Uneven Odds

13 Capítulo 12 - Escolhas


Notas iniciais
Obrigada, Mari Coutinho pela recomendação, confiança e o incentivo!! Vocês estão me deixando mal acostumada com tanto carinho *0* OBRIGADA!!!! Hoje o capítulo vai seguir uma outra direção e visão. Espero que gostem :) Boa leitura!

Jasper POV

Andava de um lado para o outro, já não sabendo mais o que dizer, como argumentar com ela.

– Você tem noção do quão infantil está sendo, Alice? — ela cruzou os braços e virou o rosto, a expressão fechada.

– A única pessoa que agiu assim foi Isabella — defendeu-se. Parei de andar em círculos.

– Se ela ainda não quisesse ver os filhos, ou tivesse ido embora com a mãe, eu poderia concordar com você, mas não, ela está tentando, e como Edward disse ontem, você não está ajudando — tentei ser enérgico, sem exagerar. A última coisa que eu queria era que ela passasse mal.

– Porque eu cansei, Jasper! — esbravejou, levantando da cama. — Cansei de dar conselhos para Isabella e ela simplesmente ignorar tudo o que eu digo. Sempre foi assim. Ela nunca me ouve, porque seria diferente agora?

– E desde quando um amigo desisti assim do outro? — rebati. — Isabella, por acaso, cansou quando você não saía da casa dela quando estávamos em crise? Expulsou você? Ignorou? Pensa um pouco no que eles fizeram por nós, Alice! — seus olhos estreitaram.

– Você não está sendo justo — acusou na defensiva.

– Estou — afirmei. — Escuta, você sabe que eu também fiquei com raiva quando ela acordou do coma e estava agindo daquela forma. Ver Edward sofrer quase me fez odiá-la de novo, mas dessa vez, ele estava certo. Ela precisava de um tempo.

– Bom, ela tem muito tempo agora. Aproveite — desdenhou, como se não se importasse.

– Alice! Por favor, deixe de ser chata e mesquinha — sua boca abriu, em choque.

– Como é?

– É isso mesmo. Estou tendo a maior paciência com você sobre esse assunto, levando da melhor forma que eu posso, mas meu irmão está certo. Você precisa parar! Será que nada do que ele falou ontem te tocou? Isabella está tão desesperada por um ombro amigo que saiu com Jacob e olha só o que aconteceu. É isso que você quer? Que ela fique sozinha em um estrada, correndo risco de vida? — seus olhos lagrimaram e ela balançou a cabeça. Finalmente, tinha conseguido alguma reação.

– Não, claro que não. Eu só fiquei chateada por ela me afastar. Sei que foi irracional, mas trouxe tanta coisa a tona — me aproximei e a abracei, ela chorou contra o meu peito. — Talvez eu nem esteja com raiva dela e sim de toda essa situação. Desse acidente estúpido que tirou minha melhor amiga de mim e trouxe de volta aquela pessoa fria que só se importava com ela mesma — suas mãos seguraram com força minha camisa. — Eu também não quero que o Edward sofra novamente, Jasper. Eu o amo como nunca cheguei a amar o Jacob — enxuguei seu rosto com o polegar.

– Então temos que ajudá-los, minha flor — ela acenou, concordando.

– Você tem razão. Não dá para ignorar o problema, o que Jacob aprontou na sexta foi a gota d’água. Ainda bem que Edward fez o que fez. Meu irmão merecia essa surra já há algum tempo.

– Conseguiu falar com ele?

– Ainda não e isso só está me deixando preocupada — segurei sua cintura e afaguei seu ventre.

– Eu vou atrás dele, não quero que se estresse demais — ela cobriu minha mão com a sua.

– Obrigada, enquanto isso eu vou...

O som da campainha a interrompeu.

– Está esperando alguém? — perguntei à Alice, ela negou. Seguimos até a sala, quando encontramos Lilly, nossa empregada, no corredor.

– Seu irmão, está aqui, senhor Cullen. Ele quer falar com o senhor — minha testa franziu. Edward geralmente avisava antes de aparecer.

– Por favor, ofereça algo para beber e diga que já estou indo — Lilly consentiu e retornou para a sala. Voltei minha atenção à Alice.

