Under My Power.
5 Dance of death
Notas iniciais
Era noite de lua cheia, uma péssima ideia para viajar em uma missão contra os Priest. Mas lá estavam eles andando pelas florestas, em direção à masmorra, faltando duas horas para o sol começar a nascer.
- Precisamos achar um lugar para ficar. — Disse Drake, um tanto impaciente.
- Nós sabemos. — Falou Alaric. — Quando faltar meia hora, no máximo, arrumamos um lugar.
- Não é arriscado? — Perguntou Ahri, receosa.
- Não, nós conseguimos. — Alaric afirmou, não com tanta certeza quanto garantia.
E então todos continuaram em silêncio, mas sabia que estavam com o mesmo pensamento: lobisomens.
E quase como se os tivesse atraído, começaram a ouvir os primeiros ruídos. Todos ficaram rígidos, parados como uma estátua.
- Ouviram isso? — Perguntou a ruiva, quase sussurrando. — Temos que pensar rápido. Estão perto, vão nos farejar.
- Sim, vamos pensar em como trabalhar em equipe.
- Johnatan... — Falou Amanda, quase sem voz.
Mas já era tarde demais. Um lobo estava parado bem à frente dele.
Alaric pensou rápido:
- Ei, cachorrinho. Aqui.
Assim que atraiu a atenção do lobo, correu na velocidade de um vampiro, enquanto o animal correu na velocidade de um licantrope. Apenas um segundo mais lento.
Amanda nem esperou, e já seguiu Alaric.
O resto dos vampiros já estavam preparados, e seguiram os dois vampiros Ravnos também.
Se depararam no meio de sete licantropes.
Drake usou seu poder das sombras, próprio do seu clã, cegando os lobisomes e tirando seu olfato. Ficaram atordoados, enquanto Katarina pegou suas adagas e matou o lobo que estava seguindo Alaric.
Alaric e Jonhatan fizeram uma parede de pedras envolta dos lobos, enquanto Ahri jogava inúmeras shurikens nos animais, machucando-os gravemente. Amanda e Katarina enfiaram adagas, matando um por um.
Todos estavam mortos.
- Essa foi boa. — Disse Katarina, com os braços na cintura e sorrindo, evidentemente satisfeita. — Ninguém saiu mordido.
E então, vindo de surpresa, pulou um licantrope fugitivo em cima de Katarina. Antes mesmo que a ruiva pudesse pensar em algo para se defender, o lobo saiu de cima dela. Viu Ahri se jogando em cima do mesmo, e ao deitá-lo no chão, foi mordida. No calor da batalha, a morena não chegou a sentir. Arrancou o coração do animal naquele momento, e se levantou.
E então olhou para o braço mordido, e em seguida encarou as esmeraldas, que tinham um brilho surpreso nos olhos.
- Obrigada... — Disse, quase em um sussurro.
- De nada, mas... — Começou Ahri, arfando. — Você vai ter que me ajudar com isso, Assamita. — Sorriu.
Katarina não pôde deixar de retribuir o sorriso.
Antes que pudesse responder, a morena desmaiou.
- Vamos achar um abrigo, rápido! — Gritou John — Você precisa tirar o veneno dela agora, Katarina.
Ela apenas assentiu, assustada, com medo que algo pudesse acontecer com a morena. Se agachou e pegou-a no colo, enquanto todos procuravam um lugar para se esconder antes do sol ou outro licantrope aparecer.
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Katarina deitou a morena na caverna e se agachou, admirando a beleza de seu rosto. Então a mesma abriu os olhos.
- Onde eu... — parou, encarando os olhos da ruiva. — Kat?
A vampira achou adorável ela chamá-la por um apelido.
- Fique quieta, ok? Eu vou drenar o veneno de seu corpo. Confia em mim? — Perguntou a ruiva, com as mãos tremendo, pois lembrava dessas mesmas palavras ditas também à um vampiro Gangrel.
- Claro. — Ahri respondeu, e fechou os olhos.
Katarina pegou o braço da morena, e só de sentir o cheiro de sangue da vampira suas veias começaram a aparecer por baixo de seus olhos. Percebeu o quanto estava faminta. Seus olhos esmeraldas incandescentes passaram para um preto e vermelho horripilante. E então ela cravou os dentes da forma mais suave possível no braço de Ahri.
Começou a drenar o veneno, sentindo que estava sobre controle. E então havia drenado tudo, e sentiu o gosto do sangue puro, sem mais vestígios do líquido fatal.
Por um momento, Katarina não estava mais em si. Continuou a sugar o sangue da vampira, achando gostoso. Estava com fome, não se importava com as consequências.
- Kat... Katarina? — Perguntou Ahri, com a voz fraca.
E a ruiva não deu ouvidos, continuou a drenar o sangue da garota. Ela tossiu, e disse com a voz rouca e baixa:
- Kat, você está me machucando! Pare, por favor!
A súplica da morena fez Katarina voltar a si. Lembrou-se dos olhos negros, e como brilhavam ao encontrar os seus, e amoleceu. Quando olhou para Ahri, viu o quanto fraca ela havia ficado.
