Uncontrollable ('The Orphan' – Season 3)

17 Capítulo 16 – I’m NOT like her!


Notas iniciais
Volteiii!!! Vocês lembram o que significam as três estrelinhas (***) certo? Para quem não lembra, são as falas de Voldemort na cabeça da Violet... Espero que gostem do capítulo... Boa leitura!!! P.S.: leiam as notas finais...

Capítulo 16 – I’m NOT like her!

“Eu NÃO sou como ela!”

– Violet –

– Isso é ridículo! Eu não vou ficar brincando de “você é o ar que eu respiro” com o Draco!

– O que vocês preferem? – perguntou Silena saindo dos braços de Matthew – Uma dança simples que em segundos todos vão esquecer ou algo grandioso, que certamente entrará para a história?

– Pelo que vejo são da Sonserina, então respondam: querem algo simples ou algo glorioso? – perguntou Matt

Droga, pegou justo no meu orgulho sonserino!

– Tudo bem... – suspirei – Mas se você fizer alguma gracinha, juro que arranco seu braço... — avisei ao Malfoy.

Desde então Draco e eu nos encontrávamos regularmente a semana toda, obviamente acompanhados pelos “incríveis” Matt e Silena.

Meu pai ainda não acreditava que eu iria abrir o Baile de Primavera e demonstrou-se bastante ciumento quanto ao ritmo escolhido. “Se o Sr. Malfoy ultrapassar os limites, a conversa será comigo”, avisou com um semblante assustador que me fez rir.

Minerva encarou a situação como uma oportunidade de unir inimigos, afinal, “uma garota como você não pode ter inimigos na própria casa!”. Ela realmente estava se deliciando com tudo aquilo. Alessa divertia-se imensamente com o meu “sofrimento”, mas como dizem que pimenta nos outros é refresco, minha ruiva favorita armou um complô contra mim.

“Você prefere Violet Eileen Krum ou Violet Eileen Malfoy?”, debochou.

Mary, por sua vez, foi bastante compreensiva, porém, com uma pitada de malícia. Já Sophie é outra história. “Violet Eileen, você provavelmente é a garota mais sortuda de Hogwarts! Primeiro Vitor Krum, e agora Draco Malfoy! Ainda bem que o Harry é o seu irmão, senão seria o próximo”.

Decidi, pelo meu bem, não contar a “novidade” para meu irmãozinho, logo, os únicos que sabiam eram as meninas, Draco, provavelmente Blás e Theo, e os professores. Vitor também não sabia, e algo me dizia que era melhor manter assim, afinal, ele seria meu par para o baile.

Os dias calmos passaram-se rapidamente e logo todos os alunos estavam de volta.

Alessa, Sophie, Mary e Gemma estavam eufóricas com o baile e me interrogaram de todas as formas possíveis sobre o convite de Vitor e os ensaios com Draco, mas graças a Merlin, consegui mudar o assunto para o natal delas mesmas.

– Eu acho que minha irmã está tendo um caso... – comentou Alessa séria

– Acha?

– Ela sempre fica triste no natal porque foi quando nossos pais sofreram o acidente e morreram, mas esse ano não... Ela estava estranhamente radiante e feliz, com um sorriso bobo igual ao seu quando fala no Vitor...

– Palhaça! – disse jogando uma almofada em seu rosto – Talvez ela apenas tenha superado a morte dos pais e resolvido voltar a viver...

– Não, eu conheço a Julianne, ela não é de superar algo tão facilmente, e a última vez que a vi daquele jeito foi quando ficou noiva...

– Ela já ficou noiva? – perguntou Sophie

– O cara era um babaca idiota e a traiu com uma loirinha mais nova... – respondeu Alessa com raiva – Jullie ficou um bom tempo lamentando pelos cantos e agora, do nada, está radiante, feliz e com a autoestima lá em cima...

– Você deveria ficar feliz por ela estar assim... Provavelmente está apaixonada e isso é maravilhoso! – exclamou Sophie com seu costumeiro olhar sonhador

– Eu sei que deveria estar feliz, mas fico preocupada que seja outro babaca idiota que não a mereça... – respondeu Alessa – Ela já sofreu muito e por isso se tornou uma solteirona infeliz que trabalha até tarde e não liga para a aparência...

