Notas iniciais
OOOOOOI desculpem a demora, fiquei sem net a semana toda desde que cheguei da casa dos meus tios, aí vai.

“...Me provoque...”

– amor? Amoooor?

Sasuke quis rir com amargura, já prevendo que ela usaria isso pra conseguir algo sempre, e o pior era que ele se via tentado a dar, não que o nominho meloso o atingisse, mas quando ela começava a ronronar...

– o que é? – Sakura riu animada e se sentou em seu colo, na poltrona.

– quero batata frita! – ele arqueou a sobrancelha e tirando os olhos da planilha que estudava, tirou os óculos e massageou entre eles.

– é o que?

– quero babata frita, eu preciso de batatas fritas, Sasuke.

– não fode... São duas da tarde, mulher, você acabou de almoçar.

– dane-se, estou desejando, sei lá, só sei que eu preciso, não estou feliz tá? Aquilo tudo vai descer pras minhas pernas e enche-las de furinhos, ugh!

– então vá tirar uma soneca, eu também não gosto de furinhos.

– babaca! Sasuke...

– não tem batatas fritas no cardápio, Sakura.

– nem pedido especial?- suplicou fazendo bico.

– provavelmente não e eu não posso sair para cidade agora.

– então eu posso ir?

– sozinha? Nem fodendo.

– mas porque?

– todo lugar com turistas tem ladrões, não vou soltar você nessa cidade, nem sabe falar montenegres ou sérvio, ou croata ou qualquer uma das mil línguas oficiais dessa porra de país.

– posso ir com a Liza?

– vou precisar dela, ela está trabalhando agora também, olha, segura essa fome monstruosa até o jantar, te levo a um MacDonalds.

– e como sabe que tem um aqui? – ele riu.

– essa porra tem em todo lugar.

– mas eu não quero esperar, e não me olhe assim, culpe o seu filho!

– eu não gosto de batata frita de modo que se ele gosta a culpa é sua.

– oh, como eu te odeio!

Ele segurou seu rosto e sorriu de maneira cafajeste e presunçosa.

– eu sei que não.

– você é muito pretencioso.

– obrigada, agora saia do meu colo ou eu como você, garanto que ficará cansada demais pra pensar em comida.

– seu bruto! – resmungando ela saiu de cima dele e foi para a outra parte do quarto ficar lamuriando sua enorme fome junto de Gisé, Sasuke cada vez mais se via agradecendo por ter sido obrigado a dar cinco mil pratas nela, era cada vez mais barato considerando o quão ela o salvava de ouvir as lamurias de Sakura, ela sempre ia resmungar junto a bichana que apenas ouvia, piscava de forma preguiçosa e ronronava.

Ele ouviu o telefone vibrar na mesinha de centro da sala do pequeno latifúndio que era o aposento deles, o pegou, abriu a mensagem de Naruto já revirando os olhos sobre ser outra proposta em troca do quadro, na verdade, Sasuke vinha realmente pensado em salva-lo de ser espancado pela mãe.

Se ele aceitasse ser seu padrinho de casamento, só que, sinceramente, gostaria que Naruto aceitasse por si só, no fim, ele era seu amigo.

Só esperava que ele percebesse isso, do contrário, Sasuke também não moveria mares e montanhas por ele.

“Vamos na cidade dar uma olhada num barco pra alugar, quer vir?

“ Não”

“ que novidade, qual é, faz tempo que não damos uma volta, tem iates lindos aqui, e essa água toda? Não é linda?!”

“Estou trabalhando e você bem que poderia estar também.”

“Hah, se fosse pra eu trabalhar não teria chamado você aqui, hehe”

“Foda-se você, vai a cidade? Ótimo, traz babatas fritas para mim, do MacDonalds”

“Que?! Onde vou achar MacDonalds aqui?! Tá louco?!

“Tem em todo lugar, traz uma porção grande, enorme, a maior que tiver”

“Que porra? Não almoçou?!”

“Trás logo, traz coca cola também”

“Vá a merda Sasuke!”

“ E um hambúrguer, faz tempo que não como hambúrguer... Com porção extra de tomates e sem cebolas, você sabe como é...”

“ t(‘-‘ t)”

Sasuke riu e largou o telefone, voltando-se para a planilha, notou um olhar afiado sobre si e encarou a cama, Sakura o encarava com os olhos estreitos, deitada na cama e com o rosto atrás da cabeça de Gisé que tinha as bagas azuis estreitas, mas por apreciar a caricia atrás das orelhas, de modo que, ele só via dois olhares felinos a encararem-no, os olhos da cada uma eram tão vividos que mereciam uma foto.

– está vendo? Eu morro de fome e ele papeando com alguma europeia...

– você vai ficar louca – ele avisou. E ela continuou a fulmina-lo e reclamar com a gata.

O melhor disso tudo, era que ele podia imagina-la falando com o bebê deles assim.

