Under My Skin
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Desde já queremos agradecer a todos! ♥
#BoaLeitura! :D
#AgentsofSHIELD
De todos os exemplos que poderia mencionar, Jemma Simmons escolheu aquele que seria o mais cruel a ser citado:
“Se lhe fosse dada a oportunidade de escolha, acredito que Bruce Banner não hesitaria em tirar a própria vida de uma vez por todas.”
Skye tentou não levar para o lado pessoal. Esforçou-se ao máximo para encaixar a frase em algum contexto que não soasse tão desumano. No entanto, direcionar seus poderes e sufocar seus sentimentos não eram mais uma alternativa para o seu pequeno probleminha.
- Não. Ela não quis dizer isso, Skye. – Fitz olhou para Jemma e ela acenou com a cabeça.
- Droga! E eu nem ao menos posso evitar! – Skye gritou, deixando uma lágrima rolar silenciosa pelo seu rosto. – Eu queria sugar tudo isso para dentro de mim, mas você acabou de constatar que é prejudicial, não é, Simmons? O que você quer que eu faça?
- Skye, eu não...
- Jemma, vamos ser sinceras aqui. – Skye levantou-se repentinamente e as coisas ainda tremiam ao redor. – Desde que você voltou da H.I.D.R.A. você tem essas ideias de extermínio e eu me pergunto o que raios eles fizeram com você por lá.
- O que está querendo dizer? – Jemma aumentou o tom de voz e aproximou-se dela. –Acha que eu posso ter sofrido lavagem cerebral?
- Não! – Skye hesitou, mas permaneceu com o mesmo tom de ira na voz. – Todos mudamos depois da queda da S.H.I.E.L.D. Simmons, mas eu lembrava de você ser mais amigável antes.
- “Amigável”? – Simmons repetiu em tom de sarcasmo. – Você quer dizer a cientista inocente e esperançosa que foi tola o suficiente para acreditar que tudo poderia ser resolvido pela ciência? Aquela que acreditou em um membro da equipe que lançou ela e seu companheiro de equipe no fundo do mar? Conforme-se, Skye – ela falou, demonstrando cansaço na sua voz. – Eu não posso voltar a ser o que era antes!
- E nem eu! – ela gritou novamente, fazendo dois copos estourarem simultaneamente. – E aí você me vem com essa história do Bruce Banner... O que quis dizer com isso, Simmons? O que você está sugerindo que eu faça?
- Meninas, acalmem-se...
- Eu não estou sugerindo nada!
- E dizer que Bruce Banner iria preferir acabar com sua vida só por causa do cara verde é o que? – ela cruzou os braços, desafiando a cientista. – Eu sei ler nas entrelinhas, droga! Eu virei essa coisa alien que treme tudo e você já me trata como um monstro! – Skye gritou e tudo voltou a tremer.
- Eu só acho que é muito cedo para criarmos uma armadura e colocarmos você dentro! O mais aconselhável no momento é que você fique o mais estável possível e não que fique testando quantos prédios consegue derrubar em dois minutos. – Ela pronunciou friamente e Skye buscava por ar, incrédula. – No momento, nós temos que descobrir como contê-la!
- Você viu que eu tentei, Simmons! – ela apontou para os braços envoltos nos braceletes. – Eu tentei ser normal novamente! Tentei não ser essa coisa Alien bizarra, mas você viu no que deu! Essa sou eu agora e tudo o que você fez até aqui foi me sedar e tentar “minimizar os danos”.
- E o que queria que eu fizesse? – Jemma nem se importava mais com o tremor na sala. – Que eu deixasse você derrubar o avião? – ela disse simplesmente e Fitz abaixou a cabeça levando uma das mãos à boca. – Você tem ideia do poder que existe dentro de você?
- Não, não tenho – ela respondeu ironicamente. – Mas é claro que eu tenho, Jemma! Você acha que eu não sinto? Você não sabe o que é ter seu coração batendo a mais de 300bpm! Não sabe o que é ficar com medo de machucar as pessoas que ama com uma força que você nem ao menos compreende! – ela gesticulava com os braços, cada vez mais abatida. – Não sabe o quanto me custou absorver tudo isso para dentro de mim, e eu nem vou mencionar sobre os pesadelos...
