Under The Test: A Prova Mortal
1 O teste, o enigma e o fim.
Notas iniciais
Aperto o cantil com firmeza em minhas mãos embora toda a água que havia ali dentro há muito tivesse acabado. Meus músculos relaxam e me mantenho imóvel debaixo do que sobrou de árvore. Aquele custumava ser um dos pontos mais frequentados da minha cidade, Recife, agora só sobrara restos de beleza naturais em todo o mundo. A lagoa do araça não era exceção com suas árvores antes verdes que agoram tinha uma cor morta, um marrom desgastado pelo tempo, pela poluição e pelo descuído. A própia lagoa se tornara lixo tóxico, a água suja parecia totalmente negra como as águas do rio estige.
De longe o mau cheiro do rio era de incomodar, mal aguentava esperar ali sem ter vontade de sair correndo. Não posso deixar de pensar que se tivessemos feito as perguntas antes isso poderia ter sido evitado. "E se não jogassemos tanto lixo na rua?", "E se parassemos de nós importar com a poluição dos mares?" . A falta de questionamento nos levou a destruição e agora o mundo inteiro estava mergulhado na poluição que se tornara incontrolavél. Recife é uma das cidades mais limpas do Brasil atualmente, outras como São Paulo se tornara tão suja que o simples fato de chover era preucupante.
O poder governamental havia se concentrado na mão de apenas um partido que tomara o poder de quase todo o mundo, ou pelo menos o que restou dele. Nosso governo não era bom e muito menos ligava para as pessoas, eram eletista e só ligavam para as áreas mais ricas. Meu distrito, Pernambuco, era um dos mais beneficiados por sermos uma das únicas cidades "limpas". Existem portões que rodeam a cidade em toda sua extensão, pois dizem que fora da área: Recife, Jabotão existem coisa que não podemos ver, todos os estados possuiam um portão que isolava-os do mundo exterior e os unicos que atravessavam o portão era alguns que trabalhavam fora dele. Graças a isso tinhamos uma regra de controle populacional, você viver ou morrer era mais por sorte, não podiamos passar do número de 850 mil pessoas, já que os prédios em sua grande extensão não eram seguros, apenas alguns eram ocupados e a maioria de nós se organizava em casas. Eramos o estado responsável pela produção de algumas coisas e exportação/importação graças a um dos únicos portos que ainda funcionavam em todo o mundo, ele ficava fora dos portões e os que trabalhavam lá viviam por lá, nós que estavamos do lado de cá fabricavamos e mandavamos para o porto. Deve estar se perguntando o que fabricávamos, muitas coisas na verdade. Alguns tipos de comidas que vinham do nosso criadouro de animais, nas fazendas improvisadas, cultivamos comidas, em geral eram industrializadores de alimentos e nosso estado era declarado rico.
Haviam outros estados que tinham suas áreas de produções específicas, Minas Gerais era responsável pelos produtos da terra, o nome se relacionava porque era o lugar onde tinha coisas raras, as pessoas trabalhavam em minas em busca de prata, ouro e qualquer um desses materiais que valessem a pena, porém era considerado um dos estados mais pobres devido a exploração que sofria, as condições de vida lá eram bem escarças. O rio de janeiro, antes uma das mais belas cidades, havia se tornado um dos lugares mais caóticos pelo simples fato de que muita gente não queria entregar sua área, e o governo queria toma-los, uma guerra civil estourou por lá a uns 30 anos atrás e por isso a cidade é quase toda destruída,são responsáveis pela guarda militar. Brasilia é sem dúvidas o estado mais rico, e um dos mais conservados, lá fica o planalto onde os presidentes se encontram, antes o estados unidos era o centro mas agora é o Brasil então em geral o presidente do Brasil é o mais filho da mãe, não gosto de lembra que estamos assim por eles e sua arrogância. O Rio Grande do Sul foi um dos que mais se salvaram, é um estado rico pois é como se fosse São Paulo só que sem tantos prédios, produzem grande parte dos materiais de industria incluindo alguns tipos de alimentos e água também, já que algumas cachoeiras de lá se salvaram e eles tem uma tecnologia fantástica que retira a sujeira da água, mas só a sujeira de lá já que é o menos poluído. Os produtores tecnologicos ainda estão tentando desenvolver algo que limpe nossa água mas enquanto não acham estamos tirando água das zonas polares as unicas que ainda estão limpa e do Rio Grande do Sul, porém é um processo que da trabalho, ah, o estado responsável pelas tecnologias é Nova Iorque nos Estados Unidos, sim, agora não há bem uma divisão de países, é como se todos os continentes fossem parte de um só mas ainda tem uma separação de poderes e todo poder é concentrado no rei, bom, chamamos ele de Christ Grace, um genial empreendedor e administrador de continentes... Seja feliz se ferrando enquanto produz algo para ele, claro há outros estados mais pobres como...