E assim foi nosso reencontro, quatro, ou melhor, cinco (já que Gemma tornou-se rapidamente membro do nosso “clã”) amigas reunidas conversando sobre relacionamentos e família.

Assim que anoiteceu fomos para nosso quarto, porém, não conseguia dormir. Algo dentro de mim dizia que se eu fechasse os olhos teria pesadelos. Por fim decidi ignorar o mau pressentimento e acabei cedendo ao sono.

Um erro terrível.

Eu estava num longo corredor prateado banhado pela escuridão, estava frio e o medo me dominava. Um arrepio percorreu meu corpo assim que percebi que não estava sozinha. Um homem estava sentado no chão logo à frente, seu queixo caído em seu peito e sua sombra brilhando no escuro.

Aproximei-me lentamente e percebi que, embora vivo, o homem parecia inerte. Tentei segurá-lo para tirá-lo daquele lugar, mas o homem estava agitado e não me deixava levantá-lo. Acabei desistindo e, assim que vi seu rosto, meu peito se apertou e lágrimas passaram a correr de meus olhos.

Mas então algo mudou.

Assisti a mim mesma golpeando o homem várias e várias vezes com magia. Ele gritava e implorava, mas eu não conseguia parar. O som de suas costelas se estilhaçando eram acompanhadas por gritos de horror sob os pálidos e ensanguentados lábios do homem ruivo.

– Por favor, pare... – pedia ele.

Meu rosto estava quente e as lágrimas que caiam eram como lâminas afiadas e gélidas. O homem estava morrendo, e era minha culpa.

***Você é uma assassina!***

Eu estava matando alguém que amava e sentia prazer nisso...

– VIOLET!!

Abri meus olhos e levantei-me bruscamente, meu corpo tremia e senti espasmos por cada centímetro dele. Meus olhos ardiam e meu rosto estava úmido com um suor frio misturado às lágrimas que caiam incessantemente. Os lençóis envolviam meu corpo como uma camisa de força e minhas mãos doíam.

– Violet? Violet, fala comigo, por favor!

Olhei à minha volta e percebi que estava em meu quarto, Sophie sentada aos pés da cama, Mary ao meu lado direito e Alessa no esquerdo. Tentei falar, mas nada saía de minha boca, minha garganta estava queimando e meu coração pulava como se fosse correr uma maratona.

– Violet! Por favor fale alguma coisa! – implorou Sophie

– N-não... n-não... – sussurrei — E-ele está m-morto...

– Merlin você não está bem... – disse Mary – Coloque o uniforme, vamos falar com Dumbledore. – falou levantando-se – Vocês duas também.

O choque ainda era muito grande e não conseguia me mover, meus músculos protestavam a cada movimento que eu impunha e se não fosse Sophie, estaria caída no chão.

– Esqueçam o uniforme, coloquem o robe e vamos logo. – disse a loirinha – Violet, você está pálida e gelada... Consegue andar?

– N-não sei... E-eu... E-eu v-vi... – tentei, mas tudo que saia de meus lábios eram palavras cortadas ao meio e rouquidão. – E-ele está m-morto... E-eu o mat-tei...

– Mary me ajuda, Alessa, vai na frente e avisa ao diretor que estamos indo para a sala dele... – continuou Sophie.

Em questão de segundos a ruivinha desapareceu pela porta e Sophie e Mary me seguraram entre elas enquanto descíamos as escadas com dificuldade.

– Eu ouvi os gritos do meu quarto... O que... Violet?! – perguntou Gemma no salão comunal – Merlin, ela esta branca! O que aconteceu?

– Não sabemos, mas ela não está bem... Você poderia nos ajudar? – pediu Mary

Durante o resto do caminho me concentrei em não tropeçar ou cair. Não ouvi o que as meninas falavam, tudo que lembrava era a dor do homem à minha frente e o prazer de ser eu quem causava tamanho sofrimento.

