Undead World.
3 Capítulo 3 - Painful Memories.
Notas iniciais
Sem muitas dificuldades o pequeno grupo retornou para a casa dos Pierce. Quinn achou estranho a quantidade de zumbis em frente ao portão, considerando que a rua estava deserta quando partiram, mas apenas deu de ombros, livrando-se de uns três ou quatro mortos até conseguir pular o muro novamente. Eles chegaram bem a tempo, pois em menos de trinta minutos estaria escuro.
– Como está lá fora? – Kurt indagou enquanto abraçava Marley. Ele e Kitty haviam se preocupado cada vez mais por cada segundo que a morena estava fora, e com um descuido poderia acabar sendo destroçadas por zumbis insaciáveis, sedentos por carne humana. –
– O mesmo inferno de semanas atrás. – A garota alta logo soltou-se do irmão mais velho para abraçar sua namorada, que agradecia pela garota ter voltado viva e bem. –
– Eu me preocupei ... – A loirinha sussurrou, seu rosto escondido no peito de Marley enquanto apertavam-se em um abraço. –
Quinn via toda a interação, e deixando os pensamentos mais profundos se apoderarem de sua mente, imaginou se algum dia poderia ser assim com Rachel. Droga, pensando na diva mirim de novo! Foi apenas uma noite, um descuido e uma criança, nada de mais. Era isso que ela deveria pensar, mas por que então não conseguia parar de pensar na pequena por um segundo sequer?
Enquanto todos conversavam sobre a ‘missão’ e os acontecidos, Quinn subiu sorrateiramente as escadas, e foi para o quarto que dividia com Charlie, retirou suas armas e por fim as roupas, e logo foi tomar um banho rápido, sentindo cada gotícula da água fria que caía sobre a pele pálida, gelando até os ossos da garota.
Assim que terminou, colocou roupas mais confortáveis, pegou um isqueiro e um maço de cigarro da marca Black Stones que por sorte encontrou no mercadinho, logo, caminhando em passos lentos e nem um pouco apressados, foi até o quintal bem cuidado da casa. As amadas roseiras da senhora Pierce e os girassóis do senhor Pierce davam um tom vivo para aquele mundo tão morto e cinza. Algo assim era reconfortante nos dias atuais.
Sentada numa espriguiçadeira ao redor da piscina, estava Rachel, que sorria abertamente para Beth enquanto a pequena se enrolava tentando dizer as primeiras palavras.
– Hey Berry. – A punk sorriu de lado, equilibrando o cigarro nos lábios enquanto levantava o isqueiro para acende-lo. –
– Você poderia não .. ? – Ela indagou, levando em consideração que poderia fazer mal para Beth. –
Quinn apenas revirou os olhos e levou o cigarro para trás da orelha.
– Melhor? – Ela perguntou, cheia de sarcasmo. –
– Muito. – Rachel respondeu, logo observando Quinn aproximar-se, um sorriso de lado em seu rosto. –
A ex-loira sentou-se ao lado da judia e pegou Beth nos braços, a garotinha riu para a punk enquanto segurava seu rosto com as mãozinhas. Quinn limitou-se em soltar um riso anasalado.
Com um braço a garota badass fez o impensável; Rodeou a cintura de Rachel e puxou-a para perto, seus rostos quase colados, uma podia sentir a respiração da outra. Os olhos verdes encontraram os castanhos, porém a razão falou mais alto para a morena, que logo tratou de sussurrar ao ouvido da outra.
– Eu tenho um namorado ... –
– Sim. – Ela respondeu no mesmo tom, e Rachel sentiu uma certa umidade entre as pernas, lembrando-se vagamente da sensação que teve ao dormir com Quinn. E só com Quinn, afinal, ela nunca quis ter o segundo passo com Finn. Mesmo com várias tentativas por parte do mais alto, eles nunca transaram. –
A ex-loira deitou sua testa no ombro da judia, apenas apreciando o silêncio. Isso até que Beth quebrou-o.
