Selena

– Selena... – Os olhos de Harry miravam diretamente os meus lábios, enquanto sussurrava o meu nome.

– Harry.... – Meu coração quis parar por alguns segundos ao ver o que estava prestes a acontecer, simultaneamente, lembranças do meu primeiro beijo vieram à minha cabeça, eu só havia beijado uma vez na vida. Eu não podia falhar. Eu tinha que reproduzir tudo que a minha memória ainda tinha guardado sobre isso. Um sorriso se desenhou nos lábios de Harry enquanto ele me olhava, levei minhas mãos até seus cabelos, brincando com alguns fios. Eu sentia um aperto no peito e a face quente, essas sensações eram inevitáveis. Meu coração estava acelerado pela nossa proximidade, mas não como se ela me incomodasse, tampouco me incomodava o coração que batia contra o meu, num ritmo ainda mais acelerado, muito pelo contrário, fazia-me feliz e satisfeita.

Até que o celular do Harry começou a tocar.

– Droga! – Harry disse em meio a um sorriso envergonhado. Harry beijou a minha testa e em seguida encostou a testa na minha, fazendo uma careta irritada, afastou-se.

– Desculpa, Selena... – Disse desviando o olhar para o chão.

– Tudo bem... Pode atender, Harry.

– Não – Olhou para mim.

– Pode atender, Harry, ou ele não vai parar de tocar – O aparelho tocava incessantemente. Ele fez de novo a sua careta de quando está irritado e atendeu a ligação.

– Alô? – Disse ele com uma voz séria. Ele ouvia tudo com seriedade e sua expressão foi ficando ainda mais pesada. Eu já estava preocupada.

Ele desligou.

– Aconteceu alguma coisa, Harry?

– Eu tenho que ir, Selena – Harry forçou um sorriso.

– Oh... tudo bem, claro... Boa noite, Harry – Ele pegou a minha mão e a beijou delicadamente.

– Eu vou te recompensar por isso depois – Harry encarou-me e beijou minha bochecha rapidamente. E eu suspirei.

– Tchau... – Disse indo embora.

Entrei em casa ainda em êxtase, como era possível um simples beijo na bochecha ter me deixado tão boba daquele jeito? Imagina se ele tivesse me beijado na boca. Eu estaria morta e enterrada agora. Agora uma coisa não saia da minha cabeça naquele momento, o que haviam dito para ele naquele telefonema que fez com que o Harry fosse embora tão perturbado daquele jeito?

Harry

Eu não queria acreditar no que estava acontecendo novamente. Lembro-me de permanecer fora de orbita por alguns instantes dentro do carro encarando o asfalto depois daquela ligação. A minha mãe estava ferida. Dirigir o mais rápido possível até em casa, parecia que eu estava em uma corrida de formula 1. Chegando em casa, encontrei minha mãe no sofá, ela tinha uma aparência péssima. Estava com muitos hematomas, bem pálida e abatida.

– Mãe? Mãe? – Disse tentando mantê-la acordada.

Quando toquei nela pude sentir o quanto ela estava gélida. Seus olhos estavam turvos. Senti um seco na garganta e um medo de perde-la naquele momento.

‘’ Onde está aquele monstro...? Onde está?’’ — Disse quase que como um sussurro procurando alguém ao meu redor.

– CADÊ VOCÊ SEU DESGRAÇADO? – Perguntei aos gritos. Olhei para escada e subi rapidamente até o segundo andar da casa, segui até o quarto dos meus pais e encontrei meu pai sentado na poltrona com um copo de uísque na mão.

– Ora Harry…. Você foi bem mais rápido dessa vez.... – Disse em tom de deboche.

– Seu....

– Você é o culpado disso, Harry... Você com esses seus sonhos ridículos com essa sua bandinha desprezível... – Ele cuspia ao falar – Ela sempre o defendeu.... Ela sempre quis tirar a minha autoridade.... Ela teve o que merecia...

– Eu vou te matar seu desgraçado, por ter posto de novo a mão nela! — Falei em tom baixo, mas ainda irado.

– Harry! – Era minha mãe na porta do quarto.

– Mãe! – Corri para pegá-la.

– Eu não quero que brigue com seu pai.... Harry... ele é seu pai ainda... – Disse ela com dificuldade.

– Não! Ele é um desgraçado, mãe... – Tentei não chorar na frente dela.