– Pronto Ed, foi mal a demora.
A voz de Jace me assustou, me tirando do torpor quase no mesmo instante. Voltei ao mundo, uma pena. Eu tentava não reclama de estar ali sempre mas as vezes tinha minhas dúvidas sobre viver ser melhor que morrer e você logo entederá porque.
– Precisamos disso para antes da escolha, você sabe, não vai ser legal saber quais são as provas desse ano pessoalmente. — Falei
– Como se isso fosse impedir de sermos escolhidos, sério estamos ferrados.
– Nosso QI tem de ser acima da média lembra? Se essa sua porção der certo ficamos mais lerdos por 2 dias, nosso QI desce... Não entendo porque você ainda não foi encaminhado para Nova Iorque, se daria muito bem trabalhando com tecnologias. — Refleti — Você sabe, química é sua área, Jace.
– Edward, xiiiiu... — Ele me olhou com certa advertência — Você sabe, odeio as pessoas de nova iorque, se acham eruditas e mais inteligente que as outras, são arrogante e acham que a solução para o mundo e nos jogar numa prova em que a maioria dos grupos morrem.
Dei de ombros, era verdade. Nós tinhamos provas digamos... Assustadoras. Todos os anos um grupo de pessoas de cada estado era jogado numa das provas e essas pessoas tinham que ter QI acima da média, era uma forma de diversão para o presidente ver como nossa mente lidava com os problemas. Ele disse que havia uma grande surpresa por trás de tudo e que quando o número exatos de jovens revelaria. Os cientistas de Nova Iorque todos os anos faziam uma nova prova, mas a prova não consistia apenas em fazer algo no papel... Ano passado todos foram mandados para uma floresta, não comum... Era assustador, possuia animais enormes e que você jamais iria querer imaginar, modificados pela poluição, por quimica, a regra da prova era que um dos grupos encontrassem uma saída e sobrevivessem, se um grupo se encontrasse com outro ai eles teriam de se matar. Os vencedores eram mandados para Nova Jersey, o local onde ficavam os "aprovados". Nova Jersey era limpa e tudo lá parecia bom, exceto pelo fato de que a maioria das pessoas tinha receio do futuro, de passar por tudo de novo.
– Você poderia mudar isso — resmunguei — As coisas tem um lado bom.
– E se tem, mas você sabe... Uma pessoa não muda o mundo — Jace me jogou um frasco — Agora beba, e o teste não vai funcionar em você.
Os olhos verdes de Jace combinavam bem com sua cor de pele, pálido como parede branca, não entendia como já que o Sol e recife era bem castigante, ele era diferente de min, os cabelos loiros faziam parecer gringo. Eu era tipico pernambucano, cabelos castanhos claros porém lisos, olhos da mesma cor e pele branca. Bebi o frasco com o líquido azul e Jace fez o mesmo, tinha gosto de rémedio daqueles bem cruelmente ruim.
– Aaargh — Fiz uma cara feia — Você podia melhorar o gosto.
– Calado, vamos nos atrasar para o teste e ai vão pensar que estavamos conspirando contra eles. Vamos logo Edward levanta essa bunda co chão.
Me levantei sem nenhuma pressa, se os cientistas sabichões queriam pensar coisas que pensasse, eu odiava todo aquele controle populacional de merda. Tinhamos que pagar caro por ter nascido. Jace não me esperou nem alongar simplesmente saiu correndo, como se fosse pegar o metrô, não queria ficar para trás então sai correndo sem me alongar mesmo.
– Espera ai! Você... Está tão... Apressado? — Falar correndo não era muito fácil.
– Você as vezes é viajado cara, o efeito da porção começará a fazer efeito e você vai se sentir lento em 15 minutos e o tempo de chegarmos la. — Ele não parava de correr e entrar em ruas.
Enquanto corro noto o que havia acontecido, era como se tirassem tudo que é belo do mundo. As paisagens verdes,os lagos azuis,os cheiros bons,os predios bonitos, o céu azulado, tudo isso não existia mais. O asfalto do solo era todo desasjustado e esburacado, as ruas eram ainda piores com poças de lamas terriveis e as casas corroídas pelo temo e pela sujeira. Alguns prédios pareciam estar se despedaçando como se tivesse sido comido pela chuva.
– Talvez esse ano seja no mar, uma arena no mar seria cruel.
Jace pareceu pensar sobre o assunto.
