"...Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração..."

– cuidado... — Sasuke disse, pacientemente ajudando-a a descer do carro, Sakura enlaçou seu pescoço e ajeitou os óculos escuros sobre o rosto com a outra mão, com o braço firme ao redor dela, mas também com suavidade, ele a conduziu para o prédio, James os seguiu trazendo uma pequena mala. Com a cabeça baixa ela evitou qualquer olhar embora não houvesse nenhum diretamente sobre eles com interesse, nenhuma aproximação estranha, ele não podia negar que respirou com alivio quando foram enclausurados no elevador, mas ao silencio entre eles trouxe uma tensão baixa, e depressiva.

A porta do apartamento não trouxe alivio, nem pra ele, quando adentrou seguiu com ela direto para o quarto, a sentou na cama e pôs seus pés nela, Sakura esfregou-os se livrando dos sapatos e se acomodou, enfim tirando os óculos. Ele pensou em pergunta-la se queria trocar de roupa ou mesmo tomar um banho e se livrar do cheiro hospitalar, mas a vendo se acomodar entre os travesseiros, achou melhor deixa-la ali. Sentou-se na beira e tocou seu rosto vendo-a vira-lo, não objetou ou reclamou, ela estava defensiva, acuada e perturbada em tentar disfarçar e manter uma postura segura. Sasuke contornou seu queixo com os dedos, mantendo o olhar em seu rosto e lábios sabendo que não conseguiria faze-la encarar seus olhos.

– tudo bem, quer mais alguma coisa?

Ela negou rapidamente, um aviso mudo de que queria ficar sozinha, ele suspirou e beijou-a delicadamente, então se levantou e seguiu para a saída do quarto, ao cerrar a porta e caminhar pelo corredor seus pés tropeçaram em algo e quase caiu vendo apenas um vulto pálido acinzentado passar entre eles, olhou para trás e viu a gata correr até a porta e começar a arranha-la ronronando e miando, Sasuke se aproximou com cuidado, apenas admirado com o apego, se é que era isso mesmo, que a singular coisa tinha pela dona, ou talvez tivesse feito morada em algum canto do quarto deles assim que chegara ali.

A gata voltou a cabeça para encara-lo com seus olhos azuis resplandecendo sob a luz do corredor, Sasuke decidiu que tomaria um bom banho e se deitaria ao lado de Sakura para dormir uma semana se fosse necessário, por que a falta de sono afetou seu juízo, considerando que começava a achar que aquela coisa tinha certo... charme.

Ela miou arranhando a porta e ele sucumbiu à súplica, se aproximou e entreabriu, a gata adentrou e ele espiou-a saltar na cama e ronronar alto se aproximando de Sakura que parecia cochilar, Gisé se esparramou na cama e rolou por ela até se aproximar da mão da Haruno, se sentou encarando-a e ele só esperava que Sakura não pulasse de susto ao dar de cara com o bicho, se for, a culpa seria dela própria. A gata se esfregou no braço dela buscando atenção, e ele fechou a porta, seguindo para o corredor e então adentrando o escritório.

Sentou-se na cadeira e tentou relaxar um pouco no silencio, com o cheiro do couro da poltrona e das dezenas de livros nas estantes, Sasuke então pegou o telefone, e prontamente, fora atendido por Liza.

– como estão as coisas aí?

– O senhor Uzumaki bem como a noiva dele ligaram pedindo informações sobre o senhor e seu filho, mas não soube responde-los sobre este fato, senhor, algo que posso fazer?

Ele deu de ombros, internamente, não avisara a ela sobre o incidente.

– apenas é a minha noiva, passou mal e agora a gravidez é de risco.

– oh, senhor, sinto muito.

– apenas diga isso se mais alguém me procurar, e não, não quero visitas nem notas na imprensa.

– sim senhor, e quanto a reunião de quarta feira? Vai cancelar sua viajem para Montenegro? — ele bufou lembrando-se desta, mas seria apenas uma tentativa de unir uma das pequenas empresas nos Balcãs à uma grande empresa de urbanização, ele teria que quebrar a mente em negociações que envolviam jantares, almoços, puxações de saco, jogos de Poker, exibição de poder e dinheiro.

Dependendo do quão irritantes fossem os donos ele teria que passar até um mês lá, e deixar Sakura agora estava fora de cogitação, ou mesmo viajar ao lado de Naruto, então... Porque não matar dois coelhos com um tiro só?

– mande Naruto presidi-la — do outro lado Liza ficou claramente sem resposta, tanto ela quanto ele sabiam que Naruto não servia pra essas coisas, pra fazer reconhecimentos de terreno, ele não tinha polimento para tal, nem paciência, preferia lidar com parceiros já antigos, papelada e burocracia interna, e Sasuke era quem ia a caça de novos investimentos, por isso viajava muito, e não negava que era o que mais o atraia, Montenegro seria uma viajem fascinante, mas havia esquecido completamente dela.