- Acha que é a única sofrendo nesse avião? – Simmons rebateu, sem sinais de comoção. – “Pobre garotinha órfã...” Nós sempre fizemos tudo por você, Skye! Desde que você entrou nesse avião, nunca deixamos de cuidar de você, e é assim que você reage?
- Oh, claro... – Skye deu um sorriso irônico e seus olhos voltaram a se encher de lágrimas. – Agora você vai jogar na minha cara tudo o que fizeram por mim... Ótimo. Isso é bem a sua cara, Simmons. Nunca querer sair por baixo, nunca querer estar errada. Bem, acho que devo informa-la de que eu não cheguei aqui pedindo casa e comida. Coulson me colocou aqui dentro e até a May aprendeu a gostar de mim... Não entendo como ela ficou tão maleável e você tão insensível.
Skye olhou para Fitz e viu que ele estava chorando. O tremor havia parado um pouco, restando apenas uma instabilidade quase confortável. Ele saiu da sala e Skye respirou fundo, dissipando todos os tremores com cautela. Queria acalmar-se de fato e não apenas camuflar seus sentimentos e enterrá-los mais fundo em sua alma.
- Nós machucamos o Fitz.
Skye sentou-se novamente e colocou os dois braços sobre a mesa, olhando para as pontas dos dedos. Os ferimentos se estendiam desde a clavícula, como pequenos rompimentos nas fibras de sua pele. O tremor interno conseguia ser tão assustador quanto àquele que se manifestava para fora dela.
- Olha... Estamos sendo injustas uma com a outra. – Skye apertou os olhos e depois levantou-os novamente, encarando Simmons. – Nenhum de nós pediu por isso. Nem você, nem eu, nem o Coulson, May... Fitz.
- Eu sei, Skye. – Simmons permanecia em pé, e seu semblante continuava severo. – Mas você poderia ter me dito isso antes. Você e Fitz mentiram para mim. Ele adulterou os resultados do seu exame, corrompeu a Ciência que era sagrada para nós. – ela voltou a se exaltar nas palavras. – Tudo porque ele tentou proteger você... De mim.
- E como raios você queria que nós reagíssemos, Simmons? Com todo aquele papo de exterminação... – Skye levantou-se novamente para ficar na mesma altura que ela. – Eu te considerava minha melhor amiga! A única amiga de verdade que eu tive desde que me entendo por gente, e agora por causa de toda essa droga de “Alien” eu virei um monstro para você... Um monstro incontrolável que deve ser controlado e exterminado!
- E você sempre é a coitada da história, Skye. – Jemma passava os dedos nas têmporas como se isso pudesse acalmar seu interior. – Eu estou tão cansada disso...
- Você não está sendo justa, Simmons. Seja razoável – Skye respirou fundo, ao ver a água quase tilintando dentro do copo. – Quando você foi para a H.I.D.R.A. Fitz e eu também ficamos no escuro!
- Não compare uma coisa com a outra, Skye! Eu não tive escolha!
- Fitz precisava de você... Eu precisava de você... – Skye respirou fundo e novas lágrimas começavam a se formar. – Mas não tem problema. Eu já achei um jeito de parar isso de uma vez por todas. – ela levantou-se bruscamente e arrancou os braceletes dos braços. – Não precisa mais se incomodar com a ameaça. Eu conheço a política da S.H.I.E.L.D.
Skye estava deixando o laboratório quando esbarrou em algo firme e com uma postura inconfundível.
- O que está acontecendo aqui? – May perguntava e Fitz vinha logo após ela. – Fitz me comunicou que existia uma... Situação aqui.
- Não é nada, May. Com licença.
Skye forçou a saída, mas May a impediu, permanecendo imóvel na porta.
- Posso sair, por favor?
- Aonde vai?