– A prova das águas... Quem sabe, Ed? Não quero nem pensar... Eles põe tudo para mostra na TV, é uma crueldade miserável!
Jace se irritava com tudo aquilo, eu me irritava também e isso nós tinhamos em comum, a vontade de esganar aquele maldito presidente e aqueles malditos governantes ditadores.
– É — Disse lembrando-me do ultimo ano, senti uma raiva me consumir — É bastente crueldade.
Os longos minutos que se passaram foram silenciosos, Jace não disse nada e eu também me limitei a ficar calado, apenas corremos, um tempo se passou até chegarmos onde deveriamos, onde custumava ser a faculdade Universo, ou se preferir universidade salgado de oliveira, USO, acho que fica menos rídiculo. Sentamos nas cadeiras de espera, seríamos um dos últimos. Senti uma onda de nervosismo me invadir, esperava que a porção de Jace fizesse efeito que meu QI ficasse abaixo, que eu não fosse aprovado, não queria ir para as provas e não queria mesmo. Tempo e mais tempo se passou, a sala estava silenciosa como se o luto se instalasse ali como se todos já estivessem escalados para a prova. A porta da sala se abriu e mais um dos garotos saiu, parecia calmo e normal quase que calmo demais.
– Edward Kyler
Estremeci quando ouvi aquilo, derrepente senti o nervosismo tomar conta de min. Lembrei das palavras de Jace "A porção fará efeito em 15 minutos", eu não havia sentido nada. A mulher me fitou como se tivesse notado meu tique nervoso, os olhos dela eram azuis quase perigosamente inteligentes e o cabelo um loiro simples mas chamativo sem dúvidas natural lisos e soltos de forma que ela parecia bonita mas intimidadora, parecia o tipo de pessoa que leria sua mente.
O que vi depois de entra na sala me pareceu ainda mais surpreendente. O local era quase todo repleto de espelhos formando uma fileira de reflexos que pareciam uma ilusão, eu me vi em todos os lugares. Os olhos castanhos assustados como o de um cachorro quando estava prestes a ser espancado, a pele branca quase mais pálida que a de um vampiro como se eu fosse desmaiar.
– Sente-se — A voz da mulher parecia suave mas tinha tom de ordem — Começaremos o teste, só irá doer um pouco.
Me sentei na cadeira a frente, não sabia como funcionava o teste era minha primeira vez, passavamos por aquilo 3 vezes, uma com 16 anos que era meu caso, depois com 24 anos e depois aos 26. Depois disso se não fossemos escalados para a prova estavamos livres dela. A mulher me aplicou uma agulha sem delicadeza alguma como se tivesse perfurado concreto com uma furadeira,havia sido certeira acertando a veia e derrepente sentir algo novo, como se tivessem me injetado adrenalina mas a sensação se misturava com uma ardência mesmo que fraca por todo o corpo.
Eu nunca vou entender o que aconteceu a seguir. As coisas mudaram tão rápidamente que parecia que eu havia desmaiado e que eu tinha sido mandado para outro local. Tudo ao redor agora se tratava de concreto, o solo rochoso, puro mármore. Eu deduzi que estava no pátio de algum castelo, as paredes subiam metros acima de min e eu parecia estar no meio delas. O céu estava morto, uma mancha cinzenta quase negra, pensei no quão ruim aquilo poderia ser. Me dei conta de uma coisa que não havia notado, o chão seguia o padrão preto e branco, como um tabuleiro de xadrez, havia também um botão escondido misteriosamente na extremidade de umas paredes.
– Tem que ser alguma coisa.
Apertei o botão rezando para que ele fizesse algo mágico, bom ele fez, peças de xadrez brancas surgiram no tabuleiro, acima do botão havia escrito:
T P C B
B O H A
4+D , 1- A , A+B , 2
P P R P P T
S O F T H E
1 — A , A — A , C+C , 0 , 6 , 5
Tudo estava um abaixo do outro formando uma equação tão confusa que eu soltei um suspiro de desistência, se aquilo era o teste de QI então eu não precisava me preucupar, jamais adivinharia o que aquilo queria dizer, nem me esforçaria. Mas então se passou uma, duas, três horas e nada daquilo acabar. A chuva parecia querer vim a cada minuto e deduzir que chover não era bom ali... A chuva ácida devido a poluição elevada causava danos na pele, não em todos os lugares e só nos mais poluídos como no caso de São Paulo, quando o céu era tão negro podia significar um sina de poluição, a chuva ácida seria então como o própio nome, como o ácido, eram extremamente tóxicas e doeria como ferro em temperatura de fusão sob pele humana, só de pensar na dor parecia ser enlouquecedor.