– Será que aconteceu alguma coisa? — perguntou preocupada.

– Não sei, vou ver o que ele quer enquanto isso a senhora vá para cama e tente descansar um pouco. Toda essa agitação não é boa para nosso garoto — ela sorriu levemente e me beijou, indo para o quarto.

Fiquei observando-a até que a porta fechasse. Estava me tornando um obcecado pelo seu bem estar, assim como meu irmão era com a esposa. Sorri, lembrando como isso costumava me irritar. Agora, eu entendia muito bem suas razões.

Cheguei na sala e encontrei Edward totalmente absorto da minha presença. A postura rígida, as mãos no bolso. Ele encarava a janela com a mesma expressão vazia e abatida que vi há alguns anos. Senti um arrepio passar pela minha nuca.

– Edward? — chamei e ele se virou, seus olhos sem vida, chamaram minha atenção. Bem diferente de como estava ontem. — O que aconteceu? — perguntei inquieto. Edward suspirou, olhou para o chão e voltou sua atenção a janela.

– Hoje eu me dei conta que ela nunca desmentiu — franzi minhas sobrancelhas, sem saber ao que ele se referia. Sem me dar tempo de questionar, ele completou:

– Quando brigamos antes do acidente e Isabella confessou que esteve com ele, eu supus que havia mentido para me machucar, mas eu percebi agora que não, era verdade. Isabella me traiu — movi a cabeça em um sinal negativo.

– Eu não acredito nisso — afirmei. — Isabella pode ser qualquer coisa, menos infiel. Ela é apaixonada por você, totalmente — um sorriso fraco surgiu no canto de sua boca.

– Era, você quer dizer. Agora, ela sequer suporta o meu toque — murmurou aborrecido. Do que ele estava falando?

– E quando você a tocou? — perguntei intrigado.

– Hoje — ele se aproximou da janela, suas costas viradas para mim, incapaz de ver o olhar incrédulo que eu mantinha em meu rosto. — Não foi um estranho qualquer que deu carona para Isabella, como eu contei para vocês. Fui eu. Foi uma atitude precipitada, mas eu não poderia deixá-la sozinha — acabei sorrindo.

Agora entendia porque ele parecia tão diferente ontem. Apesar de estar com raiva do que Jacob havia feito, tinha um brilho no olhar, algo que eu não via desde o acidente de Isabella.

– E depois? O que aconteceu? — Edward colocou sua mão ao lado da janela e se virou brevemente para mim.

– Eu achei que fosse uma oportunidade de me aproximar, dela me conhecer, sem a pressão de saber que eu era seu marido — seu maxilar tencionou e mais uma vez seus olhos seguiram para a janela. — Sem saber quem eu era, ela me contou que encontrou com Michael, para o treinamento, e que... — pelo reflexo no vidro, vi seus olhos fecharem. — Ela confessou que tiveram um caso — murmurou torturado.

Mexi a cabeça levemente. Isso não fazia sentido. Não mesmo!

– Tudo isso me fez perceber que eu preciso ser racional agora — continuou, quando eu não disse nada. — Por isso, eu decidi pedir o divórcio — arregalei meus olhos.

– Você enlouqueceu, Edward? — explodi com ele. — Essa é uma decisão ridícula e apressada! Você praticamente virou um zumbi por causa dela e a perdoou. Por que não pode fazer o mesmo agora? — argumentei, percebendo que não adiantava dizer que Isabella não faria algo assim, ele, por certo, ia ignorar como fez há poucos minutos.

– Não é a mesma coisa — rebateu com firmeza.

– Eu não entendo você. Juro que não entendo — sentei no sofá branco, que ficava no centro da sala de estar.

– Ela me traiu, Jasper! Eu não posso perdoar uma traição. Eu não consigo — o tom angustiado de sua voz demostrava claramente o quanto estava sofrendo.

– Edward, você não pode levar nada disso em consideração. Isabella está com amnésia — apontei o óbvio. — Quem garante que esse tal de Michael não fantasiou uma história para ela? Você não pode acreditar nisso — tentei colocar algum juízo na sua cabeça. Edward era uma pessoa sensata, não podia se deixar levar por achismos.

– Ela lembrou dele — comentou, vindo na minha direção e sentando na poltrona que ficava no canto.

