Undead World.

25 Capítulo 25 - Carnival.


Notas iniciais
OEEEEEEE S2 Eu não morri (Again) então tá aqui o capítulo S2 (Aliás, o título é 'Carnival' e não 'Carnaval', NÃO ENTENDA ERRADO :>)

— Oi. – Quinn diz, é quase um sussurro que poderia facilmente passar imperceptível por Rachel, mas ela nota. –

Rachel está com seus marcantes olhos castanhos opacos, as maçãs do rosto avermelhadas e a franja colada ao rosto por conta do suor, mas o que mais seria estranho naquela situação, era o que ela segurava com cuidado nos braços. Uma criaturinha pequena e de pele rosada, com poucos fios loiros no topo de sua cabeça. Ela dormia numa paz invejável após minutos de berros sem fim, sua pequena mãozinha sempre agarrada firmemente ao dedo de Rachel.

— Oi. – A judia responde no tom mais frio que conseguira naquele momento, em sua garganta um nó de raiva, magoa e tristeza quase impedia a saída de sua voz, seus olhos coçavam para derramar lágrimas angustiosas. –

— Já decidiu como quer chamá-la? – Pergunta a garota de cabelos róseos após alguns segundos de um silêncio nada confortável. –

Aquela criança no colo de Rachel era sua filha recém-nascida, uma mistura dela mesma e da garota mais perfeita que já conhecera. Mas é claro que o conservador Russell não pensaria em sua felicidade. Ele não pensaria duas vezes antes de condená-la ao inferno junto de sua própria neta, e, provavelmente, mandá-la para um colégio interno de freiras ou algo assim.

— Ainda não – Rachel responde, fitando o pequeno rostinho calmo de sua filha. Ela sempre acreditara em amor à primeira vista, então, na primeira vez em que olhara para o rosto daquela criança, teve certeza de que havia se apaixonado. – Pensei em Beth, eu gosto da pronúncia desse nome. –

— Hm ... Que tal Bethany? – Quinn sugere quase que timidamente, escolhendo fitar seus próprios pés ao invés do olhar magoado de Rachel. –

A diva parece pensativa, ainda fitando aquele rosto que de repente passara a ser o amor de sua vida, alguém pelo qual ela desistiria de seus sonhos. E fora isso que ela fizera, de certa maneira.

— Bethany Berry. Eu gostei. – Finalmente deixa escapar um sorriso em seus lábios, quando a pequenininha franze ligeiramente o nariz fino em meio ao seu precioso sono. –

— Berry? – Quinn indaga, de repente parecendo mais interessada do que deixaria transparecer. — Você ... Você não ia colocá-la para adoção? –

Rachel suspira, e inconscientemente, aperta-se ainda mais contra a pequena coisinha escondida no meio de um cobertorzinho branco.

— Eu não consigo. Eu planejava antes dela nascer, afinal, ela teria uma vida melhor com alguém com mais maturidade para criá-la, mas agora que ela está aqui ... É tudo tão real ... –

Quinn sorri, de uma certa maneira, feliz por saber que Rachel cuidaria daquela criança. – De Beth. – Ela corrigiu-se mentalmente. Mas seu sorriso morre logo em seguida, quando lembra que não poderia fazer parte da vida de sua própria filha.

— Entendo. – Diz a ex-loira, recolocando sua máscara de indiferença. Rachel não entenderia seu trauma de relacionamentos, e também não entenderia que Russell Fabray não era aquele homem simpático que sempre saia no jornal de Lima por fazer doações para hospitais e orfanatos. Ele era um monstro, que faria de tudo para tirar Beth de Rachel após despachar Quinn no primeiro lugar que conseguisse. – Bem, se cuidem. –

Quando ela dá as costas para Rachel e sai do quarto, quase que instantaneamente, Beth recomeça a chorar, assim como a própria Quinn. Beth era a melhor coisa que já havia feito em sua vida, sabia disso mesmo que a criança ainda tivesse apenas poucas horas de vida. Ela em si era quebrada, cheia de defeitos e fantasmas passados, mas Beth era perfeita, sua coisa perfeita. Sua e de Rachel. Depois disso, sua única lembrança daquele dia se resumia apenas em bebidas fortes a noite inteira.

Rachel estava deitada na cama que dividia com Quinn, Beth sentada em seu colo enquanto usava os dedos de sua mãe para uma brincadeira onde ela mordiscava-os levemente com as pequenas pontinhas em suas gengivas, que logo se tornariam dentes. Beth era uma criança inteligente e esperta, talvez até detalhista. Ela percebeu que Quinn não estivera ali em apenas dez minutos desde que havia acordado, e Rachel sabia disso.

— Você está preocupada com a mamãe, amorzinho? Eu também estou. – A diva murmurou, e a garotinha loira arqueou a sobrancelha perfeitamente, assim como Quinn fazia, e aquilo doeu, muito. Antes doía pela lembrança de ter sido abandonada, mas agora, doía por imaginar que aquela garota despreocupada e incrivelmente amável poderia nunca mais voltar. –

Rachel sorriu tristemente, e logo apertou Beth contra si, desejando com todas as suas forças que Quinn voltasse viva, que não fosse achada por aí, perambulando atrás do menor pedaço de carne humana que conseguisse encontrar.