– Não tenho escolha, droga!
Sentei-me na frente da placa tentando entender, 10, 20, 30 minutos e não tinha ideia do que estava querendo dizer, olhei o tabuleiro de xadrez que havia se formado e tentei fazer uma conexão. Nada... Qual era o sentindo daquilo?! Estava quase a ponto de enlouquecer, sentia que tinha se passado horas, ninguém demorara tanto quanto eu.
– Boha Softe... Boha Softe... Boha Softe
Disse repetindo tentando dar algum sentido aquilo, mas nenhum sentindo parecia surgir.
– T b c b, p p r p p t.
Eu conseguira destinguir essas duas coisas: "Boha Softe", que parecia algo de outra língua e " T B C B — P P R P P T", uma condificação, mas não dava para fazer anagrama com essa codificação não tinha vogais.
– 4 + D, 1 — A...
Agora parecia que entrava uma equação, aquele código era quase uma sacanagem. Mas pensei a respeito das coisas... Um tabuleiro de Xadrez aparecia após clicar um botão, e logo depois um código?
– Boha... Softe... Boa Softe... — Então algo me veio a cabeça — Boa Sorte!
Exclamei, tirando o H ficava boa e softe soava muito parecido com sorte. Montei em minha mente então "Boa Sorte" e de sobra ficou " H F". Tudo parecia se montar, lembrei-me de como se montava as estrategias num tabuleiro de xadrez "2a , 4b, 7c". Peguei uma pedra e arrenhei a parede de concreto anotando aquilo " H F" , pensei mais sobre o tbauleiro então fiz uma montagem dele com a pedra na parede.
A 1 2 3 4 5 6 7 8
B
C
D
E
F
G
H
Achei que isso ia me dar uma luz mas foi exatamente ai que parou, o que foi péssimo... Meu tempo parecia ter acabado, as primeiras gotas finas de chuva caíam sob o pátio rochoso ,a pricípio nenhuma dor. Não deu cinco minutos para a chuva começar a ganha proporções maiores, eu baixei a cabeça para que gotas não caíssem nos meus olhos e as gotas pareciam espinhos de ácido,cada toque delas na minha pele causava um queimor como se fosse um produto químico de tortura.
– Aaaaaaaaaarghhhh! — A dor percorria todo meu corpo.
Uma mistura de medo e adrenalina me correu, aquilo parecia muito real, e se eu tivesse perdido a noção no teste e parado ali, a dor se alastrava pelo meu corpo como um veneno mortal e me forcei a pensar mais rápido.
"Tem que ter uma lógica...."
Então minha mente se abriu, como uma espécie de "Click", como pode não notar? T P C B podiam corresponder a peças do tabuleiro: Torre, Peão, Cavalo, Bispo... B O H A correspodiam as casas: Casa B , Casa H, e casa A, o O ficava de fora, por isso acima dele o "P", "Peão" a peça menos importante. Depois disso as coisas pareceram facilitar mais ainda 4 era o número da casa e D era a casa 4, 4+D = 8, já que estavam organizados um abaixo do outro aquilo significava Torre: b8.
Corri para pôr a Torre do tabuleiro do solo na casa b8 do tabuleiro que era o pátio quase todo, ela pesava pouco era de madeira mas era quase do meu tamanho, tive de arrasta-la a chuva queimando minha pele pouco a pouco.
Então mais uma vez coloquei os parafusos para funcionar, a dor me movia, ela me deixava a necessidade de ser rápido e seguindo a mesma lógica o O era mesmo desprezível havia dado: Peão: O0. Passei para a próxima: Cavalo: H3 (A era a casa número 1 e B a número 2, A+B seria o mesmo que 1+2 então.) Posicionei o cavalo na casa H3,e prossegui, as forças que me restavam estavam indo embora como se estivessem sendo consumidas pela dor, seria a chuva como o ácido e meu rosto, minha pele, tudo ardia como se lava caísse por cima. Continuei tentando resolver: Bispo: A2 e movi o bispo, voltei a placa para verificar o código fiz aquilo mais duas vezes e então cai no pátio.
"Já era... É o fim"
Caindo, todas as cores desaparecendo da minha vista. Eu estava definhando, a dor consumindo todo meu corpo e eu sentia que a chuva iria me matar, me transforma em sobras de ossos e isso se sobrasse ossos, a dor era insurportável e acho que não notei, mas eu estava chorando enquanto grunhia de dor. Aquilo estava anulando minha respiração, a sensação de se estar morrendo era aterrorizadora e ainda mais daquela forma e então simplesmente tudo parou...
Fim do Capítulo 1.
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