Mas agora, Naruto era quem teria de se virar e conseguir essa fusão, seria um bônus poder se livrar de olhar a cara dele, panaca como ele era, levaria quem sabe anos para conseguir o acordo. E pensar nisso deixava Sasuke muito satisfeito, oh, demais.

– o senhor tem certeza?

–toda, acho que ele precisa de novos ares, e principalmente algo que ocupe a cabeça oca dele, diga a ele que não vou poder, e nem quero ir e que se quiser que leve sua cobra de estimação, assim os dois se embolam, trocam veneno e param de tentar intoxicar a vida alheia, certo?

– senhor...

– apenas passe o recado, certo?

– sim senhor, mais alguma coisa?

– hn... Ligue para Kushina Uzumaki e diga a ela para me ligar assim que puder.

– sim senhor.

– obrigado, Liz — ela riu com leveza, ele só a chamava assim como um pequeno reconhecimento por seu esforço em realizar suas peripécias, Sasuke não era um homem de meias palavras, o que mandou ela dizer, seria passado exatamente daquela forma ao Uzumaki, sempre foi assim, e continuaria sendo, seja por telefone ou na forma de e-mails.

Naruto iria ouvir ou ler e teria de aceitar, Liza ficava claramente nervosa por passar esse tipo de recados entre ele e Naruto porque sabia que os dois estavam sempre dispostos a caírem no punho, ela os conhecia desde pequenos, fora secretária do pai dele antes de sua morte, e continuou ali, agora servindo a ele até a aposentadoria, mas Sasuke ainda daria a ela o voto de confiança para indicar-lhe alguém que trabalharia com ele e até mesmo com o filho dele, no futuro.

Ele desligou e se levantou sentindo-se leve como uma pluma, chegou a ocorrer-lhe a ideia de ir e levar Sakura, Montenegro parecia ter o clima que a agradava, e principalmente, turismo. Mas não queria mantê-la longe de atendimento médico adequado para ela, Tsunade estava sempre a postos, mas não fora de NovaYork, nada poderia dizer que a viajem não se tornaria mais estressante para ela.

Sasuke foi ao quarto e ao entrar a viu deitada de lado, com o queixo apoiado no pulso, e a outra mão acarinhando a barriga lisa e redonda de Gisé, parecia uma pança e pensar nisso, e também que era uma fêmea, o fazia temer que houvesse outra gestante em casa, mas garantiram que era apenas uma característica da raça, e ela também fora castrada assim que chegara.

– é bom esse lugar ainda ser meu, quando voltar — avisou enquanto tirava o terno.

– tem espaço pra vocês dois, não acha que está na hora de se entenderem?

– na cama? — ironizou livrando-se da gravata.

– ora porque não? Ela não é uma gata? — Sakura brincou, ele não resistiu a rir, seguiu para o banheiro contornando a cama, e curvou para beijar o ombro dela de forma lenta.

– prefiro você.

– hum... — ela deu com os ombros, quase cedendo a fazer manha, ele beijou seu pescoço e seguiu para o banheiro. Quando saiu e foi se trocar, remexeu no armário enquanto comentava.

– gosta de poker?

stripp poker? — ele revirou os olhos, mas se fosse a uns dois meses atrás, se agradaria e confirmaria, jogar com ela seria um prazer imenso.

– apenas poker, Sakura — ela deu de ombros sem muito interesse.

– só o básico, por quê?

– hn, já ouviu falar em Montenegro?

– só em Cassino Royale, James Bond é quente, uma vez me vesti de Bond girl sabia? — Ele a fitou realmente surpreso e ela deu de ombros murmurando algo como "Ossos do oficio" para Gisé, que pareceu piscar em concordância.

Sasuke sorriu de forma sugestiva, a ideia da viajem quase se avivou outra vez.

– vou me lembrar disso — declarou por fim, Sakura revirou os olhos.

– ele é um pervertido não é? — perguntou à gata — mas por que está perguntando essas coisas?

– tinha uma viajem marcada para lá, mas cancelei.

– e isso vai te prejudicar? Oh eu não disse? ele tem bundinha de bebê...- segredou a outra para a gata que miou, Sasuke quis atirar-lhe algo mas se ocupou de vestir a cueca mais rápido, tal como uma calça de linho escura.

– vai ficar louca falando com esta coisa, querida — desdenhou.

– não se preocupe querido, ela adora me ouvir, só vou ter medo quando começar a responder, com palavras, é claro.

