Undeniable

12 Capítulo 12


Notas iniciais
extremamente feliz com os comentários! obrigada meninas

Rachel estava rodeada pelos braços de Quinn, enquanto elas terminavam de ver Meu Malvado Favorito. Ela amou os personagens, a fofura, as frases engraçadas, a história. Mas a única coisa que rondava sua cabeça era a forma como Quinn havia a beijado momentos antes do filme começar.

A loira tinha esses olhos claros cheios de ternura, e ao mesmo tempo poderosos; elas pareciam confessar seus sentimentos, mas também afirmando que não há nada que Rachel poderia fazer, apenas ficar à mercê de Quinn e esperar misericórdia.

Quinn Fabray tinha esse poder – ela ditava a forma de uma pessoa agir. Mesmo que insconscientemente. Cada toque a mais em Rachel, a forma de segurar possessivamente seu rosto ou sua cintura, o modo como sua língua percorreu a boca da garota menor, a reconhecendo, a relembrando, e marcando território. Cada beijo dado a ela ou recebido por Quinn demonstrava mais sentimentos do que Rachel jamais poderia dizer.

Ela tinha essa consciência, que Quinn a amava romanticamente de uma maneira muito mais forte do que qualquer outra pessoa já a amou.

Rachel pensava tanto nas situações em que bastava ela ligar os pontos. Ela se arrependia, com todo o coração, de não ter enxergado seus sentimentos antes, e assim fazer Quinn sofrer menos, ou talvez nem sofrer. Mas ela não poderia, ambas sabem. Havia muita coisa enterrada em cima do seu sentimento romântico verdadeiro. Por baixo de uma paixão, existia o medo, o receio, o remorso, humilhações, uma entrega difícil e o fato de ela se sentir inferior. Inferior a tudo o que Quinn Fabray representava.

Apenas o tempo, como Naomi disse uma vez pra ela, poderia ser capaz de resolver essas questões. E parece que ele realmente conseguia cumprir seu dever.

A cada segundo que passa, Rachel se sente mais entregue à seu sentimento. Ela não tem pudor por sentir isso por uma garota, como explicou a Quinn. Ela sente, claro, a insegurança de uma relação, mas ela sentiria isso caso se apaixonasse por um garoto também.

O fato de ser Quinn Fabray, sua Quinn Fabray, que sempre foi um ponto de referência em sua vida, deixava tudo mais intimidante ao mesmo que... excitante. Descobrir como era Quinn a partir de um ponto de vista amoroso, um possível algo-a-mais que amiga, era simplesmente maravilhoso.

E seu corpo concordava com sua cabeça. Descobrir Quinn romanticamente, seus toques, o cheiro, o gosto, a textura, maciez,delicadeza. Era magnífico.

“Eu amei esse filme”, Quinn diz enquanto desliga o iPad e põe ele em cima do criado mudo rapidamente para ficar frente a frente com Rachel.

“Acho que essa é a memória que eu vou ter de você, nesse tempo que você está passando aqui”, a morena fala o pensamento que passou por sua cabeça.

“Como assim?”, ela se ajeita e seus rostos ficam quase colados, sustentando o olhar carinhoso que Rachel a lança.

“Sabe, temos uma memória específica, aquela que vem primeiro trazendo as outras, quando pensamos sobre determinada coisa”

“Sim”

“E essa é a minha, a respeito desses dias”, ela passa os dedos delicadamente sobre o rosto de Quinn, “você, essa proximidade, nós deitadas depois de conversar ou ver algum filme, esse... calor”

Quinn sorri. Rachel está sendo ridiculamente adorável outra vez.

“Qual a sua memória?”

“Sobre esses dias?”

“Yeah”

“Seu beijo”, Quinn sente as bochechas corarem, mas ela não se arrepende. Ela está apenas falando a verdade, “Você sentiu alguma diferença? Eu quero dizer... você nunca tinha beijado uma garota antes...”

