Notas iniciais
yey! obrigada pelo feedback, eu estou amando escrever essa história!

Em algum lugar do seu sono sem sonhos, Rachel ouve o som de um alarme irritante tocando, mas ela não é uma pessoa da manhã e esse alarme precisa calar a boca.

O barulho vai ficando cada vez mais alto à medida que sua consciência retorna, e ela geme descontente, se aninhando mais perto do calor.

“Quinn, desligue o alarme do seu telefone”, Rachel diz tentando não desafinar seu tom de voz.

Quinn desperta nesse mesmo instante e algumas coisas podem ser notadas nesse momento.

Elas estão na cama de Rachel, e a morena está virada para a parede. Suas costas estão seguramente protegidas pela frente de Quinn, que por sua vez rodeia a cintura da garota menor possessivamente com seu braço esquerdo. Os cabelos de Rachel estão bagunçados de uma forma que a respiração da loira bate diretamente em seu pescoço. Suas pernas estão intimamente entrelaçadas e Quinn se arrepia pela consciência do quão macio e quente todo o lugar está agora.

“Me desculpe, Rach”, a loira pede ainda rouca pelo sono e retira o braço esquerdo que prendia a cintura da garota menor contra ela, para poder se virar e desligar esse maldito barulho.

Quando se vira novamente, Quinn se surpreende por Rachel ter se virado e ter seus olhos castanhos queimando sobre sua face.

“Desculpe por isso... Acredite que é uma mensagem de Santana?”, a loira pergunta e ajeita o cabelo de Rachel de forma que não tape seus olhos.

A morena apenas observa Quinn. Ela não quer falar sobre Santana no momento. Ela sequer quer falar sobre outra pessoa ou outra coisa que não esteja relacionada à Quinn.

A loira sorri, “Bom dia”

“Bom”, a morena se aproxima e dá um selinho de alguns segundos em Quinn, “Dia”

Oh, Deus, se Quinn pudesse acordar assim todos os dias.

“Eu jamais cansaria de acordar assim”, ela diz se aconchegando mais à Rachel e circulando a morena pela cintura, “nem de ir dormir como fomos dormir ontem”

Ontem, para Quinn, foi um ápice. Foi libertador e arrasador, foi um tsunami que varreu tanta coisa ruim pra fora de seu corpo... Tudo ficou registrado em sua memória; o gosto de Rachel, o modo como devagar ela tinha Quinn inteira para ela, o cheiro, o calor, a palma da mão lhe esquentando a face e secando lágrimas teimosas que ainda conseguiam sair; Rachel mordendo seu lábio inferior antes de parar um beijo, Rachel retribuindo a forma como Quinn estava amando a garota menor naquele momento.

Rachel dizendo que estava apaixonada por ela outra vez, e as palavras fazendo do coração de Quinn um escravo. Ela estava tão vulnerável – de uma forma boa, que ela nem sabia que era possível. Durante os anos que se passavam e ela se aceitava apaixonada por Rachel ela sempre achou que esse sentimento nunca ia cumprir suas expectativas justamente pela impossibilidade. Quinn jamais teria Rachel e se tivesse, as coisas iam ficar confusas e sufocadas até acabar de alguma forma.

Que ela sabia que ia ser dolorosa, e possivelmente, no seu leito de morte, quando deixaria de amar Rachel – no segundo que seu coração parasse de bater.

E hoje; hoje Quinn não pode se esquivar do que Rachel a faz sentir, porque Rachel quer que ela sinta exatamente isso.

“Tantas vezes eu quis te dizer o que eu vou te dizer agora...”, Quinn vagava suas lembranças e sentia Rachel se abraçar ainda mais ao seu corpo, deixando sua cabeça encostada entre o ombro e o pescoço da loira.

“O que?”

“Que você é tão, tão linda pela manhã... embrulhada nos cobertores. Quando a única coisa que cobre seu rosto e seu cabelo é o sol da manhã”, Quinn passa a ponta dos dedos de leve sobre o braço de Rachel fazendo-a se arrepiar, “Cada centímetro seu, Rach. Extremamente lindo”

Rachel aperta mais seu braço em torno da cintura da loira e sorri.

“É estranho o quão certo isso parece ser pra mim?”

Rachel diz e aquelas palavras ecoam na mente de Quinn.

“Como assim, Rach?”

“Assim,” Rachel sente o carinho de Quinn sobre seu braço, “obviamente depois de concluir algumas coisas sobre meus sentimentos eu fiquei perdida, não sabia o que falar nem quando...”