***Você matou alguém hoje, como se sente?***

– Violet? – perguntou Minerva em algum lugar perto da Gárgula que levava à sala do diretor

– Professora McGonagall, ela não está bem... Precisamos ver Dumbledore... – disse Sophie

Levantei meus olhos e vi Minerva, Harry e Rony encarando-me com extrema preocupação, porém, assim que vi o rosto do ruivo, meus olhos arderam e lágrimas caíram com mais força. Um sentimento de culpa e horror me preenchia e novamente tudo que saia de minha boca eram sussurros

***Você é uma assassina!***

– Desculpe Ron...

– Abelha mágica assobiando – disse Minerva à gárgula, porém, ainda me encarando – Vamos, entrem... Srta. Farley, por favor, chame o Profº Snape nas masmorras...

Harry parecia tão perturbado quanto eu, Rony assustado e Minerva não sabia o que fazer enquanto nos levava à sala de Dumbledore. Meus pés não acompanhavam meus pensamentos, o que tornou-se um grande empecilho para Sophie e Mary, que me seguravam em ambos os lados.

Assim que chegamos à sala e entramos, Dumbledore estava em pé ao lado de Alessa, que logo que viu-me aproximou-se rapidamente com o semblante preocupado e ajudou as meninas a me sentarem.

– Harry? – estranhou ele

– O Sr. Potter teve um pesadelo... – começou Minerva

– Não foi um pesadelo – rebateu ele — Eu tive uma...visão, não sei direito, mas eu vi o Sr. Weasley ferido, sangrando e quase... morrendo...

Meu corpo enriqueceu-se imediatamente. Harry tinha visto o que aconteceu e provavelmente viu que eu era quem estava...

– Arthur Weasley? – repetiu o diretor – Diga-me, como você viu?

– Foi no sonho, não sei, na minha cabeça... – respondeu impaciente

Lágrimas caiam de meus olhos e minha visão focava-se no chão á minha frente.

– Não Sr. Potter, diga-me, como viu? Estava ao lado da vítima?

– Não... Eu... Eu estava ao lado de quem o machucava...

– E quem era? – perguntou Dumbledore apreensivo

– Uma mulher... Não vi seu rosto, mas senti o mal exalando dela... Eu não faço ideia de quem seja, só sei que o Sr. Weasley está gravemente ferido! – respondeu exasperado

– Eu sei quem. – respondi pela primeira vez

A porta foi aberta bruscamente, mas não virei-me para ver.

– Como? – surpreendeu-se o diretor

– Eu vi... Eu... Eu também tive um sonho, o mesmo sonho, mas de outra perspectiva... – murmurei encarando o vazio e logo em seguida voltando meus olhos para os serenos do diretor

– E qual perspectiva?

– Eu atacava. – respondi entre soluços, quase rouca – Estávamos num longo corredor prateado, estava frio e eu senti medo... Mas então simplesmente levantei minha mão e...Não sei como, mas isso causou dor no Sr. Weasley... Eu tentei parar, mas não conseguia... Eu...E-eu...

Nesse momento senti que as meninas saíram do meu lado e dois braços fortes me envolveram protetoramente. Os reconheci como sendo de meu pai, que sentava ao meu lado e puxava-me para seu peito.

– Eu ataquei o Sr. Weasley... – confessei

– Edvald! Dilys! Vocês ouviram não? – perguntou o diretor levantando-se bruscamente e indo em direção à dois quadros

– Naturalmente – respondeu um dos homens dos quadros.

– O homem tem cabelos vermelhos e óculos. Procurem e certifiquem-se de que seja encontrado pelas pessoas certas.

Ambos os homem dos retratos desapareceram e deixaram apenas o cenário do quadro.

– Edvald e Dilys foram os mais famosos diretores de Hogwarts, possuem retratos em quase todas as instituições...

– Como saberemos onde aconteceu? – perguntou Harry ainda me encarando.

– Um longo corredor prateado, frio e escuro. – repetiu — Eles devem saber. Srtas. Chambers, Seyfried, Farley e Addams, voltem aos seus dormitórios. – pediu Dumbledore

– Tudo bem... Com licença... – disse Alessa encarando-me e logo em seguida deixando-nos.

