pelo afastamento que tiveram. Além disso, nossa relação no inicio foi muito conturbada e só depois que realmente começamos a namorar sério é que conseguimos um equilíbrio para sermos felizes. No mais, você continuava a mesma. Sempre evitando demonstrações de carinho em público, raramente expondo seus sentimentos para mim ou qualquer outra pessoa, mas nada disso mudava a pessoa incrível que era. Você só queria se proteger — olhava para Edward atordoada.
Suas palavras mudavam tudo o que pensava sobre mim. Eu via uma Isabella muito mais acessível, não a bruxa que eu imaginava que era, mas um ser humano com defeitos e qualidades. E mais uma vez ele provava que me conhecia mais do que qualquer outra pessoa presente na minha vida.
– Falaram para você como nos casamos? — neguei e ele suspirou. — Você sempre teve ideias bem radicais sobre o casamento e como isso diminuía o valor da mulher na sociedade. De alguma forma, você achava que casar, era o mesmo que se escravizar diante um homem. Na época, eu não desconfiava que a morte de seu pai podia ter afetado ainda mais essa sua visão — explicou, trazendo a tona a conversa que tivemos no carro. Só que estava mais interessada em outras respostas.
– E o que mudou? — quis saber.
– Nada mudou. Você só encontrou uma forma de fazer isso de modo racional — foi direto e eu franzi o cenho, confusa. Edward vendo que não havia entendido nada, completou:
– Quando Tanya nos passou a guarda de Anthony, você disse que se sentiria mais segura se nos casássemos. Uma união estável poderia nos dar certa vantagem no caso dela mudar de ideia ou até mesmo decidir formar sua própria família e querer a guarda de Anthony de volta. A verdade é que você queria casar comigo, Isabella. Só que para isso, precisava achar uma saída que fizesse sentido para você. Algo lógico, sem que envolvesse romance.
Quantas coisas mais eu fiz a fim de receber algo em troca?
Podia parecia loucura, mas aquilo fazia sentido para mim. Eu sabia que racionalmente nunca aceitaria me casar, tanto que demorei a acreditar que havia feito isso quando despertei do coma. O fato de ter inventado um subterfúgio para casar com Edward, provava para mim o quanto eu o amava. Eu só sentia que agora isso não parecia suficiente.
– Se antes você fazia todo o possível para esconder seus sentimentos, o mesmo não acontece agora — continuou, como se as palavras estivessem há muito tempo presas em sua garganta. — Eu olho para você e sou capaz de enxergá-la, sem muros — um sorriso passou pelo seu rosto. — Sabe, quando passamos a morar juntos, você tinha essa mania de pular nos meus braços toda vez que eu chegava em casa, só que, aos poucos, você foi parando. Era como se você quisesse aquilo, mas algo a segurasse. Eu não tinha me dado conta disso até passar essa semana com você, justamente porque perdi a conta de quantas vezes já me surpreendeu. O modo como gosta de me provocar, ou quando revira os olhos para mim ou simplesmente me chama de idiota. Isso não mudou. Mas quando vejo você indo atrás de mim, pedindo que tome café da manhã com você e Anthony ou me abraçando como fez hoje na casa de Alice, eu descubro um lado seu que nunca conheci — confessou claramente emocionado. Seu sorriso iluminou todo o rosto e fez meu coração acelerar.
Edward estava admitindo que eu havia mudado, mas de forma alguma como se fosse algo ruim, ao contrário, ele parecia encantado. Isso fez todos os meus medos e inseguranças sumirem. Estava cansada de fugir do que sentia. Queria muito mais da vida.
Decidida, me levantei em um rompante. Edward me olhou assustado.
– Me leva em um lugar? — pedi e ele assentiu meio incerto.
Deixamos nossos lanches para trás, minha fome havia desaparecido e eu só conseguia pensar em uma coisa. Saímos da lanchonete e Edward me parou.
– Onde quer ir?
– No lugar em que nos vimos pela primeira vez — expliquei e seu cenho franziu, confuso.
– Por quê? — sorri, não conseguia esconder minha animação.
– Assim que me levar até lá eu mostro — Edward não fez mais perguntas e finalmente se pôs a andar. Sentia meu coração a mil por hora.
O que ele faria?
Não pensa, Isabella. Se pensar, vai desistir.
Procurei relaxar sob o olhar atento de Edward. Pensei em provocá-lo, mas não tinha energia para isso agora.
Andamos alguns metros e finalmente ele parou.
– É aqui — falou mostrando o portão de desembarque internacional. — O que vai me mostrar?
Respirei fundo e me aproximei. Edward parecia intrigado e ficou rígido quando toquei seus braços. Seus olhos encontraram os meus e desviaram um segundo para minha boca. Passei minha língua pelos lábios, os umedecendo. A respiração dele falhou e o vi engolindo em seco. Sua reação me fez ainda mais inquieta. Subi minha mão e toquei seu rosto, com a ponta dos dedos. Ambos estávamos fascinados um pelo outro. Ele fechou os olhos e eu não pude esperar mais. Inclinei minha boca contra a sua, tocando com leveza seus lábios. Tudo ao meu redor desapareceu quando senti sua língua invadir minha boca e suas mãos puxarem meu corpo de encontro ao seu. Sentia meu coração batendo forte no peito e minhas pernas falharem.
Edward se separou minimamente de mim e por um instante fiquei com receio que fosse me afastar. Seu nariz encostou no meu, em um carinho delicado. Nossas bocas separadas por um espaço mínimo.
– Por favor, não me acorde — pediu com a voz rouca. Balancei a cabeça, negando. Ele sorriu e voltou a tomar minha boca com volúpia. Entreguei-me sem reservas. Sem medos.
A última coisa que eu queria era que esse momento terminasse.
Seu beijo era o paraíso. Meu paraíso.

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