Notas iniciais
Historia boba que deu vontade de escrever.

A neve caia formando uma grossa camada de gelo sobre o asfalto úmido, não passava das seis da tarde da véspera de natal, eu estava sentada às escadas frontais da minha casa observando cada floco de neve tocar o chão, as decorações natalinas brilhavam iluminando toda a rua onde a monotonia reinava.

Meus pensamentos direcionavam-se para o natal passado, eram boas lembranças, infelizmente lembranças. Estas seriam as primeiras festas sem Selena ao meu lado depois de 12 anos. A melancolia que me perseguira o ano inteiro apenas aumentou com a chegada das datas, era insuportável saber que não a teria ao meu lado para festejar mais um ano da nossa amizade.

Logo teria que entrar e fingir meu sorriso diante de minha família, eu sorria e eles acreditavam convictamente na minha felicidade, como poderiam ser tão tolos em acreditar que seria feliz longe da pessoa mais importante da minha vida? Como ela poderia ter me deixado mesmo sabendo que também iria sofrer? Essas perguntas ecoavam em minha mente desde sua partida, mas não existiam respostas para elas. As cartas que havia me prometido ficaram apenas nas promessas, e as ligações que não atendiam era a prova de que tudo que tínhamos se fora. Agora as lágrimas rolavam e quase podia sentir as gotas cristalizando em minha face por conta da baixa temperatura.

– Demi? – A voz conhecida, porém não a desejada me chamava.

– Taylor, olá. – Levantei o rosto secando as lágrimas imediatamente.

– Está tudo bem? – Sentou-se ao meu lado. – Por que choras?

– É apenas a época, toda essa melancolia festiva me emociona. – Menti.

– Depois de tantos anos ainda tenta enganar-me? – soltou uma risada involuntária – Diga-me a verdade. – Ela tinha conhecimento da minha resposta, mas insistia em ouvir dos meus lábios.

– Eu não preciso te dizer, você é a única pessoa que percebe a minha infelicidade e sabe o motivo dela. – Deitei em seu ombro.

– Isso vai passar querida.

Taylor era certamente uma boa amiga, nunca fomos muito próximas apesar de sermos vizinhas desde sempre, mas ela sempre esteve ao meu lado, havia boas lembranças de nossa infância, porém houve um afastamento significante quando Selena passou a ter presença efetiva em minha vida, o que acabou com a sua partida. Talvez algo nela incomodasse-a, ou se sentira ameaçada de alguma maneira.

– Vai ficar aqui conosco? – Questionei-a

– Eu gostaria, mas meus avós vieram para as comemorações e, você entende não é?

– Claro que sim. – Falei sem ânimo.

– Demi, você não pode ficar assim pra sempre. – olhou-me nos olhos – Ela é realmente assim tão importante?

– Eu a amo Taylor, a amo de verdade. – Desabei em lágrimas.

Ela secou minhas lágrimas e beijou-me na testa, levantando-se em seguida sussurrando um “vai ficar tudo bem, conte comigo” antes de virar-se e responder o aceno de sua mãe à porta.

– Feliz natal Demi! – Senhora Swift agora acenava para mim.

– Obrigada! – Fingi um sorriso, antes que ela fechasse a porta com a entrada de Taylor.

Passei alguns minutos de olhos fechados relembrando tudo que acontecera nesse ano, era a mesma visão, apenas a estação mudara, eu estive ali todas as tardes sentada na escada da frente olhando a rua. O tempo parecia não ter passado, entretanto já eram quase nove da noite, pretendia entrar, apenas mais uma olhada para a antiga casa da família Gomez e voltaria para o “conforto” do lar. Pousei a mão na maçaneta e dei uma ultima olhada.

– Demetria? – Meu coração parou.

– Apenas me chame de Demi, Marie. – Ninguém no mundo me chamaria de Demetria com aquela suavidade.

– Só se você voltar a chamar-me de Selly. – Subia a escada de braços abertos.

– Eu senti tanto a sua falta. – Abracei-a com todas as minhas forças.

– Não consegui respirar longe de você. – Me olhava nos olhos.

– Então por que voltaste apenas agora?

– Estava reunindo forças suficientes para dizer-lhe algo. – Desviou o olhar.

– E conseguiste? – Puxei seu rosto fazendo com que ela voltasse a me encarar.

