Notas iniciais
Olá! Sou nova aqui no site, eu venho trabalhando nisso aqui há um tempo, e agora finalmente eu tive a coragem de postar.Espero que voces curtam tanto quanto eu!


"I've been up in the air
Is this the end I feel?
Up in the air
Chasing a dream so real"

Up in the air — 30 Seconds To Mars

....

Eu queria poder voltar no tempo ou para-lo agora, nesse momento. Queria poder continuar afundando para sempre, sentindo a água tocar minha pele, sentir como se eu estivesse flutuando, quase como se pudesse voar. Nesse momento, não havia um mundo lá fora, não haviam problemas, não haviam vozes ou ninguém. Havia eu. Sozinho. Para sempre.

Mas o tempo não pode parar.

Abri meus olhos quando meus pulmões começaram a gritar por ar, nadei até a superfície e boiei sobre a água, respirando fundo. Depois de algum tempo desse jeito, os dedos da minha mão começaram a enrugar, entendi como minha deixa para sair da piscina.

Não sei quanto tempo eu havia passado aqui, mas o sol já estava nascendo, tirando o lugar da noite nublada. Impulsionei-me para fora da piscina como se eu não tivesse visto a escada bem ao meu lado. Era simplesmente mais divertido desse jeito.

Peguei a toalha sobre o banco de madeira grudado à parede, mas não realmente me sequei, apenas esfreguei a toalha no meu cabelo para deixa-lo um pouco menos úmido. Coloquei minha roupa do jeito meio molhado que estava, minha camisa preta logo começou a mostrar manchas e gotas de água espalhadas pelo tecido.

Olhei para meu relógio e constatei que horas eram, seis horas em ponto, minha mãe deveria estar enlouquecendo nesse momento, se ela estivesse acordada, senão seria apenas a minha sorte.

Enfiei minhas coisas em minha mochila com pressa e sem cuidado nenhum, as únicas coisas que deixei para fora foram meu celular, que coloquei no bolso detrás da minha calça jeans, e meu casaco de couro preto, que vesti as pressas enquanto caminhava para fora da área da piscina.

Por alguma razão, quando decidi vim para cá, cheguei a conclusão que seria melhor ir andando, espairecer, mas agora que meu corpo esta fadigado por causa das horas nadando e em baixo da água eu queria que minha motocicleta estivesse estacionada aqui na frente, pronta para me levar para casa.

Mas nos não temos tudo que queremos.

Por isso que me contentei a andar calmamente, mesmo que estivesse atrasado. Eu provavelmente seria um homem morto no momento que pisasse em casa. Não há como minha mãe ainda estar dormindo no momento em que eu chegar em casa.

Mesmo assim eu continuava a caminhar em uma velocidade consideravelmente devagar. Até porque eu acho que não queria chegar em casa, o quão mais eu demorasse mais longe de bagunça eu estaria.

Chutei uma pedrinha no caminho com raiva do pensamento.

Enfiei as mãos no bolso e me encolhi dentro do casaco. Poderia não parecer, mas a manhã ainda estava fria em Konoha. E estava ventando, as árvores de cerejeira do caminho balançavam seus galhos e perdiam suas folhas por causa da ventania. Era bonito de ser ver, e talvez um pouco tranquilizador.

Em meia hora eu já estava em frente ao jardim de casa, encarando a porta vermelha com o símbolo do clan Uchiha em metal pendurado na porta. Caminhei um pouco mais para perto da porta e coloquei minha mão sobre a maçaneta dourada.

Abri a porta e me encontrei com minha mãe sentada na escada, os olhos rodeados por olheiras, o pijama bagunçado e o cabelo desgrenhado. Não parecia com a Uchiha Mikoto que eu conhecia.

–Estava ficando preocupada Sasuke. – Ela não estava brava, ou muito menos triste, ela estava simplesmente preocupada. Sentei ao seu lado com os cotovelos apoiados no joelho e minha cabeça apoiada nas mãos.

–Estou aqui agora, mãe. – Ela fungou e eu a olhei preocupado, pensando que talvez ela estaria chorando, mas ela não estava, ou estava, eu não sabia dizer porque seu rosto estava virado em direção ao outro lado.

–Seu pai já está acordado, você deveria ir se vestir. – Mas eu ainda não queria ir, queria ver se ela estava bem.

Levantei relutante enquanto Mikoto ainda estava parada na mesma posição, olhando para o outro lado, o que só me fez ter certeza que ela estava realmente chorando.

Comecei a subir a escada, decidido a dar a ela o seu espaço e segui para o meu quarto. Entrei já jogando minhas coisas em um canto qualquer e tirando meu casaco. Em cima da cama estava o meu terno bem arrumado e passado, não estava ai na hora que sai.

