Notas iniciais
Olááááás meus Amores! Como prometido, mais um capítulo de True Reset... Antes da primeira semana de Abril E dessa vez pelo ponto de vista do Sans! Devo adiantar que teremos alguns capítulos do ponto de vista do Sans... Espero que gostem! Me digam o que acharem... Essa fic flopou lindamente aqui no Nyah. Eu quero saber o que vocês estão gostando, o que não estão gostando, não to pedindo comentários, só quero saber o que mantém vocês motivados a continuar acompanhando ou o que fez vocês abandonarem. Bom, vamos ao capítulo!

[Sans]

Chegando na saída de Snowdin, vimos uma figura parada na neblina, vindo em nossa direção, eu segurei a mão de Frisk, mas logo em seguida reconheci a silhueta, meu coração quase parou, pois eu sabia que de todas as possibilidades, nenhuma estava ao meu favor.

— Sans! Que bom que te encontrei! — O olhar de Rachel foi de mim diretamente para a minha mão, quando ela notou que eu estava segurando a mão de Frisk, juro que vi uma faísca de ciúmes sair do seu olhar, e sabia que isso ia dar merda. — Não te encontrei na sua cabine de vigia hoje, pensei em jantarmos no Grillby’s.

Eu fiquei sem resposta, realmente na festa eu tinha dito que sairíamos, mas foi totalmente na intenção de que ela parasse de me fazer perguntas.

— Rachel... Eu to um pouco atrasado hoje...

— Desculpe, mas será que eu poderia falar um pouco contigo? Em particular? — Ela disse olhando diretamente para Frisk, de uma maneira desafiadora.

Eu dei o meu melhor olhar confiante para Frisk, tentando dizer sem palavras que não havia nada com que ela pudesse se preocupar, mas eu vi que algo a entristecia. Soltei sua mão e fui com Rachel uns passos.

— Então era para isso que teve aquela festa de despedida e tudo mais? Vão entregar ela para a Undyne?

— Não, estamos levando ela até o castelo do Rei. Ela tem algo para conversar com ele.

— Não precisa mentir para mim, pois você sabe que não sou como os outros monstros. Vocês querem a recompensa né?

— Mas do que diabos você está falando? — Eu não entendia o que ela queria dizer, nem onde ela queria chegar, mas esse jeito dela querendo ser mais íntima do que realmente era, estava me irritando.

— Undyne disse que o Rei autorizou a ela oferecer uma recompensa para quem levasse a humana até ela.

— Eu não estou sabendo de recompensa nenhuma, e além do mais, eu não trocaria uma amiga nem por todo ouro do mundo.

— Então ela é sua amiga!

— Lógico! Praticamente da família. Por que a pergunta?

Ela se aproximou de uma maneira sugestiva, eu sabia que provavelmente Frisk iria ver isso e eu teria problemas. Pois ela poderia fazer outra loucura como da outra vez.

— É que eu queria saber se eu teria motivos para ficar com ciúmes dela, afinal, você tem parecido bem próximo a ela, tem até evitado encontrar comigo.

— Que eu saiba, não tenho nenhum tipo de compromisso, eu deixei isso bem claro, desde a primeira vez que nos envolvemos, logo, não te devo nenhum tipo de satisfação desse tipo.

— Não precisa ser grosso dessa maneira.

— Me desculpe, mas é que você sabe como me irrita quando alguém quer se meter na minha vida.

Ela me abraçou, e não consegui deixar de evitar sentir o perfume dos seus pelos, e lembrei o quanto ela despertava a minha luxúria.

— Eu que peço desculpas, não queria me intrometer assim, é que você nunca mais me procurou, eu senti sua falta.

— Eu estive cheio de problemas e sendo franco, ainda estou. Não tive tempo para me divertir, apesar de estar precisando, e não é porque não me sinto atraído por você, é que realmente tive coisas mais importantes para resolver.

— Então promete que irá me ver quando resolver seus problemas?

— Você sabe que eu odeio promessas.

— Desculpe.