Vez ou outra ele a pegava fazendo isso enquanto acariciava a barriga, Sakura deveria achar muito estranho ser vista falando com o ventre, mesmo que muita gente fosse achar isso gracioso, mas tal como ela tagarelava com Gisé, ela encheria os ouvidos do neném deles, ele tinha a impressão de que ela passara muito tempo se confinando em um mundo de silencio, usando-o para calar a própria dor, por que desistira de gritar por socorro. Então ela estava reaprendendo a falar, mesmo com ele que não gostava de gente faladeira, o silencio dele não a reprimia, e ela só fazia isso consigo mesma.

Embora reclamasse, Sasuke sabia que era importante deixa-la falar à vontade, e assim, aos poucos, se abrir. Por isso Gisé valia muito mais que cinco mil pratas agora, ela era uma alternativa de reabilitação para Sakura, e talvez, uma reeducação familiar para eles dois, antes da chegada de Ryan.

Eram quatro horas da tarde quando a campainha tocou e ele despertou do trabalho, Sakura havia ido dar um banho na bendita gata, uma coisa tão mimada quanto um bebê seria, ele se perguntava se a gata teria ciúmes com a chegada dele, ou mesmo se o bebê ficaria de lado...

Abriu a porta e Naruto o encarou com cara de tacho enquanto erguia uma graúda sacola do MacDonalds.

– até que enfim.

– mas que mau agradecido!

– desde quando você é viciado em babatas fritas, Sasuke? – Karin disse, bem humorada, trazia algumas sacolas de compras mas parecia que havia passado a tarde na praia.

– longa historia e...

– mas que porra é essa?! – gritou o loiro saltando para o centro do corredor com os olhos esbugalhados enquanto encarava os pés de Sasuke, ele e Karin e olharam para baixo e ela também recuou assustada e ele, encarou Gisé que se esfregava em suas canelas e parecia ansiosa e apressada para sair.

– ah não – Sasuke se curvou e capturou-a pegando-a por baixo, ao contrário do que pensou, não sentiu nojo ou repulsa, mas o calor que emanava dela foi estranho, sua pele era extremante macia, parecia veludo aquecido e ela miou meio revoltada por ter sido pega, mas ele não correria o risco de perde-la dentro de uma ilha, até então ela estava bem quietinha no quarto, mas no fim, não era um cão e iria querer dar suas voltas.

– que porra é essa, Sasuke?! – Naruto exclamou e ele riu vendo-o com as costas contra a parede como se gata fosse saltar em sua jugular.

– ora, é uma gata.

– gata? E onde está o pelo? – Karin disse meio enojada.

– culpa da genética, uma genética cara...

– você comprou um bicho?! Desde quando?

Teriam visto se não avançassem em Sakura como uns animais.

Ele suspirou se sentindo magoado, irritado e desrespeitado novamente, e Gisé parou de se debater e agarrou sua camisa com as garras, o obrigando a traze-la para perto do tronco no que ela praticamente o abraçou e ronronou roucamente, esfregando a cabeça em seu queixo, tal como fazia com a dona, foi irônico, talvez até ridículo, mas soou como um consolo.

– faz um tempo, quando estava em São Francisco para a corrida, é uma... boa companhia...

– essa coisa feia? Por que não comprou um cão?

– sempre achei que preferisse cães – Karin comentou franzindo a testa com o jeito amoroso da bichana – ela parece te adorar...

– parece mesmo...- ele comentou igualmente surpreso, geralmente o máximo de espaço que se permitia compartilhar com a gata era a cama, com ela bem aos pés dele ou do lado de Sakura.

Porém, Gisé nunca demonstrou realmente desgostar dele, nunca fugia ou se mostrava agressiva, e vez ou outra se esfregava em suas canelas, ele achou que fosse apenas sem vergonha demais.

Uma folgada, talvez fosse mesmo, ela agora tentava alcançar a sacola na outra mão dele e as garras traseiras estavam começando a incomodar arranhando seu estômago.

Como Sakura ficava tanto tempo agarrada com ela? Só sendo meio gata mesmo...

– não achei que permitissem animais aqui...- Naruto franziu a o cenho – que bicho feio...

– ela também não vai com sua cara.

– Sasuke? É um funcionário? Pergunta se tem batata frita...- Sakura veio ronronando do banheiro, usava um robe e tinha o cabelo preso num rabo de cavalo, ela parou encarando os primos Uzumakis e encarou Sasuke. – o que é? – o tom arisco voltando à tona.

– não é nada, toma – ele mostrou a sacola e ela veio pega-la.

– oh! Já não era sem tempo, você foi comprar? Quando?!

– eu comprei – Naruto disse – só não sabia que era pra você...

Porém nada parecia mais desagrada-la, ela nem sequer o ouvira, ocupada em revirar a sacola.

– uuui que delicia estão quentinhas...! – deu as costas indo para a cama e parou olhando em volta – Gisé? Onde está você querida? Vamos comer!

– aqui – Sasuke disse pondo a gata no chão.

– oh estava brincando com o papai? – ela brincou, se sentando na cama, a gata correu e saltou sobre a colcha miando ansiosa pra ganhar comida.

