Under The Moonlight
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Parada no parapeito da janela olhando para o céu estrelado com os olhos aflitos, era quase como se houvesse viajado no tempo. Tinha sido numa noite como aquela,e ela nunca,por mais que tentasse esqueceria.
Quando as dores começaram, ela estava naquele mesmo parapeito, quase dezessete anos atrás, só que naquela época, os cabelos eram cacheados e compridos, e seus olhos mesmo que nos últimos meses estivessem sempre cansados, eram felizes em outra magnitude. Era jovem e apaixonado,mas o fato de ser quem era,transformava sua vida num jogo impossível de trapacear. Princesa Catarina.
Quase conseguia escutar os gritos de raiva de sua mãe, naquela época rainha vitoria que dizia sem parar que ela havia destruído seu futuro, com os olhos semicerrados ela havia se recostado no parapeito da janela e acariciado a barriga, cantarolando uma antiga cantiga de ninar para afastar a voz tirana da mãe ao fundo. Seu pequeno menino havia se mexido, e ela sorriu olhando para a lua, e sem querer ela havia pensado em como seria.
Ela era uma princesa, a única herdeira do principal reino do oriente. Não poderia simplesmente fingir que não estava grávida. O pensamento doeu em seu peito, nunca havia pensado nas conseqüências, estava tão apaixonada que tinha se rendido no primeiro toque. Mas o destino tinha sido injusto com ela, tinha pensado realmente que ele a amava, que queria o melhor dela e sua felicidade e ela havia pensado que mesmo ele sendo apenas um pobre camponês, sua alma era nobre como a de seu prometido nunca seria.
E quando contou que estava grávida ele não havia se apavorado, seu rosto lindo e juvenil havia se enchido d lagrimas de alegria e tinha apertado suas mãos junto ao coração e lhe dito que na manha seguinte iriam fugir juntos, e criariam a criança humildemente, mas com amor e proteção. Aquela tinha sido a ultima vez que ela o viu.
Como se fosse algo recente, ela se lembrava de cerrar os punhos quando se lembrou do rosto de seu amado, e seu menino deu um pequeno chute em resposta. Ela sorriu e afagando-o mais um pouco se permitiu escutar quando sua mãe lhe disse que o príncipe Felipe havia aceitado se casar com ela, por intermédio da mãe dele, pelo fato de se tornar rei.
Revirando os olhos com incredulidade ela perguntou a mãe se o príncipe assumiria seu menino, e ela rindo disse que o menino iria ficar escondido, e que de fato nunca chegaria a ser rei. Ela gritou com a mãe depois disso, e reclamando alto sentiu quando uma dor tomou conta da espinha, algo quente desceu pelas pernas e sua mãe com aquele olhar incrédulo, apenas a encarou por um longo momento antes de arrastá-la por umas infinidades de corredores, ela deu a luz por volta da meia noite, num casebre infectado perto da fronteira.
Mas de fato nunca soube se era mesmo um menino,não chegou a vê-lo. Quando a dor enfim parou ela viu o olhar que sua mãe e a parteira trocaram,e por um minuto os olhos da parteira demostravam duvida sobre o que falar,em seguida a voz de sua mãe veio carregada de um falso pesar.
_ Esta morto.
Sequer ela havia deixado ela segurar o corpo de seu pobre menino morto. Sequer falaram se era um menino. Entre gritos e dores,Catarina se lembrava de ter implorado a mãe que permitisse a ela segurar seu menino uma unica vez. A rainha porem,havia olhado para ela como se a filha estivesse louca,enrolado o menino ensaguentado em um pano escuro,e com uma paciência inquietante e com os olhos frios,mandado a serva se livrar do bebê,do seu menininho.
Meses depois ela estava casada,com um príncipe que por muitos motivos e principalmente por ser o primeiro com quem ela pode conversar sobre a dor incessante que sentia no peito,havia se tornado seu grande amor. Seu marido.
Aquela noite faria 17 anos que seu pequeno menino havia morrido. Ela soltou uma flor de lírio que o vento arrastou ate o mar poucos metros a frente,e quando uma lagrima desceu pelo seu rosto,ela escutou as vozes de suas filhas lhe chamando e a secou com pressa.
_ Algumas feridas nunca cicatrizam- Rainha Catarina falou pra si mesma- eu já devia saber.
Se virando para sua família e seu reino a rainha não percebeu o quando longe o vento havia levado o lírio,e nem que algum ponto acima do oceano suas folhas tenham se soltado,mas por alguma razão permaneceram voando juntas pra alem do reino e seus fronteiras. Passando por cima das cidades e dos muros,dos cavalos e amantes,e voando livremente em busca de um novo horizonte,chegaram em um reino diferente,e entrando por uma janela aberta,pararam ao lado de uma bela jovem que dormia agarrada a livro com um titulo bordado a mão.
Não era um menino afinal.
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