Undead World.
14 Capítulo 14 - Throwing Knives.
Notas iniciais
Algo estava muito errado. Há apenas um dia o corpo sem vida de Mike fora queimado junto com os montes de walkers, já que Sam alegou que eles deveriam sair de lá o mais rápido o possível, não teriam tempo para um funeral, nem o mais simples que seja.
Charlie fitava o chão, seu olhar pacato e sem vida. Seu melhor amigo estava morto. Seu melhor amigo estava morto. O quão irreal aquilo era? Eles eram amigos desde os dez anos de idade, e agora ele estava morto. Mike estava morto.
Logo ela foi retirada de seus pensamentos quando Quinn bateu de leve na porta, encostada no batente.
— Hey – Chamou a irmã mais velha. A loira apenas olhou para cima sem dizer nenhuma palavra. – Como você tá? ... Sam disse pra te avisar das malas, vamos embora logo. Talvez outra fazenda no meio do nada, começar do zero. De novo. – Charlie não respondeu. Quinn suspirou e logo agachou-se em frente a sua irmã sentada na ponta da cama. –
— Você acha que é minha culpa? – Indagou após segundos, a punk passou a mão pelos cabelos rosados, desajeitando-os ainda mais. –
— Char, ele estava cercado, e foi mordido. Todos nós sabemos o que acontece depois da mordida. Ele não queria se transformar em uma daquelas coisas, viveu seu último segundo sendo ele mesmo, e também nos poupando de ter que atirar no meio da testa dele quando voltasse. Não é sua culpa, não foi e nunca será. – Ela colocou uma mão no joelho da irmã mais velha, logo levantando-se. –
— Tente dar uma cochilada até a hora de irmos. Essa tarde foi bem ruim. –
E então retirou-se do quarto. Charlie deitou no meio da enorme cama de casal, cobrindo-se com cobertas aconchegantes e sedosas que convidavam-na ao sono. Ela precisava descansar, sua mente estava atormentada, sempre com a imagem de Mike atirando na própria testa. O líquido vermelho se espalhou na parede branca e então ele caiu. Até mesmo os mais fortes fraquejam naquele inferno. Com os olhos irritados pelas lágrimas que lutavam para não cair e sua cabeça explodindo como se tivesse sido pisoteada por elefantes, aos poucos, ela adormeceu.
...
— Tudo pronto aqui? –
A garota de cabelos rosados adentrou o quarto, abraçando o corpo pequeno de Rachel por trás. Beth, que estava sentada no meio da cama de casal, riu de algo que ela achou engraçado.
— Tudo ... – Ela suspirou e virou-se para a namorada, acariciando as pontas repicadas e rosadas do cabelo originalmente loiro. – Ninguém parece ligar para o Mike. –
— Não é que não ligamos, Rach. Só não temos tempo. E se aqueles walkers estivessem em um número maior, e muitos mais deles estivessem vindo pra cá nesse exato momento? Não conseguiremos lidar com tantos assim. As cercas estão destruídas, gastamos muita munição ... Eu sei que é difícil tratar uma morte com indiferença, principalmente nesse mundo que estamos agora, mas realmente temos que ir logo. –
A diva assentiu e então escondeu seu rosto na curva do pescoço da mais alta, as duas ficaram abraçadas pelo que pareceu séculos no meio do quarto, até que Puck pigarreou, batendo de leve na porta aberta.
— Hey, hm ... Vamos nos reunir na sala ... Acertar as rotas e tal ... – O rapaz passou a mão pelo moicano desajeitado, logo murmurando alguma desculpa para sair dali. –
O casal se entreolhou e então ambas sorriram. Rachel pegou Beth enquanto Quinn se encarregou de levar as malas ao andar de baixo, onde Sam havia espalhado os vários mapas de Charlie na mesa de jantar, e a gêmea mais velha estava explicando tudo em voz baixa, sua aparência simplesmente acabada. Parecia que ela não dormia há dias.
Em um pequeno espaço na mesa de vidro, Brittany tentava configurar o mesmo rádio velho que Sam praticamente lhe obrigou a arrumar enquanto Santana observava tudo com uma cara de paisagem, mastigando pausadamente seu cereal um pouco murcho, vez ou outra dando uma colherada para a loira.
Marley e Kitty tentavam reconfortar Tina, mas a asiática apenas assentia roboticamente, sem realmente escutar qualquer palavra. No mundo anterior, Kitty teria jogado slushie na cara dela sem pensar duas vezes, mas ali, naquele momento, ela entendia. Ela não conseguiria viver sem Marley, e agora os riscos eram bem piores do que as brigas de gangue que Puck arrumava e depois sobrava para todos os ‘badass’.
Sam e Puck ainda prestavam atenção nas explicações sem vida da irmã de Quinn enquanto Kurt dormia ocupando um sofá inteiro, até que algo os surpreendeu. O rádio de Brittany captou algo, como uma voz, quase humana, porém o sinal estava falho, poucas coisas eram entendidas.