– engraçadinha — ele disse, mas ela realmente estava focada no grande balde de batatas fritas que tirou da sacola e uma garrafa de Coca-Cola, pelo menos pararia de lamuriar até o jantar, ele voltou-se para os amigos dando de ombros.

– obrigado.

– tudo bem...

– ela estava desejando, eu não poderia sair por tanto tempo e nunca a deixaria sair só, e como vocês foram à cidade...

– oh tudo bem, gravidas tem destas coisas...

– ela geralmente não é tão excêntrica, até evita comer, Tsunade lhe enche o saco.

– ela não quer ficar gorda? – Naruto desdenhou.

– que mulher quer?

– fato...- Karin admitiu.

– oh, temos um Hambúrguer! – Sakura comemorou.

– hey, isso é meu. – ele decretou.

– pra que tanto tomate?!

– Sakura, não rala nisso aí – irritado, ele seguiu até a cama vendo-a esconder o sanduiche atrás de si – você queria batatas, coma as malditas batatas!

– mas parece tão gostoso...

– está sendo gulosa.

– a culpa é do seu filho, e esses tomates estão tão lindos... que porra? eu nem gosto muito – resmungou, e ele parou suspirando e observando-a abocanhar a comida.

– parece que a culpa é minha...

– nós estamos indo! – Karin disse, ele se virou acenando brevemente, Naruto fechou a porta.

– quer um pedaço? – Sakura ofereceu, Sasuke pegou meneando a cabeça e também se sentando, Gisé comia uma porção de batatas sobre um guardanapo no chão, ele abriu a outra garrafa de refrigerante para beber. — está uma delicia não está?

– é, está.

Na manhã do dia seguinte, Sakura aproveitou que o Uchiha ficara até tarde jogando poker para sair escondida, bom, não era que fosse aprontar alguma ou fugir, mas ele decretara que os dois iriam passar o dia na praia, e Sakura realmente não estava afim de ficar toda coberta enquanto as gostosonas saltitavam pela areia em fios dentais.

Mas que infernos poderia vestir?

Ela não estava realmente afim de por um biquíni ou entrar na água, nem iria sair de debaixo do guarda-sol, mas tampouco iria deixar que vissem quão mal se sentia com o corpo, e o único jeito de fazê-lo, era exibi-lo...

Ela não poderia se dar ao luxo de sair da cidade, mas chamou uma jovenzinha que lhe guiou até uma loja dentro do hotel onde vendiam peças e produtos, ela passeou por quase uma hora, carregando Gisé consigo na bolsa, se arrependendo de não ter pego o numero de Ino. Sasuke até poderia ter no celular, mas como o tiraria de debaixo daquele cavalo em coma?

Sua indecisão devia ter enchido umas senhoras de pena porque vieram fazer questão de ajuda-la, com a mocinha da Staff traduzindo-as elas tentaram conforma-la em seu drama, e incentiva-la a apreciar a fase.

Foi até legal, mas como toda velha, tinham que ficar passando a mão nela, Sakura escolhia qualquer peça e corria para o provador para evita-las. No fim elas infernizaram-na que estava branca demais, e que deveria deixar abarriga mais a mostra. O que ela recebeu com horror, mas insistiram tanto, elogiaram tanto e a obrigaram a entrar no provador que ela acabou aceitando.

Mas quando se olhou no espelho, viu com espanto, que não desgostava tanto de como ficaria, a ideia de se exibir desta forma era estranha, mas ela compreendeu que só não estava acostumada a se ver daquele jeito em frente o espelho, e as roupas eram mais decentes do que muitas das que tivera de usar sem chiar.

Ela deveria agradecer, por estar desse jeito, por estar com seu bebe.

Mas ainda era meio humilhante, não estava gorda?

Ela comprou as peças, uma para o dia e mais dois pares só para fingir que as velhas a convenceram e ir embora logo, tentaria com Sasuke se ele aprovasse ou ao menos fingisse bem, talvez usaria.

Praticamente correu para o quarto, mas antes de entrar se aprumou, entrou, e xingou baixinho quando não o viu na cama e seguiu para ela, deixando as compras sobre e soltando Gisé da bolsa.

– onde estava a essa hora, Sakura? – ele inquiriu autoritário enquanto saia do banheiro, enxugando o cabelo com uma toalha e outra na cintura.

– oh, dando uma volta com Gisé, e fazendo umas comprinhas, já tomou café? Tem uma geleia divina aí...

– onde foi fazer compras? Você saiu do hotel? – Sakura se conteve pra não rodar os olhos e manda-lo se ferrar, porque tinha que ser tão controlador?

–ora, claro que não, eles têm uma loja aqui tá?

– hn, sei.- ele resmungou sentando-se na beira da cama.

– se duvida olhe a maldita fatura do cartão!

– tá, vá se arrumar...

Ela o fitou fazendo um bico e cruzando os braços.

– temos mesmo? – o olhar que Sasuke lhe lançou a fez pegar a sacola e seguir para o banheiro, resmungando.

Sasuke fitou a gata com um olhar interrogativo.

