Undertale - True Reset
20 Lembranças Parte 2 – Seguindo meu caminho.
Notas iniciais
[Sans]
Eu sabia que aquilo era um sonho, mas havia tanto tempo que eu só estava imenso em pesadelos, onde eu via todos morrendo, com um enorme sentimento de traição, ou como os ultimamente, onde sonhava que ela nunca me aceitaria, ou como o da noite anterior, onde eu sonhei que ela morria para sempre.
Esse era um sonho diferente, realmente podia ser chamado de sonho, estávamos nós 3, Frisk, Papyrus e eu, vivendo como uma família, estávamos vivendo felizes, em um lugar fresco, não era Snowdin, era na Superfície.
Andávamos de mãos dadas por um jardim, o nosso jardim, ela me olhava de um jeito feliz, nos sentamos em um banco abaixo de uma arvore, o tempo estava fresco, e eu gostava disso.
Ela segurou a minha mão e disse:
— Sans... depois de todo esse tempo, você realmente me perdoou?
— Minha pequena... eu não tenho o que perdoar... Nossa vida não poderia ser mais perfeita.
Ela me olhou com aqueles olhos verdes atentos, olhos que eu mal podia ver quando ela sorria, mas ela estava séria, talvez até preocupada. Ela colocou as mãos ao redor do meu rosto, de forma que ela me fazia olhar em seus olhos, sem poder desviar.
— Sans... Eu preciso que você se lembre...
Foi como se as mãos dela me dessem pequenos choques, flashes de imagens passaram pela minha mente, tudo muito confuso, todas as imagens eram relacionadas a Frisk, mas umas eram felizes, outras tristes, tudo muito confuso.
— Frisk... isso é real?
— O que? Suas lembranças ou nós aqui?
— Nós, aqui...
— Infelizmente não... Seu inconsciente e sua magia tem tentado me alcançar, mas para que você consiga me ajudar, você precisa se lembrar de tudo. Eu só não sei dizer se na verdade, eu sou uma projeção dela tentando te alcançar, ou se sou uma projeção dos seus desejos...
— Eu quero fazer de tudo para te ajudar...
A imagem começou a se desfazer, e logo em seguida, eu estava em minha cama.
Fui imediatamente até o quarto dela, ela estava na mesma, Papyrus estava adormecido em uma cadeira ao lado dela, segurando sua mão. Ele também se preocupava muito com ela.
Acordei Papyrus e o mandei para seu quarto, assumindo o lugar ao lado dela, eu nunca a abandonaria de novo.
— Eu vou te ajudar... eu vou me lembrar de tudo...
[Frisk]
Logo depois conheci Papyrus, ele apareceu de repente com sua voz estridente dando broncas e mais broncas no Sans, que respondia com piadas, Papyrus era muito mais alto do que Sans, talvez quase da altura de Toriel. Eu que havia sido escondida atrás de uma luminária por Sans, pude escutar toda a conversa entre os dois irmãos. Papyrus usava uma roupa estranha, como se fosse um uniforme de super-herói ou algo do tipo, com um lenço vermelho ao redor do pescoço, que caía em suas costas como uma capa. Depois de todas as broncas e piadas, Papyrus seguiu seu caminho, me deixando novamente com Sans.
Minha jornada continuou, cheia de brincadeiras, armadilhas e quebra-cabeças criadas por Papyrus, com a finalidade de me parar ou capturar, mas ao contrário disso, isso só tornava o caminho mais leve e divertido, ele podia não ter percebido, mas ele me incentivava a continuar mais e mais. Papyrus era um esqueleto cheio de charme, sempre divertido, e até me ajudava em seus próprios quebra-cabeças, isso me enchia de alegria, ele as vezes tentava soar ameaçador, mas eu não conseguia sentir medo dele.
