Uncommon Love

30 Pra você guardei o Amor (Parte 2)


Notas iniciais
Olá, meus amores, ainda lembram de mim? Eu sei, não me matem ainda, me matem só depois de ler o capítulo e comentar! Depois do ultimo capítulo que postei, eu perdi completamente a vontade de escrever e de fazer outras coisas também, a perda do meu irmão foi algo muito ruim e eu acabei focando apenas na faculdade e no curso técnico que eu me formei a um mês atrás, e mesmo que o capítulo estivesse quase pronto naquela época, eu só consegui voltar mesmo a escrever algo que me agradasse à 5 dias atrás, foi quando minha criatividade voltou um pouco. Depois de sei lá, uns três anos de Uncommon Love? 500 reviravoltas, 500 surpresas, Danny ♥, vontade de matar a Caroline, alguns personagens desnecessários na história, puxões de orelha nos comentários, alguns abandonos, minhas demoras para atualizar e Delena até o cubo, vim me despedir de vocês e desta história que eu escrevi com tanto carinho e que é a primeira que eu estou conseguindo terminar! (perdoem os erros, eu acabei de terminar de escrever e não revisei. É muita emoção!)

POV Damon

— Suas chaves. – ela disse enquanto estendia sua mão em minha direção. Tomei dela o chaveiro rosado que apenas continha duas chaves, a do apartamento e a do meu quarto – Desculpe por não lhe devolver antes.

— Tudo bem – respondi intimamente desejando que fosse somente isso, mais conhecia Caroline e sabia que ela estava aflita, bem como os dois que nos observavam do sofá – Olha pessoal, eu to bem cansado e...

— Damon, nós conversamos com a Genevieve... – arqueei a sobrancelha direita, então a história já havia se espalhado... – Bom... Nós precisamos te pedir perdão por algo que nós...

— O que vocês sabem, exatamente? – achei melhor alongar a conversa, por suas manias de julgar tudo apressadamente e segundo seus antiquados e próprios preceitos, poderia ser que eles não tivessem escutado a história completa.

— Elena não é sua parente de sangue e está... – ela não completou. Por algum motivo, a “rocha” Caroline não estava nem de longe em seu melhor estado.

— Se querem pedir desculpas pelo que falaram quando souberam do nosso envolvimento, deviam pedir a ela. Vocês me conhecem tempo o suficiente pra saber que eu não to nem ai pra nada do que disseram de mim.

— Dá pra você dá um tempo nessa arrogância e escutar o que ela tem a dizer? – Nathan disse.

— Ah, claro... Eu é que sou o arrogante, Nathan... – falei, sentindo-me tranquilo quanto a seu comentário. Ninguém era mais arrogante que ele.

— Olha, nós, todos nós – ela frisou – nos conhecemos a muito tempo, além de amigos, nós já estudamos juntos, trabalhamos juntos, nós dois já até namoramos...

— Onde diabos quer chegar? – Perguntei querendo dar um fim nisso, mais ela hesitou outra vez.

— Fomos nós que avisamos o seu pai a respeito do que estava acontecendo aqui, Damon – Balancei a cabeça discordando ao ouvir a confissão de Matt, não queria acreditar, olhei para Caroline na esperança dela desmentir, mais ela apenas levou as mãos ao rosto.

— Caroline montou o plano, nós dois concordamos, eu entrei em contato com o seu pai e Matt o trouxe até o seu apartamento. É isso que ela quer dizer, Damon, é por isso que ela tá enrolando – Nathan levantou-se e veio em nossa direção.

Virei-me de costas para os três, tentando me concentrar. O que normalmente eu faria era gritar verdades que machucariam Caroline e socar a cara de pau tanto de Nathan, quanto de Matt antes de expulsa-los da minha casa. Mais ali, naquele momento, mesmo com a raiva subindo a minha cabeça eu lembrei que havia resultado em algo bom, felizmente.

Afinal, eu estava ali, com a mulher que eu amo carregando meu filho no ventre, pronto para, junto com Kalleo, iniciar uma nova família. Fechei as mãos em punho, tentando controlar-me, mesmo tentando pensar positivo, não era fácil.

— Nós achamos que era a coisa certa a fazer... – A voz de Caroline me despertou – Damon, nós...

— Eu me forcei a passar um bom tempo preso numa ala psiquiátrica, no que eu chamei de “retiro”, sendo analisado, até estudado por uma pessoa que não sabia nada da minha vida e mesmo assim, que devia me dizer se eu estava certo ou errado. E ele disse que eu estava errado, e me deu seus motivos para ter aquela conclusão. Mais lá era um lugar em que eu realmente vi que eu não era melhor nem pior do que ninguém e que todos tem suas particularidades, todos são humanos! E querem saber? Todo o humano erra.

