Undeath Love
1 Mudanças e Promessas
Notas iniciais
Pov. Camille
Estava caminhando pelas ruas de Manhattan quando o vi. Ele era jovem, cabelos negros como a noite, olhos escuros e pele branca. Pela primeira vez em séculos não era o sangue que me atraía, era ele.
Pensei em me aproximar, quando vi que ele não estava só. Havia uma mulher com ele. Ela era loira, olhos azuis e era muito bela. Eles estavam de mãos dadas, e eu senti algo brotar dentro de mim. Ciúmes.
Não entendi por que eu, Lady Belcourt, estava com ciúmes de um mundano. Mas eu sabia que ele era diferente, nem mesmo Magnus me fazia sentir assim.
Algo próximo ao ódio tomou conta de mim, quando os vi se beijando. Aproximei-me para ouvir melhor o que diziam. A mulher disse:
- Promete-me que ficaremos juntos para sempre?
Ele disse:
- Prometo, mi amada.
Corri de volta ao meu esconderijo, o Hotel Dumont, mais conhecido entre os vampiros como Hotel Dumort.
Eu precisava saber quem era aquele rapaz e, principalmente, precisava dele ao meu lado.
Pedi a uma de minhas colegas mais leais, Victoire, para que descobrisse mais sobre aquele rapaz. Ela passou dias observando-o e finalmente trouxe todas as informações que conseguiu. O nome dele era Raphael Santiago, vinha de uma família pobre no México e gostava de um bom desafio.
- Hum, um desafio? Acho que sei como fazê-lo se juntar a mim.
Pov. Raphael
Corria pela cidade um boato de que o Hotel Dumont era habitado por vampiros, então é claro que meus colegas propuseram um desafio. Todos tínhamos que invadir o Hotel e expulsar os vampiros. Antes de ir para o Hotel, fui ver minha chica. Ela estava linda, com um vestido cinza que destacava seus olhos de safira.
- Não vá, meu amor!- Ela pediu suplicante- Há uma maldade emanando daquele lugar, temo por você.
- Não há o que temer, chica. Não existem vampiros, é só um boato.
- Então prometa que irá retornar são e salvo!
- Eu prometo. E então, não ganho un beso de despedida?
Ela se aproximou de mim e me deu el beso mais profundo que já havia me dado.
Então saí de sua casa e fui encontrar meus amigos. Chegamos ao Hotel e percebemos que não era possível entrar pela porta da frente. Procurei por muito tempo e encontrei uma passagem pelo porão e assim que entramos, coisas pularam em cima de nós. Uma mulher ruiva pulou em cima de mim e quebrou minha perna com apenas uma mão. Ela e outro homem me morderam e eu senti o sangue se esvaindo de meu corpo. E então tudo ficou escuro.
Pov. Camille
Quando cheguei ao Hotel fiquei horrorizada, Raphael estava inconsciente, morrendo nas mãos de Victoire e James.
Eu os empurrei para longe e gritei:
- Ele é meu! Matem os outros.
Arrastei Raphael para longe dos berros de seus amigos. Sua pulsação estava fraca. Com urgência, rasguei meu pulso com os dentes e dei a ele meu sangue.
Quando sua respiração cessou, eu o enterrei em um cemitério próximo e esperei ele renascer. Quando ele apareceu sedento de sangue, eu lhe dei sangue animal e esperei que ele recuperasse a lucidez.
Quando me viu, ele pareceu maravilhado pela minha beleza. Ele perguntou:
- Quem eres tu?
- Eu sou Camille Belcourt.
- O que aconteceu comigo?
- Aqueles imprestáveis tentaram matá-lo, mas eu lhe salvei. E ainda te dei o melhor presente que qualquer uma poderia dar.
- E que presente é esse?
- A Imortalidade.
* * *
Já fazem algumas semanas desde que Raphael se tornou um vampiro. Ele já está se adaptando muito bem à nova vida. E nós dois nos divertimos bastante juntos. Quando ele me possuía eu me sentia completa.