– e você? Aprontando também? – Gisé limitou-se a se esparramar na cama e encara-lo com desdém, ele até poderia ouvi-la falando altiva e pretensiosa, que não era da conta dele, ou que descobrisse por si só. Sasuke balançou a cabeça em negação e se levantou indo se vestir.

– Sasuke? Qual praia nós vamos?

– a que está voltada pra costa.

– ah.

– porque a demora?

– oh vá na frente, vou demorar.

– por que?

– por que você é um porre, e eu sei o caminho!

– tsc, não demora – Ele pegou os óculos e uma revista automotiva e saiu do quarto. A praia do hotel era calma, sem crianças jogando areia e gritando histericamente por aí, só a visão de biquínis e algumas cadeiras espaçadas entre si. Quando vinha ele teve a surpresa de passar por Jorge Clooney apreciando o mar tanto quanto qualquer um, que o Aman Svet Stefan era esconderijo de muito famoso ele já sabia, mas ainda era surpreendente encontrar com um deles assim, tão casualmente.

Sentou-se numa das espreguiçadeiras e abriu a revista, sentindo o cheiro de sal, o sol ainda ameno, e a vista azul do mar Adriático.

– lindo dia hã? – disse um hospede sentando ao lado dele, usava um calção florido e os pelos do peito grisalhos, escapavam da gola da camisa regata, ele olhou apreciativamente para uma garota que passou – lindo dia...- Sasuke inclinou a cabeça analisando e concordou.

– é, belo dia – o homem riu e se acomodando, estendeu a mão para ele.

– Antônio Hartway. – Sasuke cumprimentou-o de volta.

– Sasuke Uchiha.

– Uchiha? Já ouvi por alto, você é mais novo certo?

– é.

– parece novo mesmo, para aquele império, por isso está relaxando aqui?

– e pelo trabalho também, estou tentando fundir uma empresa minha aqui.

– entendo, já eu estou apreciando estas belas Motenegrinas e principalmente as outras, mandei as mulheres todas a cidade, elas não perceberam, mas estou tirando férias delas também – riu, Sasuke deu ombros encarando a revista.

– mulher cansa tanto quanto trabalho.

– um fato! Não me diga que já...

– noivo.

– oh, aproveite, ótima fase depois que casam e vem os filhos...

– ah, acho que esqueci dessa parte, ela já está grávida.

– babou a lua de mel...

– nem tanto, casamos depois que nascer.

– é um bom ponto, mas com criança pequena nunca é a mesma coisa, eu sei, tive três, tudo mulher, espero que não tenha esse azar, eu adoro elas, mas três da mãe é foda.

– não vou ter, é um menino.

– que inveja!

– mas também não quero uma versão da mãe...

– opa, quem é o papai? Quem é o papai? – ele cantarolou quando uma fedelha passou, devia ter no máximo dezessete anos, Sasuke se perguntou se ele imaginava que agora mesmo uma das filhas dele poderia estar ouvindo cantada de um velho que nem ele lá na cidade. Nesse momento quis beijar Sakura da cabeça aos pés por lhe dar um filho homem, ele não seria um cara tão tranquilo imaginando um bando de marmanjo secando sua filha.

Mas claro que também não a deixaria usar o tipo de biquíni que aquela fraldinha estava usando...

– essas meninas de hoje...- o homem suspirou – acho que vou mandar a mais nova pra um internato...

– ou o convento...

– não me tente! – riram.

– Mas não tem jeito, tem que deixa-las crescerem e torcer pra que escolham um bom cara, um bom caminho, uma boa carreira.

– entre um cara e uma boa carreira...- ele comentou pensativo e encarou o Antônio.

carreira – disseram os dois.

– essa coisa de cria-las pra casarem é chocante pra mim, e olha que sou velho, quero-as se formando, com um bom emprego e estabilidade.

– hn... – Sasuke relaxou a cabeça no encosto, suspirando e se perguntando se teria de voltar ao quarto e trazer Sakura nas costas, o que diabos a mulher tinha contra sol? E nem estava tão quente.

Ele se levantou e tirou a camisa e o calção, seguindo para o mar, para um almejado mergulho.

Quando voltou vestiu apenas o calção e se secou com a toalha antes de vestir a camisa, enquanto o fazia Antônio mais uma vez cantarolou.

– opa, mas que gracinha...

– sua esposa não fica com raiva?

– sou cuidadoso, anos de experiência... Opa! Que barriga linda! De quem é? De quem é?!

O Uchiha franziu o cenho com a frase e ergueu a cabeça para a areia vendo uma Sakura vir pela beira, usando um saltinho que afundava na areia fofa, vestindo um shortinho vermelho solto e sua barriga, a barriga dele, estava toda a mostra, parecia cintilar tão alva ficava em contato direto com o sol, a blusinha era branca, uma bata com elástico na barra que prendia acima do ventre, sem decotes e de mangas curtas, simples e linda, com cabelo preso com um lenço. Ela vinha toda animada e serelepe com Gisé dentro da bolsa e olhando os jet-skis na água.

