Underground - Original.
14 Familia parte I
Notas iniciais
Passei a manhã toda trancada no quarto lendo um livro. Minha filha ficou com a Tezz como sempre, nem sei se estou sendo uma boa mãe e se estou dando um bom exemplo mas sei que ela se divertiu com aquele pigmeu e sei também que mesmo não sendo pai ele cuidou dela melhor do que eu.
-Ele tinha mesmo que ser gay?
-Ele não é gay, é bissexual. – Ashley vinha entrando no quarto.
-De quem você está falando?
-A sra. não está falando do Frankie?
-Como você sa... deixa pra lá.
-Mãe, por que você não liga pra ele? Hoje vocês não têm que ir para o estúdio não?
-Não sei, vou ligar pra ele para saber dos ensaios.
-Hum sei...
-Para com isso Ash, pega lá meu telefone por favor. – ela tinha razão, isso era só um pretexto para ouvir a voz dele.
-Espera ai.
[Cap. Anterior]
. . .
-Ash, vai se arrumar...
-A sra deixou eu ir para casa do Frankie?
-Ele nos chamou para almoçar com a família dele.
-Espera aí.... como assim nos chamou? Ele não te suporta.
-Ele falou isso pra você?
-Não mais vocês vivem brigando... nunca imaginei que... arquiva.
-A vá, ele me chamou de Ali e tudo ta. – falei fazendo cócegas nela.
-Não entendi mais nada.
-Não entende, só se arruma.
-Ta bom to indo.
. . .
Pensei muito bem antes de me arrumar para esse almoço, não sabia se esse convite teria sido por mim ou pela Ash. [lógico que foi pela Ash, mas quem vive sem um pouquinho de ilusão?].
Minha filha estava tão feliz que me arrependi de não querer saber dela esse tempo todo, e também de ter a deixado com o meu pai. Eu tinha que cumprir o meu papel de mãe e não ter fugido, tinha também que procurar o infeliz que me colocou grávida, sem emprego para fora de casa só para mostrar a ele que eu consegui superar e que estou muito bem com a filha que ele não quis... Mas deixa isso pra lá.
Me arrumei e quando desci as escadas que vão para a sala, lá estava minha filha, linda, loira, de vestido azul claro de bolinhas brancas com um laço sobe o busto e uma linda fita também branca na cabeça deixando seus belos cachos caírem sobre os ombros. [essa é minha filha...]
-Você vai assim pra onde?
-Nós não vamos almoçar com o Frankie?
-Vamos, mas precisa isso tudo? Assim você me deixa até constrangida.
-Para de palhaçada. Vamos senão ele não vai nos esperar.
. . .
Peguei um táxi na porta de casa e fomos para o tal almoço. Chegamos à casa do Frank [sei disso porque a Ash me mostrou onde era.] e ele estava sentado a porta da casa da frente junto com o Gerard, parecia que eles haviam brigado.
-Oi pessoas. – falei de longe.
Enquanto isso a Ash saiu correndo para abraçar o Frank.
-Geh você está lindo loiro. – ele riu enquanto minha filha lhe dava um beijo na testa.
-Obrigada querida.
-Você está linda assim porque hein? Se a sta arrumou um namorado tem que me contar. Ouviu pirralha? – disse Frank com ela no colo.
-Não arrumei não, coloquei esse vestido porque você me contou que sua mãe adora azul e eu queria a agradar. Onde ela está?
-Calma apressadinha, vamos lá em casa para você conhecer os meus pais e ver se a mulher bomba já acabou de fazer a comida. – não entendi por que ele se referiu a mãe daquele jeito. [será que ela cozinha mal?]
-Ali, você já conseguiu fechar a seleção de fotos pro cd? – perguntou Gerard meio triste.
-Não lembro mas acho que sim. Por que vocês estão com essa cara de enterro?
-Porque recebemos uma ligação agora de um orfanato dizendo que não podemos adotar ninguém. – disse o Frank olhando para baixo.
-Como sempre. – disse Gerard. – Já estou cansado de dar de cara na porta de todos os orfanatos que visitamos. Tudo bem que o assistente social falou que não tem problema adotarmos mas vai ser difícil se ninguém reparar no carinho que essa criança vai ter.
O telefone do Frank tocou enquanto ainda estava conversando com o Gerard. Achei maneiro ele colocar uma das músicas do cd como toque.
