Underworld - O Fim
7 Capítulo 4
Notas iniciais
*Rosie*
Cerca de duas horas depois, ainda não temos notícias do estado de Cloe. As crianças estão tristes, as menores chorando. Foi um grande desespero se parar pra pensar.
— Vou subir pra ver se ela está bem. — digo a Kristen.
Ela apenas balança a cabeça em sinal positivo.
Enquanto o elevador sobe, lembro de Alec. Talvez tenha sido rígida demais com ele. É verdade sim o que disse, mas as palavras poderiam ser menos ríspidas. Lembro então da sua face quando Cloe chegou. Ele estava assustado, mas parando para rever a cena agora, ele estava triste. Como se agora tivesse visto o lado real da situação, a grama menos verde. O grande choque de realidade.
Ao sair do elevador, chego a recepção, para saber mais sobre Cloe.
— Cloe Evans, por favor?
— Ela está no quarto 104 — a enfermeira diz sem nem me olhar.
— Obrigada.
Ao virar no corredor onde o quarto dela se encontra, a surpresa. Alec está de pé na janela, observando atentamente.
Passando por ele, que me olha apreensivo, dou um pequeno sorriso e caminho até a cama de Cloe. Ela está dormindo e o médico está terminando as anotações do prontuário.
— Rosie, parabéns pelo atendimento. Foi excepcional. — Doutor Ross diz enquanto caminha até a porta.
— Obrigada doutor. — digo com um leve sorriso.
— Você realmente tem a vocação para a medicina — ele me devolve o sorriso e sai.
É gratificante saber que meu trabalho está sendo reconhecido. Em momento algum tive dúvida de que queria cursar medicina, e opiniões como a do doutor Ross, me instigam muito mais, o que me lembra que preciso levar o atestado até a faculdade, para poder reingressar e repor do período que saí.
Olho o monitor apenas por precaução e vejo que Cloe está estável. Olho pela janela e Alec ainda está lá, mas agora olha para mim.
— Como ela está? — ele diz preocupado assim que saio do quarto.
— Estável. O pior já passou. — dou um leve sorriso esperando que isso o acalme.
— O que ela tem?
— Câncer no pulmão. Ela está aqui desde antes de eu começar a trabalhar aqui.
— Deveria estar curada não? — ele diz com preocupação — Depois de tanto tempo? — ele completa.
— O câncer dela é um tipo um pouco mais raro. A nossa quimioterapia sozinha infelizmente não dá conta.
— O que ajudaria?
— Uma substância que é cara. O governo não cede, mesmo com a decisão judicial. A família dela não consegue pagar, então continuamos o tratamento e esperamos que em algum momento, ela reaja muito bem a quimio.
— Entendo. — ele olha para o chão e encosta na parede.
— Olha — começo a dizer, sem jeito para continuar. — creio que fui muito ríspida com você mais cedo. Peço desculpas por isso. É só que...
— Tudo bem, não tem que se preocupar...
— Eu me sinto responsável por essas vidas — o interrompo — é um fardo grande, mas o carrego e luto por cada um.
— Foi um erro ter vindo pra cá.
— Não acho. — olho para ele que levanta a cabeça confuso — acho que o erro está em como você veio pra cá.
Ele olha novamente para o chão, talvez tentando entender o que falei. Olho para o meu relógio e vejo que está próximo da hora que marquei com a administração da faculdade para tratar do meu retorno.
— Eu preciso ir embora.
— Já terminou o turno? — ele diz confuso, como se pra ele, o tempo tivesse passado extremamente rápido.
— Na verdade não, mas preciso resolver a questão da minha faculdade.
— Faz faculdade? De quê?
— Quero me formar para medicina.
— Faz sentido — e então ele esboça um sorriso, o qual eu retorno.
— Bom, até mais. — digo e ele apenas me dá um leve sorriso.
Volto então para a ala, pego minhas coisas e vejo que Kristen está com as crianças, que agora estão mais calmas.
Escrevo um bilhete, dizendo que Cloe está melhor e então vou para o carro. Quando entro no carro, vejo que estou ansiosa, coração acelerado. Se tudo correr bem, na semana que vem, estou de volta a minha faculdade.
***
Ao chegar em casa, meu pai está sentado no sofá, assistindo tv e Zoe está deitada em seu colo, dormindo. Essa é uma cena que esperei ver por anos.
— Oi pai. — chego por trás e coloco as mãos em seus ombros.
Ele não responde, mas dá um sorriso e faz sinal para que eu fique calada, fazendo o mínimo de barulho e apenas gesticula com a boca "Minha menininha está dormindo".
Dou uma risada silenciosa e sigo para o meu quarto. Foi um dia cansativo, de surpresas. A maior, foi ver que Alec estava realmente preocupado sobre Cloe.
Quero dizer, ele poderia simplesmente ir embora e deixar tudo aquilo pra trás, mas no fim, ele estava na janela do quarto dela, olhando, esperando que não fosse nada demais.
Como parte da curiosidade, entro no google e pesquiso "Alec Scott". Wikipedia não é muito confiável, mas apenas para saber um pouco sobre ele vale.
Descubro que quando criança foi modelo e ator. Já na adolescência, passou a se dedicar apenas as câmeras. Olho para o canto da tela, onde constam alguns dados base. A cidade de nascimento e a idade. Ele tem a minha idade. E não sei ao certo o que penso disso. Idades iguais, vidas totalmente diferentes. Porém naquele momento do lado de fora do quarto de Cloe, ele parecia tão cansado quanto eu, como se por um momento, alguém tivesse roubado a sua juventude. Como se de repente ele questionasse o que estava fazendo da sua vida. Talvez um jovem cansado. E talvez ele realmente estivesse sobrecarregado, pelo menos sentindo o peso de tudo naquele momento.
De repente, não somos tão diferentes. Mesma idade, muitas responsabilidades desde cedo.
Agora, tudo o que quero é descansar. Depois do banho, o plano é escutar uma música, coisa que não faço a muito tempo, e dormir. Mas então olho a tela do notebook e a biografia do Alec está aberta. Então lembro da Zoe falando sobre o filme que ela tanto ama, em que Alec é protagonista. Meus planos agora vão por água baixo, pois decido, por curiosidade, ver o filme.
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