– Mama ... – A pequena sussurrou, chamando a atenção das duas jovens. –
– Ela ... Ela já sabe falar? – Quinn indagou, arqueando uma sobrancelha. –
– Nunca tinha escutado. – Rachel respondeu, surpresa. Aos poucos, um sorriso formou-se no rosto da diva. –
Ela pegou a criança no colo e então apertou-a fortemente contra seu próprio tronco, enchendo-a de beijos no rosto todo, enquanto a garotinha ria sem parar. Quinn observou aquilo e sentiu-se culpada; Ela poderia participar de coisas assim desde o começo, poderia ter protegido Rachel e Beth no início do fim, e o mais importante, iria afastar o Hudson do que era verdadeiramente seu, Rachel e Beth.
Levantou-se subitamente e então sem dizer nada, voltou para dentro da casa. Beth olhava para sua outra mãe afastando-se e então ergueu os braços na direção da punk, sussurrando um ‘mama’ de novo, como se quisesse que a garota voltasse para lá e então pudessem viver como uma família feliz.
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– Estão prontas? – Sam indagou para as irmãs Fabray. –
As duas estavam armadas com o máximo que podiam carregar; Era algo que precisava ser rápido, por isso quanto menos no grupo de busca, melhor. E qual dupla era a melhor de lá a não ser as gêmeas?
Elas se entreolharam com sorrisos determinados e bateram os punhos fechados antes de assentirem. Estavam sentadas em cima do muro que dividia a vida da morte, e após uma pequena limpa na rua, jogaram-se na calçada. Tinham pouco tempo para ir até a casa dos avós, pegar o Cadillac e então voltarem sãs e salvas.
Com Charlie como guia e Quinn como ‘abatedouro de zumbis’, como ela se autodenominou, não demoraram muito para chegar na casa dos avós paternos. O quintal onde costumavam brincar com sua irmã mais velha, onde já caíram, onde já choraram, onde já sorriram ... Tantas boas lembranças de infância vieram em mente, coisa que nunca mais aconteceria. Com essas lembranças Quinn pensou em Beth, lembrando-se que sua filha nunca teria uma infância normal.
– Hey – Charlie chamou, colocando uma mão no ombro da irmã gêmea. – Tá tudo bem, ok? – Quinn assentiu sem graça e logo pularam a pequena cerca em volta da casa antes que chamassem atenção de mais. –
A porta estava destrancada, e isso preocupou a gêmea mais velha. Contando até três ela entrou na casa, topando com a sala vazia. Há um ano atrás, iam lá para comemorar o aniversário de algum parente, agora, só queriam saber se seu avós estavam vivos. Claro que não estão, Quinn pensara.
– Vovô, vovó? Somos nós. Charlie e Quinn. – A mais velha disse um tanto alto, porém nada. –
A punk andou até um porta-retrato, onde ela e as irmãs estavam abraçadas, sorrindo para a câmera. Inferno, como aquilo doeu nela. Frannie e Quinn sempre protegeram Charlie quando algum menino falava mal dela, cuidavam da irmã com todo carinho. Alguns anos mais pra frente, Frannie apresentou vários amigos para Charlie e Quinn. Assim que conheceram Puck e Santana. E depois disso, esmagar a cabeça de sua irmã após acabar com os pais, que haviam praticamente devorado-a, foi duro. Ver o último sorriso de Frannie, com os órgãos para fora após gritar de dor enquanto seus pais comiam-na viva ... Quinn nunca teve certeza de que ia superar isso.
– Quinnie, a chave. – A mais velha tirou a loira do mundinho de pensamentos, rodando a chave do Cadillac no dedo indicador. –
– Tá ... Eu .. Vou dar uma olhada no andar de cima. – E sem esperar uma resposta, subiu as escadas. –
Estava tudo quieto. Ela bateu forte na parede para chamar atenção, porém, nada. Havia apenas um quarto de hóspedes, o quarto dos avós, o banheiro e a sala de trófeus de seu avô no andar de cima. Caminhando com passos lentos e leves, a ex-loira esgueirou-se para a sala de troféus.