— Eu irei, assim que puder.

Ela me abraçou com um sorriso no rosto, não era mentira que eu me sentia atraído por ela, mas não era nada comparado ao que eu sentia por Frisk. Eu não podia me declarar, pois não queria que ela se sentisse presa por mim, se ela quer tanto voltar para a superfície, então eu iria ajudar, e se ela conseguisse quebrar a barreira, talvez, eu reunisse a coragem necessária para expor meus reais sentimentos.

Depois desse abraço, eu voltei para junto de Frisk e Papyrus, ela estava sentada com os pés na água, enquanto Papyrus tinha uma mão sobre seu ombro, provavelmente ela ficou chateada com alguma coisa, eu temia que eu fosse a causa disso. Ela me olhou, com um olhar, e como se fosse pedir para que eu não a acompanhasse, antes que ela dissesse alguma coisa, eu me adiantei:

— Nem me olhe com essa cara pirralha! Eu prometi te acompanhar, e é isso que farei. Você vai chegar no castelo do Rei em segurança.

— Okay... muito obrigada pela companhia.

Pouco mais a frente avistamos Undyne, que segundo Papyrus já deveria ter se recolhido, pois seu turno de patrulha já deveria ter terminado.

— Estranho ela estar por aqui, bem, vou distraí-la e vocês se escondam.

— Tudo bem. — Eu disse ao mesmo tempo do que Frisk.

Eu nos teleportei para uma moita, onde nos escondemos, enquanto Papyrus conversava com Undyne.

A conversa entre Papyrus e Undyne era bem tensa, eu sabia o quanto o meu irmão odiava mentir, sabia que ele odiava tanto quanto eu odiava promessas, e se ele estava mentindo, era porque não havia nenhuma outra alternativa. Nada parecia convencê-la, até o momento em que ela parece ter desistido de ter a ajuda de alguém e seguir por conta própria. Papyrus tentou dissuadi-la, mas parecia impossível, então ele entrou em seu jogo, a chamando para nossa casa, para passar mais detalhes, provavelmente para nos ganhar algum tempo. Quando estava se preparando para seguir Papyrus, Undyne de repente olhou em nossa direção, eu não podia nos teletransportar, pois isso chamaria sua atenção, então tentei nos esconder o máximo possível, eu percebi que Frisk estava paralisada e tremendo, decidi segurar sua mão, sua tensão me deixava agoniado, não sei se suportaria vê-la sendo capturada e talvez morta. Undyne materializou uma lança, olhando em nossa direção e se aproximando, eu estava me preparando para teleportar assim que possível, ela parecia que iria atacar a qualquer momento, mas ela parecia confusa, desfez a lança e seguiu caminho, como se tivesse constatado que tudo foi um engano.

Frisk chorava, quieta à sua maneira, mas eu via as lágrimas escorrendo por seu rosto, quando eu fui tentar secá-las, ela virou em minha direção e disse:

— Isso nunca vai acabar né? Não há esperança para mim...

Eu não pude resistir, eu a abracei, tudo que eu queria era protegê-la.

— Se você quiser... podemos voltar para Snowdin, lá todos te conhecem, você teria uma vida pacífica lá. Você teria uma casa e uma família.

— Sans... Eu sempre vou amar vocês todos pelo o que fizeram por mim, mas eu tenho que continuar a minha jornada, eu quero... Se eu voltasse para Snowdin, eu estaria me acovardando. Eu estaria aceitando o fato de que eu teria que viver escondida...

— Frisk... as vezes tá tudo bem sentir medo... as vezes tá tudo bem querer se preservar... nem tudo na vida é sacrifício...