- May, eu não posso mais ficar aqui. – Skye dizia séria, sem traços de comoção no seu tom de voz. – Eu vou encontrar meu pai. Ele meio que estava certo sobre tudo isso.
May deixou Skye passar pela porta e olhou para Simmons. Os olhos da bioquímica estavam carregados de lágrimas e quando Skye deixou a sala, ela desabou em pranto, sendo rapidamente acolhida pelos braços de Fitz.
- O que eu fiz? – ela chorava, segurando-se o máximo que podia em Fitz. – O que eu fiz, Fitz?
- Está sendo muito dura com ela, Simmons.
May apenas respondeu e saiu da sala, deixando Simmons e Fitz para trás.
(...)
- Posso entrar? – Simmons batia na porta suavemente, seu rosto continuava vermelho. – May disse que você queria me ver.
- É. – Skye respondeu baixo, acenando para que Simmons entrasse no quarto. – Nós conversamos um pouco. Ela me fez ver que eu perdi a cabeça... Ir até o meu pai só ia piorar as coisas. Ele é completamente desequilibrado.
- Eu queria... – as duas começaram a falar ao mesmo tempo.
- Você primeiro. – Skye cedeu a vez para Jemma.
- Eu queria pedir desculpas. – Jemma sentou-se do outro lado da cama e encarou o colchão branco e macio, como se evitasse olhar para Skye. – Eu tentei te proteger da pior forma possível: negando o que você era.
Skye abaixou a cabeça e as duas ficaram em silêncio por alguns segundos. Não era fácil pedir perdão depois de dizer e ouvir tantas coisas afiadas.
- Eu também não fui honesta com você, Jemma.
- Você estava tentando se proteger, Skye... Mas aqui está a verdade. A verdade que me fez negar o que você era, que me fez negar o que havia se tornado. – Simmons deu uma pausa para respirar fundo. – Eu não queria seguir o protocolo nessa situação. – ela despejou, esforçando-se para não chorar novamente – Não queria aceitar que você era algo a ser evitado, barrado. Eu sei o que acontece nesses casos. E eu não sou forte o suficiente para deixar você ir embora, Skye. – as lágrimas correram silenciosamente, mas o tom de voz da bioquímica começava a se desestabilizar. – Por isso eu preferi pensar que podia te conter! Assim você não precisaria passar por tudo isso. Avaliações psicológicas, monitoramento... O INDEX. – à essa altura, Skye já chorava junto com ela. – Não precisaria me preocupar que a qualquer momento um esquadrão iria adentrar o Bunker e te levar com eles por te considerarem uma ameaça.
- Jemma, eu não sabia... – Skye segurou a mão dela sobre a cama. – Pensei que você estava com medo de mim...
- Eu? – Jemma sorriu em meio as lágrimas. – Com medo de você? Como eu poderia, Skye? – ela enxugou as lágrimas que escorriam pelo rosto de Skye. – O meu único medo aqui foi ver você sendo submetida a isso. E o pior deles... Ver você sendo levada...
- Ninguém vai me levar para lugar algum, Jemma.
Skye aproximou-se dela e a abraçou. O choro da bioquímica corria desenfreado, como se ela tivesse prendendo tudo aquilo assim como Skye tentava manter seus poderes dentro de si.
- Eu pensava que se pudesse parar isso que há em você, não haveria mais riscos. O Kree tentou te destruir, a própria Lady Sif tentou leva-la. Para Asgard! Eu só consegui pensar em achar algo que pudesse garantir que você não sairia de perto de nós.
- Eu não vou sair de perto de vocês. – Skye abraçava a amiga que ainda soluçava. – Eu prometo que nós vamos dar um jeito nisso. Juntas.
Simmons voltou a respirar compassadamente e seu coração foi acalmando-se aos poucos. As duas garotas estavam exaustas e acabaram adormecendo ali mesmo. Depois de tantos tremores, era hora de repousar a cabeça para focar na próxima parte do plano. Como dominar seus poderes sem chamar a atenção das autoridades? Mas isso ela só pensaria no dia seguinte, depois de uma longa noite de sono livre de pesadelos.
Notas finais
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