Os monstros dessa região não eram muito diferentes dos das ruínas, em pouco tempo, ao longo do caminho, fiz amizade com todos, evitando sempre a violência. Rir das piadas do Snowdrake, que conseguiam ser piores do que as do Sans, brincar com todos os cachorros, ignorando o Ice Cap, e vendo ele ficar furioso por eu não dar atenção ao seu chapéu, que realmente chamava muita atenção. Eu ajudei um Gyftrot a limpar seus chifres de incômodos enfeites, que crianças muito travessas tinham colocado. Jerry com seu jeito tsundere, parecia sempre estar por perto, quem eu via sempre por perto, também era Flowey. Encontrei um boneco de neve, que me pediu para levar um pedaço dele durante minha jornada, o coloquei em minha mochila, e achei engraçado, que o pedaço nunca derretia.
Enquanto eu viajava pela área, eu morri algumas vezes, e a cada morte eu aprendia a usar melhor a minha habilidade de save.
Logo me deparei com a simpática cidade de Snowdin, onde fui muito bem recebida, explorei o lugar, conversei com os moradores, conheci o hotel e a Bliblioteca, sim, eu sei que está errado, mas era assim que estava escrito na placa, eu tinha que fazer um esforço para falar o nome errado corretamente. Onde aprendi muitas coisas sobres os monstros, já que possuía um acervo maior do que o da casa de Toriel.
Passei um ano em Snowdin, dormindo no hotel, onde a dona resolveu me deixar de graça, desde que eu ajudasse com as tarefas do hotel. Papyrus tentou me capturar uma centena de vezes, onde ele me mostrou seu ataque especial, deixando minha alma azul, aumentando o peso da gravidade sobre mim, dificultando meus movimentos, ele me derrotou diversas vezes, nunca me matava, mas sempre que ele me “capturava” eu fugia de sua garagem. Ficamos nesse ciclo por meses, até que ele desistiu, ele me chamou para um encontro, que não deu em nada, mas ganhei sua amizade.
Quem eu me aproximei muito foi de Sans, vivíamos boa parte dos dias na companhia um do outro, entre seus atalhos, idas ao Grillby’s, eu comecei a me sentir atraída por ele, mas por um tempo, eu mantive isso em segredo, afinal, eu era apenas uma humana.
Sans decidiu me acompanhar, quando eu disse que era hora de seguir em frente, ele me acompanhou por Waterfall, que era um lugar lindo, Sans me salvou das investidas de Undyne, me deixando fora de perigo. Sans tinha conversas comigo, conversas sobre anomalias temporais, que eu não entendia muito bem, mas pareciam se referir a minha habilidade, mas como eu não havia contado para ninguém, e ninguém lembrava toda vez que eu carregava um save. Ele parecia diferente de todos os outros monstros, seu jeito perceptivo e misterioso ia me cativando, aos poucos fui percebendo que eu estava perdidamente apaixonada por ele.
O dia do meu aniversário de 18 anos chegou e Sans me levou para conhecer uns lugares bonitos em Waterfall, eu havia percebido que podia falar novamente, mas eu me mantive em silêncio, pois o que eu queria falar, tinha que ser dito na hora certa.
Estávamos andando, quando Sans me disse que tinha um lugar muito bonito que ele queria me mostrar, se tratava de uma espécie de corredor, cercado de água, cheio de flores eco nas bordas, e o teto, extremamente brilhante, parecia realmente o céu estrelado.
Ver aquela cena, me encheu de determinação, tomei coragem e puxei a mão de Sans, chamando sua atenção, ele logo me perguntou:
— Fale pequena
— Eu queria te falar uma coisa — Eu comecei a sentir minhas bochechas queimarem.
— Nossa! Eu nunca tinha escutado a sua voz.
— Ela é estranha? — Eu definitivamente devia estar muito corada, agradeci mentalmente por estar um pouco escuro.
— Não! De maneira nenhuma, ela é bonita. — Eu podia jurar que ele estava com as bochechas com um leve tom de azul.
— Não fala assim, eu fico envergonhada... eu acho que superei o trauma, e por isso voltei a falar...