“Eu senti... mas foi algo tão bom”, Rachel responde sincera, “eu apenas pensei: Quinn Fabray está me beijando! Faça algo, cérebro!”

Quinn solta uma risada, “Rachel!”

“É verdade!”, ela ri, “Eu tinha que me lembrar sabe, onde eu estava, quem eu era, o que fazer com minhas mãos”

A loira sorri e seu coração se inunda de felicidade pela vigésima vez no dia. É tão indescritivelmente boa a sensação de ouvir Rachel falando essas palavras, seus sentimentos em relação à Quinn, quando por tanto tempo ela desejou poder dizê-las finalmente.

“Eu deveria dizer isso, Rach. Beijar você é... indescritível. Eu esperei por tanto tempo, e mesmo assim nunca acreditava que fosse acontecer. Principalmente depois daquela noite...”, ela termina com tristeza em sua voz, “mas essa é minha lembrança dessas semanas. Seu beijo”

Rachel se encolhe um pouco por vergonha, sentindo as palavras de Quinn a atingirem.

Quinn é tão linda. Em todos os sentidos que essa palavra pode ter. Ela vê, obviamente, a parte física impecável de Quinn. Mas seu lado emocional, seus sentimentos e emoções; por Deus, até suas cicatrizes são lindas. Rachel tem vontade de pegar tudo o que está quebrado e machucado em Quinn e tentar ajustá-la; ajudá-la até ela se sentir inteira novamente.

“Você é tão linda, Q”, ela vê o rosto de Quinn se iluminar, “é sério... eu sei que você tem espelho e sabe que seu corpo e seu rosto são perfeitos, mas o que eu realmente quero que você saiba é que você tem um interior lindo também”

E agora Quinn se encolhe um pouco de vergonha. Não é justo Rachel lhe dizer tais palavras, quando ela sabe do ser humano horrível que pode ser.

“Rach, eu não...”, ela suspira, “pelo amor de Deus, Rachel, eu sou tão errada e cheia de problemas... eu já fiz coisas terríveis e muitas vezes esses atos foram praticados em você”

“Eu sei Q, mas o que te levou a cometê-los? Lima, uma cidade completamente conservadora. Homofobia. Seus pais. Religião. Hierarquia social”, ela cita alguns e Quinn a ouve atenta.

“Rachel, eu queria te beijar. Mas ao invés disso eu mandava jogar slushies no seu rosto”, a loira diz com dificuldade, e sua voz quebra pela dor das lembranças, “Eu achava você linda do jeito que você é mas te chamava de RuPaul ao invés disso. Eu não sou bonita, Rachel... como eu poderia fazer isso com você? Como eu pude te atormentar, aterrorizar alguém que eu amava? Todos os insultos... quando minha real vontade era apenas te elogiar”

Quinn solta seu pranto e Rachel não hesita em abraçá-la. Lágrimas molham a camiseta da morena e ela segura as próprias fechando os olhos, porque ela foi responsável por trazer mais uma vez o passado à tona, então ela vai conseguir esquivá-lo também.

Ela deve seguir o conselho de seu papai, se quer que seu relacionamento com Quinn não passe por momentos de tormenta, “Siga em frente, Estrelinha. Para trás, nem para pegar impulso”

“Seu ambiente trouxe o pior de você, Q”, ela afagava a loira em seus braços, “mas isso não quer dizer que você possui apenas esse lado... ninguém é oito ou oitenta, e Quinn”, ela puxou delicadamente o rosto da loira para cima para olhar em seus olhos, “depois que você foi para New Haven e começou a faculdade... o modo como você se libertou, começou outra vez e foi completamente você...”

“Rach”, ela geme baixinho.