– eu não estranharia, feia como é se ainda for...

–idiota, continue, sobre a viagem. — Sasuke, de ombros e se sentou na cama, puxando a coberta para sobre as pernas, esperando que isso espantasse a gata, mas ela continuava inteiramente tranquila deitada no meio da cama.

– não vou, mas vai até me quebrar um galho.

– é?

– é — ele não queria tocar no assunto agora — agora vou dormir, expulse a coisa, querida.

– ora deixe-a em paz.

– Sakura não vou dormir com ela aqui.

– não seja cruel, dizem que gatos guardam as portas do mundo dos sonhos ela pode te levar pra um lugar bem legal.

– em primeiro lugar, sonhos caralho nenhum, eles guardam as portas do além, em segundo lugar não sigo essa coisa nem pra uma pilha de ouro.

– uma pena, gatos dão sorte.

Sasuke discutiu com ela até cansar, e Gisé os ignorou completamente, cochilou mesmo, e só então largou a cama e foi para as portas da piscina, escapou por entre elas e provavelmente foi deitar sob o sol.

Satisfeito, ele se acomodou e puxou Sakura para perto, e ela dormiu resmungando que ele conseguira magoar a gata, e que estava com um pouco de dor nas costas. Ele suspirou relembrando que isso era um sintoma da pré-eclâmpsia.

Montenegro estava cancelada, pelo menos por tempo indeterminado.

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Quando viu o nome no visor, Sasuke quase riu, antes de atender observou Sakura sentada a beira da piscina, balançando as pernas dentro da água.

– alô — respondeu com tranquilidade.

–grande plano o seu, mas saiba que não vai dar certo – Naruto disse. Sasuke apenas se acomodou melhor na espreguiçadeira.

– plano? Não sei do que está falando, só estou te escalando pra viajem porque não posso me dar ao luxo de me afastar da minha mulher e do meu filho a partir de agora.

Percebeu Naruto vacilar até mesmo na respiração por um momento, mas ignorou, Sakura vinha em sua direção, mais propriamente na direção da entrada, passou por ele bagunçando seu cabelo, e ele apertou seu traseiro quase rindo quando ela entrou xingando-o de bruto e pervertido.

– que bom que... está tudo bem, Sasuke não foi minha intenção, mas aquela mulherzinha...

– essa mulherzinha, é e vai ser minha mulher, você aceitando ou não.

– Sasuke, volto a repetir, não tem que se submeter a isso, apenas tome a criança porra!

– o que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta.

– claro que é! Sou seu amigo! Seu irmão!

– não meu pai, e mesmo que fosse, não dou a mínima, e você sabe disso.

– Fugaku teria vergonha de você.

– eu tenho vergonha de todo o resto e ele também teria, Naruto, se voltar a se intrometer nisso, as coisas vão ficar mais do que sérias entre nós.

– pois vão mesmo, porque não vou permitir que jogue sua vida fora pra ficar ao lado de uma puta, que jogue Karin fora apenas para agrada-la.

– não envolva Karin nisso, sabe muito bem que não deu certo e nem daria.

– vocês iam se casar!

– grande coisa, não casamos, é mais que o bastante, agora para de me amolar e vá trabalhar.

– Sasuke, ultima tentativa, eu vou nessa viajem, e quando voltar espero que tenha mandado essa garota pra bem longe pra ter o filho de vocês, se quando eu voltar ela ainda estiver ao seu lado, eu vou ser drástico.

– ultima tentativa, Naruto, pare de se meter na minha vida, ou eu fodo com a sua, e você sabe que eu posso não é, irmão? — Naruto ignorou sua contra ameaça, e os dois acabaram por selar seus decretos ao mesmo tempo.

– me aguarde – disseram, e ele desligou, apertando o telefone queria poder estar na frente daquele idiota e soca-lo outra vez.

Naruto tinha o péssimo costume de achar que poderia e tinha o direito de influenciar suas escolhas, Sasuke sempre ignorava e achava engraçado quão ingênuo ele era, mas agora vira que devia ter cortado essa há muito tempo.

Se levantou e seguiu para dentro, foi até a sala e encontrou Sakura comendo algo, se recostou no sofá atrás dela e mexeu em seu cabelo.

– o que acha de um jantar? – disse, enquanto o juntava e deixava sua nuca a vista, com a outra mão massageou o ponto e logo ela rodou a cabeça apreciando.

– depende do conteúdo. – respondeu-lhe.

– um bom vinho, talvez velas, carne grelhada...- Sasuke se virou curvando-se e murmurou para ela — um homem atraente como companhia.

– oh, parece perfeito, pode ligar pra ele.