Passou a mão por seu cabelo, fingindo que estava tudo sobre controle. Mas estava com vergonha e arrependida por não ter mantido o controle necessário.
- Ahri, está tudo bem agora.
E a morena fechou os olhos novamente.
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Os vampiros caçaram animais na floresta para drenarem o sangue. Não os deixavam fortes o suficiente, mas faziam com que sobrevivessem.
Precisavam de muito mais se quisessem lutar contra os Priest. Decidiram que iam parar em uma aldeia na próxima noite.
- Obrigada. — Disse Ahri, assim que terminou de drenar o sangue do animal, e olhou com nojo. — Eu detesto isso. Matar animais.
- É... O gosto do de pessoas é o melhor. — Disse Katarina, rindo.
- Mas para você o de vampiro é mais, não é? — Respondeu Ahri, séria. Seu olhar cheio de significados.
Fez a ruiva calar-se na hora.
Passou apenas alguns segundos, e Ahri olhou para o chão. Parecia dispersa em pensamentos, e disse, em um tom sério:
- Quer saber por que minha transformação foi um tanto traumática? — Perguntou, olhando por alguns segundos as esmeraldas da ruiva, que assentiu. E a morena continuou, no mesmo tom: — Quando minha mãe foi morta por um vampiro, meu pai virou um Priest. Eu tinha apenas seis anos. O tempo foi passando, e eu queria me tornar igual ao meu pai. Com 19 anos, ele deixou eu ir em uma missão com ele. Fomos à uma floresta, ele disse que íamos caçar os vampiros do clã Gangrel. E então eu fui mordida... E transformada. Meio vampira, meio raposa. Quando meu pai descobriu, tentou me matar. Tive que fugir, mas para onde iria correr? O homem que me mordeu sumiu, e meu pai me caçando, eu estava perdida, sem saber o que fazer. Foi quando conheci o John, e ele me ajudou a ser o que sou hoje.
Katarina sentiu uma vontade inexplicável de abraçá-la, mas algo nos olhos da morena a impediram. Ela não era uma vítima. Pelo contrário, nunca havia visto olhos brilharem com tanta coragem e determinação. Ahri era uma guerreira.
A vampira continuou:
- E meu pai é um dos que está com os nossos amigos. E vamos achá-los. Nós somos úteis, Katarina. Meu pai é um Priest, conheço muito de seus truques. E sei que você também. E... — Ela começou, mas parou por alguns segundos, passando a lingua suavemente na parte inferior da boca, fazendo a ruiva imitar o gesto. — Por que você está fugindo deles, afinal? O que aconteceu?
Katarina mordeu o lábio inferior e sentiu estremecer.
- Você conhece a Nidalee? — Se viu perguntando. Ahri negou com a cabeça. — Bom, essa história é para ser contada uma outra hora.
- Tudo bem. Eu entendo. — Disse Ahri, e assim encerraram a conversa.
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- Vamos, ainda temos mais três noites pela frente. — Anunciou Amanda, enquanto todos se levantavam e se preparavam para continuar a jornada.
Começaram a organizar as armas e se alimentaram dos animais que conseguiram caçar. Era inverno, então estava nevando, embora nenhum dos vampiros estivessem preocupados com isso. Não sentiam frio, pois eram mortos-vivos.
O grupo estava em silêncio, concentrados em qualquer coisa que pudesse esquecer, ou alguma coisa que pudesse ser útil. Todos se sentiam exaustos, fracos. Com fome. Estava evidente entre todos os presentes. Menos Katarina. Com a fome que estava, sentia o sangue correndo pelos corpos mortos dos companheiros.
Pensar em sede por sangue de vampiro fez Katarina estremecer, embora esse seja um reflexo humano, pois não estava com frio. Só de pensar na noite em que sabia que nunca mais ia voltar a ver os olhos felinos a deixava deprimida e tremendo.
Mas então Jonhatan a achou, e tudo mudou. Olhou de relance para Ahri, estava de cabeça para baixo enquanto limpava e guardava suas armas — uma espada de um brilho prateado incomum e uma caixa com shurikens — , parecia perdida em pensamentos. Estava tão linda... Mas por que estava pensando nisso?
Katarina sempre achou que estava destinada a passar a eternidade sozinha, muitas vezes apenas para se castigar pelo que havia feito ao clã de Nidalee. E então nunca deixou nenhuma outra mulher se aproximar. Mas pensar em Ahri fazia a ruiva querer protegê-la e sempre estar ao seu lado. Parecia até um erro.
Desviou as esmeraldas quando percebeu que a negritude dos olhos da vampira também a encaravam, e voltou a olhar para o chão da caverna. E tentou focar seus pensamentos em Nidalee. A amava, não amava? Mesmo depois de tantos séculos. Mas então a morena apareceu em sua vida e...
Seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu o barulho de passos em grande velocidade. Olhou para a frente. Drake apareceu na frente do grupo, os olhos arregalados:
- Pessoal, John sumiu.
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