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— Merda, merda, merda, merda, merda! – Quinn repetia em voz alta, sentindo seus pulmões queimar pela falta de ar. Como respirava mesmo? Inspira, expira. Entra ar, sai ar. Ela seria sortuda por conseguir fazer corretamente. –

Quando finalmente acharam o maldito jipe (Sem sequer uma gota de gasolina) com os malditos remédios, ele estava cercado por mortos, assim como o tanque de guerra. Centenas de criaturas horrendas e tão magras que parecia que fazia séculos desde a última vez em que provaram carne humana. Não teriam como entrar no meio deles sem ser agarrado. Então, Puck e Marley se lembraram de como escaparam por muito pouco no hospital, com a camuflagem pelo sangue.

Fora fácil arranjar alguns walkers perdidos e então se sujarem com seus restos mortais, e finalmente se espreitarem entre eles. Após conseguirem recuperar os medicamentos, descobriram que o destino realmente era uma vadia com eles. A chuva, os mortos, os gritos dos dois outros homens de John que foram assassinados. E agora lá estavam eles, correndo sem rumo de centenas de mortos-vivos sedentos por sangue.

— Ali! – Sebastian grita, apontando para grades até onde a vista alcançava, lá dentro podia se ver a monstruosa roda-gigante e uma montanha-russa que fez o estômago de Charlie revirar só de olhar. O parque do começo da cidade! Se fossem por ali, poderiam chegar até onde deixaram as motos de uma maneira até mais rápida, sem dizer que não tinham muita escolha com aqueles grunhidos alertando-os do perigo em suas costas. –

Todos jogaram as mochilas pesadas e logo pularam por cima das grades com uma velocidade incrível, desesperados por suas vidas. Todos, menos Quinn. Seu pulmão e toda a sua caixa torácica pareciam pesar duas vezes mais que seu próprio corpo. Suas costelas ainda estavam trincadas, e com a respiração ofegante, toda vez que inspirava era como levar aquele tiro outra vez. Era isso, estava acabado. Ela já havia se convencido disso.

Até que algo agarrou suas pernas, mas ao invés de mordê-la, simplesmente se agachou e então ergue-a em seus ombros altos. Se Marley não estava do outro lado junto dos outros, então ...

— Olha, me agradece depois Quinn, só vai logo! – A voz da morena chegou aos seus ouvidos, alta e clara. Rapidamente a Fabray assentiu e então passou seu corpo para o outro lado da grade, sendo pega cuidadosamente por Puck. –

Segundos depois, é escutado um grito desesperado e então Marley cai desajeitadamente no chão, praguejando baixinho sobre a dor nas costas.

— Você está bem? – Charlie indaga para a irmã mais nova, passando lentamente a mão em suas costas. –

— Sim ... – Quinn responde segundos depois, finalmente conseguindo respirar corretamente. Ela se levanta um tanto vacilante e sorri. – Valeu, Marley. De novo. –

— Sempre à disposição! – Marley sorri infantilmente, levantando-se rapidamente enquanto leva a mão até a têmpora em uma continência. –

Eles poderiam ficar ali por mais algum tempo, porém os grunhidos dos mortos atrás das grades começou a incomodar, assim como o cheiro horrível.

...

Charlie se encolheu contra Quinn quando um pequeno rato saiu de trás de um dos ursinhos na prateleira de uma barraquinha de tiro-ao-alvo, fazendo com que a pelúcia caísse em cima de uma latinha de alumínio no chão com um barulho inofensivo, porém, assustador, levando em consideração que não existia uma alma viva ali.

A única pessoa fora da atmosfera assustadora criada no parque era Marley e sua infantilidade, terminando de engolir algumas pipocas doces, em suas mãos existiam pacotes de jujubas e um algodão doce com uma aparência estranha.

Um parque de diversões deserto em um mundo dominado por mortos-vivos pode ser muito mais assustador do que um cemitério, ou uma casa mal-assombrada. Aquele lugar que antes era cheio de vida e cores, agora estava abandonado e com uma aparência mórbida, sendo facilmente confundido com um cenário de filme de terror. Sua atmosfera nebulosa e apavorante, junto da ferrugem, neblina e o mato que crescera com alguns meses sem o cuidado ideal convidava o pânico e o medo, fazendo nós nos estômagos mais fortes.

Não demora muito e Charlie solta um gritinho assustado quando alguns pássaros saem voando repentinamente de cima de algo jogado a apenas alguns metros deles, que logo revela-se ser um cadáver praticamente destruído, seu corpo está aberto da garganta até o estômago, deixando os órgãos e os ossos para quem quiser ver.

A cena era tão brutal, que Charlie acabou vacilando ao soltar seu café da manhã no chão, sentindo o gosto amargo da bile dominar sua boca.

— Tá tudo bem, Fabray02? – Puck indaga quase gentilmente de mais para ele mesmo, afagando as costas da irmã gêmea de sua amiga. –

— S-sim ... – Ela murmura, limpando a boca com as costas da mão. – Por que caralhos eu sou a ‘02’ se a Quinn é mais nova? –

— Sei lá. – Ele dá de ombros. –

— Sabem, acho melhor sairmos daqui. – Marley diz ao morder a nuvem fofinha de açúcar, meneando a cabeça em direção ao único walker solitário que se arrastava em direção a eles, segundos depois sendo parado por uma bala direto na testa por conta de Sebastian. –

— Vam-

— Sim, vamos! – Quinn diz rapidamente, cortando o começo de frase de Sebastian, em sua luta pessoal sobre a ‘liderança’. –

De todos ali, talvez ela fosse a que mais passou a odiar aquele cara.

Notas finais
... Tá-da.