– pra quem? — Sakura o fitou de soslaio, um sorriso travesso curvando os lábios enquanto abocanhavam uma bolacha.

– o homem atraente, é claro.

Ele revirou os olhos, e avançou, chupando seu pescoço de forma intensa ela se encolheu e gemeu um resmungo.

– ele está sempre à sua disposição, querida.

– idiota, vai ser um daqueles jantares entediantes? porque não estou afim de um bando de velhas passando a mão na minha barriga.

Ela não gostava muito nem dele, Tsunade disse que era comum, nem toda gravida gostava que ficassem lhe acariciando, e Sakura obviamente tinha motivos psicológicos para tal.

– não, um jantar comum, num bom restaurante, calmo e discreto, tudo bem? Podemos falar de qualquer coisa, sobre o casamento talvez? Você não pensou nem onde quer que seja?

– não pode ser só no civil e pronto? – disse, recostando a cabeça e erguendo para encara-lo.

– não aprecia véu e grinalda? — as esmeraldas se estreitaram um pouco e ela enfiou comida na boca dele.

– isso é pra menininhas virgens e puras, senhor Uchiha, talvez eu deva casar de vermelho sangue e com um decote até o umbigo.

– nada contra, se conseguir convencer o padre a não nos expulsar...

– confesso a ele tudo o que já fiz e terá melhores motivos para fazê-lo.

Sasuke sorriu ignorando a rispidez desta ultima declaração, e beijou sua testa.

– vermelho você usa por baixo, que tal? Vou adorar tirar cada peça no hotel.

– humpf, também não vai ter graça, já conhece tudo.

– a ideia não é tão ruim, acredite, vou dar uma volta e fazer as reservas, esteja pronta as sete, senhorita.

– podemos ir ao cinema? Está passando um filme que venho querendo ver a algum tempo.

Ele deu ombros enquanto vestia um casaco e abria a porta.

– por mim tanto faz, é alguma a comédia romântica?

O Herdeiro do Diabo– ela disse com descaso, ele parou encarando suas costas, e meneou a cabeça, saindo.

– acho que entendi as "referencias" – ironizou, enquanto seguia para o elevador.

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A primeira consulta (para ele, claro) não foi lá um bicho de sete cabeças, mas entendia porque Sakura sempre resmungava sobre a médica. Quanto mais velha ficava, mas xereta, Tsunade era.

Sakura porém, estivera mais apreensiva naquele dia, ele não sabia se era por ele estar lá, ou por causa das ameaças de Naruto. Sasuke havia cogitado esconder isso dela, mas perderia a pobre quantidade de confiança que ela tinha nele. Sakura era mais que um ser humano arisco, era desacreditada.

Enche-la de joias não a faria dependente mesmo que estivesse, enche-la de beijos não a faria crente em finais felizes, e enche-la de esperanças não encheria, ela era um saco perfurado no fundo, não se agarrava a nada, talvez apenas ao filho deles, e a fragilidade dele a fazia sentir como se seus dedos escorregassem cada vez mais.

Ele não gostava de ter suas palavras postas em duvida, tudo o que declarava era considerado lei, pra dizer o mínimo. Mas ela via cada sentença como um texto sem fundamento, ou integridade.

Deitado na cama, ele a fitava dormindo, ela vinha ficando meio sonolenta e já não levantava antes das dez da manhã, invejável, diria. Mas agora tentava captar uma certa movimentação novamente, vira de relance mas não tinha certeza, agora prestava o máximo de atenção. Sakura dormia apenas de calcinha agora, já estava cada vez mais desgostosa com o peso e medidas, que o avanço dos cinco meses trouxera, não usava mais camisolas e nem sutiã. Ele jamais reclamaria, é claro.

Estava encolhida de lado com o rosto mergulhado entre travesseiros e cabelos, respirando de maneira calma, a subir e descer de suas costelas o fez se perguntar se não havia apenas se confundido, até que, de novo.

De novo, e desta vez ele viu sim, a pele esticada e alva da região lateral do ventre de Sakura se mover, subir como que empurrada, era algo tão estranho que ele chegou a ter arrepios. Era como se houvesse algo vivo dentro dela se movendo, e era como ver um daqueles filmes de Aliens saindo de dentro das pessoas.

Mas era suave, quase imperceptível, outras vezes mais forte. Era apenas seu filho, se manifestando já pela manhã, brindando-o e fazendo-o ter mais firmeza na crença de que apesar de as coisas estarem tão conturbadas lá fora, eles poderiam acreditar que ele viria ao mundo e que tudo poderia se ajeitar, melhorar.

Podia dar certo, ia dar certo.

Sasuke riu anasaladamente, e não resistiu a levar a mão sobre onde vira o ultimo empurrão.

