Under the Sea
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
A tempestade havia piorado. O convés chegava a deixar a água nos tornozelos. Os marinheiros lutavam contra o vento para tentar arrumar as velas, sem muita sorte.
– STRAW! – gritaram, ao vento. O homem olhava em todas as direções, procurando o autor da voz.
– AYE! – Thomas gritou, em resposta.
– Estamos afundando! – gritou a voz novamente.
Thomas apertou os olhos tentando encontrar a autora daquela voz, ao meio da forte chuva que assolava o navio. E estava ela, sua amiga Amora Bloodbath, no alto das velas, se equilibrando em cordas bambas, procurando soltar a engenhoca que havia emperrado a vela, impedindo-a de conseguir abaixá-la.
Um clarão iluminou o céu, mostrando todo o desespero que habitava nos tripulantes. Gordon, o capitão, comandava o timão na tentativa falha de direcionar o navio para fora da fúria do oceano. Entretanto, não era possível dizer que não poderia piorar, pois do leste uma gigante onda vinha na direção dos infelizes. O pânico foi generalizado.
– Amora! Desça daí. – Gritou Thomas.
– Eu estou quase lá, só mais um pouco...
– A onda vai bater contra o navio e você vai desequilibrar e cair. Precisa pular. Eu te seguro!
Amora olhou ressentida para a onda monstruosa e virou-se para baixo, com receio do pirata não conseguir segurá-la. A chuva cortava em seu corpo com força, os ventos fortes faziam seus curtos cabelos ruivos esvoaçarem, mas isto não interferiu na confiança que tinha. Ela pulou.
Thomas estava, para ela, com os braços abertos, tentando ao máximo manter os olhos abertos ao meio de toda aquela água. Ele estava pronto para agarrá-la quando se ouve um som de tiro vindo de seu lado esquerdo. Em seguida, um emaranhado de cordas desdobrou-se como uma rede, segurando lady Bloodbath. Thomas olhou para trás com um pouco de raiva por ter o seu título de herói tirado, e a imediata, Andrea o desafiava com o olhar guardando sua pistola na cintura.
– Ajude à senhorita Swan a preparar os botes. É eminente que este navio irá afundar. – Ordenou a Thomas em tom sério.
– Sua tola, Phillip! Podia tê-la ferido – O homem vociferou para a loira de cabelos lisos até o ombro.
A mulher arrogante a sua frente deu ombros, em sinal de que não se importava e seguiu seu caminho, ordenando outros homens que fizessem suas respectivas tarefas.
Thomas foi em direção a Elisabeth, que se encontrava de braços cruzados, com uma carranca na cara. Suas roupas, antes sempre endireitadas agora estavam molhadas, deixando o tecido colado no corpo da mulher de cabelos castanhos claros encaracolados a sua frente.
– Vamos, prepare os botes! Precisamos sair do navio. – A mulher ordenou com seu tom arrogante te sempre, fazendo Thomas soltar um rosnado.
– Me ajude! Não esta aqui apenas para apreciar a vista. – Ele retrucou em um tom tanto quanto arrogante.
Ela bufou enquanto ia em direção as cordas dos botes. Suas mãos, antes delicadas, já começavam a sofrer os efeitos do trabalho duro. Sua personalidade não. A garota mimada de Portland sempre estava a reclamar das tarefas que lhe eram impostas, não importando o quão simples elas eram.
A grande onda se aproximava cada vez mais da embarcação, que agora era jogada ferozmente pelas ondas em rochedos pontiagudos.
– TERRA Á VISTA! – Gritou Zachary do alto do mastro. Ele se equilibrava entre cordas e panos para se manter ali em cima.
– Desça daí Lewis! A onda vai nos atingir antes que consigamos... – Começou o Capitão Lance que fora interrompido devido ao alto baque que o navio sofreu.
A onda batera nas poucas rochas que estavam atrás deles, mas isso não impediu que o navio sofresse muito com o grande impacto e batesse em uma rocha maior ainda a sua esquerda.
Lewis se desequilibrou por um momento, mas conseguiu manter-se em pé. Desceu até o convés e analisou o estrago que o navio tinha agora, fazendo uma carranca. Seus olhos verdes cristalinos analisaram toda a situação atual do convés. Homens em pânico, poucos exercendo suas tarefas.
Eles estavam em uma situação péssima. O capitão tentava, sem sucesso, afastar o navio das rochas que os cercavam.
E então o pânico começou quando outra onda os atingiu, lavando o convés e alguns tripulantes. Ao longe, Thomas pensou ter ouvido uma doce melodia, mas não durou muito tempo pois segundos depois ele se encontrava no chão, inconsciente. Um pedaço do mastro havia se partido e acertado-lhe em cheio.
A doce melodia, antes ouvida apenas por Thomas, se aproximava cada vez mais de onde estavam. Os homens pareceram então não se importar com o perigo que os cercavam e se atiravam a encontro do Cacifo de Davy Jones.
As mulheres a bordo encaravam a situação perplexa. Não entendiam o que estava ocorrendo, nem ao menos de onde vinha aquele som que para seus ouvidos, era repugnante.
Andrea começou então a amarrar os homens em alguns pontos altos do navio e a recolher suas armas para que estes não tentassem fugir. Ela ignorou as suplicas daquelas ratazanas, afinal ela estava poupando-lhes a vida.
As outras, ao ver o que Andrea fazia, começaram então a ajudá-la, muitas vezes nocauteando os homens distraídos e abobados com o som em suas cabeças.
Agora, até o capitão está amarrado ao convés, e as damas esperavam, em vão, que aquele som cedesse.
Elisabeth sentia falta de um marinheiro específico no local. Avistou então, Zachary indo em direção à proa, absorto com a melodia que cercava seus ouvidos.
– ZACK! – Ela gritou, tentando atrair o pistoleiro.
Este se virou para a dama encarando-a, como se tivesse saído de um transe sem compreender o que ao certo havia lhe acontecido. Tentou então, ir em direção à garota, cambaleando ao andar.
O navio chacoalhava e se debatia diante das rochas e ondas que o cercava. A tempestade, impetuosa, apenas aumentava a sua fúria perante aquela tripulação.
A última coisa que todos viram foi um lampejo de luz atravessando os céus e uma grande onda atingindo o navio, que cedeu.
Tudo então se tornou escuro, e a melodia, repugnante para alguns e hipnotizante para outros, cada vez mais próxima.
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