– Srta. Snape... Como... O que viu, exatamente? – perguntou o diretor logo em seguida com uma expressão tensa

– Eu... – comecei forçando os olhos – E-eu andava sozinha num longo corredor prateado, o ar era gelado e assustador... Eu continuei andando e então eu vi...vi...

Meu pai me apertou ainda mais em seus braços e encostou a testa na lateral do meu rosto, como se passasse apoio.

– ...vi um homem sentado no chão e encostado numa...porta, parede, não sei... – solucei – Ele... Ele estava de cabeça baixa e gemia... Eu tentei levantá-lo, mas ele era muito pesado e parecia alterado... E-ele me empurrava e tentava se esquivar, eu não entendia! Mas então algo mudou... – engoli em seco – Ele me encarou e pediu para eu parar, mas eu não sabia o porque... Foi então que vi seu rosto e percebi ser o Sr. Weasley. Minha mão estava levantada, a palma aberta e apontada para ele, que estava ferido e gritando de dor...

– Você... – começou Rony – Você machucou meu pai? – murmurou com uma expressão de dor

– Eu tentei parar mas não conseguia... Simplesmente não conseguia! – confessei com lágrimas nos olhos – Eu... – parei.

Se quando eu falei que não conseguia parar o Ron ficou assim, o que vai fazer quando eu confessar que senti prazer em machucar o pai dele?

– Pode falar Srta. Snape, não tenha medo... – incentivou Dumbledore.

– Vai ficar tudo bem... – sussurrou meu pai abraçando-me fortemente

– Eu estava matando e sentia prazer... – confessei fechando os olhos – Eu não conseguia parar... E-eu...

– Você o quê?! – exclamou Ron pela primeira vez

– Sr. Potter, qual a sua versão? – perguntou Dumbledore

– E-eu... – engoliu em seco ainda me encarando com incredulidade – Eu também estava num corredor prateado, estava tudo escuro e frio... Eu comecei a andar e ouvi gritos... Assim que me aproximei eu vi um homem caído no chão, sangrando e implorando para que alguém parasse... Eu tentei me aproximar e ajudar, mas algo me prendia no lugar que estava... E-eu... Eu não vi o rosto de quem fazia aquilo, mas pelo cabelo eu percebi que era uma mulher...

– Como era o cabelo dela? – perguntou o diretor ainda mais tenso e visivelmente preocupado

– Longo preto e ondulado nas pontas... – respondeu num sussurro

Todos me encararam pesarosamente e, com um aceno de varinha de Minerva, três cadeiras foram conjuradas para Ron, Harry e ela. Meu pai permanecia ao meu lado num dos estofados e acariciava meus cabelos que caiam sobre seu peito.

***Você não merece o apoio de alguém...***

– Dumbledore! – gritou Edvald exasperado voltando para o retrato

– Tem notícias? – perguntou Dumbledore imediatamente

– O homem foi encontrado num dos corredores do Ministério. – respondeu

– M-meu pai?! – exclamou Ron desesperado fazendo minha garganta travar.

– Ele foi carregado por alguns aurores chamados pelo Dylis... Eles passaram por mim no caminho e o homem ruivo não parecia nada bem... Nada bem... – lamentou – E está coberto de sangue, com a expressão perturbada e assustada... Eles o levaram ao St. Mungus...

– Obrigado Edvald... – disse o diretor voltando sua atenção à professora que mantinha-se imóvel – Minerva, acorde os filhos do Sr. Weasley, por favor...

Minerva dirigiu-se imediatamente para a porta e saiu sem ao menos olhar para trás. Enquanto Ron encarava-me com medo e até uma pitada de raiva, Harry não tinha expressão. Dumbledore levantou-se e novamente falou com um dos quadros da sala, dessa vez algum sonserino.

– Phineas! – chamou – Preciso que avise Sirius que Arthur Weasley está gravemente ferido e Molly, os filhos, Harry, Severo e Violet estão à caminho de sua casa... Entendeu?

– Arthur Weasley ferido, mulher, filhos, Potter, Snape e Snape chegando para ficar... Sim, entendi – repetiu o homem do quadro desaparecendo em seguida.