– Agora, preciso de forças apenas para lidar com a tua reação. – Me abraçou novamente. – Porque o que eu tenho para falar-te é que... que...

– Não consigo mais esperar. – Aproximei-me dela e colei nossos lábios, sua reação foi imediata, correspondendo ao meu toque. – Você está sob do visco.

– Eu te amo. – Disse com os lábios ainda próximos aos meus.

– Por que demoraste tanto para perceber isso? – Dessa vez ela me puxou para um beijo mais demorado, segurou minha nuca e depositei minhas mãos em sua cintura pressionando-a contra a porta. Parávamos alguns segundos para respirar e reiniciávamos o beijo, agora ela me pressionava contra a porta que de repente abriu-se e caímos na sala de estar.

–Meninas? – Exclamou minha mãe. Todos os parentes nos olhavam espantados, eu estava sob Selena que agora estava corada e me ajudando a levantar.

– É, olá. – Selena acenou para minha mãe e fingiu um meio sorriso.

– Selena que bom que você voltou. – deu um meio sorriso. – Demi, precisamos conversar lá fora. – Empurrou-me para fora sendo seguida por Selena.

– O que foi? – Fiz-me de desentendida.

– O que você pensa que está fazendo Demetria? Envergonhando-me na frente de todos? – Gritava – E você – apontava para Selena – eu não vou aceitar esse tipo de falta de respeito!

– Isso se chama amor. – Selena interveio.

– Acho melhor você ir embora Selena.

– Você não pode falar assim com ela! Por que você não percebe que ela é a única pessoa que me faz feliz? Estive infeliz todos esses meses em que ela esteve ausente. E agora que ela volta pra ficar comigo você me vem com essa de ”falta de respeito”? Se ela for embora eu também vou!

– Então acho melhor que pegue suas coisas. – Entrei puxando Selena que agora estava em choque e não dissera uma palavra.

Arrumava minhas malas com tranqüilidade, tinha a certeza de que estava fazendo a coisa certa, e não me importava em deixar tudo para trás, eu a amava e era a única coisa que realmente importava. Tê-la longe de mim foi a pior experiência pela qual já passei, não deixaria que aquilo se repetisse novamente nem minha mãe impedir-me-ia de estar com ela.

– Demi, me desculpe, eu não queria vir aqui e simplesmente destruir a sua vida. – Agora chorava – Eu só queria que você tivesse conhecimento dos meus sentimentos.

– Você foi a melhor coisa que acontecera na minha vida. –Abracei-a – Não precisa me pedir desculpas, eu vou até o fim pelo nosso amor. Eu te amo Selena Gomez.

Segui até a garagem e guardei as malas, os sentimentos me guiavam agora. Meu corpo estava trêmulo quando dei a partida no motor.

– Você tem certeza de que realmente quer fazer isso?

– Nunca estive tão certa de algo em minha vida. – Olhei em seus olhos.

Parei bruscamente o que a fez assustar-se. Lembrei que estava deixando alguém importante para trás sem ao menos despedir-me.

– O que foi? – Notava-se o nervosismo em sua face enquanto eu abria a porta do carro.

– Eu preciso despedir-me da Taylor, eu já volto. – Corria em direção à casa da frente.

Pela janela acenei para Taylor que demorou um pouco para me notar, mas logo saiu preocupada.

– Demi, qual o problema?

– Taylor, eu estou indo embora com a Selena. – Uma lágrima de tristeza caiu, não gostaria de deixar minha amiga para trás.

– Como assim?

– Está vendo aquele carro? – Apontei para o carro parado na esquina enquanto Tay seguia o meu dedo. – Lá está o amor da minha vida, e eu não posso deixá-lo escapar novamente.

– Faça o que tem que fazer. – Taylor me abraçou.

– Adeus Taylor, conte sempre comigo. – Soltei-me de seu abraço e parti para meu carro.

Os freios do carro falharam, o gelo sobre a pista impediu o atrito, as barras de segurança não agüentaram o impacto, a gravidade não nos manteve no chão, os cintos –de –segurança não foram suficientes, nada pode salvar nossas vidas aquela noite, mas apesar das circunstâncias, eu estava feliz, acabei com um sorriso nos lábios e tinha a certeza de que Selena também tinha um nos seus.

Notas finais
Obrigada por ler.
Liesel.