– o que está fazendo? — Sakura murmurou, ainda cochilando. — caramba, vá trabalhar, me deixa dormir em paz.

– tsc, cale-se, não estou nem aí pra você. — ele retorquiu e sentiu a batida contra a palma, surpreso, exclamou — puta merda...

Sakura se apoiou no cotovelo, empurrou os fios rosados para trás e franziu a testa encarando-o, estranhando seus olhos negros brilhando de assombro e encanto.

– qual o seu...- ela própria se assombrou quando sentiu algo como uma cócega interna, raspando e empurrando de dentro para fora e se sentou. — o-o que é isso?

– fique quieta, não vê que está mexendo?

– o que?!

–o bebê, criatura.

– huh?! — O próximo chute foi tão forte que ela saltitou no lugar espantada e Sasuke riu, irritada, bateu no ombro dele.

– não tem graça!

– tem sim, fique quieta, veja — Ele se sentou na cama puxando-a para estar de costas para si, passou a mão na barriga dela, e pousou a cabeça sobre seu ombro, observando. Talvez por ela ter se virado os chutes foram para o centro de seu ventre, e Sakura ofegou nervosa com a sensação.

– isso é... Assustador...

– é maneiro também.

– humpf, isso por que não sente como se um alien pudesse te abrir a qualquer momento.

Ele arqueou a sobrancelha, parecia que os dois eram idiotas por virem daquela forma.

– isso faz cócegas, é estranho — ela resmungou desconfortável. — as cócegas mais estranhas que já senti... ai!

– doeu?

– nã-não é exatamente doloroso, apenas... Esquisito.

Sasuke de ombros, apreciando cada chute, as vezes suave, as vezes vigoroso, a pele leitosa dela se movimentando e a respiração acelerada, abraçou-a e beijou seu rosto.

– vá se acostumando...- provocou, ela bufou.

– é a primeira vez que sinto tão... Assim, Tsunade disse que ele era preguiçoso, eu achava melhor assim...

– tch, vai ser um jogador de futebol, quem diria.

– melhor do que se for corredor, é algo mais inteligente correr com as próprias pernas.

– nem pense em influenciar o garoto contra, Sakura.

– digo o mesmo, gosto de futebol, e basquete.

– hn, pelo menos sei que não vai enfiar a cara dele em livros.

Ela deu de ombros.

– cada um com sua vocação, senhor Uchiha.

Ele inspirou o perfume dela, afundando o rosto na curva de seu pescoço, pensativo, alisando seu ventre percebeu que o menino se aquietou aos poucos.

– gostaria de saber qual era a sua...- comentou, Sakura inclinou a cabeça para encara-lo embora não tenha conseguido vê-lo, de ombros e olhou para algum canto.

– ainda não percebeu?

Ele inspirou exasperado, como sempre, era frustrado em suas tentativas de conhece-la, não havia nada que soubesse dela vindo de forma oral, tudo o que colhia era a base de pura analise sobre ela, observando seus trejeitos, gostos, gestos e costumes. Mas isso jamais poderia dar-lhe algo de concreto sobre o passado dela, e ele estava começando a querer usar outros métodos.

– uma pessoa não tem apenas um... Talento – replicou, forjando desinteresse, e ela deu ombros.

– você não vai trabalhar? Por que eu quero o motorista.

– para?

– fugir do país, obviamente.

– ele está indisponível para viagens pra fora, sinto muito.

– argh, eu quero fazer compras, escolher como quero o quarto do bebe, tá?

– se é assim, tudo bem.

– porque não põe um chip em mim? Hein?

– nunca seria tão cruel, mas posso pensar em por um num belo colar, gosta da ideia?

– babaca — ela se desvencilhou e se levantou meio atrapalhada, resmungando o quanto estava gorda e remexendo na juba cor de rosa enquanto seguia para o banheiro. Ele apenas observou e disse:

– Sakura, sabe que eu adoro você, e está linda.

– que linda o que, que linda o que.- ela replicou mau humorada, enquanto adentrava ao cômodo — eu to um bagulho!

Ele riu quando a porta bateu, mas resolveu não invoca-la para não acabar desmotivando-a sair, se levantou e foi se arrumar para o trabalho, o simples fato de ter Naruto longe fazia-o adorar o escritório, além de sua ameaça, haviam outros trejeitos do Uzumaki que Sasuke apenas detestava, seu jeito barulhento, e de ignorar a vontade dos outros achando que sabe o que é melhor pra eles apenas por os obrigar a ir em festinhas, confraternizações e sorrir, como se o mundo fosse perfeito e colorido. Tal como ele fazia.

***********************************************************

– por que você tem que vir mesmo? – James se limitou a dar de ombros com descaso e elegância enquanto a seguia pelo estacionamento.

