Under My Power.
2 Judgement Day
Notas iniciais
Quando amanheceu, Katarina estava abrigada em uma caverna, esperando o sol sair do céu novamente.
Ao escurecer, ela chegou ao seu destino. Na pequena vila onde se encontrava atraiu muitos olhares. Talvez por ela ser uma linda mulher com um corpo esbelto, ou porque sua tatuagem de dragão em sua barriga exposta era bem chamativa ou, o principal motivo, porque carregava duas adagas presas à cintura.
Normalmente, os habitantes de um pequeno povoado costumava a receber mal novos forasteiros. Mas talvez por algum sexto sentido das pessoas, nenhuma mexeu com Katarina, o que a deixou bastante satisfeita, depois do conflito que teve a noite com um dos Priest, não queria ser aborrecida novamente em um tão curto espaço de tempo.
Recordou a noite em que chamou atenção dos Priest. Pensou com amargura que tinha agido por impulso e se arrependia amargamente.
Por ser uma vampira Assamita, seu clã não costumava andar em bandos, e todos tinham o desejo incontrolável por sede de sangue de vampiros de outros clãs. Isso fazia com que fossem muito sozinhos, além de produzirem um veneno próprio capaz de matar qualquer espécie humana e sobrenatural, eram peritos em combates corpo a corpo.
Mas Katarina tinha uma amiga. Nidalee nunca teve medo dela, o que fez despertar um certo interesse na mulher por sua coragem. Os Assamitas tinham declarado guerra anos atrás com seu clã, os Gangrels. Mas elas não se importavam. Ao longo dos anos, criaram uma forte amizade e a mulher de cabelos ruivos percebeu, um pouco espantada, que ainda tinha um pingo de humanidade em seu íntimo, pois nutria um sentimento forte de lealdade com Gangrel, e vice-versa. Logo se apaixonaram.
Porém qualquer traço de humanidade sumiu na noite em que os Priest invadiram o bando de Nidalee.
Os Gangrels são vampiros nômades e selvagens, vivem na floresta e se alimentam de humanos. Suas especialidades são a capacidade de falar com os animais e a metarmofose.
Eles estavam envolta de fogueiras, um dia normal como qualquer outro. Tinham voltado de uma caça, todos fartos, tinham acabado de beber o sangue de habitantes de uma cidade próxima a floresta onde se abrigavam. E então, enquanto estavam distraídos, não ouviram passos vindo em sua direção.
Haviam milhares de Priest, que são humanos treinados para se tornarem expecialistas em caçar seres sobrenaturais, principalmente vampiros. Acreditavam que eles eram as maiores ameaças da humanidade. Todos os Priest tinham uma cruz tatuada na testa e sempre levavam bíblias, onde recitavam palavras em outras línguas que sempre surtiam um efeito indesejado nos vampiros.
Por coincidência, nessa noite, Katarina ia encontrar Nidalee, ansiosa para suas esmeraldas ofuscantes encontrar os olhos felinos. E então ouviu os gritos de pessoas conhecidas e teve certeza que eram os Gangrels. Foi correndo ver o que era.
Foi a primeira vez que viu os Priest, embora já tenha escutado muito sobre.
Apavorada, percebeu que eles eram realmente bons no que faziam. Tinham matado uma boa quantidade dos Gangrels, quando viu Nidalee. Ela tinha se transformado em uma onça, e estava tentando fugir, porém eles prenderam uma corda em seu pescoço e a estava deixando sem forças.
Sem hesitar, Katarina correu na direção do homem que segurava a corda, pulando em seu pescoço, tomando seu sangue. Nesse momento, ele entrou em êxtase, como todos ficam ao serem mordidos por um vampiro. Sem piedade, a mulher não deixou restar nenhuma gota de sangue no homem.
Os outros, surpresos, logo reagiram. Pegaram Katarina pelos braços, deixando-a imóvel, enquanto outro Priest pegou uma estaca para enfiar em seu coração. Nesse momento, a onça pulou em cima do homem, matando-o quase imediatamente.
Katarina aproveitou o momento e lutou para se soltar dos outros padres. Ficou em formação de combate, armada com duas adagas ao lado de Nidalee, que agora tinha voltado a sua forma humana. Ela tinha cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e usava uma saia curta e um top bege, pendurado no pescoço havia um dente de leão. Seus olhos eram amarelos como os de um felino, e Nida estava armada com sua lança.
A mulher de cabelos ruivos olhou para o lado e notou que os Gangrels estavam gravemente feridos. Ela pediu para que a amiga selvagem cuidasse deles.
- Mas e você? — Nida perguntou em um tom preocupado, seus olhos amarelos brilhando ao encontrarem as esmeraldas.