“Eu não estou dizendo que você não tem um lado ruim. Eu também tenho, e às vezes ele se sobressai. E apesar de seu ambiente ser o culpado pelas suas atitudes, eu fui a única que aguentei seus gestos hostis, já que você se apaixonou por mim quando todo o resto não permitia isso. O elogio que eu quis fazer é que suas atitudes, quando você pode apenas ser você, sem interferências, sem pressão ou medo; tirando toda a dor e decepção que você causou sem ser sua culpa, a verdadeira Quinn, que eu tenho o privilégio de conhecer cada dia mais... essa você, Q, é extremamente linda.”

“Eu me sinto tão machucada, Rachel”, Quinn diz baixinho enterrando a cabeça outra vez no pescoço da morena, e Rachel se esforça para conseguir ouvi-la, “Toda a dor que eu te causei... toda a decepção e frustração por te amar e não poder fazer nada a respeito disso, a não ser esperar passar... meus pais... Beth”

Rachel sente a garota maior se apertar ainda mais em seus braços, e agora realmente um assunto complicado surge. A morena nunca vai forçar Quinn a falar nada sobre Beth, mas existe mais que a pequena filha de Quinn nessa equação. Shelby ainda é algo que a machuca e ela suspira outra vez, pensando como a vida dela e de Quinn conseguem estar tão costuradas em seus retalhos.

“Eu perderia minha voz se pudesse pedir desculpas todas as vezes que eu acho que é necessário, Rach”

“Eu sei, Q, e não estou te cobrando nada”

“Você não pode dizer que meu interior é bonito...”, Quinn diz baixinho e faz carinho nos braços da morena, “quando você é Rachel Berry”

Rachel ri com o gesto fofo.

“A única coisa que eu afirmo que existe de bonito em mim é o meu sentimento por você Rach. Mesmo quando ele estava enterrado debaixo de dor, e decepção, e medo... hoje em dia, a única coisa que resta boa em mim é o fato de inevitavelmente ser apaixonada por você”

Quinn não reluta em falar de seus sentimentos por Rachel. Não agora, quando ela pode, e deve. Rachel sorri e sente a áurea ruim que havia se instalado se dissipando aos poucos.

“Você já leu o livro O Morro dos Ventos Uivantes, certo?”, a loira pergunta, agora livre de choro, voltando para seu travesseiro.

Rachel é pega de surpresa pela pergunta, “Hmm... sim! Você me emprestou ele no verão, lembra? Eu gostei da história”

“Recentemente eu tive que relê-lo para uma interpretação na minha classe básica, e algumas passagens, que eu acho até que anotei no livro que eu tenho em casa, me chamaram de novo a atenção”

“E o que dizia?”

“Quando Catarina pergunta a Nelly se ela fez bem em aceitar casar-se com Linton, e a criada dá a ela várias respostas que Catarina não aceita, ela diz que suas grandes infelicidades no mundo são as infelicidades de Heathcliff. Que ele é a grande razão de seu viver; se tudo perecesse, mas ele ficasse, ela ainda continuaria a existir. Mas se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o mundo inteiro se tornaria para ela algo completamente estranho, já que ela não seria mais parte desse mundo”

Rachel sente Quinn colocar uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e ouve atentamente as palavras doces que a loira está dizendo. Até mais; ela se foca no significado e na mensagem que essa terna Quinn deseja passar.

“Catarina disse que seu amor por Linton é como folhagem dos bosques: o tempo o transformará, como o inverno muda as árvores. Mas seu amor por Heathcliff assemelha-se aos rochedos imotos que ficam por baixo do solo: fonte de alegria pouco aparente, mas necessária... Que ele sempre, sempre estará em seu pensamento”, ela suspira antes de terminar, “...como você”

Rachel avança sobre a boca da loira, a beijando ternamente. Ela só quer dizer que entendeu; e que seu coração está batendo mais forte por cada letra. É apenas um toque suave em seus lábios, assim como Quinn quer que seja. Só uma confirmação, sem palavras necessárias.

“Eu te amo, Rachel, e essa é a única coisa dentro de mim que merece ser vista porque é bela. Nada mais”

E o coração de Rachel transborda.

Notas finais
alguém já sentiu que a Rachel está amadurecendo?