Eu não quero ir à casa do Sirius, quero ir ao St. Mungus e descobrir se eu realmente o machuquei!

Segundos depois a porta foi novamente aberta, dando passagem para Gina, Fred e Jorge acompanhados pela Minerva.

– Harry, o que aconteceu? A professora disse que você viu nosso pai ser atacado – perguntou Gina assustada

– Seu pai foi ferido enquanto ia do seu trabalho para a Ordem da Fênix – respondeu Dumbledore – Ele foi levado ao hospital St. Mungus Para Doenças e Acidentes Mágicos. Eu os estou enviando de volta para a casa de Sirius, onde é muito mais conveniente para ir ao hospital do que a Toca. Vão encontrar sua mãe lá...

– E como vamos?

– Chave de Portal. Só preciso esperar Phineas Nigellus voltar, quero ter certeza de que o caminho está limpo antes de mandar vocês. Minerva, impeça que a Profª Umbridge saiba de algo, conte qualquer estória...

E mais uma vez Minerva deixou a sala.

– Violet, o que faz aqui? – perguntou Fred

– E-eu... – comecei

Como eu conto para eles que eu ataquei o pai em um sonho?

– Ele disse que ficará encantado – disse uma voz entediada atrás de Dumbledore, o bruxo Phineas voltara – Meu tataraneto sempre teve um gosto estranho para convidados.

– Venham então. – pediu Dumbledore – E rápido, antes que alguém mais apareça...

Snape segurou firmemente meus ombros e ajudou-me a levantar, levando-me para a escrivaninha onde todos se agrupavam.

– Quando eu contar até três, sim? – disse o diretor recebendo acenos positivos – Um...Dois...

***Assassina!***

– ...Três.

E então uma forte contração me atingiu, o chão desapareceu sob meus pés, ao meu redor tudo que via eram diversas cores brincando com o vento. Se meu pai não mantivesse as mãos segurando as minhas fortemente, certamente cairia. Quando finalmente meus pés atingiram o solo, meus joelhos dobraram e fui ao chão. Levantei meus olhos e percebi que um elfo doméstico encarava-me com o olhar duvidoso e, em seguida, de reconhecimento.

– Srta. Snape! Que prazer vê-la... – falou calmamente

– O quê? – perguntei confusa enquanto meu pai me levantava

– Aqui novamente, pirralhos traidores de sangue... — disse encarandos os Weasley — É verdade que o pai deles está morrendo?

– FORA! – gritou Sirius para o elfo aparecendo no cômodo rapidamente com suas vestes de dormir e a barba por fazer – O que está acontecendo? Phineas Nigellus disse que Arthur se feriu gravemente...

– Pergunte ao Harry... – disse Fred

– Não, pergunte à Violet – respondeu Ron seco me encarando num misto de raiva e medo.

– Violet? O eu ela tem a ver com isso? Pensei que o Harry é que tivesse sonhado com... – começou Gina, porém, não conseguiu terminar.

– Ela também, mas de outra perspectiva – falou Ron novamente frio.

Engoli em seco com os olhares acusadores que me dirigiram.

– Violet? – incentivou Sirius com o olhar confuso.

Respirei fundo e comecei.

– Eu atacava. – respondi encarando o vazio

Então comecei a falar tudo que vi e fiz no sonho e confessei o desejo que me invadia. Todos me encaravam com incredulidade e até mesmo raiva, medo e por fim Sirius com compaixão.

– Precisamos ir ao hospital agora – disse Fred saindo do transe

– Não — respondeu Sirius

– Como não? Ele é nosso pai!

– E como vão explicar que souberam do ataque antes mesmo de sua mãe? A situação já é bem complicada sem saberem que Harry e Violet estão tendo visões com Voldemort! Isso prejudicaria muito a Ordem e...

– Dane-se a Ordem! É o nosso pai que está quase morrendo! – explodiu Rony

***Por sua culpa***

– Vocês não entendem! Vamos ao menos esperar que a Molly saiba, aí sim podemos sair daqui... – disse Sirius

Aparentemente deu certo, já que todos se acomodaram à mesa da cozinha e esperaram. Era óbvio que Ron e Gina me culpavam pelo acontecido, Harry permanecia atordoado e até incrédulo com a minha situação, Fred e Jorge encaravam o vazio e nada diziam e Sirius me olhava com pena. Meu pai apenas me abraçava, e ali era o melhor lugar para estar.