Eu a olhava nos olhos, eu queria dizer que eu também sentia medo, que eu não queria que isso terminasse mal, lembranças da outra linha do tempo vieram a minha mente. Lembrei de como fiquei quando ela se entregou para o rei, não consigo imaginar como eu reagiria, caso acontecesse novamente. Eu tinha que incentivá-la a seguir em frente, ela parecia ter assuntos inacabados na superfície, e como ela mesmo disse, ela faria de tudo para nos libertar, talvez ela trouxesse a alma restante, apesar de duvidar muito, uma vez que ela era incapaz de ferir uma mosca. Eu admitia que ela era a esperança de todos os monstros aqui. Mas eu não sei se viveria feliz, sabendo que minha liberdade custou a sua vida.

Eu tentei espantar meus pensamentos tristes, mudando de assunto.

— Vamos pirralha, agora a barra já está limpa.

Seguimos andando, eu percebi que me mantinha segurando a mão dela, sua mão era morna, aconchegante, eu não queria soltar, eu queria, bem, não importa o que eu queria, eu a protegeria como alguém da família, a protegeria como protejo o Papyrus.

Pouco mais a frente encontramos agua corrente, e uma ponte de flores, Frisk parecia não gostar da ideia de atravessar a ponte de flores, mesmo sabendo que eu nunca a colocaria em perigo, ela parecia estar com medo.

— O que foi? Está com medo?

— É que... isso não me parece seguro.

— Confie em mim, eu te colocaria em perigo?

— Eu sei que nunca me deixaria em perigo, não por vontade própria.

Frisk fez uma cara assustada, como se ela tivesse escutado algo que ela não esperava, será que ela ainda tinha alguma ligação com aquele espírito que a possuiu? Logo em seguida ela pegou a minha mão e atravessamos a ponte de flores. Pouco adiante, encontramos um monstro, ele viu Frisk e logo se aproximou para se exibir, não pude negar que eu estava fervendo de ciúmes.

Eu a levei até meu lugar especial, um lugar que acho que nenhum outro monstro descobriu, era uma caverna aconchegante, onde eu coloquei um banco, era um ótimo lugar para ficar sozinho, eu gostei de dividir esse local com ela, ela pareceu feliz em saber que eu confiava nela a ponto de dividir minhas preferências. Eu senti a proximidade dela, aquele lugar, nós dois sozinhos, eu lembrei de como ela estava naquele dia em que estava bêbada, eu queria tanto beijá-la agora que está sóbria, mas provavelmente ela não iria querer a mesma coisa, justamente por estar sóbria, ela percebeu minha aproximação, pois suas bochechas ficaram vermelhas, algo em mim sentiu satisfação em ver essa cena.

— Er... melhor a gente ir em frente, não queremos que nenhuma dificuldade nos alcance. — Ela parecia desconcertada, tentando impedir meu avanço. Onde eu estava com a cabeça?

— Sim, claro. Você tem razão.

Seguimos andando em silêncio até que o meu telefone tocou, era Papyrus.

— É o Papyrus.

— Acho melhor atender, pode ser importante.

Atendi o telefone e imediatamente escutei a voz do meu irmão:

— SANS! UNDYNE ESTÁ AQUI EM CASA, ELA QUER QUE EU DÊ DETALHES DE COMO A HUMANA SAIU DAQUI, EU NÃO SEI O QUE FAZER, ELA FOI NO BANHEIRO, TO APROVEITANDO ESSE TEMPO, ME AJUDA!

— Entendo, diga para ela que ela deixou Snowdin sozinha.

— MAS ELA NÃO SAIU SOZINHA, ELA SAIU CONOSCO. E SE ALGUÉM EM SNOWDIN NOS DESMENTIR? ELA TAMBÉM QUER SABER O QUE ELA ESTAVA VESTINDO.

— Hum... entendo, diga que foi o que você viu, diga que ela estava usando um vestido e laço no cabelo.

— MAS SANS! SE ELA DESCOBRIR QUE ESTOU MENTINDO, EU NUNCA VOU ENTRAR PRA GUARDA REAL. EU NÃO GOSTO DE MENTIR.

— Eu sei que você não quer mentir, mas isso é importante, pelo menos até acertarmos essa situação.

— TUDO BEM, VOCÊ TEM RAZÃO, É IMPORTANTE PARA A SEGURANÇA DA HUMANA. ESPERO QUE ELA NÃO DESCUBRA QUE ESTOU MENTINDO.