“Você conversou sobre isso com alguém?”, a loira pergunta com calma.

“Eu conversei! Eu falei sobre isso com meus pais... e Naomi me ajudou bastante.”

“Da última vez que eu vim aqui pra New York eu percebi o quanto você e Naomi se tornaram próximas... você sabe...”, ela fica um pouco tímida, “do tipo, melhores-amigas-sem-o-desenvolvimento-de-sentimentos-à-parte”

Rachel sorri, “Com certeza... apesar de Naomi ter me dito algo sobre, n-não, esquece...”

“Rachel!”, Quinn pega o corpo da morena, levantando-o para ficarem frente a frente na cama, “não me deixe curiosa. O que ela disse?”

A morena diz com um ar brincalhão, “bem, um dia eu estava falando a ela sobre como foi meu ensino médio e por que algumas coisas davam errado para mim devido à minha aparência”, ela baixa a voz um pouco, Quinn apenas engole seco e espera ela continuar, “e ela disse que eu não deveria ser tão assim com isso, tanto que o primeiro pensamento dela quando me viu foi que...”, ela sorri travessa.

“Foi que...?”, a loira insinua fazer cócegas na morena.

“Foi que ela tinha sorte porque a vida tinha lhe dado uma colega de quarto gostosa”, Rachel diz completamente ruborizada, já se arrependendo de ter contado isso em primeiro lugar.

“Wow”, Quinn ergue as sobrancelhas, “que direta!”, ela diz com um tom duro. Rachel espreme os olhos. “E-eu devo ter ciúmes?”, a loira pergunta temerosa, mas com um leve tom de brincadeira, agora.

“Não, Quinn! Você sabe que não!”

“Eu sei, eu estava brincando!”, ela sorri e Rachel a acompanha, “Tem coisas que eu nunca vou cansar de dizer na minha vida, Rach, e uma delas é que você é linda.”

Rachel tem as bochechas coradas e Quinn não se furta da sensação de paz que estar assim, nessa posição, falando essas palavras, com Rachel e direcionadas à Rachel, finalmente lhe traz.

“Você é minha melhor amiga, Q”, Rachel diz e fecha os olhos.

“Eu sei”, Quinn responde suavemente.

“Como eu disse outra vez, você teve algum tempo pra se acostumar por sentir isso por uma garota, e depois lidar e se acostumar de novo com o fato de ela se tornar sua melhor amiga, e eu não tive esse tempo... de lidar com isso sozinha. Ou eu fazia alguma coisa em relação ao que eu sentia ou eu explodia”, Rachel diz chorosa e Quinn sorri de leve, diante de toda a dramatização da morena.

“Rach, a única coisa que eu te peço, como melhor amiga e como uma pessoa completamente apaixonada por você”, ela diz e Rachel sorri, “é que você nunca mude. Nunca mude, Rachel. Você não tem noção, mas você cativa as pessoas de uma maneira irreparável”

“E eu fico eternamente responsável por aqueles que cativo?”, a morena pergunta rindo e a loira suspira.

“Exatamente”

“Eu cativei você?”, ela brinca, passando seu dedo indicador pelo lábio inferior de Quinn levemente, sentindo o arrepio que o simples toque levava ao corpo das duas.

“Você gosta de quem eu sou hoje?”, a loira pergunta, com um tom mais sério, que surpreende a garota menor.

“Cl-claro, Quinn”, ela diz baixinho.

“Eu sei que tenho qualidades e com certeza sei que tenho defeitos, Rach. Mas se posso afirmar uma coisa, é que você sempre traz o melhor de mim”, ela suaviza o tom de voz, vendo como Rachel sorri para aquelas palavras, “Quando estávamos no colégio e tudo era confuso, doloroso, aterrorizante, e eu não sabia como agir... eu deixei o pior de mim se aflorar até eu não ser capaz de suportar ficar longe de você. Eu fiz tudo o que eu podia com meus defeitos me cegando, e só quando estava inviável controlar o que eu sentia por você foi que eu tirei o que vendava meus olhos. E você estava lá, ainda me querendo na sua vida, o que eu agradeço todos os dias pela minha sorte. Pela minha sorte não,” a loira passa o polegar pela bochecha de Rachel, “por você ser assim.”

Rachel suspira diante do impulso de pular nos lábios de Quinn outra vez. Ela se permite tal gesto, mas quer esperar para ver o que Quinn tem a dizer.