Ele também já estava se dando bem com os outros, até mesmo com Victoire.
Em uma noite como tantas outras ele veio ao meu encontro, e logo começamos nossa troca de carícias. Eu sussurrei:
- Eu te amo, tanto! Diga que me ama.
Ele enrijeceu e se afastou de mim. Ele disse:
- Não posso mais fazer isso. Lo siento, mas é a verdade.
E ele saiu. Eu já sabia onde ele estava indo. Ele iria ver a humana.
Pov. Raphael
Eu estava perdido em meus pensamentos, não podia acreditar que traí a minha princesa desta forma. Ela talvez vá me odiar quando souber no que eu me tornei, mas eu tenho que tentar.
Quando estava chegando perto de sua casa, um cheiro inebriou meus pensamentos. Era o cheiro dela. Maryse estava usando um vestido preto. Eu percebi, com pesar, que era um vestido de luto. Ela estava voltando de um enterro. O meu enterro.
Ela estava sentada em um jardim, chorando. Aquilo partiu meu coração morto. Sem me preocupar com nada, corri em sua direção. Ela se assustou e estava prestes a gritar, mas eu pus um dedo em seus lábios e sussurrei:
- Shh, sou eu.
- Raphael?- Ela perguntou suspresa.
Assenti e comecei a narrar tudo o que tinha acontecido. Exceto a parte em que eu possuí Camille, só iria piorar as coisas.
Ela me abraçou e disse:
- O que eu sinto por você não mudou em nada. Eu fiquei tão desesperada pensando que você estava morto.
- De certa forma, eu estou.
Ela sorriu e eu disse:
- Ninguém nunca mais vai nos separar.
- Promete?
- Prometo.
E então eu a beijei. Não foi um beijo calmo, foi um beijo desesperado. Como eu sentia falta de beijar aqueles lábios. E de abraçar aquele corpo. Ela era minha. Sempre foi e sempre será.
Nos separamos, pois ela ainda precisava respirar. E eu senti alguém nos observando, me virei e vi Camille nos encarando com uma expressão de raiva pura.
Maryse perguntou:
- Quem é aquela mulher?
- É a chefe dos vampiros da cidade, não deve aprovar o fato de eu ter te contado. Preciso ir atrás dela. Amanhã à noite eu virei te ver, princesa.
- Te esperarei ansiosamente, meu amor.
Me virei e corri em disparada. Camille não merecia tamanho sofrimento, devo à ela minha vida. Cheguei ao Hotel e dei de cara com Lily e Jacob. Lily disse:
- Raphael, o que ouve com Camille? Ela parecia furiosa quando entrou.
- Onde ela está?
- Nos aposentos principais.
Andei em direção aos aposentos. Camille estava de costas para mim. Eu disse:
- Camille, preciso falar com você.
Ela se virou, com uma expressão fria nos olhos. Eu disse:
- Camille, não posso continuar te enganando. Você está vivendo uma mentira.
- O que quer dizer?
- Eu não te amo, Camille.
Eu vi tristeza e raiva passarem por seu rosto, que logo voltou a expressão fria de antes.
Antes que eu saísse da sala, ela gritou:
- Victoire! Venha até mim.
Victoire passou por mim com uma expressão de cautela. Ela sabia o que estava por vir.
Passei o resto da noite conversando com Lily e Jacob. Espero que Camille supere o que aconteceu.
Pov. Camille
Victoire entrou no quarto, e disse:
- Milady Belcourt, o que deseja?
- Preciso de um favor.
- Lady Belcourt, está tudo bem?
- Não, mas vai ficar.
Victoire perguntou hesitante:
- Que favor?
- Quero que rastreie a humana, me informe cada um de seus passos.
- Por quê?
Olhei friamente para ela:
- Raphael. Eu quero que ele sofra tanto ou mais do que ele me fez sofrer. A Camille boazinha não existe mais.
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