Undisclosed Desires
1 He is the Darkness to Your Light
Notas iniciais
Soothing
I'll make you feel pure
Trust Me
You can be sure
•♦•♦•♦•
Inconscientemente, Rey se espreguiçou na cama macia.
Depois de semanas treinando com Mestre Luke, ele permitira a ela alguns dias de descanso, cuja qual aceitou na hora, como poderia recusar? Estava exausta. Ele sumiu de suas vistas em alguns minutos, indo para algum lugar da ilha para meditar.
Os músculos doídos de Rey imploravam por um descanso, mas à noite, ela não conseguia dormir de fato. Ficava sempre num estado de torpor entre o consciente e o inconsciente. Fechava os olhos, mas ainda ouvia os leves ruídos da Millennium Falcon, e até mesmo a Força dela própria emanando em sua volta. Sentia-se flutuar quando fechava os olhos numa tentativa de dormir. Flutuar... da mesma maneira que flutuou quando o Cavaleiro de Ren a tomou em seus braços.
Amaldiçoado seja Kylo Ren! Aquela alma perdida não tinha mais jeito, Rey acreditava que não.
Esquecendo tão rápido quanto se lembrou, deixou-se levar um momento por seu subconsciente, e quando ela abriu os olhos-
Somos só nós agora.
A voz dele chegou tão nítida aos seus ouvidos que ela se ergueu num pulo, mas não estava mais no quarto da Millennium Falcon, e sim na floresta em que ambos lutaram.
A sua frente, lá estava ele. Kylo Ren e seu sabre de luz que brilhava na cor mais vermelha que ela já havia visto. Trajado de preto da cabeça aos pés e com aquele capacete intimidador que ela odiava. Ele parecia pronto para matar. Percebeu então a leve luz azul vindo a sua direita e logo viu seu sabre em sua mão.
Franziu o cenho. Eles iam lutar? De novo?
A confirmação veio em instantes quando ele andou em sua direção.
— Não é real.
Mas quando ele ergueu o sabre em sua direção, ela por reflexo, defendeu com o seu. E arregalou os olhos ao notar que... Era real! A pressão que ele fazia quase fez seu braço tombar pra trás, e ela se afastou; ele começou a ataca-la novamente. Rey se sentia familiarizada com aqueles golpes, já havia visto eles antes. A cena da batalha de ambos se repetia novamente, mais intensa do que nunca.
De repente, ficou encurralada entre o Cavaleiro de Ren e uma árvore, e Rey precisou se abaixar. Por ele ser fisicamente maior e tendo mais treinamento, a força que ele atacava com o sabre era demais pra ela conter. Ela precisou se arrastar para pegar impulso e correr novamente e-
Ela gemeu, levando a mão a queimação angustiante na perna.
— Isso deve esclarecer a sua dúvida, catadora de lixo. — Pode ouvi-lo dizer. Era a primeira vez que ouvia a voz dele depois de muito tempo. Aquilo lhe arrepiou da cabeça aos pés.
Sua pele estava em carne viva, tendo sido acertada levemente pelo sabre de luz de Kylo Ren. Apesar do susto, não doía tanto como deveria doer. Não foi o suficiente de impedi-la de correr, deixando o sabre entre suas vestes. Subiu um barranco com dificuldade, e logo se escondeu atrás de uma enorme árvore. Mordeu os lábios nervosa. Ao contrário dela, Kylo Ren não corria. Ele andava calmamente em sua direção.
— Eu também andei treinando. Você não pode se esconder de mim.
A voz abafada por conta do capacete estava perto. Rey sentia sua energia. Pesada e... estranhamente atraente. O lado sombrio sempre vai tentar seduzi-la, lembrou-se das palavras do Mestre Luke. Mas a decisão sempre será sua de segui-lo ou não.
Respirou fundo, engolindo em seco. Lentamente, espiou pelo canto da árvore procurando por ele.
Nada.
Onde ele estava? Rey se perguntou controlando os pensamentos. Ela o sentia tão perto...
Rey voltou-se pra frente como se tivesse levado um choque. Lá estava ele. Kylo Ren, a menos de um metro de distancia.