— Se ela falar que você está mentindo, é só justificar que foi como você a viu, que ela podia muito bem ter trocado de roupa, para dificultar sua identificação.

— Sans deixou Papyrus falar mais um pouco.

— Hum, diga a ela que estarei na cabine de vigia da entrada de Waterfall.

Depois de Papyrus dizer mais alguma coisa, Sans desligou.

— Então, o que foi?

— Undyne quer saber mais sobre você, estamos tentando despistar, mas sei que vai ser difícil. Ela é inteligente e implacável, mas vamos dar um jeito. Eu preciso me apresentar nas cabines de vigia, então você vai me esperar bem aqui, entendeu?

— Entendi.

Eu sorri, sabia que resolveria rápido a situação e logo voltaria, teletransportei para a cabine de vigia, onde fiquei horas esperando Undyne aparecer, mas ela não apareceu, o que era muito estranho. Depois de muito tempo sem nem sinal de Undyne, eu decidi sair daquele lugar, fui até a casa de Undyne, ela não estava em casa. Um sentimento de perigo me atingiu, se Undyne não estava em nenhum desses lugares, ela só poderia estar caçando a Frisk. Me lembrei de quando eu me ofereci para nos teletransportar diretamente para o castelo do Rei e ela negou dizendo que queria fazer o caminho por si mesma, para assim conhecer os monstros e mostrar que não queria lhes fazer mal. Eu não deveria ter aceito isso, pois sabia que ela ficaria em perigo.

Me teletransportei de volta para o local onde eu tinha pedido para que me esperasse, e me deparei com o local vazio, eu me desesperei, saí andando procurando por ela, ela tinha que estar a salvo. Eu não a encontrei, um medo começava a me preencher, não era possível que eu tinha falhado na minha função de protegê-la, que eu tinha falhado não só com a promessa que fiz, mas comigo mesmo.

Pouco adiante eu passei por uma flor eco, a qual me entregou uma mensagem

“Sans, decidi seguir caminho, me encontre mais a frente.”

Ah pirralha... ela se meteria em confusão, e eu não estaria perto para protege-la.

Saí me teletransportando para todos os lugares que eu achava que ela já poderia estar, eu não sabia há quanto tempo ela teria seguido em frente, então não conseguia mensurar o quanto ela caminhou, nem os caminhos que seguiu, uma vez que Waterfall era um grande labirinto.

Depois de pouco tempo procurando, eu finalmente vi ela vindo na minha direção, ela parecia toda encharcada, respirei aliviado, pois parecia que ela não estava ferida.

— Frisk, por que não me esperou? Por que está toda molhada dessa maneira?

— Eu pensei que seria melhor, seguir até encontrar um lugar propício para acampar, mas fui perseguida pela Undyne na ponte da grande cachoeira, eu tive que me jogar na água para despistá-la.

— Você precisa trocar de roupa, ou vai acabar doente.

Ela deixou a mochila cair diante dos meus pés. Sua mochila, naquele momento, não passava de uma bola de tecido molhado. Não tínhamos muitas escolhas, iríamos acampar ali mesmo, apesar da minha vontade ser de teletransportar ela de volta pra casa, para que ela tomasse um banho quente e colocasse roupas limpas, mas ela não iria querer, ela nunca me escutava mesmo.

— Vejo que teremos que acampar aqui. Eu te emprestarei a minha jaqueta, enquanto colocamos suas roupas para secar.

— Eu vou ter que tirá-las?

— A intenção é essa... Não vamos deixar que elas sequem no seu corpo para que você fique doente.

Seu rosto foi ficando vermelho, e seu olhar evitava encontrar o meu, eu sabia que ela estava com vergonha, mas vê-la corar desta maneira era fascinante para mim. Ela estava começando a tirar o suéter quando percebei que eu ainda estava olhando e disse:

— Poderia se virar por favor?

— Claro!

