Under The Lights
10 Capítulo 10 - ALL ABOUT US - parte 1 / 4
Notas iniciais
Permaneço no chão por minutos, até que ouço passos da minha mãe vindos em direção ao corredor, corro para o quarto novamente e deito-me em minha cama, cobrindo meus olhos com o cobertor e fingindo dormir, segurando meus soluços e fungadas. Apenas e ouço a porta se abrir, ela deve estar me observando dormindo, penso. Escuto o fechar da porta. Saio debaixo do cobertor e respiro aliviada, assim permito a mim mesma chorar.
(...)
Já tem uma hora que minhas lágrimas pararam de cair e agora fito o teto. Tento colocar na minha cabeça o que tinha acabado de ouvir. Não tinha como. Ou não entrava a informação ou eu não acreditava... Bem, seja como for, dormirei. Amanha será um longo e horrivel dia. Afinal, não é sempre que se perde um pai... Certo?
(...)
Acordo tarde no outro dia, por culpa da noite mal dormida. Levanto e vou direto tomar café. Alimentada. Sento para assistir televisão. Sou obrigada a ver cenas da guerra e ouvir:
“No ataque de ontem ao exercito britânico tivemos a morte de cinco soldados e cerca de duzentos e cinquenta feridos.”
Depois disso não ouvi mais nada, nem prestei o mínimo de atenção. Só escutava o som das batidas do meu coração e como a guerra acabou de levar meu pai. Aquele que me apoiava nós momentos mais difíceis. Não ia ter “volto nas férias”, não ia ter mais esperança. Alguns dizem que a esperança é a única coisa mais forte que o medo. E quando ela se vai? O medo domina? De qualquer forma o medo de viver sem meu pai me dominou e mesmo que tivesse que conviver com ele, agora, para sempre ele estava dentro de mim. Sinto um cala frio e permito me sentir minhas palmas das mãos suadas. Eu, então, acordo do devaneio, desligo a televisão e subo as escadas para tomar um banho.
(...)
Enquanto me atualizo nas redes sociais, que alias havia me distanciando ouço meu celular tocar. Zayn. Ignorei a chamada. Tocou mais umas 5 vezes e ele deixou um correio de voz. Curiosa que só. Fui ouvir.
“Mary, vi a noticia hoje no jornal... Sei que você está brigada comigo, mas meus pêsames e estou muito triste por você... Melhoras”
Sua voz era tão inexpressiva como a da mulher do Google tradutor. Pelo menos ele se preocupava comigo, talvez ele não fosse tão egoísta assim. Talvez tivesse exagerado. Bem, que seja. Então sinto então um par de braços me abraçando. Arrepio. Harry.
-Oi, amor. – digo selando nossos lábios.
- Oi – ele diz esquisito
-Tudo bem? – pergunto curiosa.
-Sim – responde objetivamente – e você? – percebe-se que dito por educação.
- Não sei ao certo...
Ele me abraça mais uma vez e diz:
-Mary, a gente pode sair hoje?
-Pode – respondo estranhando
-Ótimo! – ele diz animado.- Passo pra te pegar as seis... – e sai saltitando.
Fico observando sua saída enquanto me coloco em questão: “Harry é bipolar?”. Deve ser, deve ser.
(...)
Fico o resto da tarde no computador.Ouvindo musica,tuitando, conversando,etc. Então olho no relógio; 17:30.
-17:30! – exclamo para o nada.
“Estou atrasada” penso. Pego minha toalha e tomo banho correndo. Saindo do banho vou direto me arrumar.Logo ouço a campainha tocar.
- Oi, Harry. – digo calma.
-Oi, tá pronta? – ele me beija
- sim.
- Então vamos.
-Falando nisso, aonde nós vamos mesmo?
- Você vai ver – ele diz com suspense.
Assim, me puxou pela mão e fomos de mãos dadas até o carro. Entro coloco o cinto enquanto ele faz o mesmo. Ele olha pra mim com uma cara esquisita e sai com o carro. Então diz:
-Fecha os olhos.
-que? – digo confusa.
-fecha os olhos. – ele repete no mesmo tom.
Então fecho os olhos, e aguardo, somente aguardo.
(...)
Acho que aguardei bastante, cerca de umas duas horas talvez?
- chegamos. – ele diz como sinal para que eu abrisse os olhos.
Era uma mata, cheia de arvores e conseguia se ouvir o som de um pequeno riacho.... Porque Harry me trouxe pra cá?
- Uma mata?
-As coisas podem ser muito melhores do que parecem ser por fora querida. Cuidado. Você pode se surpreender. Vem.
Ele começa a subir a mata. Mas pede pra que eu vá na frente. No alto da mata há um gramado e vê-se que mais a frente há um abismo, que falando a verdade, tem a vista mais encantadora que eu já vi. Harry então se aproxima de mim e me da um pequeno buque de flores. Sorrio e então começamos a dançar meio sem jeito, depois ficamos abraçados por um tempo. Então digo:
- Aqui é lindo.
Ele me olha rindo e retruca:
- Calma você ainda nem viu tudo...
Então me puxa pela mão e vamos para um riacho cheio de pedras e isso me lembra um sonho da infância:
-Sempre quis jogar a pedra em um rio e ver ela pular na água.
- Vamos tentar então.
Ele segura minha mão e jogamos a pedra, na verdade eu jogo, porque ele não me ajuda e sai rindo. Maldito! Começo a bater nele de brincadeira e depois acabamos nos beijando.
(...)
No caminho de volta acabo dormindo, porque quando acordo estou na minha cama.levanto-me e vejo minha mãe...
- Mãe, onde você esteve o dia inteiro?
Ela deixa uma lagrima escorrer pelo rosto e olha pra mim me abraçando:
- resolvendo as coisas do seu pai. Ele morreu.
Forço um espanto, mas as lagrimas saem naturalmente.
-Como assim?
-É filha, ele morreu.
Ficamos abraçadas por um longo tempo, chorando.
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