– uma gracinha! De quem é a barriga? – o velho continuou e ele se levantou trazendo a toalha consigo e seguindo até ela quase correndo quando viu que ela chamava atenção até mesmo uns marmanjos que jogavam bola mais atrás.

– é a minha barriga! – declarou e chegou nela cobrindo sua barriga com a toalha, Sakura o encarou e afastou a toalha úmida e fria.

– mas que diabos?! Tire essa coisa molhada daqui Sasuke!

– porra nenhuma! O que está fazendo mostrando minha barriga assim?!

– huh?! Está bêbado? Como assim sua barriga?! A barriga é minha que eu saiba!

– eu que fiz não?

– ora seu... Babaca! Vá caçar o que fazer!

– vá por um pano aí, agora, Sakura.

– eu não vou! Estou feia por acaso?! — ele suspirou, pousando a mão em sua barriga, deus como estava linda, mas era só pra ele olhar, adorava quando ela transitava de calcinha pelo quarto deles e ele podia apreciar.

– não está, mas não tem que exibir o que é meu, certo?

– minhas pernas e seios também são seus e não liga de me fazer usar um vestido minúsculo. – Sasuke quis apreciar tal declaração, era tudo seu afinal, mas ela tinha a porra de um ponto a favor.

– logo a barriga?

– deixa de frescura! – inconformado, ele e a puxou e conduziu até onde estava sentado.

– sua barriga, é? – o velho brincou, ele fez uma careta emburrada enquanto se sentava e puxava Sakura para perto.

– você é tão irritante...

– essa frase é minha.

– ele está aprendendo, querida, prazer – Sakura cumprimentou o homem com seu típico olhar desconfiado – Antônio.

– Sakura.

– mamãe de primeira viajem?

– oh sim, e uma viajem turbulenta, eu diria.

– haha, sei como é.

– não sabe não... – ela resmungou e Sasuke deu-lhe um leve beliscão – que?!

– comporte-se.

– ah vá se...

– é tem razão, querida, mas vi minha mulher passar por essa três vezes, rende uma certa experiência.

– hum, entendo.

– e você está muito bonita, querida.

– oh, obrigada.

– por que diabos trouxe esta coisa? – Sasuke disse, vendo a gata se esticar para fora da bolsa dela, descer para areia e rolar nela, só esperava que ela não fizesse alguma necessidade por que se lhe fosse chamada atenção por isso...

– eu não podia deixa-la sozinha oras.

– por que não?

– por que não, olhe pra ela, está adorando!

– hn – ele de deitou vestindo a camisa e permaneceu com a palma sobre sua barriga, alisando enquanto Sakura abria uma revista de decoração e tentava pensar em algo que a agradasse.

Antônio também relaxou e deixou as garotinhas passarem em paz.

– Sasuke, como será esta casa? Você não faz nem ideia? – ela perguntou encarando uma imagem.

– hn, três suítes, dois quartos, escritório com biblioteca, sacada voltada para o parque, cozinha grande, sala, sala de jogos, quatro banheiros, no terraço tem espaço pra uma piscina, playground e churrasqueira, garagem pra três carros e outras coisas bobas...- Sakura olhou para os lados e baixou a revista, fitando seu rosto tranquilo.

– “e outras coisas bobas”? Você está maluco? Quer que eu decore um palácio? Porque tão grande?!

– não é grande, é bem básico na verdade.

– básica é uma casa com três quartos, cozinha e sala, garagem e quem sabe uma casinha para o cachorro! – ele abriu um olho e a fitou.

– é assim que gostaria que fosse? Não me importo de por a coisa pra dormir fora...

– ora não venha com essa!

– não precisa se descabelar com a mobília e a decoração, vou contratar alguém pra te ajudar certo?

– hum, que seja, mas também não quero ninguém mandando em mim.

– ninguém vai, vai apenas te mostrar opções e dar sugestões.

– sei.

– eu já tinha chamado alguém pra te ajudar com o quarto do bebe, mas essa pessoa não foi profissional o bastante, e você se virou bem sozinha.

– hum, que cheirinho de encrenca..- ela cantarolou se curvando para beija-lo – quem é?

– ninguém interessante, e você está sentindo cheiro de fofocas isso sim, ainda mais agora que se uniu a Ino, seu faro deve estar tinindo.

– não seja chato, quem, é vai? Essa pessoa não gosta de mim é?

– ela deve odiá-la...

– ora que cruel...

– ela é muito hipócrita, apenas isso, e incompetente, não faço questão de mais nada vindo dela.

Sakura de ombros se eximindo de meter-se nisso, embora lhe incomodasse ter outro inimigo e não saber nem quem é, percebeu que o assunto o deixava irritado, talvez até magoado, queria culpa-lo por estar indo contra todos que o amavam por esse casamento, mas percebeu que nunca em sua vida alguém fizera isso por ela, ou por qualquer coisa ligada a ela.

Percebeu que estava agradecida, e que se sentia também culpada.

Beijou-o novamente, então seu rosto.

– me desculpe.

– não é sua culpa, nunca vai ser, e não vou deixar que joguem pra você.