– Apenas sigo ordens, senhora.

Ela revirou os olhos e entraram no elevador, pouco tempo depois estavam numa loja de decoração, Sakura estava recostada de lado no balcão folheando um enorme mostruário de decoração para quartos infantis, o motoristas esperava pacientemente sentado num banco e a vendedora também, do outro lado do balcão.

– tem certeza que não quer correr para o azul? Eu sei que é clichê mas se está sem ideia, podemos procurar algo novo dentro dele. – a moça sugestionou, Sakua meneou a cabeça com os olhos fixos numa das páginas.

– clichê é um pesadelo isso sim, e azul demais me deixa enjoada.

– o chefe gosta – James disse, bom humorado.

– eu gostava do meu corpinho de antes mas aqui estou eu com a circunferência de uma melancia, não pode ser como gostamos, e caramba, esses quartos de meninas, porque tão lindos? Porque sempre tem mais graça? E por que diabos você não é menina?! – questionou indignada, ao próprio ventre.

– se responder teremos de chamar um padre, madame.

– humpf – ela voltou a folhear mas ainda via graça apenas nos quartos femininos, tantos os com cores fortes quanto os com cores leves que apenas destacavam o branco de maneira discreta, inconformada pegou o telefone, irritada por ter que ligar e implorar, sabendo que era um pedido impossível de Sasuke aceitar. – alo?

– sou eu, Sakura, obviamente...

– oh desculpe achei que fosse um dos meus amantes – desdenhou – vou desligar.

– tsc, está bêbada? O que foi dessa vez?

– eu... Posso decorar o quarto com rosa? – disse baixinho, torcendo pra ele se enfadar e apenas dizer um sim ,pouco se importando com a pergunta.

– o que?

– o quarto do bebe pode ser rosa?

– mas que porra, fala alto, mulher.

– eu quero o quarto rosa!

– huh? Você bebeu mesmo? Esqueceu que vamos ter um menino?! É um menino, Sakura, macho, homem, não viu aquela coisa entre as pernas dele? Aquilo é um pinto em formação, vai ser um menino, que porra é essa de quarto rosa?

– ugh...- resmungou impaciente – machista, rosa também serve pra meninos sabe?

– não pra o meu, põe outra coisa, porque não azul?

– azul é muito clichê!

– e rosa é estranho, pra um menino, quer que ele cresça complexado?

– isso não tem nada haver, é culpa dessa sociedade cheia de estereótipos!

– foda-se a sociedade, mas eu quero cor de macho. Quarto. De. Macho, você é louca só pode ser! Qual o problema com o azul?

Sakura mordeu os lábios emburrada, encarando os livros.

– é só que... É um porre tá? Todo mundo põe azul, que saco, e os de menina são mais bonitinhos! A culpa é sua, porque tinha que fazer um menino?!

Ele riu, pretencioso e ela revirou os olhos mais impaciente ainda.

– não é como se eu tivesse me programado para tal, mas estou satisfeito com o resultado.

– babaca..

– olha eu tenho que ir pra uma reunião, chega de frescura, certo? Escolha azul e pronto, pode ser verde, vermelho até preto, mas se tiver rosa, eu vou pintar seu cabelo de azul, entendeu?

– achei que gostasse do meu cabelo! Podemos dizer que o rosa é em homenagem a ele! – Sasuke suspirou enfadado.

– eu adoro seu cabelo, pequena gata, então seria uma pena ter que tingi-lo, não? Sem. Rosa. Sakura.

Ela nem pode objetar, ele desligou e ela quis acertar o chão com o telefone, largou-o dentro da bolsa, pegou o portfólio e se mandou pelos amplos corredores agarrando qualquer item decorativo que lhe agradasse.

– que se dane! vai ser colorido!

– se-senhora...!

Depois de horas rodando pelo shopping ela acabou por se perder de James, afinal ele levava a maior parte de suas compras e ela poderia dizer com orgulho que ainda andava bem rápido de saltos, se Sasuke sonhasse com esse detalhe ele poria fogo nos sapatos dela, mas estava muito zangada para ligar agora.

Parou irritada, e pegou o telefone decidida a ligar para o motorista ou mesmo para Sasuke. Porém mau pusera o telefone fora da bolsa e ele lhe fora arrancado e seu braço puxado, olhou para cima e seu peito deu um solavanco, sua espinha gelou e sua garganta travou ao reconhecer o homem alto, forte e mau encarado que a puxava, sua bolsa também fora tomada e o outro braço seguro, olhou para o lado e também reconheceu o outro homem.

– Stanley...