-Tenho uma novidade. – falou Frank colocando o celular no bolso.
-Fala, quem sabe a noticia é boa e você consegue animar o Geh. – eu disse, mas nem prestei muita atenção no que estávamos falando.
-O assistente social ligou para dizer que achou uma mulher que ia dar o filho para adoção e conseguiu com que ao invés disso ela nos desse a guarda dele. O que você acha?
-Que boa noticia! Vou ter mais um amiguinho agora. – disse a Ash abraçando o Frank.
-Parabéns. – disse eu. – E ai Gerard Way? Gostou ou não?
-Gostei sim. – ele abraçou o Frank com tanta força que o coitado estava ficado vermelho e sem ar. [coitado nada, continua apertando!] – desculpa.
-Vamos que minha mãe deve estar esperando.
Quando entramos na casa dele tudo estava em perfeita ordem exceto a cozinha...
-Mãe, por favor já não pedi pra sra ir arrumando a bagunça enquanto cozinha?
-Já mas to quase acabando o almoço. Coloca a mesa enquanto eu acabo aqui.
-Anda que a Alisson e a Ashley já chegaram. – nós estávamos sentadas na sala enquanto eles se entendiam.
Da sala dava para ver um pedaço da cozinha, [Que é isso? Õ.õ] estava tudo jogado, havia uma nuvem branca [pode ser farinha.] que não deixava ver onde a mãe dele estava. Fui me ajeitando para o lado para poder ver o resto da bagunça e quando me dei conta o Frank deu um pigarro na minha frente.
-Que foi?
-Nada, só estou admirada de como sua mãe se dá bem com a cozinha não é?
-Minha mãe cozinha bem, o problema dela é que ela não tem controle e muito menos noção de como se arruma as coisas. Ela gosta da família reunida quando ela e meu pai voltam de viagem, e como a família é pequena ela chama os meninos para virem pra cá. Ela gosta de casa cheia, tem gosto de fazer o almoço pra todo mundo mas a arrumação sempre sobra pra nós.
-Nós quem? – perguntei assustada. – Quer dizer que eu vou ter que arrumar isso tudo?
-Você não vai fazer sozinha, eu, o Gerard, o Bob, o Ray e a Ash vamos te ajudar. Não vamos meu docinho? – para minha má sorte minha filha acentiu.
-Só vou arrumar porque sua mãe me parece estar tendo muito trabalho e não quero que ela se canse mais.
Virei o rosto e quando olhei para a porta vi um homem encostado na parede junto da mesma. Ele aparentava ter uns quarenta e poucos anos, bonito e em boa forma, cabelos grisalhos e penteados para trás.[Deve ser o pai do Frank] No mesmo momento percebi a semelhança, eles só eram diferentes no modo de se vestir e no modo de se portar.
-Esse é o meu pai... – Frank levou minha filha até ele. – Pai essa é a Ashley.
-Oi Ashley, você é uma menina muito bonita. – ele a abraçou e a levantou um pouco.
-Obrigada sr.
-Não me chame de senhor por favor, me chame de Anthony.
-É assim que nos diferenciam. – disse Frank. – Pai essa é a chata da Alisson, ela é mãe da Ash.
-Estou vendo que a beleza é de família. – disse ele beijando minha mão.
-Frank nunca me falou do sr. e de sua esposa. Pensei.. sei lá.. de ele não os ter. – baixei a cabeça. [falei merda agora!]
-Minha querida, — Frank olhou para mim com um rosto doce [fingido]. – não falei deles para você por que você não tem nada a ver com a minha vida. Só por isso.
-É tão simples assim? – falei com uma cara de nojo.
-É, tanto que enchi a paciência da sua filha com isso.
Olhei para a Ash com vontade de a matar. Fiquei feliz de ele ser sincero e de voltar a me tratar normalmente, [é estranho ver ele sendo carinhoso] mas fiquei com vergonha pelo pai dele estar na sala.
-Frank Anthony Thomas Iero Jr.!
-Que foi minha mamãe linda e maravilhosa. – respondeu ele indo para a cozinha.
Não entendi muito bem, mais acho que ela o repreendeu por ter falado daquele jeito comigo. Não queria que ele levasse uma bronca afinal eu gostava dele. [e muito por sinal.]
-Satisfeita? Minha mãe te ama agora.
-Não fiz nada.
-[Santinha você então.] – ele sussurrou, mas eu ouvi.[não comentei também.]
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