– Harry.... – Ela disse fechando os olhos e desmaiando ainda com um sorriso no rosto. O meu coração quis parar naquele momento.

– Merda! – Eu disse num certo desespero.

Desci desesperadamente a escadas e botei minha mãe dentro do carro com muito cuidado. Pisei no acelerador do carro e fui dirigindo o mais rápido possível até o hospital. Parecia uma eternidade até um chegar ao hospital mais próximo da minha casa.

Selena

Essa foi a melhor noite da minha vida! Eu espero que para o Harry também... mesmo sem ter acontecido o nosso tão esperado beijo, a noite foi perfeita. Minha vida havia virado de cabeça para baixo desde que Harry apareceu. E tudo isso aconteceu há apenas dois dias.

– Filha? – Era minha mãe, ligando a luz da sala.

– Oi mãe, já cheguei – Respondi sem olhar para ela, encostada na porta ainda em êxtase.

– E como foi a sua noite?

– Foi incrível, mãe – Sorrisos saiam da minha boca sem que eu os forçasse, eu simplesmente sorria ao falar e lembrar do Harry.

– Puxa... vejo que esse Harry já se tornou muito especial para você hein, filha.

Soltei o ar que matinha preso em meus pulmões e olhei para ela com um sorriso bobo. Ela estava certa.

– Vou dormir mãe... Estou meio cansada... Boa noite – Beijei a bochecha dela.

– Boa noite, meu bem...

Assim que entrei no quarto, retirei minha roupa e fui para o banho. Senti a água quentinha cair sobre meu corpo e logo vinha a minha mente a noite que tive ao lado do Harry. Foi tudo mais que perfeito, tão intenso. Acho que a vida resolveu me fazer um agrado. Com Harry voltei a ter esperanças em muitas coisas. Amor, amizade, acaso, Deus.

Terminei meu banho, me enrolei em uma toalha e voltei para o quarto suspirando por Harry. Vesti o meu pijama mais confortável e deitei na cama olhando para o teto desejando ter alguma amiga para contar sobre Harry. Eu não tinha amigos. Sempre fui a esquisitona e nerd da escola. Trouxe mais de vinte prêmios para casa, de olimpíadas no colégio e nunca trouxe nem um amigo sequer a minha casa. Talvez esse seja o real motivo por Harry ter se tornado tão especial na minha vida em tão pouco tempo, a esperança de enfim ter um amigo.

Harry

Entrei na emergência do hospital desesperado com a minha mãe em meus braços, gritei por enfermeiros mais nenhum apareceu.

– Por favor, ajudem. Ela está morrendo – Pedi a recepcionista.

– Mantenha a calma senhor, nós faremos o que for possível para ajudá-la – Disse fazendo um sinal com a mão para alguns enfermeiros que estavam no corredor.

A todo momento via se ela ainda tinha pulso, mas a cada minuto que se passava sentia a sua pulsação e respiração mais fraca. Quando os enfermeiros a pegaram do meu colo para colocarem-na na maca, muitas pessoas aglomeraram-se ao meu redor para ver o que estava acontecendo causando um tumulto. Os enfermeiros rapidamente a deitaram na maca e seguiram por um corredor extenso.

– Que droga! Que droga! – Repetia colocando as minhas mãos na cabeça.

Eu estava desesperado mas a ira prevalecia mais em mim. Ele ia pagar ao que tinha feito com a minha mãe novamente. Lembranças das vezes em que estive no hospital com ela por causa disso começaram a vir à tona rapidamente na minha cabeça, fazendo-me chorar, não foi a primeira vez que ele a tinha espancado, mas com certeza seria a última. Meu pai quando bebia transformava-se em um monstro, mas quando estava sóbrio, era um esposo e pai amoroso. O que era raro de se acontecer, pois ele bebia todos os dias. Ele já havia se tornado um alcoólatra.

– Meu jovenzinho... – Senti mãos geladas tocarem a ponta do meu cotovelo. O ar condicionado no hospital estava quase que congelante – Levantei a cabeça lentamente para ver sobre quem se tratava.

– Vejo que você está muito perturbado... venha... venha comigo... – Disse a gentil velhinha puxando-me com dificuldade.

– Eu estou bem... senhora... – Disse limpando algumas lágrimas do meu rosto.

– Não, não, não, não creio que seja bom você ficar sozinho nesse momento, venha... – Disse e eu apenas consenti. Eu não estava querendo mesmo ficar sozinho naquele momento. Sentamos em outro sofá em uma outra sala de recepção.

