Undisclosed Desires
1 Prólogo
Notas iniciais
Ela olhava para o relógio. Sentia o seu tique-taque ao ritmo do próprio batimento cardíaco, num compasso um tanto ansioso. O tempo escasseava, ela tinha essa noção.
Fixou as malas, já prontas e fechadas. Não faltava muito, e esse muito era tão pouco.
A campainha despertou-a, e correu até ao andar de baixo, ao mesmo tempo que limpava as finas lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Não queria partir, era uma certeza.
A mãe já tinha aberto a porta, e nela encontrava-se Eric, olhando-a com o meu rosto triste que ela também tinha. Os braços dele abriram-se para que ela pudesse correr para eles. Um vazio corria em ambos corpos, já sentiam a perderem-se mutuamente, e ainda nem se tinham separado.
- Vamos até lá cima? – Pediu a Eric. Queria um momento, apenas eles os dois.
Subiram, ignorando que eram observados por Amélia. Sentaram-se sobre a cama de Marie, encarando-se sem uma única palavra. Apenas ouvindo as suas respirações, demasiado calmas, demasiado assustadas.
- Bem, é isto?
- O que Eric?
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Eric.
- O Adeus. – Disse secamente. – Marie, eu preciso de te confessar algo.
- Também eu Eric.
- Eu amo-te Marie. Não como amiga apenas, eu amo-te por tudo e algo mais.
Marie pegou no seu rosto, e beijou-o apaixonamente. Eric afastou-a, incerto de que era isso que desejava.
- Marie, por favor, isto não é mais um dos nossos jogos.
- Eric, eu sei. Eu sei que já ficamos juntos só por ficar, mas por favor fica comigo agora, porque nos amamos. Por talvez, seja a última vez.
Eric não respondeu. Beijou-a de novo, e os corpos moveram-se em gestos fugosos, repletos de desejos. Não tardou muito em que as suas roupas se espalham-se pelo chão daquele quarto, e os seus corpos se unissem pela primeira vez. A primeira vez de Marie.
Eric olhou para ela, já fora da casa, passando a mão pelo seu rosto.
- Adeus Marie, não te esqueças nunca: eu amo-te.
- Eu amo-te Eric.
Os melhores amigos beijaram-se pela última vez. Era o adeus a Eric, a tudo. Aos amigos, a casa, a cidade. Era o adeus a Londres, e um novo início bem longe de tudo aquilo, em Nova Iorque.
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