— Cara, você não precisa falar disso pra nos deixar pior do que estamos... – Nathan tentou me cortar, mais não permiti.

— Não somos maquinas programadas pra fazer o certo para a sociedade, quem dera fossemos... Vocês me julgaram e julgaram a Elena também, eu também a julguei quando ela chegou, isso sim se tornou automático na gente porque somos advogados, estamos instruídos a julgar, mais também a interpretar situações, compreender e buscar saídas convenientes para todos, nós, nossos clientes e a sociedade! Vocês não podem apenas julgar e condenar segundo a magnifica opinião de vocês!

— Eu sei que nós merecemos ouvir o que você...

— Eu não terminei, Caroline, será que da pra calar a droga da sua boca? – Gritei sem a mínima paciência, fazendo com que se calasse sem esboçar reação – Matt, você era um grande mulherengo com cara de bebê, que comeu todas as piranhas líderes de torcida do colégio e pegou no pé de muito moleque nerd, porque era o grandão do time de futebol. Caroline, você chorava por um cara que tava mais preocupado com popularidade do que outra coisa – disse mirando Matt para que entendessem que eu sabia desde o início — era mesquinha, egoísta, mimada e tinha um ego do tamanho do mundo, sinceramente você ainda é assim e poucas pessoas conseguiram aturar você naquela época. Eu era igual ao Matt, só que eu não precisei entrar no time de futebol pra isso e Nathan, você era pior do que nós dois porque ainda se preocupava em andar só com quem tinha status e dinheiro! Poderia passar o dia aqui falando de tudo quanto é merda que a gente lembra muito bem que fez!

Respirei fundo. Nenhum deles soube o que me responder.

— Hoje, Matt é um super jogador, reconhecido, um ótimo amigo, um ótimo namorado e talvez o cara mais sensato daqui mesmo que eu odeie ter que admitir isso! Caroline, você ainda é mimada e tem um grande ego, sem falar que age sem considerar o que os envolvidos vão achar mais além de tudo você se tornou uma boa pessoa também, capaz de despertar o amor e o carinho dos outros. Eu namorei você... E Nathan... É o Natham, né... Você continua sendo pior que o Matt era — ele sorriu pelo comentário — Mais agora você se interessa pelo que as pessoas são, não pelo que elas tem. E eu...

— Você é uma pessoa centrada, com um bom emprego, alguém que pensa nos outros e que já superou muitas coisas – Elena nos surpreendeu dizendo aquilo do início do corredor. Me preocupei sabendo que havia escutado tudo. Seu rosto molhado por lágrimas agora exibia uma feição séria. Ela veio em minha direção, segurou minha mão e beijou meu rosto.

— Acho que se tornou uma pessoa melhor do que nós três juntos. Fomos belos traíras, Damon... Nós entendemos se quiser um tempo ou se não puder nos desculpar – uma lagrima escorreu dos olhos de Caroline – Você também, Elena.

— Olha, o que eu to tentando fazer é mostrar pra vocês que eu não sou melhor e nem pior, que vocês podem errar tanto quanto eu e de diversas formas. Eu digo errar, mais pra mim eu não estava errado, por que amar não é um erro na minha opinião, mais pra vocês era um problema. Tudo bem, eu aceito suas desculpas e até posso entender seus motivos, mais fiquem sabendo que vocês não agiram como amigos fazendo o que fizeram. Eu espero que a gente possa passar por isso porque eu respeito tudo o que passamos juntos todos esses anos, mais eu não perdoarei outra falta de vocês por que errar uma vez é normal e aceitável, mais permanecer no erro é uma escolha burra.

Dei a costa pra eles trazendo Elena comigo, não pelo que aconteceu, mais porque eu precisava de um banho, pra limpar a alma e relaxar, finalmente estávamos de volta, agora para termos um novo começo. Enquanto estava no corredor pude ouvir o som da porta da frente fechando após seus passos apressados. Foi então que pensei em Danny. Elena assentiu ao entender e seguiu para o quarto.

Bati na porta de seu quarto e entrei, ele penteava o cabelo molhado, que agora parecia estar ainda maior. Provavelmente havia acabado de sair do banho, o chão estava molhado e ele estava descalço, vestia apenas uma calça Jens preta.

— Cara, vou deixar suas roupas no seu quarto quando estiverem lavadas e passadas, não te preocupa! – Ele brincou fazendo-me rir.

— Como se eu realmente me importasse com isso!

— O que você quer? – ele perguntou ao vestir uma camisa de mangas.