Katarina sorriu de um jeito sombrio.
- Eu cuido deles.
Nida tinha se afastado naquele momento, e a atenção foi toda para Katarina. Porém ela conseguiu vencer todos os caçadores, e logo em seguida caiu no chão da floresta, totalmente cansada e faminta.
Nesse momento, a amiga foi ampará-la. Disse que ela tinha ido muito bem, e que ia caçar na floresta algo para ela comer para se recuperar mais rapidamente.
Um pouco atordoada, Katarina havia se levantado e sentiu um cheiro. Um cheiro diferente, do qual ela gostava muito. Era cheiro de sangue.
Olhou para os lados à procura, e viu um vampiro que estava gravemente ferido. Um ferimento feito pelas armas dos Priest demorava mais para curar.
Katarina chegou mais perto do homem.
- O que aconteceu? — Ela perguntou, apontando para o braço do vampiro, tentando não pensar em como aquele cheiro era convidativo para ela.
- Fui envenenado. — Ele disse, sua voz trêmula e notava-se que estava transpirando. — Eles injetaram veneno de lobisomem em mim. Eu vou morrer.
- Qual o seu nome? — Katarina perguntou com a voz calma.
- Brian. — Ele se esforçou para dizer.
- Então, Brian — A mulher continuou — eu sou especialista em venenos. Como pode perceber, sou uma Assamita.
Brian não tinha conseguido ligar os fatos até então. Instintivamente, recuou um pouco, mas Katarina logo levantou a mão para acalmá-lo.
- Não precisa se assustar. Não vou machucá-lo.
Katarina deu um sorriso fraco, tentando acreditar nas próprias palavras. Ele era amigo de Nida, queria realmente ajudá-lo.
- Deixe-me tentar dar um jeito nisso, sim?
Brian hesitou por alguns segundos, então a mulher acrescentou:
- Pode confiar em mim. Sou amiga de Nida.
Ela percebeu a expressão do homem relaxar um pouco e ele estendeu seu braço para Katarina. Ela começou a chupar o sangue do homem no local que estava o veneno. Não eram todos os vampiros que sabiam fazer isso, apenas os Assamitas eram capazes de tirar qualquer veneno do organismo de alguém, menos deles próprios.
Katarina cuspiu o veneno fora, tinha conseguido salvar o homem.
- Obrigado. — Brian disse, realmente agradecido.
Katarina sorriu, mas pegou novamente o braço do homem e voltou a drenar seu sangue. Ele lutava, mas era em vão, e ela drenou-o até não sobrar mais nenhuma gota.
O resto do clã observava tudo tentando ajudar o amigo, mas era inútil. E Katarina foi drenando um a um, até não sobrar mais nenhum Gangrel.
Foi aí que Nidalee voltou ao encontro de seu povo. Quando encontrou todos mortos e Katarina com a boca suja de sangue, não acreditou no que via.
Os olhos felinos estavam pegando fogo de tanto ódio. Queria matá-la, mas sabia que não conseguiria. A ruiva sabia que tinha cometido um erro, tentou explicar, mas Nida não queria ouvir mais o som de sua voz. A mulher decidiu que o melhor era correr.
Mas antes que conseguisse, foi atingida em seu olho esquerdo. Quando olhou, viu que a lança da vampira havia sigo jogada em sua direção. Um corte tão profundo, que nunca mais foi cicatrizado, pois nele havia um feitiço contra vampiros.
Após alguns dias, Katarina começou a receber ameaças anônimas e logo percebeu que eram dos Priest. Eles juraram caçá-la e matá-la, e não descansariam até que a promessa não fosse cumprida.
Desde então, a mulher vive de aldeia em aldeia, fugindo do poderoso grupo de caçadores. E nunca mais ouviu falar sobre sua amada, Nidalee.
Katarina balançou a cabeça, afim de sumir com esses pensamentos. Foi então que viu uma pequena pousada, entrou e falou com a repecionista que queria um quarto para dois dias.
- Ok, senhorita. Aqui está as chaves. — A senhora sorridente entregou as chaves para ela e continuou — Vai pagar agora ou depois?
Katarina sorriu. Olhou bem nos olhos da mulher, e falou:
- Ah, não. Eu não vou pagar.
A mulher, hipnotizada, respondeu:
- A senhorita não vai pagar.
- Exatamente. Fica por conta da casa.
- Fica por conta da casa. — A senhora tornou a repetir.
Katarina subiu para o seu quarto, se preparar. Mais tarde caçaria algumas vítimas em uma taverna suja e escura. Pensar nisso fez a ruiva sorrir como Lucifer teria sorrido segundos antes de cair para o inferno.
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