Logo Fawkes apareceu nas chamas da lareira com um recado da Sra. Weasley.

– “Seu pai ainda está vivo. Estou me dirigindo para o St. Mungus agora, fiquem onde estão. Mando notícias assim que puder. Mamãe.” – leu Sirius

– Ainda vivo... – repetiu Jorge – Mas isso soa como...

Ele não precisou terminar a frase para todos entenderem.

***Ele não vai durar muito tempo... E sabe de quem é a culpa?***

***A culpa é sua! Você o atacou! O pai dos seus amiguinhos está morrendo e a culpa é toda sua!***

Sai da minha cabeça...

***Não fuja Violet, você sabe o que é... Sabe seu destino... ***

Não... Eu faço meu destino

***Você é uma Comensal! Está no seu passado, seu presente e seu futuro!***

Pare, por favor...

***Não negue! Eu não encostei um dedo no homem, você sim...***

Pare...

***Você o machucava e sentia prazer!***

Não!

***SIM!***

– Pare! – exclamei levantando-me bruscamente

Nesse momento percebi que estava na cozinha e todos me encaravam surpresos e até com medo. Voldemort estava na minha mente e brincava comigo.

– Violet? – perguntou meu pai preocupado

– D-desculpem... E-eu... – falei com lágrimas nos olhos e a mente confusa – Com licença...

Sai imediatamente da cozinha e me dirigi ao corredor, onde me escorei numa das paredes e chorei, desabando no chão e derramando a dor que sentia e a culpa que me consumia.

– Srta. Snape

– Monstro? – surpreendi-me

– Deseja algo para comer? Chocolate quente acalma os nervos... – sugeriu

– O quê... Como... Como me conhece? – perguntei confusa

– A Srta. foi criada pela Madame Lestrange – disse como se fosse algo óbvio – Depois dela é a única a quem devo obediência...

– Mas...

– Deseja algo para beber?

– Ah... Não, obrigada... – respondi o mais amigável possível.

– Madame Lestrange também ficava assim nos primeiros dias como Comensal, é normal que...

– EU NÃO SOU UMA COMENSAL! – gritei assustando-o – NÃO SOU COMO ELA!

Com o canto dos olhos percebi que Sirius e Snape apareceram na porta do corredor assustados.

– D-desculpe Srta. Snape... F-foi apenas um comentário... Uma observação que...

– Então guarde para si mesmo suas observações. – respondi fria.

***Até ele sabe... Por quê ainda nega? ***

– Sai da minha cabeça... – murmurei colocando minhas mãos em meu rosto

– Srta. Snape... – tentou o elfo novamente

– Sai! – exclamei novamente

– Como quiser Srta. Snape... – disse ele antes de desaparecer novamente.

– Violet... – começou Snape aproximando-se lentamente – O que está acontecendo?

***Por que não conta a ele que está se transformando num filhote de comensal? ***

Chega...

– Ele está se comunicando comigo. – respondi encarando a escada à minha frente.

– Quem está se comunicando com você? – perguntou Sirius recebendo um mal olhado de meu pai, que sentava-se ao meu lado

– Voldemort – falei com a voz fria

– Ele o quê?! – exclamou meu pai com raiva evidente

– Desde o começo do ano ele começou a falar na minha mente, me incitando a machucar as pessoas, a fazer coisas ruins... – confessei – Por isso meu comportamento mudou esse ano, eu não queria ferir ninguém então me afastei de todos...

– Esse não é o caminho... – começou Snape tentando controlar sua raiva

– Eu sei... Alessa conversou comigo e eu entendi que ficar sozinha na ajuda em nada, só piora a situação.

– Por quê não contou antes? Não sabe que é perigoso?! – exclamou ele novamente

– Eu não contei porque fiquei com medo! Medo de me olharem como os Weasley estão fazendo agora! – admiti – Mas eu não fiquei de braços cruzados, eu me aperfeiçoei em Oclumência e, até ontem, funcionava... Desde outubro que não ouvia nada dele, mas ontem eu tive esse sonho...visão, não sei! Desde que acordei Voldemort está na minha mente, falando comigo...