— Achei você. — Sem a máscara, a garota de Jakku quase havia esquecido o quanto a pele dele era pálida... e o quão distrativo ele podia ser. Havia uma marca em seu rosto, a marca que ela causara com o antigo sabre de luz de Skywalker em sua última batalha. Era incrível o que seu subconsciente podia criar. — Ainda crê nisso como um sonho?
— E não é? — Perguntou em desafio e confusão. — É um sonho assim como todos os outros que eu tive.
Ela já tinha vívido aquilo antes, tinha certeza.
— Hum, anda sonhando comigo? — Ele a prende contra a árvore e seu corpo, espalmando as mãos de cada lado.
— Sonhos não. Pesadelos.
— Sim. O seu pesadelo. Mas o meu sonho. — Ele diz perigoso. — É a Força, Rey. Você conectou nossas mentes.
— Eu? Por que eu faria isso?
— Não foi intencional, eu sei. Mas você não pode controlar, a Força é muito forte entre nós dois. Somos ligados por um laço maior.
— Você mente.
— E você confia cegamente no seu precioso mestre, não é? — Kylo ergue a mão, ele tremia quando acariciou o rosto dela. — É única... Eu podia fazê-la deusa se viesse comigo.
— Eu já tenho um mestre. — Sua voz saiu tremida, e ela se odiou por isso. A proximidade de seus corpos estava a incomodando. Ele estava perto demais.
— Ainda há tempo Rey. — Ela olhou no fundo de seus olhos, eles esboçavam uma expectativa quase obsessiva. — Pense bem, você e eu... Juntos. Governando a galáxia. Temos poder o suficiente para fazê-lo.
Tudo aquilo, os olhos, a pressão nas palavras dele, a proximidade... Rey estava ficando sem ar. Tentou desviar a atenção abaixando a cabeça, mas ele a ergue pra cima e ela se vê numa tentativa falha de se afastar. Sentiu-se febril de repente, o toque dele em seu rosto, fazia surgirem emoções desconhecidas por ela que percorriam todo seu corpo. Era quase como se ele a estivesse infectando com... sentimentos... não, isso não era certo. Não podia ser.
Ele era como o gelo seco, frio e queimante.
A mão enluvada do Cavaleiro de Ren desce em sua cintura e a levanta alguns centímetros sem dificuldade, o suficiente para deixar seus rostos ainda mais próximos, e ele suplica:
— Venha para o lado sombrio comigo.
Rey empalideceu, ficando estática. A tentação. Algo começou a pulsar em seu corpo, era como se todas as suas células aprovassem o pedido. O coração batia aceleradamente em seu peito, sua respiração curta e rápida. Um desejo inconsciente, um sonho secreto, e naquele momento, ela quis ir com ele. Jogar tudo pro alto e segui-lo. Eles nunca estariam sozinhos novamente. Juntos, livres. E todos os ensinamentos de Mestre Luke se tornariam tolos então, caramba, talvez até já se tornaram! Ela não aceitava muitos ensinamentos Jedi e ele sabia.
Dane-se o que todos iriam pensar. Sim, sim, sim! A menina em seu interior pulava de alegria.
Mas então...
Mestre Luke! Leia... Finn... sentiu seus olhos arderem, o que eles iriam pensar? Eles... eles lhe deram tudo. Ela devia isso a eles, certo?
Da mesma forma que Kylo Ren... Ben Solo... quem quer que ele fosse (quem quer que ele fosse para ela)... acreditava que devesse lealdade a Snoke. Eles estavam atados por causa da guerra.
Como um lampejo, algo passou muito rápido em sua mente, ela pode ver a si mesma em outra situação dizendo: 'Eu não posso.' Como um sonho há muito esquecido. E pôde vê-lo em sua visão responder: 'Eu sei.' e ela acordando, não sem antes ele dizer novamente: 'Eu perguntarei outra vez algum dia.'
Como pensara, já tinha vivido aquilo antes.
— Não... Me solte, por favor. — Se contorceu em seus braços, o empurrando. Seus sonhos compartilhados iriam atormentá-la por muito tempo, principalmente quando estivesse frente a frente em vida real.