– obrigada.

Sasuke a fitou, seus olhos verdes cintilaram uma sinceridade que o deixou desnorteado e principalmente, realizado.

Um agradecimento ainda não era sinal de confiança, mas de consideração, um pequeno passo para desvendar aquela mulher, e também para adentra-la.

No sentido sentimental, claro.

Ele achou graça disso e só percebeu que demonstrara quando Sakura arqueou as sobrancelhas e se irritou.

– babaca.

– não foi com você...

– humpf.

– tsc – ele resmungou sobre seu mau humor e também virou a cara. Sakura logo virou de novo e puxou sua camisa com um olhar apressado.

– Amor?

– tsc, eu não vou atrás de batatas pra você, Sakura.

– não é isso! Sasuke a Gisé está indo embora! – Ele se sentou de uma vez e olhou par aonde ela tinha apontado vendo a bichana dando uma pequena corrida pela areia. – vá busca-la Sasuke ou ela vai se perder!

– inferno, por que diabos você a trouxe?!

– ora eu não podia larga-la no quarto!

– tsc.

– oh! Oh!

– porra – ele se levantou e seguiu atrás da bichana, torcendo pra que ninguém aparecesse e ela corresse, deu uma pequena corrida e a viu parar, Gisé parecia que ia apenas dar uma boa lambida no corpo e quando se entortou para tal, o viu, e encarou.

– você fique aí, coisa. – ela baixou o corpo, uma clara demonstração de que estava para sair correndo, o encarando fixamente, como Sakura fazia.

Ele tinha que parar de ficar comparando.

– fique aí garota, sério, sua mãe vai me encher o...

– Hey Sasuke! – gritou alguém atrás dele antes mesmo que se abaixasse para pega-la, ele próprios e espantou e irritou sem reconhecer o chamado de pronto, e a gata saiu em disparada, mais rápido do que se podia imaginar tendo aquela barriga redonda que ela tinha.

– puta que pariu!

Ele se virou pronto pra despejar uma tonelada de xingamentos e não soube se ficava feliz ou não de ser Naruto, brigar com algum estranho ou matar seu melhor amigo?

– vou te matar seu...

Eis a resposta...

– hey o que foi? Olha estive pensando, te dou um iate lindo que vi lá na marina, é perfeito cara...

– vá se foder seu idiota, para de tentar me enrolar e vem aqui agora! – o puxou pela camisa e arrastou pela areia buscando a maldita gata.

– mas o que diabos foi desta vez?!

– você me fez perde-la.

– huh?! Perder quem?! A vadia?

– vadia o cacete, seu pau no cu, a gata.

Naruto o seguiu ajeitando a roupa vendo-o marchar feito um louco a frente rasgando tudo e todos com um olhar mortal e tão frio quanto o ártico.

Não o via assim desde que eram adolescentes.

– que gata? – perguntou, cauteloso.

– a gata, a gata que eu trouxe.

– aquela coisa feia?!

– eu a perdi nesta porra de praia.

– e por diabos trouxe um gato pra praia?! Achou que era um cão?

– tsc, coisa da Sakura, ela não larga aquele bicho, mas é melhor que deixa-la sozinha.

– você não sabe nada sobre ela, não é?

– ainda.

– o que quer dizer?

O Uchiha lembrou-se então que ele era seu melhor amigo e com quem compartilhara seus maiores planos seja de vida ou de negócios, mas no momento, Naruto não merecia sua confiança, no momento, e talvez nunca, iria deixa-lo se meter em qualquer assunto em relação a sua noiva.

– quero dizer, ainda, apenas isso.

– tch, agora não confia em mim?

– por que deveria? Você invadiu minha vida como se fosse dono dela quando sabe que mais do que ninguém odeio que se metam nos meus assuntos.

– achei que fossemos amigos.

– achei que quando não te dissesse algo era porque não estava na hora, ou porque não achava que era da sua conta, e – ele parou, virando-se o encarou – que você fosse maduro o bastante para entender isso, afinal, não somos casados ou colados.

Naruto o fitou longamente, e Sasuke não gostou de seu silencio e avaliação, afinal, ele nunca fora o tipo de pensar muito antes de resolver algo.

O Uzumaki de repente olhou para além dele e apontou novamente com uma expressão meio enjoada.

– ali!

Sasuke girou sobre os calcanhares e avistou a gata sob os degraus de pedra, se banhando e não pensou duas vezes em correr, mesmo quando seus pés alcançaram a calçada e som dos chinelos foi alto, Gisé apenas se encolheu ronronando e ele a pegou.

– filha da mãe.

Ela girou em seu colo, já o abraçando e empurrando a cabeça contra seu queixo ronronando quase como se seduzisse.

– não canso de acha-lo feia. –Naruto disse com tédio.

– não enche – ele resmungou, dando a volta para a praia.

– oh, você a trouxe! – Sakura vibrou estendendo as mãos, ele não entregou a gata e apenas se sentou, deixando Gisé se deitar em seu peito e ronronar.

