Notas iniciais
Novamente em meus surtos de criatividade, a ideia surgiu e não tinha como conseguir ignorara. Bem espero que vocês gostem ♥

A garoa caia fria, o que naquela época do ano não era tão comum de se ver. As pessoas saiam pelas ruas com roupas mais pesadas, em busca de se esquentar do clima frio das manhãs da grande metrópole que era New York. As crianças iam para a escola, os adultos para os seus respectivos trabalhos, e assim começava a grande massa de corpos que se aglomeravam dentre as ruas da cidade.

Mas, assim como a beleza da arquitetura de uma cidade com o seu desenvolvimento sem freios, se via também a consequência de todo aquele crescimento: pessoas nas ruas em busca de dinheiro, sem um lar, e como decorrência disto, vagavam em busca de algo para os reerguer. Poucos eram os que conseguiam, entretanto de todas as formas cada pessoa naquela cidade tinha uma historia para contar, algo que o fez estar aonde esta, seja bela bolsa de valores ou pela a vida que seletivamente escolheu o que cada um viveria.

Emma era uma garota que facilmente passaria despercebido se estivesse bem arrumada, mas, agora com 18 anos, vagava pelas ruas, com a mesma roupa que saira de casa: uma blusa preta de uma banda que gostava, um casaco grosso e pesado, calças jeans velhas e surradas e um tênis preto que fora seu amigo inseparável por quase uma década, agora já furado de tanto andar.

Não sabia ao certo quando fora parar naquela cidade, sabia que estava bem longe de casa (alguns estados mais pra frente). Um ônibus com os últimos trocados que tinha com ela antes de abandonar toda a sua vida, ou melhor antes de ser forçada a abadoná-la. No fim, estava tão perdida com tudo, com os últimos acontecimentos, com a loucura que sua vida tinha se tornado em pouco mais de 30 dias, que agora só queria sentar em qualquer beco e conseguir algo bom para comer.

– Olhe por onde anda. — o grito veio igual a um rugido de leão, quando Emma esbarrara sem querer em uma moça que estava andando rápido e falando ao celular, a qual provavelmente não via as pessoas a sua frente. A garota mal conseguia dizer algo, estava caída no chão com o impacto, estava tão fraca, cansada que provavelmente tudo aquilo ajudou para a posição que se encontrava, sem forças para levantar e nem ao mesmo pra falar que a culpada não era dela e como se o mundo caísse em seus ombros levou as mãos ao se estomago, buscando o proteger.

– Olhe você, só porque tem dinheiro acha que pode pisar nas pessoas? — Gritou quando conseguiu se levantar, ignorou a tontura ou ate mesmo a dor fraca que o esbarrão causara em suas costas e olhou para a mulher como uma igual. A observou, e notou que ela não era alta, mas o salto fino que provavelmente tinha uns 15 centimentros ajudavam nesse problema, seus cabelos eram escuros, mas não pretos, poderia sugerir um castanho escuro, porem não poderia ter certeza já que estavam presos em um coque bem feito.

– Senhora, algum problema? -

O que parecia ser o segurança do prédio questionou a mulher mais velha que ainda estava parada olhando incrédula para a menina a sua frente. Como se não estivesse entendendo a audácia dela.

– Não, nenhum problema, Sr.Humbert.- disse a morena, antes de ignorar o que tinha acontecido naquele minuto e entrar pelas grosas portas rolantes do prédio a frente, que carregava um elegante nome e discreto sobre a sua entrada. “The Mills”.

Emma seguiu seu caminho, deixando o incidente para o fundo da sua mente, tinha tantas coisas pra se preocupar. Primeiro de tudo, estava com fome e o ultimo centavo que tinha fora gasto em um par de luvas, junto com suas jujubas que se foram assim que chegou naquele lugar.

Enfim parou de andar, pois suas pernas já não aguentavam sustentar o peso de seu corpo, olhou para o vidro do prédio ao seu lado. Nunca fora vaidosa, muito menos era de se importar com o que vestia, mesmo sua mãe sempre a querer como uma princesinha, tinha cabelos longos e loiros, olhos verdes claros que eram muito semelhantes ao do seu falecido pai, o que a fizera usar óculos por toda a sua infância.

Sua vida fora boa. Durante muito tempo não tinha o que reclamar, ate que seu pai morreu e dali em diante sua vida virou um inferno. Sua mãe a culpava pela morte do seu pai, seu tio que não gostava, se tornaram seu padrasto e sua vida dentro daquela casa, passou de feliz a um pesadelo que ela nunca conseguiria sair.

Até que Neal apareceu em sua vida. Ele deu a ela o mundo, porém do mesmo modo que a fez ter um pouco de felicidade a deixou sem qualquer estruturas para suportar a dor que a traição dele a causou, e novamente ela estava sozinha. Mas pelo menos agora tinha a paz que nunca havia conseguido em casa, nunca tinha conseguido a si mesma, olhou novamente para o prédio espelhado e pousou os olhos em sua barriga coberta pelo grosso casaco e imaginou o que seria dela ali. Sem dinheiro, casa ou sustentabilidade para a criança que carregava, no fim o que adianta a paz?