— Vai sair? – perguntei.

— Sabe quanto tempo eu to longe da Bonnie? Isso mesmo! – ele disse antes que eu pudesse responder – Tempo o suficiente pra morrer de saudades! Além disso, preciso falar as novidades e ela quer organizar uma social de boas vindas pra Elena na faculdade amanhã. Bico calado! Mas me diz, se resolveu com o trio encrenca? Não que eu não tenha escutado algumas partes...

— Você sabia, não sabia? – ele revirou os olhos e eu resolvi dar uma pausa.

— Não entenda mal, mais eu não falei nada porque as coisas já estavam ruins o suficiente sem a minha ajuda. Eu não quis piorar a situação ainda mais, eles foram uns canalhas, principalmente a Caroline, e te dizer pareceu ser uma maneira rápida de te fazer perder a cabeça... Você se resolveu com eles?

— Eu aceitei o que eles fizeram dessa vez, isso não importa mais... Tivemos um final feliz, não é...

— Não era o mínimo que podia acontecer? Um final feliz, Damon? – ele perguntou como se fosse algo mais do que óbvio.

— Tem razão, mais não paro de pensar que tudo isso que estamos vivendo agora não passou de uma feliz coincidência armada pelo destino. Se não fosse isso, provavelmente eu ainda teria engravidado minha sobrinha e meus pais não me deixariam ter contato com ela.

— Se você chama o destino de “Caroline”, talvez... Ela que te armou uma cilada pra tudo dar errado, afinal.

— Águas passadas – levantei minhas mãos como se me rendesse e ele sorriu apenas – Danny, não acha que já está na hora de voltar atrás e retomar a sociedade com ela?

— Putz! – ele zombou revirando os olhos enquanto fazia um rabo de cavalo – Sério que você ta me dizendo pra esquecer e voltar a trás?

— Cara, vocês são muito bons como dupla...

— Eu posso ser mais novo que você, mais sem dúvidas seu coração é que é mais mole...

— Danny...

— Vocês já se resolveram, ótimo, voltamos a ser amigos... – ele me encarou após puxar a cadeira de sua escrivaninha e sentar-se a minha frente – O caso é que eu tomei uma decisão e vou abrir meu próprio escritório com a parte que eu tenho como sócio da Carr. Eu sei que meu nome ta vinculado ao dela porque trabalhamos juntos desde que eu me formei, mais quer saber? Esse também é um motivo pra começar meu próprio negócio, firmar meu nome sem vincular ao de ninguém. Além disso, eu estou pensando um pouco mais além – ele sorriu, um tanto quanto cumplice.

— Tudo bem, eu concordo com o que está pensando em fazer, só não queria que você desistisse da imagem que construiu pra trabalhar pra uma empresa qualquer...

— Eu entendo...

— Não é só isso, né? – perguntei, algo eu não entendi ainda...

— Ah – ele hesitou, desviando seu alhar em direção a parede por um instante – Você está prestes a ter dois filhos correndo por aqui Damon, Kalleo e o que ainda está na barriga da Elena. Muito em breve esse apartamento vai ficar apertado se o tio Danny permanecer ocupando esse espaço todo...

— Do que você ta falando, cara? Esse apartamento também é seu, esqueceu? Se tem alguém que precisa se preocupar em sair, esse sou eu. Não é sua responsabilidade, Danny – ainda sorrindo, ele levantou-se da cadeira e seguiu até mim.

— Pense nisso como um presente de casamento antecipado – ele deu dois toques em meu ombro sorrindo – Claro, quando você decidir se casar...

— Ta mesmo pensando em sair?

— Claro...! – ele disse, pegando as chaves que estavam em cima da cômoda, como se eu tivesse feito a pergunta mais idiota – Cara, eu te considero um irmão mais velho, você me ajudou de todas as formas desde que nos conhecemos. Ta na hora de andar com minhas próprias pernas – disse por último, saindo pela porta do quarto.

Ele estava certo, eu sempre tentei o proteger e o ajudar. Fui eu que pedi a Caroline para se juntar a ele quando ele se formou, ela era perspicaz e já estava fazendo seu nome na praça e Danny era um garoto meio cabeça oca, não sabia bem o que fazer, mais sempre estava disposto a superar seus limites se aquilo significasse melhorar suas habilidades profissionais. Achei que ela seria melhor mentora que eu e afinal ela era, pois, naquele momento, eu me senti orgulhoso de quem Danny havia se tornado.