– ainda duvidou? – ele ironizou e ainda ousou acarinhar atrás das orelhas bem aquecidas da felina que amou, Sakura o encarou com olhos estreitos e bufou.

– babaca presunçoso – chiou e ouviu a gata ronronar alto, encarou-a feio também – e você sua traidora? Não pode ter um bom pedaço de homem perto e se amolece toda?!

– pedaço? Querida, eu estou inteiro – ele provocou, e ela o xingou e choramingou por ter lhe roubado sua gata.

Sasuke olhou em volta estreito, vendo que Naruto desaparecera em algum ponto enquanto ele voltava, e se perguntando o que exatamente isto queria dizer, ou se só estava tão arisco quanto Sakura.

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– chegamos – Sakura cantarolou, embora não totalmente feliz, fora difícil para ela abandonar as maravilhas do Spa. Principalmente as massagens nos pés.

Ela estava gostando até demais do massagista.

Ela caminhou até o sofá, e Sasuke via com bastante desgosto que agora ela usava sapatilhas, quando ele passara os últimos meses gritando com ela para parar de usar saltos, foi só um massagistazinho de sorriso fácil e mãos habilidosas dizer que precisava tomar cuidado que ela obedeceu.

Criatura irritante.

Ela deixou a gata sobre o sofá e ele se largou na poltrona.

– ao menos leve as malas pra cima, Sasuke – Sakura reclamou enquanto subia.

– pra isso eu tenho empregadas. – ele rebateu infantilmente.

– babaca preguiçoso.- ela continuou subindo e foi para o quarto, ansiosa pra liberar os pés e entrar embaixo do chuveiro.

Gisé seguiu para o colo dele e Sasuke não se importou de acarinhar atrás de suas orelhas, com o tempo, ele decidiu ir para o escritório e levou-a junto. Sentou-se à mesa e olhou alguns e-mails particulares posto que durante a viagem só atentara-se ao e-mail de trabalho. Não se surpreendeu muito de Naruto ter mandando fotos de um monte de veículos pelos quais pretendia trocar pelo quadro. Outro e-mail com ameaças da mãe dele desabafando toda a merda que achava e que ele nem leu até a segunda linha.

– doutor? – ouviu da porta onde a empregada o fitava com um olhar inseguro.

– hn?

– o senhor tem visitas... de novo.

Aquele de novo.

Ele não gostou, se levantou e seguiu-a até as escadas parando ali, apenas por segurança própria, ou talvez, das pessoas que estavam lá embaixo e o encarava, ele apertou a barra de ferro do corrimão.

Karin se levantou arrumando a bolsa e Hinata respirou profundamente enquanto Naruto continuava a encara-lo.

Sasuke se apoiou na barra, respirando fundo e umedecendo a boca de forma lenta.

– Sasu-... — Karin começou já reconhecendo tanto aquela expressão como o modo que seu corpo se portava.

– o que é isso pra vocês? Um hobby? Por que já é segunda viajem da qual volto e tenho que... lidar com vocês.

– Sasuke, ao menos nos escute. – Hinata proferiu, de maneira cautelosa.

– é a segunda viajem que parecem afim de estragar, estou cansando, minha mulher está cansada, e eu quero que saiam daqui agora. – ele prosseguiu, agora descendo e seguindo para estante onde pegou uma garrafa de Wisky e um copo começando a se servir, virou-se pra eles e reforçou sombriamente – agora.

As duas mulheres tremeram no lugar e Naruto continuou fitando-o de maneira silenciosa, como se o estudasse, e desta vez, Sasuke atentou a isso.

Não deixou passar, e tomou da bebida, a queimação que correu em sua garganta não diminuiu a ira que começava a subir.

– qual a historia da vez, Naruto?

– Sasuke, eu fiz algo, e não vou dizer que me arrependo por que hora ou outra você teria que lidar com suas ações e sentir as consequências dela.

– corte o papo de “eu sou seu melhor amigo”, não dou a mínima.

– porém eu vejo que talvez tenha exagerado, a gravidez é de risco, então eu devia ter atentando a isso...- Naruto suspirou.

Sasuke girou para sua direção, matando-o com o olhar sob á simples menção de Sakura lá em cima, em paz, talvez zangada ou mesmo alegre. Ela tentara fingir que não se importava a viajem toda, mas quando pegaram o voo de volta, Liza lhe entregara um presente e pedira que ela só abrisse quando chegasse em casa.

A gata ficara muito tentada a desobedecer até por que era uma gata má, mas ele não deixou e ela resolveu apenas ignorar, mas ele sabia que ela deveria ter subido e arrancado a caixa da mala e pinicado o papel de presente. Liza era uma mulher certeira com presentes, apenas um pouco tradicional clichê demais as vezes. Mas seja o que fosse que desse a Sakura, a gata gostaria mesmo que não admitisse. Liza era uma ótima observadora.