“Nada parece existir quando eu me sinto... junto à você, entende? Nada no meu passado me afeta, a escola”, Quinn fecha os olhos. Ela não falaria de Beth em um momento como aquele, “as coisas que eu fiz até me sentir segura com minha sexualidade, minha família e os problemas que ela traz... Nada, Rachel. Mesmo quando éramos somente colegas não muito próximas eu me agarrava a cada momento com você. Cada segundo que compartilhávamos era tão especial e eu tinha tão vivo na minha memória”

“Antes”, Rachel diz já se emocionando com a explicação de Quinn, “às vezes, eu- eu não compreendia como você poderia sentir algo por mim, sabe”, sua voz se quebra, “sendo quem você é, Quinn”

Ela termina deixando uma lágrima traidora cair e a seca na hora. Quinn sente o nó na garganta subir; é difícil encontrar algo que ela odeie mais do que a sensação de saber como Rachel se sentia quando ela cometia verdadeiras crueldades com a morena.

Seu coração se aperta; ela agarra as mãos da morena com as duas próprias e olha firmemente para seus olhos chorosos, que brilham diferente, transbordando Quinn com culpa.

“Já conversamos sobre isso antes, Rach...”, ela diz tentando arracar aquele sentimento ruim de seu corpo, “E eu não sou nada; absolutamente nada sem você”

Rachel suspira e sente aquelas doces palavras a invadirem. Ela sabe que Quinn está sendo sincera e que é ruim que por mais coisas bonitas que uma diga à outra, elas sempre acabam voltando para o passado e este sempre machuca ambas, de diferentes formas, mas machuca.

“Eu-eu só queria que algumas coisas fossem mais fáceis entre nós”

“Eu também! Eu tambem...”

“Me desculpe trazer isso à tona outra vez”

“Sabe”, Quinn fica mais calma mudando a direção do assunto um pouco, “eu perguntei a Santana uma vez se ela queria que as coisas com Brittany fossem diferentes”

“E o que ela disse?”, Rachel pergunta com seu tom de voz normal, genuinamente interessada.

“Que ela queria que as coisas fosse mais fáceis para elas, sim. Que mudaria alguns aspectos, mas que jamais desejaria não ter se apaixonado pela Britt só porque isso seria mais difícil – uma garota, sua melhor amiga...”, ela pausa, “...e é exatamente como eu me sinto”

Rachel sorri.

“Eu mudaria coisas sobre a nossa história, se eu pudesse, Rach – principalmente, eu voltaria ao tempo e colocaria juízo na cabeça da minha versão mais nova. Eu daria outra visão à ela de como lidar com o turbilhão de sentimentos que estava sentindo e isso atingiria diretamente a forma como eu tratei você... mas eu jamais desejaria não ter me apaixonado”, ela fecha os olhos pra terminar, “...Jamais.”

A morena se acalma um pouco mais, depois de Quinn agir dessa forma. Ela sabe que sua insegurança em relação à aparência sempre vai existir. Que ela tem que tratar desse assunto com ela mesma, antes de falar sobre isso com outra pessoa, mas às vezes é inevitável não vir à superfície, porque por mais que doa as coisas que Quinn diz agora amenizam essa agonia.

“Eu estou muito feliz, sabe... nesse momento”, Rachel diz depois de um tempo em silêncio e Quinn solta uma gargalhada.

“Eu também estou muito feliz, nesse momento.”, ela imita a fala da morena, que revira os olhos.

“O que eu quero dizer –“, ela fala com um tom mais duro, brincando, “eu nunca... me senti assim, com alguém, de forma tão rápida, e de forma tão verdadeira”, Quinn se mantém serena e espera Rachel terminar de falar, “eu sinceramente achei que o fato de ser você, Quinn, minha melhor amiga, iria me coibir ou intimidar de certa forma, mas não...”

“Me alegra saber disso, Rach”, a loira diz de uma forma doce.

“De fato, eu sei quase tudo sobre você”, Rachel continua autoritária, mas brincalhona, e Quinn suspira ao ver a morena tão desprendida, mostrando seu verdadeiro humor que ela ama e aprecia, “mas eu me perguntei, principalmente depois que você se declarou pra mim, como seria você nesse aspecto”, Rachel diz com vergonha, sentindo seu rosto ficar quente.

“Bem..., tivemos um encontro ontem”, Quinn diz sorrindo, “Foi uma surpresa para você? Eu superei ou quebrei alguma expectativa?”