— Isso é uma boa coisa, mas diga, o que você queria? — Esse sorriu e se aproximou.
— Eu queria dizer isso sob as estrelas da superfície, mas não sei quanto tempo isso vai levar... então quero dizer sob essas estrelas encravadas nessas pedras... — Eu tomei mais coragem.
— O que você quer dizer? — Ele parecia confuso.
— Eu acho que te amo... — Eu queria esconder o meu rosto, estava me preparando para a reação dele.
— C-Como assim? Me ama? — Ele estava claramente espantado, agora, claramente suas bochechas estavam azuis.
— Sim! Eu te amo, esse ano que passamos nos conhecendo, me fez sentir algo muito especial. Eu só queria dizer isso... você tem me dado motivos para continuar essa jornada.
Sans parou de andar por um momento, me virando de frente para ele.
— Eu achava que era o único que tinha desenvolvido sentimentos nesses anos... eu nunca disse nada, pois pensei que você só me via como um grande amigo, só mais um dos maravilhosos amigos que você tem feito por aqui.
— Você nunca foi só mais um... você é o mais importante... — Escutar aquilo, me encheu de alegria e determinação.
— Er... eu também te amo minha pequena.
Sans se aproximou e me deu um beijo terno, meu primeiro beijo, era tão cheio de sentimento e significado, eu me senti feliz como nunca antes, minha jornada valia a pena, por meus amigos, por Sans, eu iria quebrar a barreira.
Continuamos andando até que achamos um lugar onde descansaríamos, igualmente bonito, tinha uma grama um pouco mais alta, o que serviria bem de cama. Quando estávamos deitados, Sans disse:
— Ei... Pirralha... Você sabe como são as estrelas? As de verdade?
— Sim... — Respondi. — Elas são como essas, só que mais brilhantes e muito distantes. Elas sempre estiveram lá no céu, desde o início de tudo, e estarão lá mesmo depois que tudo acabar. — Eu senti lágrimas aparecerem em meu rosto, eu lembrava de como eram as estrelas de verdade, eu queria vê-las novamente, queria mostrá-las para Sans. — Eu, meio que sinto falta delas.
Sans não disse nada, somente me abraçou, me confortando, acho que ele imaginava como eu me sentia, apesar de nunca ter contado minha história.
— Mas... eu não preciso delas... — Eu disse, surpreendendo Sans. — Eu tenho você, que tem sido minha estrela e minha determinação durante todo esse tempo.
Eu vi seus olhos se encherem de lágrimas, ele me abraçou ainda mais forte, eu pude sentir a alma dele, sua magia nos envolvendo.
— Muito obrigado, minha pequena, eu serei a melhor estrela da sua vida.
E essa foi a primeira noite que dormimos abraçados, eu me senti tão segura, tão feliz.
No dia seguinte continuamos nossa jornada, por incrível que pareça, dizer o que sentíamos deixou o clima mais leve, tinha mais risadas, mais piadas. Conheci o Woshua, que insistiu em nos limpar, Sans dispensou, eu agradeci e aceitei, Sans ficava corado só de imaginar que para Woshua me limpar eu teria que tirar a roupa, na verdade nem foi preciso, Woshua me limpou, mesmo eu usando minhas roupas sujas, aproveitei uma moura de grama alta para me trocar, pegando uma roupa de minha mochila, e então seguimos viagem. Sans teve um acesso de ciúmes com Aaron se exibindo para mim, tive que impedi-lo de machucar o pobre monstro umas 3 vezes, ele também ficou de plateia quando eu cantei com a Shyren, e ele se deu muito bem com os Temmies, apesar de eu ainda não saber se eles são uma espécie de cachorros, quando eu perguntei, eles me responderam que são apenas “Temmies”. Conhecemos a Onionsan, que parecia bem confusa com seus sentimentos sobre a piscina onde viva, mas extremamente simpática. Muitos monstros conheciam Sans, e o cumprimentavam quando passavam por nós, acredito que a companhia dele, fez com que me atacassem menos.
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