– O que ele fala? – perguntou Sirius visivelmente nervoso

– Diz que sou uma assassina, que estava machucando o pai dos meus amigos e não sentia remorso, que eu o atacava e sentia prazer... – confessei – Ele disse que ser Comensal está no meu sangue, que é meu passado, presente e futuro... E agora esse elfo me disse que quando a Bellatrix estava nos primeiros dias como Comensal, ela agia exatamente como eu agi agora pouco...

– Você não é uma Comensal Violet, não é sua culpa o que aconteceu com o Sr. Weasley... – tentou Sirius

– É sim... De alguma forma era eu, naquele corredor, que o machucava... Eu ouvi seus gritos e não parei... Eu não conseguia!

– Violet, pare de se culpar! – disse Snape encarando-me firmemente – Não tem como você ter machucado o Weasley, estava no seu quarto, dormindo! Suas amigas podem confirmar se acha que é mentira...

– Mas...

– Nada de mais. A culpa não é sua, e assim que voltarmos vai conversar com Dumbledore sobre esse assunto, ouviu?

– Sim... – concordei derrotada

– Ótimo, agora vamos voltar para a cozinha, são quase 4 da manhã...

E assim Snape me ajudou a levantar e levou-me novamente à cozinha, onde todos pareciam mortos-vivos de tanto sono e preocupação. Sentei-me em meu lugar novamente e deitei meu rosto no peito de meu pai, que me aconchegou suavemente e manteve-me ali.

Por volta de 4:30 da manhã, finalmente, a Sra. Weasley entrou pela porta. Todos os Weasley presentes levantaram-se num pulo e a rodearam com perguntas e mais perguntas.

– Acalmem-se, ele está bem... Foi atendido a tempo e está dormindo agora. Percy ficou com ele e à tarde eu levo vocês para o hospital... – respondeu

Um misto de alívio e medo percorreu meu corpo imediatamente. Ele se lembraria de quem o atacou? Eu realmente tinha quase matado o pai de meus amigos?

– Que bom Molly, isso é ótimo... – disse Sirius – Bom, são 4:30, acho que podemos comer alguma coisa de café não é? Monstro! – chamou – Monstro! – nada – Esse elfo não gosta de mim... Violet, será que poderia...chamá-lo?

– Eu? Por quê?

– A você ele atende... Ao menos tente e peça o café da manhã, por favor...?

– Hmm... Monstro? – chamei vendo-o aparecer à minha frente imediatamente.

– Sim Srta. Snape?

– Hmm... Pode preparar o café da manhã para todos, por favor? – tentei

– Sim Srta. Snape. – disse desaparecendo novamente e deixando-me com a expressão confusa

– Traidor... A mim ele não ouve... – reclamou Sirius.

Notas finais
Tadinha da Violet, será que ela realmente atacou o Sr. Weasley ou foi apenas Voldemort tentando perturbá-la? Lmbrem-se que Harry também viu... E quando Arthur acordar, será que vai lembrar de tudo?? Algumas pessoas pensaram que a Violet teria um sonho igual ao do Harry no filme, ou seja, na visão de uma cobra (Nagini), mas resolvi mudar um pouco as coisas... Gostaram?? E a parte do "Monstro"? Ele sempre foi fiel à família Black, mas a traição do Sirius o "enojava", logo, a única pessoa a quem ele servia por vontade própria era Bellatrix Black Lestrange, e por alguns motivos que explicarei beeeem mais para frente, Violet é a única depois da Bella a quem ele serve de bom grado... Alguma hipótese?? Apostas?? Outra perguntinha que, no futuro, também fará sentido... Quem será o "interesse romântico" da Julianne, irmã da Alessa?? É alguém que todos conhecem... *o* AHHHHHHHHHHHHH!! São tantas perguntas!!!! Dessa vez serei boazinha e não colocarei um trecho do próximo capítulo... :D Bjjss e até o próximo!! P.S.: não esqueçam de comentar!!