–olá, Sah? – ele disse, de forma gentil, ele era aquele tipo de cara que mesmo que fosse um marombado, uma pilha de músculos rústicos, você não o veria de cara como uma ameaça. Mas ele era, ele e Joseph que nem disfarçava o monstro violento que era, e disse sem olha-la.

– se fizer alguma coisa, quebro seu pescoço.

Ela apenas olhou para frente, em pânico, piscando para espantar qualquer lágrima e assim não perder de vista o caminho que estavam seguindo, quando viu que estavam pegando um atalho para o estacionamento ela travou no lugar, mas eles facilmente a fizeram prosseguir, Sakura rodou os olhos procurando o carro ou James mas não devia estar sequer no mesmo bloco de estacionamentos, porém reconheceu o carro cinza de vidros completamente negros.

Stanley abriu a porta e ela se viu forçada a entrar, os dois homens então se recostaram em cada porta e cruzaram os braços, vigiando. Sakura juntou as mãos sobre o colo, tremulas e encarou Yahiko, no outro banco a sua frente, ele estava recostado na janela, o queixo apoiado sobre o punho, pensativo, ele suspirou e a encarou.

Fazendo uma analise em cima dela, dede os sapatos até o vestido solto e leve que usava, encarando seus brincos de perolas e também seu cabelo penteado de lado, até encarar seus olhos trêmulos. E para o horror do interior dela, voltar para seu ventre.

– você está linda – ele disse, como se admitisse algo, e se ajeitou no banco – muito bonita, mesmo, Sakura, me faz até pensar...- indicou sua barriga – em como seria...

– o que você quer?

Ele suspirou esfregando o queixo, pensativo, até demais.

– o que diria se eu dissesse que... Saudades?

– que está drogado. – Yahiko riu, e então passou para o banco dela, Sakura soltou um ofego alto enquanto se afastava e ele puxou seu queixo.

– querida não fale assim, eu sempre gostei de você, Sakura, é a minha favorita, sempre tão... forte, e ao mesmo tempo tão... Encoleirada... – disse mexendo o rosto dela para os lados, apertando seu queixo. – você sempre me obedecia sem questionar, mas deixava tão claro o quanto detestava tudo, você nunca disfarçou nada, e era por isso que eu adorava tentar te...- Yahiko trouxe o rosto para seu pescoço e ela tentou empurra-lo assombrada com sua proximidade, com medo pela própria vida que este homem tão facilmente poderia tirar se resolvesse por mais força naquela mão, ele beijou seu pescoço, chupou e sugou como se tivesse todo o direito, ela apertou os olhos relembrando cada vez que ele resolvia “experimentar” seus produtos.

Lágrimas se formaram e desceram abundantes quando sua mente abandonou as lembranças e formou um quadro do futuro, do agora, dos próximos minutos e horas, fazendo-a ver-se ser estuprada, ali mesmo naquele carro, por ele, de novo, grávida, e até mesmo por Joseph ou Stanley.

Ou pelos dois.

Ou pelos três.

Não era como se nunca tivesse acontecido, e em outras circunstâncias ela apenas os deixaria terem o que queriam, seria encoleirada tal como Yahiko dizia, e o encararia o tempo todo mostrando que nunca iria gostar daquilo.

Mas não conseguiria, era diferente, seu filho dentro dela também seria abusado, e ela não sabia se daria conta de passar por aquilo de novo no estado em que se encontrava.

Era simplesmente demais, até pra ela.

Estaria morta antes que ele ou eles, gozassem.

Comprimiu os lábios quando ele a beijou, mas não houve tanta insistência, ele afastou o rosto ofegante.

– está sendo tão bem cuidada não é? Sua pele está tão bonita e cheirosa, Sah... Linda... Está mais fortinha hã? Redondinha, mas suas pernas... Oh querida... Elas são um dom, tenho certeza que vão continuar assim depois que parir, e seu traseiro também, por isso! – exclamou animado e beijou a bochecha dela – estou aqui.

– do-do que está falando?

– querida, essa vida chata de socialite não é pra você, você é puta, Sakura, sempre vai ser, o Uchiha realmente acha que vai conseguir esconder isso? Sakura, você já deu pra Nova York inteira! – ele riu – o mínimo que ele vai conseguir é ser tachado de corno, não? E eu sei que ele não vai suportar isso, vamos lá, meu bem, eu sei que concorda, você é inteligente, Sah, uma puta muito inteligente, por isso adoro você, e você sabe que esse teatrinho do Uchiha uma hora vai ruir não é?

Ela tragou, e virou a cara, não suportando admitir, que era verdade, ia ruir, já tinha ruído, apenas Sasuke não admitia, e quando tudo caísse de uma vez...

