Notas iniciais
O primeiro capítulo está aí, narrado pelo nosso lindíssimo Thomas. Cada capítulo terá um personagem narrando para deixar uma história mais versátil com vários pontos de vista (sem ficar cansativo, claro). Bem, espero que vocês gostem. :D

Thomas Straw

Apreciava o oceano a minha frente enquanto ouvia o som de gaivotas ao fundo. As últimas luzes do sol tocavam levemente minha pele. Inspirei aquele aroma salgado, absorto em pensamentos.

Fazia exatamente uma semana que eu fora destituído de meu cargo como Comodoro devido a minha grande bebedeira. Uma semana que minha noiva me largara, extorquindo tudo o que eu tinha, até o ultimo centavo. Uma semana que eu acordava todos os dias de resaca e para ameniza-la, bebia ainda mais.

Minhas roupas estavam o mais limpa que uma pessoa de minha classe podia ter. Uma leve blusa branca e calça marrom, da mesma cor de minhas botas. Tinha minhas duas espadas embainhadas juntamente com minha pistola e bússola. Meu guarda-pó caia sobre meu copo levemente e meus cabelos presos em um laço.

Minha pouca bagagem, hospedada sob meus pés, enquanto eu observava o horizonte, pensando o que seria da minha vida a partir daquele momento.

– Ei, ratazana! Hora de embarcar. – Disse uma voz feminina autoritária atrás de mim, tirando-me de meus pensamentos. A mulher que se referia a mim possuía cabelos lisos loiros e curtos que não chegavam á nuca. Levava uma franja desorganizada sem muito corte e com pouco volume e me encarava com seus olhos castanhos. Por mais feminina e delicada que parecesse, suas roupas de alto calão e seu olhar penetrante a dava um ar respeitável.

– Sim senhora. – Bati em continência, ainda analisando a mulher agora a minha frente enquanto me encaminhava para o único navio que estava ancorado naquele porto.

Encaminhava-me lentamente para a embarcação que me esperava até que me deparei com uma cena peculiar diante de meus olhos.

Uma donzela de longos cabelos cacheados castanho claro, vestida de maneira muito extravagante para o local isolado que estava, gritava com um simples swab que se recusava a carregar seus muitos pertences para o navio, justificando que ele não trabalhava para a jovem.

Encarei a loira a minha frente. Ambos com a mesma cara de desentendimento. Resolvi intervir. Fui de encontro á jovem moça.

– Posso ajuda-la? – Eu perguntei, com o pouco de educação que ainda me restava.

Ela revirou os olhos.

– Até quem fim um cavalheiro! – Ela começou claramente se sentindo irritada com a situação. – Esse marujo não quer levar meus pertences á bordo! Disse que se eu os quisesse eu mesma os levava! Quanta ousadia vinda de um ser tão inferior quanto ele!

Ela se pôs a berrar e iniciar novamente uma discussão com o swab que já estava quase perdendo os bons modos na frente daquela senhorita da alta sociedade.

A mulher loira, que havia me convocado minutos antes, observava tudo a distância e antes de mais uma discussão sem nexo se iniciar ela se posicionou.

– Senhorita, eu sou Andrea, a imediata desse navio. O que uma senhorita como você faz vindo a um lugar frequentado por piratas e claramente querendo embarcar em uma tripulação de tais? – A imediata questionou, mantendo sua pose e autoridade.

– Eu estou aqui porque quero participar! – Disse a senhorita demasiada teimosa e mimada a minha frente.

– Mas que porr... – Começou o swab.

– Contenha-se ratazana imunda. Já discutiu muito por hoje. Vá terminar seus serviços e ajudar aqueles outros cães imundos! – Disse a Imediata, que continuou, agora, referindo-se a donzela a nossa frente. – Senhorita...

– Swan. – A jovem completou.

– Ok, Swan. Diga-me o que uma lady de alta classe quer em um navio de tripulantes foras da lei, malcheirosos? – Questionou Andrea.

– Os motivos pelos quais estou vindo não lhe interessam. Só precisa saber que estou disposta aos... Trabalhos. – Ela disse, enfatizando a palavra ‘trabalhos’, como se o simples fato de trabalhar lhe causasse repugnância.

Andrea riu secamente e percebeu a minha presença ali, observando aquela cena que se fazia.

– Você! Já não mandei você embarcar? – Ela disse, se voltando novamente para a jovem.

Sem dizer nem uma palavra deixei o local onde as duas mulheres conversavam. Pareciam estar chegando a algum tipo de acordo quando embarquei e observava tudo ao longe.

Isso não era algo que se via todos os dias. Uma jovem de alta classe se submetendo á pirataria? Claramente sem querer deixar seu luxo e modos para trás? Ri comigo mesmo. O mundo já não é mais o mesmo afinal.

Observei as duas moças então entrarem a bordo do navio. Ambas rindo e conversando animadamente como se fossem amigas de longa data.

– Zachary! – Grita a imediata. – Ajude à senhorita Elisabeth Swan com seus pertences!

– Ola senhorita. – diz o jovem, estendendo a mão para a lady, que lhe ofereceu a dela. Ele então depositou um leve beijo em sua palma em sinal de cortejo. – Sou Zachary Lewis, mas a senhorita pode me chamar de Zack. Estarei aqui sempre que precisar. – ele disse claramente a cortejando. Lewis aparentava ter menos de vinte anos, com cabelos loiros, barba por fazer e olhos verdes. Percebi que este era o típico galanteador. Conquistava jovens virgens e as usava ao seu mero prazer.

A jovem Elisabeth corou com o cortejo. Ela tinha caído em seu jogo, afinal.

– Pode me chamar de Liss. – ela disse por fim, com as suas bochechas levemente ruborizadas.

Revirei meus olhos e não me permiti ouvir o restante do diálogo dos dois. Bufei levemente e encarei o horizonte a minha frente. Em poucos minutos não haveria mais a luz do sol e então, partiríamos para a nossa pequena jornada.

Senti que alguém me observava de longe, ao me virar, me deparo com pares de olhos conhecidos. Amora.

Sorri abertamente e fui a sua direção.

– O que faz aqui? – Eu a questiono.

– Deveria perguntar o mesmo! Afinal, você não era Comodoro? – Ela questiona inocentemente.

Desvio o olhar e suspiro lentamente. Não queria conversar sobre isso com ninguém, pelo menos não por agora.

Como se lesse minha mente, Amora Bloodbath com seus cabelos ruivos e brilhantes, sua doce inocência e seu leve humor me puxou pelo braço.

– Venha. Não precisa falar se não quiser. Está na hora de comermos. – Ela disse, antes de começarmos uma conversa banal de velhos amigos.

Este fora um dia interessante, afinal.

Notas finais
Notas: Swab: marujo que limpa o convés Se gostaram ou se tiver alguma crítica ou dúvida, comentem.