“Foi... diferente.”, ela responde, e sorri diante da sobrancelha levantada ao estilo Fabray, “Eu estava muito nervosa,” Rachel diz suspira antes de continuar a falar, “Você foi muito doce e cavalheira toda a noite... Conversamos coisas que conversaríamos normalmente, quando você vem me visitar ou eu vou até você... eu diria que eu tive ontem a minha versão preferida de Quinn Fabray”

Quinn gargalha outra vez diante daquela frase tão meiga, “E que seria...?”

“Seria você quando eu te faço sorrir; quando estamos conversando e você se sente à vontade para falar qualquer coisa como estávamos ontem; quando...”, ela se aproxima mais do rosto da loira, que fica surpresa, mas não hesita e aceita essa aproximação, “quando me faz sentir que corri uma maratona, falhando minha respiração e fazendo meu coração bater com violência aqui”, ela leva à mão de Quinn ao tórax e Quinn sente a palpitação. “sendo que apenas estava parada, ao seu lado, te observando”, Rachel diz com um fio de voz e fecha os olhos, sabendo o que vem a seguir.

Quinn apenas avança sobre os lábios de Rachel, já sentindo sua língua encontrar a da morena e seu corpo inteiro vibrar. Talvez ela nunca se acostume com essa sensação – que ela pode descrever como um terremoto. Apenas a força, a intensidade e a agitação de um terremoto podem traduzir o que ela sente quando beija Rachel; quando a garota menor segura em seu pescoço para aprofundar o beijo de uma forma que ambas gemem, baixinho, se segurando mais na boca da outra.

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“Pare de sorrir, Quinn”, Rachel diz cortando o beijo que tentava dar na loira, “Parece que eu estou beijando uma abóbora de haloween.

Quinn abre os olhos e solta uma alta gargalhada.

“É qu- que eu não consigo, Rachel”, ela diz quase entre lágrimas de tanto rir.

Rachel sorri também, “Boba”

“Desculpe, eu prometo mantes minha boca fechada. Não- aberta! Aberta, assim você pode voltar a me beijar”, ela diz e ambas voltam a um ataque de risos.

“Beije-me, Quinn”, Rachel pede, assim como na primeira vez que aquilo aconteceu.

A loira segura Rachel pela cintura – ato que faz ambas suspirarem e tenta parar de sorrir parar dar à Rachel o que ela pede e deve ter por direito.

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“Oi, S, eu estou bem, como você está?”

Quinn aproveita que Rachel foi começar sua rotina matinal – atrasada, já que elas ficaram até mais tarde na cama, entre beijos, abraços e suspiros – para responder à mensagem de Santana sobre como foi a noite passada. Ao invés de uma mensagem, ela recebe uma ligação que logo aceita.

“Eu estou ótima, Fabray, mas você deve estar melhor ainda”, ela revira os olhos diante do tom debochado da amiga.

“Eu estou... melhor ainda, mesmo”, ela confirma, com um sorriso atravessado no rosto.

“Algo sobre você não me ligar chorando na manhã posterior me diz que você não comeu a Berry ainda, certo?”

“SANTANA!”, Quinn cora e agradece por ninguém, principalmente Rachel, poder ouvi-la, “Eu já disse pra você parar de classificar meus sentimentos dessa maneira! Não fale assim sobre a Rachel”, ela diz num tom mais duro.

“Você sabe que é brincadeira, Q”, Santana se desculpa, da forma dela.

“Eu sei, desculpe por gritar... eu só... estou tentando seguir o fluxo e caminhar com os passos de Rachel... devagar”, ela diz e abaixa um pouco o tom de voz.

“Devagar...? E ontem, como foi?”

“Foi perfeito! Eu te dou mais detalhes depois, mas resumindo: foi a melhor noite da minha vida.”

“Hmmm... isso inclui Rachel, e...?”

“Rachel, um encontro, Passion Pit num palco na nossa frente, algumas músicas que me lembram ela, um projetor de estrelas no quarto dela, alguns... beijos”, Quinn sorri e espera a reação típica de Santana.

“Yey!”, a latina grita do outro lado da linha, “Temos então uma Q cheia de energia sexual em potencial louca para ser despejada na garota Berry?”

“S, pare de falar sobre sexo ou utilizar tudo em uma conotação sexual, por favor”, a loira pede suspirando.

“Wow”, Santana para um pouco, “Desculpa, Q. Eu entendi. Está difícil para você?”, ela pergunta sem nenhum tom de brincadeira, sinceramente interessada.

