Undertaker [Hiato]

34 Os Sonhos Dizem


Notas iniciais
Hello!! Eu estava revisando um cap quando o Nyah! "se foi". Você pode pensar "aham, sei", mas juro que é verdade, tanto que estou aqui.... durante esses dias foquei na minha outra fic, mas não se preocupem que nada vai atrasar por aqui. Under ficou um mês sem atualização nenhuma e gente, isso me assusta! Pra quem tem memória curta e preguicinha, Ramona morreu *todos comemora* e Ray passou por uma surpresa e tanto na consulta com sua "nova" terapeuta. Aqui eu volto no tempo um pouquinho: se no capítulo anterior Raven lembrava do dia da morte da Ramona durante seu enterro, nesse eu conto algo que aconteceu antes de ela ir ao cemitério. Enfim amorecos, espero que gostem e boa leitura.

Os sonhos no corredor voltaram na noite que antecedeu o enterro de Ramona, uma semana depois de sua morte.

Raven tinha passado uma semana difícil, pra não dizer patética: a escola toda estava num clima lúgubre com a estranha morte de Ramona Foster — os populares, que todos esperavam entrar numa briguinha imbecil para redefinir seus novos parâmetros, estavam assustadoramente apáticos como se tivessem congelado no tempo com a ausência de sua polêmica líder.

Por mais que tentasse, as coisas entre ela, Becky e Susan estavam estranhamente mornas, com olhares hesitantes antes de se iniciar uma conversa, nenhum comentário sobre o namoro com Vlad, nem “vaca” “vadia” ou “bisca” tão comuns entre o grupinho. Eram como amigas se reencontrando depois de anos e através da cordialidade empurrando com a barriga o fato de que as coisas haviam mudado.

Keane a levava para o colégio e voltava com ela todos os dias. Não foi preciso muito poder investigativo pra confirmar que ele sempre ia ao cemitério logo em seguida, mas ainda assim era estranho – afinal ele alterava sua rotina de anos por causa dela e isso era algo que a garota simplesmente não conseguia ignorar.

Comida, música, filmes, livros, memórias de infância. Ambos conversavam sobre tudo numa troca de informações constante e que tornava a ida para o colégio bem mais fácil para a garota. – era uma tarefa quase impossível não pensar no filete de sangue de Ramona cada vez que estavam chegando ao prédio e ela avistava a silhueta do ginásio, mas a presença do garoto continuava tão hipnótica que a fazia largar qualquer linha de pensamento mais triste em segundos.

Quando por fim a noite de sexta chegou, ela se sentia emocionalmente exausta. Recusando um convite para sair de Jared e Samantha (sem dúvidas o amigo queria apresentar a atual namorada da vez e ela já tinha visto garotas o suficiente pra não ficar devendo por deixar passar uma), ela se isolou no quarto, largada na cama com a mente em branco.

Não percebeu exatamente quando dormiu, mas soube instantaneamente quando o sonho começou.

Olhando para os lados, seu quarto ainda era seu quarto: sua cama estava no mesmo lugar, a escrivaninha abaixo da janela, a porta para o banheiro, suas roupas, estante... mas ao mesmo tempo tudo estava diferente. Ao invés dos habituais tons de roxo, seu quarto estava tomado por padrões florais, bonecas de porcelana se acumulavam no lugar dos livros, os pôsteres de games foram substituídos por quadros delicados.

Assustada, ela se levantou num pulo e passou a olhar o lugar: as roupas eram grandes nela, os CDs eram de música clássica, a menina em todas as fotos era uma desconhecida. Num canto, um estojo de violino, atualmente o instrumento mais enigmático de sua vida.

“É isso o que vai acontecer.”

Ela se virou e não encontrou a dona da voz, mas ao mesmo tempo sabia quem era pois já a havia escutara antes: Ravena.

Respirando fundo, ela abriu a porta de “seu quarto” e saiu apenas para se deparar com o costumeiro corredor de sempre. Suas roupas eram as mesmas que usava quando fora dormir e a menina não lamentava – o vestido que magicamente surgia em si sempre que estava ali era desconfortável e constrangedor, além de limitar seus movimentos muito mais do que normalmente ela consideraria aceitável.

Começou a andar a esmo, não estava com vontade de entrar em lugar algum, de explorar nada e se tivessem que cair algo nela novamente bem, ela já sabia que ia apenas acordar no fim das contas.

A verdade é que não sabia ao certo se queria ter mais alguma coisa com a qual se preocupar para levar em sua próxima consulta, pois não queria simplesmente tacar tudo sobre Jansen e torcer para que a proposta de ajuda-la fosse verdadeira.

Se o tempo ali valesse de alguma coisa, ela provavelmente teria passado horas andando em busca de nada além de uma fuga de seus problemas – de certa forma aquele lugar tinha lá sua utilidade, pois quando não estava entrando em algum cômodo bizarro ou tento um ataque de pânico, era ótimo para por as ideias em ordem.

Quando suas pernas enfim começaram a protestar, ela simplesmente sentou no meio do corredor e pensou no que fazer. O lugar era basicamente a escuridão encarnada, de modo que ela não via teto, não via paredes e nem mesmo o chão sob onde estava; apenas sabia que eles estavam lá contrastando com as portas de diversas cores, que por mais que estivessem em todas as paredes, parecesse nunca repetir a tonalidade.