– Como você sabe? Falou com ela sobre isso?

– Não, Jacob apareceu antes...

– O quê? Como assim, Jacob apareceu? — interrompi chocado. Maldito seja esse filho da minha sogra!

– Como você acha que ela descobriu quem eu era? — questionou aborrecido. Bati a mão na coxa.

– Não acredito nisso! Ele já passou todos os limites — esbravejei, louco de raiva do meu cunhado intrometido.

– Eu ia falar com ela com calma, mas ele chegou e jogou a bomba do pior modo possível — suspirou chateado. — Tinha que ver o modo como ela olhou para mim quando descobriu quem eu era. Eu me senti péssimo. Só queria ficar perto dela e agora ela acha que eu estava fazendo um teste de fidelidade — concluiu enterrando a cabeça entre as mãos. — Estou ficando louco, Jasper — grunhiu como se sentisse dor.

– Isso eu não duvido. Só assim para se apresentar com outro nome para sua esposa e depois decidir pedir o divórcio — repreendi sua ideia estúpida. Ele voltou a me encarar.

– É a melhor decisão, não podemos continuar assim — comentou com tristeza. — Ela deve me odiar. E, apesar de não dividir esse sentimento, não consigo olhar para ela sem pensar nos dois juntos — sussurrou e engoliu em seco. — Eu não aguento mais correr atrás dela. Não tenho mais energia. Preciso pensar em mim, nos nossos filhos e também nela. Não posso obrigá-la a aceitar um casamento que claramente, ela não quer, do qual ela tem medo — mesmo que discordasse, ele tinha alguns pontos pertinentes.

– Você tem certeza?

– Tenho. Vou esperar uns três dias, e depois vou conversar com ela de forma definitiva — afirmou resoluto.

– Quem sabe assim não possa pensar melhor — sugeri.

– Não tem o que pensar, Jasper — encarou suas mãos. — Não posso mais insistir — respirou fundo e se levantou. — Eu preciso ir agora, tenho alguns relatórios para fazer — olhei para ele desconfiado.

– Hoje é domingo, Edward.

– Eu sei — sua resposta me deixou ainda mais preocupado. Edward nunca trabalhava aos domingos. Era o dia exclusivo da família. — Obrigado por me ouvir — agradeceu, dando um tapa no meu ombro. — Dê um beijo em Alice e no meu sobrinho por mim — pediu antes de sair. Levantei e fui na sua direção.

– Posso te pedir uma coisa?

– Claro.

– Eu sei que essa situação é uma loucura, que você tem suas razões para acreditar que ela o traiu, que a separação pode parecer o melhor caminho, mas por favor, pense bem antes de tomar qualquer decisão. Eu não vejo Isabella há muito tempo, não desde que ela sofreu o acidente e apesar disso, ouvindo o que nossa mãe fala, vendo como agiu com Jacob. Ela está voltando, Edward. Pode não se lembrar, mas ainda assim, é a Isabella que todos nós amávamos. Você deve saber disso melhor do que eu — argumentei, sua expressão pouco mudou.

– Isso não muda o passado, Jasper — determinou com frieza.

– Só que nem tudo o que fica no passado precisamos carregar para o presente, para o futuro. Tem coisas que você simplesmente tem que deixar ir embora, esquecer.

– Não é tão fácil — rebateu.

– Não, não é, mas quando se quer de verdade, tudo é possível. Você já fez isso antes. Pensa nisso — aconselhei. Edward não disse nada, simplesmente assentiu e foi embora. Tranquei a porta, não sabendo o que fazer para ajudá-lo.

– Você ouviu? — questionei, sentindo sua presença.

– Sim — respondeu, se aproximando e me abraçando pelas costas.

– Eu não sei mais o que fazer para ajudar meu irmão — admiti com tristeza. — Acredita que Isabella o traiu? — perguntei, ficando de frente para ela. Alice parecia tão chateada quanto eu.

– Não, Isabella pode ser um poço de frieza quando quer, mas trair, nunca. Edward só está confuso. Michael é... um assunto delicado — algo em seu comentário chamou minha atenção.

– Por que diz isso?

– Ele ficou com Isabella quando ela viajou — explicou o que eu já sabia.