Seu avô sempre fora ativo e era ótimo em várias coisas, por isso não era de se impressionar com o número de troféus. A loira abriu uma gaveta de uma cômoda rústica apenas para encontrar várias fitas k7 de clássicos como os Beatles, David Bowie, KISS, AC/DC, Guns n’ Roses, Nirvana e entre outros. Seu avô tinha um ótimo gosto musical.
‘Essas porcarias de hoje em dia nunca serão tão boas quanto os discos ou as fitas’. Dizia ele.
Ela guardou as fitas e logo tratou de descer.
– E aí? – Charlie indagou, deitada no sofá com os pés apoiados no braço de couro. Se sua avó visse isso, estava ferrada. –
– Nada. Vamos pegar o carro ... Saimos da cidade até o primeiro posto, aí abastecemos se preciso e colocamos algumas coisas pra comer. – Ela deu de ombros, e a mais velha assentiu. –
Quando foi abrir a porta que levava até a garagem, foi bruscamente empurrada para trás, e um peso caíu sobre seu corpo. Seu avô. Frio como gelo, estava magro, pálido e com alguns pedaços de carne faltando nos braços, em seu pescoço havia uma mordida profunda.
Quinn abriu a boca em pânico, mas o grito não saía, apenas agonizava-a cada vez mais. Ela fraquejou ao ver aqueles olhos que tanto lhe causava conforto na infância, agora sem vida, apenas encarando-a como um pedaço de carne. Na verdade, era apenas isso que ela significava para ele, atualmente.
Quando ele ameaçou escancarar a boca para morder, recebeu uma pancada forte na cabeça e então caíu de lado, imóvel. Charlie segurava um pé-de-cabra, sua expressão não muito diferente da de sua gêmea.
A punk finalmente permitiu-se fraquejar. Ela abraçou os joelhos e encolhendo-se em posição fetal, chorou intensamente. Pelo susto, pela imagem que ficaria gravada em sua memória para sempre, pela falta que sua família fazia, por ter sido idiota com Rachel, por ter ignorado Beth, pela filha não poder ter uma infância comum. Sentiu braços envolvendo-a, e logo fitou seus próprios olhos em Charlie, que também tinha os olhos marejados.
– Quinnie ... Vai ficar tudo bem ... O mundo está batendo duro contra nós, mas sentar e chorar não vai adiantar. Temos que fazer algo. Por mim, por você, por Rachel, por Beth, por todos ... Levante-se e prove que pode ser melhor do que isso. – Merda, só Charlie para conseguir reanima-lá com um pequeno discurso meloso. Ela sorriu de lado, limpando os olhos com as costas das mãos. –
Levantaram-se e foram para a garagem, e lá estava o belíssimo Cadillac, ostentando um vermelho forte e marcante dos anos 50. Quinn riu e destrancou a porta do motorista, logo sentou-se no banco. Cara, aquilo era muito da hora!
– Tá funcionando? – A gêmea indagou enquanto olhava pela janela do portão da garagem. Havia um pequeno grupo de mortos lá, mas poderiam ser atropelados sem problemas. –
Oh, como ela esperou por aquele momento. Colocou a chave e então ligou o carro, um barulho alto preencheu o cômodo.
– Isso. É. Tão. Da. Hora! – Dizia pausadamente, com um sorriso no rosto. Ela puxou a mochila jogado no banco traseiro e logo retirou uma fita do AC/DC, e colocando-a para tocar, teve o carro preenchido com Highway to Hell. Meu Deus, como música fazia falta! –
Ficando do lado do passageiro, Charlie contou até três e então abriu o portão branco. Quinn deu ré e jogou uns dois mortos para longe, a mais velha apenas riu e logo entrou no carro, sentando-se ao lado da irmã gêmea.
– Cara, é AC/DC! Que falta que isso faz .. – As duas sorriram uma para a outra, logo cantando junto no refrão. –
Logo alcançando o asfalto, Quinn atropelou mais alguns mortos até sair por aí dirgindo. As gêmeas sorriam e cantavam junto da música. Por algum tempo, aquele mundo infernal não as preocupavam tanto.
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