Undoing †
1 Prólogo
Era uma típica tarde de outono: nublada e fria, o vento castigava os rostos e dificultava as conversas dos poucos passantes das ruas, com lâmpadas que nunca se apagaram ou foram gentilmente acesas para combater a escuridão.
A escuridão. Tão predominante na mansão, o lar dos Campbell, a famosa mansão das cortinas negras. Os Campbell era um casal conservador e muito religioso, apreciadores do teatro, haviam, no entanto, passado quatorze anos sem entrar num deles, desde que sua única filha, Lucien, nascera com uma terrível doença, que a fazia esconder-se do sol, por isso, escondiam-se todos, tristes, de poucas palavras e sentimentos reprimidos, naquela grandiosa mansão.
Foi nessa típica tarde, que John, o velho jardineiro, encontrara na terra escura de seu jardim, algo que o chocaria terrivelmente, o casal, já sem vida e com uma expressão de terror e desespero em seus olhos, exatamente como os Blackmore, à pouco menos de uma semana; ele ergueu a cabeça e fitou uma das dezenas de janelas da mansão, então, viu, perto da lareira, com a infinita tristeza e desconsolo de um prisioneiro, o jovem mordomo, a observá-lo.
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