Olhei para aquele pedaço de tecido preto e senti um peso no meu coração, então eu já não estava mais conseguindo respirar, abri a boca para puxar o ar, mas estava difícil, como se eu estivesse sufocando.

Eu não sei porque, mas comecei a me desesperar, a respiração descompensada estava piorando o meu estado de nervos e comecei a sentir como se esse quarto fosse mais pequeno e abafado do que realmente era. Apertei os olhos tentando me livres disso, o desespero ainda estava ali e eu ainda não conseguia respirar direito.

Passei a mão pelo meu cabelo, o puxando nervoso, corri para o banheiro e me joguei debaixo do chuveiro, liguei a água gelada sem me importar se minha pele iria reclamar com o contato. Me deixei encostar na parede e escorrer por ela batendo contra o chão. Coloquei os cotovelos sobre o joelho e minha mãos apoiaram minha cabeça, cobrindo meus olhos.

Eu estava chorando, coisa que não fazia há muito tempo, não conseguia respirar, meu coração parecia estar sendo pressionado contra meu peito, e aquele sentimento de desespero, como se o mundo todo estivesse acabando lá fora, como se eu estivesse sozinho.

Eu não sei quanto tempo passei desse jeito, só sei que em algum momento respirei fundo e consegui me acalmar, as lagrimas ainda estavam ali, mas minha respiração, mesmo descompensada, já estava voltando ao normal e aquele sentimento, aquele sentimento deu lugar para solidão. Só percebi que eu estava mesmo sozinho.

Aproveitei a água correndo para tomar banho, tirei a roupa encharcada e a joguei para fora do boxer. Tirei o cloro de piscina do meu corpo e mesmo assim ainda passei uns minutos a mais parado sob a água.

Sentir a água gelada tocar minha pele me acalmava, estar de baixo d’água me fazia sentir melhor. Era o meu mundo sem preocupações, sem problemas.

Se pudesse, passaria o dia todo ali em baixo, mas uma hora tive que sair, porque uma hora eu teria que vestir aquele terno e teria que acompanhar minha mãe.

Sai do banheiro coberto com uma toalha e o cabelo pingando, me enxuguei e passei a toalha pelo cabelo, então comecei a me vestir. Abotoei cada botão bem devagar, olhando pela janela do meu quarto, olhando para as cerejeiras lá fora e o sol por trás delas.

Coloquei minha calça e o terno com mais pressa e quando procurei por um sapato, havia um preparado para mim embaixo da cama com uma meia em cada par.

Sentei na cama e puxei os sapatos debaixo dela, estavam limpos e lustrados. Minha mãe deveria estar acordada bem mais cedo do que eu imaginava se dera tempo dela fazer tudo isso. Ou talvez ela não tenha dormido a noite inteira. Calcei os sapatos com cuidado.

Quando terminei já estava pronto para ir, mas ainda não tinha a coragem para me levantar. Se minha porta não tivesse sido aberta pelo meu pai, que entrou com uma sobrancelha franzida, acho que eu nunca teria levantado daqui.

–O que você ainda está fazendo ai? Sua mãe e eu estamos te esperando lá embaixo. – Ele saiu com sua carranca normal, mas parecia mais cansado, assim como a mamãe.

Larguei a cama e deixei meu quarto para trás. Bati a porta atrás de mim com um suspiro.

Como Fugaku disse, ele e mamãe estavam me esperando ao lado da porta da frente. Papai estava a segurando aberta para que eu passasse e quando o fiz, minha mãe entrelaçou seu braço com o meu e apoiou sua cabeça no meu ombro até chegarmos no carro.

Entrei no banco de trás enquanto meu pai sentava ao volante a mamãe ao seu lado. Apoiei minha cabeça no vidro da janela o caminho todo da minha casa até a igreja. Estava começando a me sentir enjoado naquele carro, até que Fugaku estacionou bem em frente a igreja e desceu mais rápido do que eu e mamãe.

Ele deu a mão para Mikoto e caminhou ao seu lado, eu fiquei para trás, caminhando mais devagar.

Assim como eu não queria chegar em casa, eu não queria chegar aqui, não queria entrar e encontrar com milhões de pessoas, algumas que eu nem ao menos devia conhecer, e ouvir o quão eles sentem muito por mim, porque tudo isso seria mentira.

Mas acima de tudo, eu não queria entrar e admitir que meu irmão estava morto.

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Notas finais
Mandem Reviews se voces gostaram! Nao sejam timidos!Podem xingar também, eu aguento. Espero que voces tenham gostado desse pequeno Prólogo.Até a proxima!