– e sabe o que ele vai fazer não é? –Yahiko instigou, sabendo que ela estava seguindo seu raciocínio. – ele não vai querer sair perdendo, e mesmo que você lute, você sabe pra que lado a corda vai arrebentar não é? Vai ser pro seu – murmurou – e ele vai te tomar...- ele baixou a mão e tocou sua barriga, Sakura estremeceu e se espremeu contra o banco sem sucesso em evita-lo – essa coisinha que você carrega aí, alias, qual o sexo? Poxa, Sah, porque não me disse? Eu adoraria ser o padrinho...

Padrinho de fetos mortos, era isso que ele era, um assassino de fetos, ela mordeu a língua para não dizer ou poderia encurtar qualquer coisa que ele viesse a lhe fazer.

– é um menino – respondeu, a voz quase não saia, rouca, quase engasgada.

–ah, que pena, você sabe, eu prefiro meninas.

Ela não respondeu, com o queixo erguido o fitava a passar a mão em seu ventre, lentamente, como se pudesse prever quando ele se tornaria violento.

– é o seguinte Sah, você volta pra casa, e eu deixo você parir sua coisinha, deixo até cria-la, na verdade, Sah, eu vinha pensado em te por num cargo de confiança sabe? Lembra da Suíça? Eu ainda preciso de alguém inteligente pra gerenciar as meninas lá, e você seria perfeita, e adoraria o lugar não é?

– Sasuke nunca permitiria, ele é tão controlador quanto você! A essa altura o motorista já deve ter chamado ele e até a policia! O que diabos você ainda quer Yahiko?! Você mesmo me vendeu!

Ele agarrou seu queixo furioso, os olhos castanhos lampejando de fúria.

– você acha que foi tão fácil assim? Aquele engomadinho filho da puta... Eu não sei como ele me achou! Mas ele o fez e se eu não vendesse você, ele deixou quase claro que entregaria o meu ponto! Graças a ele eu tive que tirar todas as putas de lá, encontrar outro local, trocar os carros, e molhar mãos, mudar o esquema todo! Só por causa dele! Não! – ele apertou seu queixo tanto que ela sentiu que iria quebra-lo e segurou o braço dele tentando se livrar – é por sua culpa sua putinha! Qual é Sakura! Como você me vacila desse jeito?!

– eu não...quis...

– tem certeza?!

– tenho! A porra da camisinha estourou! Porra você sabe... Sabe que não posso usar remédios!

– mas como ele foi descobrir?! Hã?!

– eu não sei! Talvez ele tenha desconfiado!

– como?!

– eu não sei! Ele é estranho caramba!

Yahiko a soltou e mexeu no próprio cabelo tentando se acalmar e ela se ajeitou no banco tocando o queixo que latejava e organizando a respiração.

Fitou Yahiko de soslaio, temendo mais que tudo que ele desconfiasse que fora ela a procurar Sasuke.

– tudo bem, é o seguinte – ele começou – eu tenho essa casa na Suíça, e eu quero muito você lá, Sah, você seria perfeita e nem precisaria fazer muitos programas, seria como uma empresaria, igual a mim que tal?

– eu não posso... mesmo se quisesse.

– pra tudo dá-se um jeito, meu bem, e além do mais, você poderia criar seu molequinho... – brincou, e ela o fitou em choque.

– o que? – Yahiko sorriu, gatuno esperto como era, tocou o queixo dela com delicadeza, e sorriu de forma carinhosa, transbordando esperança nos olhos.

– isso mesmo, Sah, pode criar seu putinho sozinha, à vontade, longe daqui, ninguém saberia onde se enfiou certo? Ele seria todo seu, e quem sabe um futuro braço direito nos negócios? Eu não me importo muito com essa frescura de “filho legitimo” tal como o Uchiha deve, se o garoto tiver tino pros negócios...

nunca.

– tudo bem, o crie pra ser o que quiser que seja, mas o mais importante, pode cria-lo sozinha, Sah, como você sempre preferiu, ah, estou atrasado, pode ir meu bem e pense bem, sem pressão, você pode esperar até parir se quiser, fica até mais fácil, caso queira, é só deixar o pirralho com o pai e vir pra mim certo? Agora venha aqui – a puxou novamente forçando outro beijo que não teve qualquer resposta, Yahiko destravou a porta e Stanley saiu da frente pra que ela saísse, Sakura ficou parada vendo o carro ser ligado, Joseph lhe empurrou sua bolsa e celular, adentrou o carro e este deixou o estacionamento.

Ela segurou a bolsa, seguiu para saída, e procurou um taxi.

Torcendo apenas para estar sozinha quando chegasse ao apartamento.

“...Eu sei que você sofreu...”

Notas finais
até segunda!