Aquela série de corredores também não tinha cheiro, não era quente, fria, úmida... era um nada em sua essência. Com as mãos alisou o que havia a sua volta e seu tato não conseguia assimilar nada – sabia que estivera andando sobre algo em todas aquelas noites, mas era liso? Madeira? Névoa? Não havia nada pra ver ou sentir.

Era uma situação curiosa e tranquila até as portas abrirem.

De início ela pensou que seus olhos estivessem lhe pregando peças por ficar tanto tempo naquela paisagem quase infinita de corredores escuros e com pontos de cor, mas com o tempo viu que não, de fatos as portas, todas elas, estavam abrindo. Nenhum rangido denunciava o ato, então ela observou um tanto quanto chocada e um tanto quanto curiosa a cena sem saber ao certo como deveria reagir aquela novidade.

Elas pararam quando tinham aberto o suficiente para nada mais que um pé passar pela fresta; ela começou a se levantar quando viu que de fato algo saia de todas elas: sangue. Um filete singelo, parecido demais com o que viu de Ramona para achar que era coincidência, saia de todas as portas num ritmo torturantemente lento.

Seu coração disparou. Com uma semana de diferença, achou sinceramente que nada aconteceria, que ela no fim das contas não tinha nada com o ocorrido e que seguiria em frente, tendo que aturar “apenas” a menina, Gabe e Churchil.

Ela praticamente implorava por tudo, menos por ter de aturar ela por mais tempo que qualquer um, não era justo.

–Justo? – disse a voz de Foster, vinda de todas as portas ao mesmo tempo – Como pode dizer que não é justo quando estou aqui por sua culpa?

Ela acordou num pulo, com falta de ar e ensopada de suor frio. Em pânico e tremendo, ela olhou para os lados do quarto freneticamente a procura de Ramona. Onde ela estava? Quando surgiria? Será que, assim como a menininha azul, teria como machuca-la? Ela assumiria seu corpo como Churchil?

Não havia ninguém lá... na verdade, ela estava no quarto do início de seu sonho.

Porém havia uma diferença brutal: o lugar ainda estava pastel, florido, delicado – mas no lugar da jovem loira que ela não conhecia, em todas as fotos ela via a si mesma. Ou melhor, ela via Ravena, com seus longos cabelos, a única real diferença entre ambas.

Sem sair do lugar, ela olhou o cômodo com o coração disparado. O que ia acontecer? Ela ia ter de sair de lá, se mudar? Aquilo não fazia sentido, pois reconhecia seus pais nas fotos, algumas pessoas de seu colégio... alguém ia tomar seu lugar?

Sentiu um puxão brusco no braço e se virou: alto, pálido, cabelos pretos, rosto perfeito e lindos olhos azuis. Keane.

Na verdade não; ela viu o comprimento do cabelo e se deu conta de que falava com Kanel, usando leves roupas brancas.

–Você não é ela. – disse ele – Então o que faz aqui?

Tremendo, ela se encolheu na cama e fitou seu entorno até ter certeza de que aquele era realmente seu quarto. Levantando, passou a mão nas lombadas dos livros, checou as bandas no CDs, jogou diversas roupas no chão, conferindo o tamanho em cada uma delas – ela difícil ignorar o coração martelando em seu peito num ritmo alucinado ou o tremor em suas mãos, mas ela fez o possível.

Aliviada, deu alguns passos para sair de seu quarto, mas se deteve ao se olhar no espelho. Se aproximando do objeto, tocou a superfície fria bem no reflexo de sua face e se perguntou qual seria o sentido daquele sonho louco. Tanto Gabe quanto Churchil surgiram em questão de horas, portanto ela realmente achava que Ramona Foster não se tornaria uma inquilina indesejada

No entanto aquelas visões estranhas que tinha cada vez que ia para aquele corredor, não apareciam sem uma razão de ser — havia algo ali, um fator essencial que ela estava deixando escapar.

Tinha uma ideia realmente vaga de quem era Ravena, então focou seus esforços na menina presente na primeira vez em que acordou ali. Era alta, loira e com um sorriso fácil; usava roupas tão escuras e folgadas como as que a própria Raven apreciava, mas tinha um ar de delicadeza e simpatia que sem dúvidas não pertencia à menina, no geral encarada como uma criança antissocial pelo seu físico.

Por mais que varresse sua memória até ver pontinhos pretos diante de si, não fazia a menor ideia de quem ela era e não se recordava de ninguém vagamente familiar.

Desistindo, se arrumou para o enterro de Ramona – mais do que nunca não tinha a menor vontade de ir, mas ainda sim não poderia simplesmente não dar as caras quando sabia que todos que estavam lá provavelmente apareceriam. Já não bastava que um ou outro sussurrasse que a culpa era dela, pois a menina só estava no galpão com os materiais por sua causa, não precisa dar mais motivos para que os populares imbecis restantes resolvessem importuna-la. Tinha tido sucesso em se manter quieta em seu canto o colegial inteiro.

Mas antes, ela tinha que passar em um lugar.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Acharam confuso? Ansiosas? Quero saber porque cada vez menos pessoas deixam um feedback e sei lá... como anda a história entende? As coisas estão se encaminhando agora e tudo começará a ser revelado, então realmente preciso saber se está bacana. Anyway, beeijos!! (*--*)//