— ... O-Olá? Estam .... Alguém ... V-vivo? Estamos ... Em ... –
— Não, não, não, não! Merda! – Brittany praguejou, batendo o punho fechado na mesa de vidro, que por pouco não trincou. –
Rapidamente ela pegou o rádio e correu até as escadas, quase caindo vez ou outra, praticamente deslizou no corredor até chegar na última porta, onde ficava o atual quarto de Sam e quase caiu da sacada ao se jogar no parapeito, ficando nas pontas dos pés para conseguir um sinal decente. Era uma pessoa, alguém vivo, com mais gente, e quem sabe, um abrigo com mais chance de vida do que a fazenda.
— Repetindo. Olá? Estamos em Calico, perto de Las Vegas, alguém vivo? Estamos em Calico, perto de Las Vegas, alguém vivo? – Dizia uma voz masculina no rádio. Brittany sorriu consigo mesma. –
Logo ela tratou de voltar para a sala, onde todo o grupo encarava-a como se ela soubesse os números da loteria.
— O que aconteceu? – Quinn havia perguntado depois de um tempo. –
— Pessoas. Provavelmente um grupo. Talvez uma comunidade, pois estão em Calico. – Seu sorriso se expandia a cada palavra. –
— Calico é uma cidade fantasma. Literalmente. Mesmo antes dessa praga, ninguém morava lá. – Charlie cruzou os braços impaciente, fitando a localização em seu mapa. Brittany revirou os olhos, mania adquiria de Santana. –
— Exatamente! Com ninguém lá, não teria ninguém para ficar doente, e todo mundo aqui lembra que essa praga começou com um simples vírus. As pessoas podem ter se reunido lá e recomeçado a cidade do zero. Além de casas, tem restaurantes, bares e etc. –
— É meio velho oeste, como De Volta para o Futuro 3, não é? – Puck indagou, e a loira assentiu. –
— Teremos uns dois ou três dias de viagem. – Charlie murmurou, traçando o caminho com a ponta dos dedos. – Teremos que contornar várias cidades, afinal, vamos de Ohio até a Califórnia. Talvez as cidades menores não tenham rota para contornar, por isso é bom tomarmos cuidado. Sem dizer que talvez os caras não sejam gente boa. –
— É meio arriscado – Rachel pronunciou-se, tomando uma posição de líder que fazia Quinn lembrar de uma certa capitã do antigo Glee Club. Ela não fazia parte e nem ninguém dali, mas a Rachel ‘diva da Broadway’ sempre emanava autoconfiança, mesmo sem os privilégios da popularidade, ou uma gravidez indesejada. – Mas é a última opção que temos, mesmo não sendo de total confiança e, bem, longe. Poderíamos considerar que estamos correndo perigo maior aqui do que lá, relacionado aos walkers. Calico fica no meio de um deserto, e nós estamos perto de uma cidade consideravelmente grande, e aquela horda foi provavelmente apenas um terço de Akron. –
Ninguém ainda tinha se acostumado com a Rachel atiradora/calculista/sexy, por isso todos apenas encararam-na com os semblantes confusos. Quinn sorriu orgulhosa, e Beth teve outro dos seus vários ataques de riso. A punk sorriu de lado e beijou o topo da cabeça da filha.
— Então nós vamos? Não podemos demorar muito, ‘cês sabem ... – Marley deu de ombros, um tanto animada com a ideia de ir para uma cidade fantasma. Porém logo desanimou ao lembrar-se do ‘fantasma’. Se zumbis já eram um problema, imagine almas penadas. – ... Tem fantasmas lá não né? –
— Acredite, fantasmas não seriam nosso pior problema. – Quinn respondeu enquanto recarregava sua besta. – Nós vamos, certo? –
Sam assentiu pausadamente. Puck aproximou-se da janela com um taco de baseball em mão.
— Temos cinco aqui fora. Dá conta, Little Q? – Ele indagou, e a punk sorriu de lado. –
— Sempre dou conta. – Após uma piscadela maliciosa para Rachel, ela fez sinal para que o rapaz abrisse a porta. –
Com apenas um disparo, a flecha penetrou no olho da criatura, e ele caiu. Os outros quatro pararam e olharam para o corpo definitivamente morto no chão, logo voltando a caminhada lenta e desajeitada em direção à porta. Mais três flechas, e outros três corpos caídos no chão. Antes que pudesse dar o último tiro, um vulto passou ao lado de sua cabeça, quase arrancando sua orelha fora, e atingiu o walker.
Rachel riu quando a punk virou-se para ela com o semblante assustado e surpreso.
— Você jogou uma faca nele?! – Quinn praticamente gritou. Rachel riu mais ainda. –
— Meu pai me ensinou vários tipos de autodefesa. – Ela deu de ombros, ainda com um sorrisinho no rosto. –
— Mas você jogou a porra de uma faca nele! Tipo, daqui! – Marley gritou, não muito diferente de Quinn. –
A judia riu ainda mais e pegou Beth no colo, logo caminhando em passos lentos até a porta.
— Vocês não sabem muita coisa sobre mim – Ela riu, um riso um tanto calmo e incrivelmente assustador, principalmente após aquela frase. – Já está tudo arrumado, acho melhor irmos, não é? –
O grupo todo assentiu assustado, logo cada um arrumou algo para fazer e saíram atrás de suas coisas. Ninguém queria irritar uma Rachel atiradora fodona.
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