Under the mask
6 Nosso acordo
Notas iniciais
É, talvez eu seja realmente um idiota e todo esse plano seja uma grande bobagem, mas eu cheguei a um ponto que não dá mais pra ignorar. Se antes eu tinha um pequeno temor sobre um ataque, agora tenho à certeza que esse pequeno temor não é apenas algo da minha imaginação. Sinto que tenho que proteger os dragões, Berk, meu pai, meus amigos e acima de tudo aquela garota metida, teimosa e desafiadora que se eu a conheço bem deve estar armando um plano nesse exato momento afim de tentar entender tudo sozinha.
Infelizmente os meus três dias de descanso se passaram em um piscar de olhos. Mas sinceramente estou feliz de retomar o treinamento, afinal Mimir não é de todo mal, ele é bem desastrado e inexperiente, contudo é um excelente aluno, presta atenção, segue à risca o que eu falo e treina bastante. Sabe, acho que Astrid gostaria de conhecer ele. O que? Aaaaaaaaa que ódio por que ela não sai da minha cabeça desde que nós brigamos, eu fico preocupado, e fico me perguntando se ela ainda está brava, eu não consigo sentir ódio a ponto de parar de falar com ela, o que será que eu tenho? Foco Soluço, logo o Mimir aparece e você tá todo esquisitão com esses pensamentos aleatórios em uma garota que nem dá bola pra você.
Não passou muito e logo o meu aluno secreto apareceu.
—Você está atrasado Mimir.
—Me desculpe Haakon, hoje foi um pouco difícil vir para cá, não sou bom em navegação e estávamos bem mais ao sul do que pensei que estávamos – ele riu – prometo que não vai se repetir.
—Não tem problema – sorri de volta – pensei que ainda estivessem na ilha.
—Até o nosso último encontro estávamos, mas o Ryker quis reunir todas as tropas, ai tivemos que voltar a nossa base, por isso me atrasei.
—O Ryker quer reunir as tropas? Mas por que?
—Eu não posso dizer.
—Ué por que não?
—É confidencial aos caçadores de dragão.
—Então, era sobre isso que eu queria falar com você. – é agora ou nunca, ou vou mais a fundo com o meu plano ou morro na praia, afinal esse treinamento não vai durar mais do que dois ou três dias a mais – Eu pensei sobre sua proposta.
—E?
—Decidi que talvez você tenha razão e que eu deva me juntar aos cavaleiros de dragão.
—Jura? – ele pulou de felicidade e eu ri – Nossa Haakon isso é maravilhoso, você vai ver, não vai se arrepender.
—Eu espero que não. O que eu preciso fazer para entrar?
—Precisa capturar um dragão.
—Capturar um dragão? – essa não, eu não posso fazer isso.
—Sim, bem simples né?
—Não tem outra forma?
—Acho que esse é o método tradicional, mas posso perguntar ao meu pai se tem algum outro modo de você entrar. Mas eu terei que te apresentar para ele, tudo bem?
—Claro, por mim não tem problema.
—Haakon? Posso te pedir um favor?
—Claro.
—Não conte ao meu pai que eu estava treinando com você.
—Sem problema, será nosso pequeno segredo.
Após esse pequeno diálogo continuamos o treinamento, tudo saiu bem, Mimir estava bem mais animado que o normal, acho que por causa da minha iniciativa de entrar para os caçadores. Após um longo treino com enguias decidimos parar um pouco para poder descansar e conversar.
—Haakon, posso te perguntar uma coisa?
—Claro.
—Se você quer se tornar um caçador porque está tão relutante em relação a capturar um dragão.
—É que eu nunca capturei um, só espanto eles para que fiquem longe do meu caminho.
—Sabe que se você se tornar um caçador vai ter que capturar e as vezes até matar, né?
—Vamos nos concentrar na minha entrada – por que além do mais não vou participar ativamente dessas coisas.
—Sim, claro. Se quiser amanhã podemos ir conversar com eles já.
—Seria ótimo. – sorri e agradeci aos deuses por até o presente momento meu plano estar dando certo – Como é esse tal de Viggo ?