– você só pode estar brincando – sua voz soou um rosnado e as mulheres gemeram de medo temendo um novo confronto quando ele caminhou na direção do Uzumaki, tão impassível que Sasuke já estava o odiando ao dobro. Era imitando ele que Naruto pretendia derruba-lo? Ele devia saber que faze-los inverterem de papeis apenas o faria bater nele até cansar. Ele não dava conta de Sasuke no sério. Estava brincando com fogo.

Sempre esteve.

– você vem aqui, estraga mais uma vez a mínima paz que tenho ao chegar de uma viajem de negócios que por pura incompetência sua, eu tive de fazer...

– Sasuke por favor – Karin implorou, dolorosa ao ver a expressão do primo. Naruto não fora bem com os sócios, e não podia negar.

Ele não deu conta.

Era a pura verdade, e Sasuke estava mais do que afim de pisar nele com isso.

Naruto era ruim mas sempre esforçado. Era isso que mais lhe doía, quando Sasuke lhe apontava os erros e esquecia que apesar deles, Naruto havia dado o sangue para conseguir acertar, estar sempre ao lado dele, para acompanha-lo.

– então praticamente ameaça minha mulher e filho de novo?

Naruto umedeceu a boca desviando o olhar das armas negras que o Uchiha lhe apontava. Armas estas que ele não via tão bem engatilhadas para o mundo desde que eram mais novos, adolescentes. E começou a ter certeza de que fora sim, um erro se envolver mais naquilo. Valia mesmo a pena perder sua amizade com ele por causa daquela situação?

Por que estava vendo em seus olhos que era isso que estava acontecendo, momentos, risos e gritos, tudo ruindo a cada golpe que os dois lançavam um contra o outro, a muralha que Sasuke mantinha sempre ao redor de si aumentando cada vez mais, prendendo a si mesmo, e agora, aquela “família” dentro dela.

Mas, foi tarde demais para que pudesse tentar acalmar o amigo e principalmente, contornar a situação que ele mesmo criara de algum modo.

A porta se abrira de forma quase violenta e duas tempestades de gelo adentraram-na.

Mikoto e Itachi Uchiha invadiram o local como se fossem donos dele, e agir como se fossem sempre donos, reis e maiores que tudo era a característica mais perigosas deles, naquele momento.

– aí está ele – o Uchiha mais velho disse.

– o que pensa que está fazendo, Sasuke Uchiha?! Casar-se com uma vagabunda?! Nunca! – a matriarca vociferou parando diante do filho mais novo e sem pestanejar, desferindo lhe uma bofetada no rosto. – nem sob pena de morte! entendeu?! — Sasuke deixou o copo cair no tapete e aquela expressão vazia encoberta de fios negros agitados se formou.

Aquela expressão era dolorosa do Uzumaki assistir, pois Mikoto nunca se importava de faze-la aparecer desde que os filhos se tornassem o que lhe era necessário. Ele nunca aprovara aquele método e pra ele trouxe mais males que bens principalmente ao mais novo.

Mas pelo menos agora, Sasuke precisava que alguém pusesse ordem em sua cabeça teimosa, e Mikoto tinha a força e dureza para tal.

Ao menos.

Foi o que ele achou.

Antes de ver a expressão que tomava o rosto de seu amigo, quando ele virou a face de volta para a mãe.

Sasuke sorria.

Sua face parecia ter enrijecido naquela forma, ele levou o gargalho até a boca e tomou um gole longo, a bebida escorreu por seu queixo e ele limpou com a manga da roupa e então afrouxou a gravata voltando a encarar a mãe, se aproximou dela e o fitou com aquele sorriso maldoso, quase doentio.

– pena de morte? Interessante, então diga-me, Mikoto – murmurou – quem eu tenho que matar, pra mostrar o quanto não dou a mínima pra vocês?

Sob o olhar assombrado da mãe, ele se voltou para a escada e encarou Sakura e então todos a viram lá. Mas ela apenas encarava a ele.

– vá para o quarto.- ele decretou.

Sakura suprimiu um soluço do fundo da garganta, tremula e agarrada a Gisé, ela retomou a postura submissa que talvez, jamais devesse ter abandonado independentemente de qual dono tinha.

Continuava sendo um dono.

Ela deu as costas mantendo o queixo levantando e seguiu de volta ao quarto. Sentou-se na cama, e olhou para o embrulho aberto ao lado.

Dentro de uma caixa branca de laço negro havia uma camisola branquíssima, de um tecido fluido e confortável, folgada na barriga e muito delicada, e além dela uma macacão de bebê do mesmo tipo de material, sapatinhos, gorro e uma manta grande e fofa com um laço em tom dourado leve.

A primeira roupa que seu filho tinha a partir de agora.

Mas de que importava? Os titãs lá embaixo só se importavam de pisar e arrancar a razão uns dos outros, como se fossem vísceras, e era isso que ele queria, podia ver naquele olhar sádico, insano. E ela era pequena demais para fazer algo além de se encolher e chorar.

E temer. Por que seja o que for que aquela luta resultasse, iria recair sobre ela, direta ou indiretamente.

A não ser, que fosse embora dali.

Antes que fosse tarde.

“...É frio e sem amor...”

Notas finais
E só piora...