– Você não tem ninguém para quem possa ligar, meu jovem? – Perguntou.

A primeira pessoa que veio a minha cabeça e que realmente eu queria estar naquele momento era a Selena. Mas eu não poderia ligar para ela. Ela mal havia entrado na minha vida e eu já iria coloca-la dentro do meu drama familiar? Não. Ela não merecia passar por isso comigo.

– Um amigo... – Disse com a voz meio embargada.

– Então ligue meu jovem... ligue – Disse fazendo um sinal com a mão. Sorri gentilmente para ela, e resolvi segui a sua sugestão.

Liguei para Louis e avisei do que havia acontecido, rapidamente ele já estava no hospital.

– Ei Styles – Louis abraçou-me.

– Valeu por ter vindo, cara – Disse em meio a lágrimas.

– Para com isso Styles – Deu três tapinhas em meu ombro.

Passada uma hora, eu olhei a minha volta e todas as pessoas que estavam sentadas na sala de espera estavam adormecidas, inclusive o Louis e a gentil velhinha. Só eu que não havia cochilado um só instante. Aquela espera estava me matando. Levantei e fui até a recepcionista atrás de notícias e ela disse que minha mãe já havia acordado e que estava fazendo alguns exames e logo retornaria para o quarto. Me senti aliviado em saber que ela já tinha acordado.

Voltei até a recepção e Louis já havia acordado.

– Foi mal, cara... Por ter apagado – Disse Louis esfregando os olhos. Ri.

– Que nada, Tomlison... Ela acordou – Disse em meio a um sorriso aliviado.

– Que notícia boa – Louis abraçou-me comemorando.

– Logo vou entrar para vê-la.

Fui interrompido por uma voz grave e bem rouca.

– Senhor Styles?

– Sou eu – Disse caminhando em direção ao médico.

– Siga-me, por favor – Olhei para o Louis que despediu-se de mim.

– Boa sorte, Styles.

Caminhei por aquele longo corredor reluzente, parecia que eu estava em câmera lenta, seguindo aquele médico até o quarto onde minha mãe estava.

– Sua mãe está aqui, pode entrar – Disse o médico abrindo a porta do quarto para mim.

Entrei no quarto, ela parecia péssima, seu rosto estava com alguns hematomas roxos e alguns cortes. Ela sorriu ao me ver, abrindo os braços para um abraço.

– Mãe – Abracei-a.

– Estou bem, meu amor. Harry.... Você brigou com seu pai?

– Ainda não... – Respondi em tom bravo.

– Harry... Eu quero que me prometa que não vai fazer isso.... Apesar do que ele fez, ele ainda é o seu pai... a culpa disso tudo é do álcool, meu filho...

Eu segurei as lágrimas quando minha mãe falou aquilo, tudo aquilo me doía. Respirei fundo e falei.

– Vamos... eu vou te levar para casa.

– Harry... você não me prometeu ainda...

– Mãe... – Suspirei — Eu prometo que vou te proteger, independente do que eu tenha que fazer.

[...]

Selena

No outro dia, ainda em êxtase sobre a noite anterior, acordei mega animada para ir à escola, lembro de ter apagado depois de escrever em algumas páginas do meu diário sobre os melhores momentos da minha vida. Fiquei um bom tempo olhando pro teto cor de areia e relembrando detalhadamente a noite anterior, tudo passava na minha cabeça como um filme... Com começo, meio e fim, e como quando as pessoas assistem filmes de romance e esperam que os personagens principais fiquem juntos ou se acertem, eu estava desejando que acontecesse comigo e com aquele garoto do sorriso matador.

Eu levantei da cama pois já estava quase atrasada para a escola e fui me arrumar. Minha mãe já estava acordada na cozinha preparando o nosso café.

– Bom dia – Cumprimentei minha mãe, me sentando na cadeira em seguida.

– Bom dia... – Ela me olhou séria.

– Algum problema? – Perguntei confusa.

– Seu pai ligou, querida.... – Disse em tom de desgosto.

Eu gelei de medo.

– E o que ele queria dessa vez? – Perguntei em tom rebelde, empurrando meus pés na cadeira em frente à minha. Ela olhou-me com um olhar triste.

– É ruim querida.... Muito ruim...

Notas finais
gostaram do capitulo? Deixem sua opnião nos cometários pfvr! Desde ja obrigada! até o próximo capitulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.