—Eu não sei muito bem, só o vi poucas vezes – ele fez uma pausa pensando – mas ouvi dizer que é um bom líder, que sabe conversar e que gosta de jogos – é disso eu não posso discordar, Viggo tem uma excelente lábia, e adora jogar, principalmente com a vida das pessoas.
—Pensei que você o conhecesse bem, afinal ele é seu chefe.
—É, ele é. Mas não o vejo a algum tempo, Ryker é quem está liderando tudo ultimamente – o Ryker liderando tudo ? Isso está muito estranho, geralmente Viggo é o cabeça da história – mas também o Viggo não aparecia muito antes, bom ao menos não para a minha divisão. Mas porque quer saber tanto sobre ele?
—Ele vai ser meu chefe, quero impressiona-lo.
—É faz sentido, mas se concentre mais no Ryker a princípio, ele que vai te admitir ou rejeitar.
—E como ele é?
—Bravo, bem bravo. Parece estar sempre de mau humor, ele não tem discursos inspiradores e só fala o estritamente necessário com seus homem. Mas é inteligente, bem inteligente.
—Entendi, vou me preparar pra ele.
—É uma boa ideia, Ryker não é muito fácil de se impressionar.
Eu já estava um pouco cansado, e reparei que a posição da lua demonstrava que já estava bem, bem tarde.
—O treinamento de hoje acabou. Nos vemos amanhã?
—Claro, onde vamos nos encontrar?
—Pode ser aqui mesmo, depois vamos ver o Ryker.
—Por mim tudo bem. Até amanhã então.
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Cheguei a Berk pronto para ir direto para casa e dormir feito um Gronckle, mas um som de machado ao fundo da floresta me fez desviar o caminho. Segui aquele som de forma curiosa, mas no final das contas eu sabia quem era a causadora daquele som.
Ao avistar a garota fui me aproximando furtivamente a fim de surpreende-la. Cheguei perto o bastante para ouvir seus pequenos resmungos.
—Sabe, eu estava a sua espera – ela se virou e começou a me encarar.
—Como sabia que eu viria?
—Intuição – ela sorriu de forma provocante.
—Bela intuição. – sorri também a fim de provoca-la – Posso saber porque me esperava?
—Tenho umas perguntas a fazer.
—Perdeu seu tempo garota. Eu não vou responde-las.
—Eu posso pagar pelas suas respostas.
—Seu ouro não me interessa.
—O que você quer então? Vamos diga seu preço.
—Desculpe, não estou a venda, você não vai ter as respostas que procura – eu sorri confiante e ela me encarou com um ódio descomunal, mas mesmo brava ela continua linda.
—Você vai me responder por bem ou – ela apontou o machada para a minha garganta – por mal.
—Alguém já disse que você é muito violenta? Sério, precisa se controlar mais – ela começou a avançar e a colocar o machado em meu pescoço.
—5...4...3 – ela foi chegando cada vez mais perto a ponto de começar a me machucar – 2 – percebi que sua guarda estava um pouco baixa então aproveitei essa pequena distração para puxar sua mão livre fazendo com que o seu corpo se chocasse com o meu.
—1 – eu agarrei sua cintura com uma das mãos e com a outra segurei o cabo do machado contra o seu pescoço. Não posso negar que adorei a sensação de ter encurralado ela, principalmente da parte do corpo dela estar junto ao meu – desiste agora?
—Eu nunca desisto – ela me deu uma cotovelada no estômago me fazendo solta-la. Logo em seguida me derrubou e subiu em cima de mim prendendo meus braços em minhas costas – agora você vai ser bonzinho e vai me responder tudo.
—E se eu não estiver afim?
—Eu te mato -ela pressionou meu rosto contra a terra, fiquei com medo de minha máscara cair revelando meu rosto, ela nunca me perdoaria.
—Se me matar nunca terá suas respostas. – ela afrouxou um pouco meus braços e o peso de seu corpo – Se está tão desesperada por respostas porque não pergunta ao seu amigo.
Pode parecer loucura o que eu estou fazendo, mas não posso deixar o mínimo resquício do Soluço transparecer no Haakon, a Astrid é inteligente, logo ligaria os pontos e perceberia a verdade.
—Quero saber as suas respostas, não as dele.