Eu me virei, me senti um idiota por dar a entender que eu iria ficar olhando ela se trocar, mas imaginar que ela estaria vestindo somente a minha jaqueta, fazia algumas imagens pipocar na minha mente, para mim seria o suficiente sentir o seu cheiro em minha jaqueta.

Estendemos as roupas, inclusive as da mochila e a mochila, eu fiz uma pequena fogueira, que tanto ia ajudar na secagem das roupas, quanto nos aquecer. Eu estava um tanto inquieto e ela também, ela parecia querer e ao mesmo tempo não querer dizer alguma coisa.

— Se você está desconfortável comigo aqui tão perto, eu vou dormir ali do outro lado.

— Não, não é isso, é que estou me sentindo um pouco vulnerável com essa jaqueta.

— Não precisa se sentir assim, apesar de ser um monstro, e não faria nada que te deixasse desconfortável.

— Não é isso Sans! Não me sinto desconfortável por você ser um monstro perto de mim vestida assim, até porque se não fosse por você, eu teria que dormir com a roupa molhada. E não somos tão diferentes assim.

— Ah... por favor pirralha... não me venha com discurso de pena. Nós sabemos que monstros e humanos são muito diferentes.

— Não é discurso de pena, e eu posso provar.

Ela pegou as minhas mãos e colocou sobre o seu rosto, eu podia sentir sua pele macia e quente.

— O que você sente? — Ela me perguntou.

— O que eu sinto? Ora, eu sinto o seu rosto.

— Não isso, o que você sente por baixo do meu rosto?

— Eu sinto os seus ossos.

— Sinta o formato dos meus ossos.

Eu fui tateando seu rosto, sua cabeça, e percebendo que seu crânio era bem semelhante ao meu.

Em seguida ela passou minhas mãos para a parte de trás de seu pescoço, onde eu senti suas vértebras, iguais as minhas, um pouco menores, mas iguais.

— Vértebras.

Depois ela colocou minhas mãos descendo por sua coluna, ela se aproximou de mim, estávamos quase abraçados.

— Coluna. — Eu ia identificando os ossos.

Minhas mãos foram guiadas para logo abaixo de seus seios, onde senti suas costelas, senti meu rosto queimar e sabia que minhas bochechas deveriam estar ganhando um tom azulado.

— Costelas.

Minhas mãos foram guiadas mais abaixo ainda, sentir ela assim, mesmo que sobre a jaqueta, estava nublando meus pensamentos, imagens do dia em que ela bêbada se jogou em cima de mim, minhas mãos tocando-a dessa maneira, eu via em minha mente sua pele nua. Eu precisava me controlar.

— Quadris.

Ela me abraçou e foi tocando meus ossos por cima da minha camiseta branca, eu não queria admitir que aquilo parecia mais uma provocação. Não, isso era coisa da minha cabeça, mas não pude deixar de fechar meus olhos e sentir o seu toque, eu poderia me satisfazer com isso, com esses pequenos momentos em que meu sentimento se sentia acolhido. Mesmo que nunca passasse disso.

E foi quando eu estava de olhos fechados que eu senti, lábios pequenos tocando a minha boca, foi tão rápido que eu não pude dizer se foi real ou minha imaginação. Deve ter sido imaginação, deve ter sido minha mente me pregando uma peça, por causa das lembranças que vieram à minha mente.

— Viu Sans. — Ela disse chamando minha atenção. — Não somos tão diferentes assim.

— Se isso te deixa mais confortável, fico feliz que não sejamos tão diferentes.

Nos preparamos para dormir, eu me ajeitei com alguns metros de distância, pois não queria que ela ficasse desconfortável, mas ela parecia inquieta, virava para os lados o tempo todo, ficava ajeitando a jaqueta em seu corpo, como se a jaqueta estivesse revelando algo que não devia.

Ela estava tão inquieta e agoniada, que pensei que eu deveria fazer alguma coisa, foi quando senti meu celular vibrando.

Chamando

Rachel

Silenciar usuário?