– Isso eu sei, é só que o modo como você falou agora, não sei, pareceu que teve algo a mais — olhei desconfiado para ela.

Nunca vi sentido nesse ciúmes exagerado que Edward tinha. Eles nem estavam juntos quando ela ficou com Michael. E depois de casada, eu continuava duvidando que ela o trairia. Algo não fazia sentido nisso tudo e minha esposa sabia.

– Claro que não. Você está imaginando coisas, Jasper — desconversou. — Agora, eu preciso ver o que fazer com meu irmão — completou, mudando de assunto. — Não posso acreditar que ele se meteu entre Isabella e Edward de novo.

– O que faremos?

– Vou falar mais uma vez com nosso pai. Quem sabe agora ele não presta atenção e toma uma atitude — disse aborrecida.

Ia responder, quando o telefone da sala tocou. Alice se afastou e foi atender.

– Alô? — seu rosto tencionou, fiquei atento. — Posso saber o que você anda aprontando, Jacob? — sentei no sofá, observando as caretas fofas que Alice fazia enquanto ouvi as desculpas de seu irmão. — Ótimo! Eu também preciso ter uma conversa séria com você. Até logo — desligou bufando e veio até mim, sentando no meu colo.

– O que ele disse? — perguntei, beijando sua testa.

– Que precisa falar comigo. Está vindo para cá agora. Ele parecia estranho — comentou preocupada.

– Tem alguma ideia do que ele quer? — suspirou.

– Não, mas o que quer que seja, ele vai ouvir antes. Estou cansada de sua atitude. Quero ele longe de Isabella — sua voz tremeu um pouco, o que não passou desapercebido por mim.

– O que aconteceu entre eles, Alice? — perguntei o que estava me incomodando já há algum tempo.

Edward havia dito que Isabella já não confiava em Jacob como antes e preferiu o afastar. Na época estava tão preocupado com o meu trabalho que nem dei atenção e aceitei essa explicação, mas ultimamente estava percebendo que era muito mais do que isso.

– Nada — respondeu, acariciei seu rosto.

– Eu sei que não foi nada. Alguma coisa séria aconteceu e você sabe. Por isso Isabella o afastou da vida dela e você praticamente o exilou da sua. Por que você não quer me dizer?

– Porque eu não sei, Jasper. De verdade. Isabella nunca me contou, mas eu sinto que foi algo imperdoável, prefiro nem pensar muito nisso — confessou e pude perceber que foi sincera. — Vou me arrumar para esperar pelo Jacob — me deu um beijo e se levantou, me deixando perdido em pensamentos sobre o que ele teria aprontado com Isabella.

Imperdoável? O que poderia ser? Será que Edward sabia? Tinha certeza que não.

Sacudi a cabeça. Falei para meu irmão esquecer o passado e agora eu estava preso nele.

Levantei e fui atrás de minha esposa. Precisava garantir que estava bem o suficiente para conversar com Jacob. Não queria, em hipótese nenhuma, arriscar a vida dela e do meu filho por causa das atitudes inconsequentes dele. Se fosse preciso, eu conversaria sozinho com ele.

Hoje, Jacob, iria receber o que merecia.

Notas finais
Um pequeno spoiler do próximo: "– Tenho tanto medo de perder você, Edward - murmurou e percebi que estava quase chorando. - Eu nunca me senti assim... - respirou fundo e me encarou. - Tão vulnerável. - abracei-a o mais forte que pude. – Pode ficar tranquila. Eu sempre estarei aqui com você. – Como pode ter tanta certeza? – Porque eu não posso viver sem você, Isabella. Eu preciso de você cada dia mais - confessei, conforme enxugava seu rosto com o polegar. - Sinto muito, Süsse, mas isso aqui, é para sempre - ela sorriu emocionada. – Promete? - não aguentei e ri, ela estreitou os olhos. – Achei que o inseguro nessa relação era eu - brinquei, sua expressão suavizou e ela sorriu. – Você não faz ideia - sussurrou, abaixando o olhar, tímida. Segurei seu queixo e o ergui, fazendo com que me encarasse, observei com atenção cada detalhe de seu rosto. – Eu prometo. Eu e você. Para sempre." Beijos e até o próximo!