—O que quer saber?
—Tudo.
—Em primeiro lugar, tudo é algo muito vago, e em segundo lugar, tá meio difícil falar na minha posição – tentei me levantar mas ela exerceu peso sobre meu corpo novamente.
—Eu não pretendo te soltar.
—Enquanto não me soltar eu não vou falar.
—Se te soltar e você fugir eu vou te caçar até o fim do mundo, só pra ver você agonizar no meu machado.
—Você tem a minha palavra, não vou fugir – ela foi tirando o peso de cima de mim lentamente e me levantou, mas mesmo assim ainda ficou me prendendo pelos pulsos.
—Vamos comece a falar.
—Então faça as perguntas — até que não é má ideia contar algumas coisas para ele, afinal pode ser o modo de revelar meus descobrimentos sobre os planos de Viggo sem me expor muito.
—Como conheceu o Soluço? – e lá vamos nós criar mil e uma desculpas.
—Nos mercados do norte. Ele me ajudou com um problema que tive com alguns caçadores.
—Por quê ele te procurou?
—Disse que precisava investigar algo, mas não podia fazer por conta própria, então pediu a minha ajuda.
—Quanto ele está te pagando?
—Nada, é um favor por ele ter me ajudado.
—Eu tenho um acordo pra você – ela me soltou e se afastou um pouco enquanto me encarava.
—Que acordo?
—Vai parar de trabalhar para o Soluço.
—Desculpe mas eu não posso fazer isso. Eu honro a minha palavra.
—Ainda não terminei. – percebi que ela estava meio nervosa, e fiquei me perguntando se esse assunto estava à afligindo tanto a ponto de ela esperar um “desconhecido” na madrugada e confiar tanto nele – Quero que pare de trabalhar para o Soluço e trabalhe para mim – ela chamou a Tempestade que estava escondida na mata, quando o dragão se aproximou ela foi até a bolsa de transporte e pegou uma pequena sacolinha – Isso deve ser o suficiente para os seus serviços, mas se precisar de mais eu posso conseguir – ela atacou o saquinho em mim e quando eu abri encontrei algumas moedas de ouro e umas joias bem simples. Acho que aquilo devia ser todas as suas economias, afinal a família dela mesmo sendo uma das mais importantes e mais respeitadas não é uma das mais ricas.
—Por quê está fazendo isso? Sacrificar seu ouro por algumas informações que já serão dadas ao seu amigo.
—Esse é o problema, as informações dadas, acredito que vai ser difícil ele explicar elas sem dizer que tem um informante.
—E o que isso importa? O problema é dele.
—É você tem razão, o problema é dele, e se o Stoico descobrir ele que se resolva com o pai. – ela se virou de costas e serrou os punhos – Mas eu não suportaria ver o Soluço sofrer, ainda mais sabendo que eu poderia ter feito algo.
-Mas não é justo você pagar e sofrer pelo erro dele.
—Prefiro sofrer do que ver ele sofrer. Ele pode ser um idiota teimoso, mas ainda é a pessoa mais incrível que eu conheço, não suportaria vê-lo triste – aquilo me atingiu de uma forma tão descomunal, não acredito que ela se importa tanto a ponto de se colocar sobre o risco de ser exilada. Naquele momento eu só queria largar tudo, tirar a máscara e a abraçar com toda as minhas forças, eu não sei explicar mas essa garota é a única pessoa que consegue me desarmar de todas as formas a ponto de me deixar 100% vulnerável – e então? Vai aceitar ou não?
—Vou – me aproximei dela e estendi o saquinho colocando em suas mãos – não precisa me pagar, eu vou te ajudar.
—Ué, mas por que não vai aceitar o dinheiro?
—Acho que o Soluço iria gostar que eu te ajudasse.
—Por quê ?
—Ele disse que você é uma pessoa especial, muito muito especial – ela me olhou com uma cara de dúvida, como se me pedisse mais respostas – bom, se vamos trabalhar juntos tenho que te contar o que descobri, certo ? – eu sorri para ela, e ela sorriu de volta.
—Claro – ela se sentou em uma pedra e eu me sentei ao lado dela contando tudo o que eu havia descoberto.
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