>Sim Não

Usuário silenciado

Ignorei a chamada completamente e fui tentar acalmar a pirralha.

— Se quiser posso deitar mais perto, assim poderá se sentir mais calma e segura.

Ela assentiu com a cabeça, com o rosto corando. Deitei ao seu lado, mas sem fazer contato físico, não queria que ela se sentisse mais encabulada por estar vestindo somente a minha jaqueta, mas ela continuava inquieta, então eu fui me aproximando e a abracei, primeiro ela ficou toda rígida, como se tivesse sido pega de surpresa, mas logo ela foi relaxando, comecei a usar a minha magia, envolvendo-a em uma aura de calma. Ela foi aos poucos caindo no sono, fiquei feliz em saber que ela descansaria bem.

Decidi olhar o celular para ver o que a Rachel queria.

26 chamadas perdidas de Rachel

“Mas que diabos?”

1 Nova mensagem

Abrir?

>Sim Não

Sans, está em casa?

Eu como sou um idiota acabei respondendo:

Não, estou em Waterfall

Você vai passar aqui em casa?

Não agora.

Você não está com a humana né?

E se eu estiver?

Estar com ela é perigoso,
todos devem estar atrás da recompensa.

Sei que todos que a conhecem
não tem coragem de machucá-la.

Mesmo assim, peço que fique longe
dela, não quero que seja considerado um
traidor pelo rei.

Asgore nunca me consideraria um traidor.

Por quê?

Não é da sua conta.

Não precisa ser grosso.

Não estou sendo grosso.

...

Enfim, vou aí assim que tiver tempo,
nem antes nem depois, agora se puder, por favor,
parar de me ligar, e mandar mensagens,
pois o barulho do celular tocando
pode me atrapalhar.

Desculpe.

Tudo bem. Boa noite.

Boa Noite, sonhe comigo,
que eu vou sonhar com você!

Sinceramente não sei o que fazer com ela... Definitivamente eu precisava resolver essa situação, talvez assumir um relacionamento com ela poderia me ajudar a tirar Frisk do meu coração, pois se ela for embora e nunca mais voltar?

Logo em seguida o meu celular começou a tocar, era Papyrus, atendi rapidamente para não acordar a Frisk.

— Oi Paps.

— Sans! Está tudo bem? A humana está bem?

— Mano, não precisa gritar, a pirralha tá dormindo.

— Oh desculpe! Mas ela está bem?

— Está sim, apesar de ter sido perseguida.

— Como assim? Vocês foram perseguidos?

— Eu não, eu fui até a cabine de vigia, ver o que Undyne queria comigo, o tempo que deixei ela sozinha, ela foi perseguida.

— Ela está machucada? Se estiver eu posso ir até aí para ajudar a curá-la.

— Não, ela está bem, ela conseguiu fugir. Me diga por que me ligou?

— A Undyne acabou de me ligar, ela me disse que uma garota viu a humana sair de Snowdin acompanhada por você, por isso ela insistiu que você estivesse na cabine.

— Como ela ficou sabendo disso?

— Ela disse que foi uma tal de Rachel que ligou para ela com a informação, ela me pediu para confirmar onde você estava, eu disse que você chegou e foi dormir. Melhor tomar cuidado.

— Hum... uma tal de Rachel?

— Sans, o que você está pensando em fazer? Você conhece essa Rachel?

— Alguém vai passar por maus bocados.

Notas finais
Então, o que acharam? Será que a Rachel vai ser realmente uma pedra no sapato? Será que o beijo que o Sans sentiu foi real? O que será que Sans vai fazer com a Rachel? O que será que a Frisk vai pensar quando perceber que Sans a deixou sozinha? Me digam quais vocês acham que serão as respostas para essas perguntas... AVISO: O Próximo capítulo sairá por volta do final do mês de Abril, pois terei uns compromissos que diminuirão meu tempo, e também preciso começar a me preparar para voltar da licença maternidade... Nem parece que faz 4 meses que estou em casa TnT Tia Ly Ama vocês ♥