— Pare de pensar neles, Rey. – Ele disse frustrado sentindo seus pensamentos.
— Pare de ler a minha mente!
— Tudo isso... Esse treinamento, não é isso que você quer, é o que eles querem.
— Pare de invadir a minha cabeça! – Exclamou exasperada pondo as mãos na cabeça. — Saia daqui, saia! Eu quero acordar!
— Não, não quer. Eu sei o que você quer... e eu quero também!
Num ato desesperado, ela puxou o sabre de luz de suas vestes avançando nele. Pedia mentalmente que ele a deixasse acordar, que parasse de invadir seus sonhos, que parasse de... chegar tão perto.
Ao invés de ataca-la também, ou se defender, o Cavaleiro da Primeira Ordem fez algo que a surpreendeu. Ele segurou seu braço no ar com força o suficiente para para-la. E a puxou pela cintura, quase a erguendo do chão.
Kylo Ren a beijou.
Rey paralisou diante do ato. Ele havia tomado para si o primeiro beijo dela.
E foi como... Uma explosão.
Toda a energia que ela tinha se fundiu com a dele de repente. A adrenalina correu por suas redes sanguíneas. Queria afasta-lo, mas não tinha forças para resistir. Não à aquilo. Ele havia se tornado naquele momento um... ponto fraco.
A mão dele em sua cintura a puxou para mais perto enquanto ele aprofundava o beijo ainda mais, movimentando seus lábios lascivamente. Subindo a mão pelas costas da garota, ele tocou seu rosto, tendo o desejo secreto de estar sem luvas para poder sentir sua pele com os próprios dedos. Um arrepio subiu pela espinha de ambos, e Rey sentiu seu estômago congelar, deixando o sabre cair no chão e o puxando para mais perto, passando os braços por seu pescoço e subindo sobre ele, o queria mais perto, ela queria... sentir o coração dele. E foi nesse momento, que ela acordou.
Abriu os olhos, sentindo o corpo tremer diante de todas as sensações que estavam voltando com força máxima. A vergonha queimando em seu peito por ter sentido tudo que sentiu durante o beijo.
Ela havia guardado seu beijo para alguém especial. Não para um assassino, um monstro. Não para um servo da Primeira Ordem. Ainda mais.... Ainda mais Kylo Ren! Quem quer que ele fosse, idiota, estúpido-
O desgraçado beijava bem! Ela sentiu o ódio crescendo em seu peito, ódio dele, ódio de si mesma... Oh, aquilo não podia ter acontecido!
Sentando-se na cama, viu que ainda era madrugada. Os lençóis na cama estavam bagunçados de tanto ela se mexer durante o sono. A garota de Jakku passou a mão pelos cabelos já soltos há algum tempo. Precisava de um banho. Precisava respirar ar puro. Olhou para a sua perna, antes no sonho machucada, agora sem qualquer tipo de ardor. Havia sido tão real.
Havia uma sensação em sua mente, como se mesmo acordada, ainda pudesse senti-lo. Como se ele ainda estivesse ali. Ele havia dito que ela havia conectado as suas mentes por acidente. Ela balançou a cabeça negando. Não, ela não havia feito isso, havia? Claro que não. Ou será que...?
Suspirou.
— Você está ai? – Sentiu-se tola ao perguntar, por que se importava tanto afinal? O quarto estava vazio, iluminado apenas por uma janelinha no alto no teto que mostrava o céu.
Ora, se ela tinha feito uma vez de modo não-intencional, podia fazer de novo agora de modo intencional certo? Ou então... Ou então nada daquilo havia sido real. Rey pensou franzindo o cenho, frustrada. Duvidas remoendo sua cabeça.
'Você está ai?' Perguntou mentalmente, e com surpresa, alguns segundos depois ela ouviu, quase como um sussurro trazido pelos ventos:
'Sim.'
Mas aquela não era a resposta de Kylo Ren, era a de Ben Solo.
•♦•♦•♦•
I want to reconcile the violence in your heart
I want to recognise your beauty's not just a mask
I want to exorcise the demons from your past
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart
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