“Está... complicado...”, Quinn responde com vergonha, “eu me sinto tão perto dela, e ela diz as coisas mais lindas que eu jamais pensei em ouvir... às vezes eu paro e conto até dez para não pular em cima dela e rasgar toda a roup- você entendeu!”, ela repreende quando escuta a risada da amiga do outro lado, “Eu sei que acabamos de deixar isso às claras, que talvez não conversamos nem dez porcento do que ainda há para ser dito, é só que,” a loira suspira.

“Você deseja ela há tanto tempo”, Santana diz sabendo que é exatamente isso que Quinn sente.

“Sim... E eu quero seguir na velocidade que Rachel me impor, não há dúvidas, só estou dizendo que isso não significa que não vai ser difícil, ou que eu não vou ter que contar até dez em outras infinitas vezes”

“Mas vai valer a pena, Q, tenha certeza”

“Eu sei, tenho certeza”, Quinn respira fundo e agradece a latina, “Obrigada, S. Mesmo. Eu sei que posso conversar qualquer coisa com você, e que apesar de algumas duras palavras,” ela ri porque Santana bufa”, você sempre vai me entender.”

“Não venha toda sentimental pra cima de mim, Quinn Fabray, que eu não caio na sua lábia de princesinha da Disney”, Santana diz entre gargalhadas, “Mas eu te amo, Q, e você sabe que pode contar comigo sempre.”, ela diz com a voz mais branda.

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“Faltam dois dias para o ano novo, Rach, e eu sei que você tem algo planejado”

Elas andavam pela 6th Avenida carregando algumas sacolas de compras. Rachel comprou para si algumas blusas e um sapato enquanto Quinn comprou um vestidinho para usar com o clima mais ameno e alguns livros.

“Eu tenho algo planejado, Quinn Fabray, mas você só vai saber quando for a hora”

Rachel sorri depois que Quinn revira os olhos. Elas param em uma lanchonete e pedem um café, enquanto aproveitam os últimos momentos de Quinn em New York junto à morena.

Ambas sabem que necessitam conversar mais profundamente sobre o que estão sentindo, aonde isso vai levá-las, literalmente, já que moram em cidades diferentes. Elas relutam e fogem do assunto, porque estão apenas aproveitando ao máximo o momento. Mas depois de um certo tempo de silêncio da loira, Rachel decide perguntar.

“Q?”, ela chama e Quinn olha atentamente seus olhos.

“Rach?”

“Você não acha que devemos... conversar mais sobre,... sobre nós?”, Quinn sorri diante da expressão de Rachel. Adorável, é tudo o que ela consegue pensar.

“É claro, Rach...”, ela sabe o que a morena está querendo dizer, “Você quer saber onde realmente estamos, que ponto nossa relação se encontra? É isso?”, ela pergunta calma.

“É”, a morena responde com vergonha.

“Eu gostaria de, como você mesma disse, tentar aprender a distinguir exatamente seus sentimentos e passar a expressá-los de uma maneira correta – juntas”, ela sorri vendo como Rachel fica mais leve, “Não importa pra que direção, sempre juntas”

“Você mora e estuda em outra cidade, Q”, Rachel abaixa os olhos, “Eu tenho evitado falar sobre isso há dias, mas eu sinto... eu me sinto angustiada”, ela tem toda a atenção de Quinn, “de saber que tantas coisas podem nos atrapalhar justo quando estamos quase em sintonia, não sei...”, ela suspira derrotada.

“As coisas nunca vão ser fáceis pra nós, Rach, isso é uma coisa que eu já tenho em mente”, Quinn sorri triste, “mas eu não me importo com as dificuldades se você estiver junto comigo nessa. Se eu sentir que eu tenho você, nada vai desvirtuar nossos passos, não importa qual direção seguiremos.”

Rachel se permite sorrir. Quinn sempre sabe o que dizer para acalmar seu coração de alguma forma.

“Então...?”, a morena toma um gole do café quente.

“Então,” a loira impõe sua voz e toma coragem, “eu gostaria de continuar te beijando, Rachel Berry, dizendo que você é linda, te levando à encontros e tentando te mostrar o quanto eu sou irrefutavelmente apaixonada por você”

Quinn termina com orgulho de sua voz, que não falhou em momento algum. Ela gargalha diante da expressão de Rachel, que parece ter quebrado.

“Eu posso segurar sua mão?”

A morena pede chorosa e Quinn sente seu coração dando saltos ridículos no seu peito.

“É claro, Rach”, ela responde com um sorriso lindo e aberto, que faz Rachel sorrir também.

Rachel leva sua mão à de Quinn, no centro da pequena mesa, e entrelaça seus dedos quentes nos da loira.