POV Elena

Já faziam duas semanas que estava de volta e aquela segunda-feira seria o dia em que voltaria para a faculdade. Damon tinha uma pilha de documentos do escritório que haviam acumulado e teria que sair cedo de casa, quando acordei, ele já havia terminado o banho e se vestia distraído, de costas para a cama em que eu estava. Pelo fato de ser mais espaçoso eu ainda não estava completamente acostumada com aquele quarto e desde que trouxe minhas coisas pra lá para poder dormir com Damon, a noite anterior fora a primeira em que consegui dormir até depois das 7h da manhã.

Levantei-me e segui até ele sem que percebesse, de uns três dias pra cá ele parecia estar mais distraído que o normal, eu só não entendia o motivo. O abracei pelas costas, ficando na ponta dos pés para poder sentir com mais força o cheiro do perfume amadeirado que o shampoo que ele usava costumava deixar.

— Gostoso – sussurrei pondo o rosto sobre seu ombro e ele sorriu.

— Encostar em mim só com essa camisola de seda é quase como me pedir pra te jogar de volta naquela cama – sorri.

— Não me importo nem um pouco se é assim que você interpreta meu abraço... – minha voz saiu o mais doce possível, na verdade eu não sabia que um simples abraço fosse capaz de me fazer desejar que ele se jogasse sobre mim naquele momento. Tive esperanças quando ele se virou em minha direção e depositou um beijo sobre meus lábios.

— O quão errado parece pra você eu dizer que não posso por ter que trabalhar porque as despesas estão prestes a aumentar? – ele perguntou com uma voz um tanto insegura. Sorri, fixando meus olhos nos seus, puxei sua mão esquerda para sobre meu ventre.

— Não parece errado, Damon, é uma escolha sensata e madura. Estou mais que orgulhosa de você.

— Eu quero ser um homem entregue a minha família e não ao meu trabalho, não quero ser como eu era antes...

— Não somos como éramos antes, nós mudamos, meu amor. Todos nós.

Ele sorriu, beijando-me novamente. Então nos separamos e ele deu-me as costas.

— Você quer que eu te leve a faculdade?

— Não, pode ir pro seu trabalho, amor. Danny me dá uma carona... Não tenho pressa...

— Tudo bem mesmo? – ele reforçou e eu fiz que sim com a cabeça, pensando principalmente no quanto ele poderia se atrasar – Vamos jantar fora hoje, tudo bem?

— Sim! – respondi animada ele veio até mim e me beijou outra vez. Quando ele voltou a se arrumar, fui para o banheiro, afim de tomar meu banho.

Não demorei muito a me arrumar pois não tinha certeza se Danny poderia me levar, ele estava dando início ao seu novo escritório, arrumando tudo para a inauguração e seu tempo andava meio curto ultimamente.

— Elena! – ouvi meu nome sendo quase que gritado quando apareci no corredor – Que bom que levantou – era Danny e parecia apressado. Percebi que Lexi estava atrás dele e segurava Kalleo pela mão, provavelmente acabara de entrar.

— Bom dia – Lexi cumprimentou-me com um sorriso.

—Tia Lena! – Kalleo gritou correndo em minha direção, parando ao abraçar minhas pernas.

— Oi meu amor – abaixei-me para o beijar.

— Lexi precisa achar o senhor amassos.

— Abraços, criatura! – ela corrigiu Danny que não pareceu se importar.

— Estou atrasado, fiquei de me encontrar com o dono do imóvel que eu vou alugar. Elena não sai de casa sem comer nada! Tchau!

— Tchau – Lexi disse rindo.

— Lá se vai minha carona... – choraminguei enquanto Kalleo ria de minha careta.

— Estou no carro da Genevieve e eu te levo onde for se você encontrar o Senhor Abraços! – ela me disse quase como uma suplica.

— Só entro na escola com o meu Urso Abraços! – o menino resmungou ao meu lado me fazendo rir, ele havia deixado o urso de pelúcia no carro de Damon a uns dois dias e eu o guardei no nosso quarto.

— Vou trazer seu Urso Abraços – respondi. Fui ao quarto e o trouxe de volta. Ao entrega-lo, Kalleo sorriu de uma forma tão calorosa, de um jeito que me tocou. Então era algo assim que eu teria? Birras seguidas de sorrisos de gratidão que fariam o meu coração cheio de amor e ternura. Me parecia muito bom...

— Vá se acostumando – Lexi pegou na mão de Kalleo e o trouxe para junto de si – Uma parte de você vai odiar fazer tudo que ele quer – ela olhou sugestiva em direção a minha barriga — Mais o restante vai se derreter só com um sorriso.

— Eu sei... – disse um tanto constrangida, pegando a bolsa de cima do sofá.

— Você não vai comer?

— Vou, na faculdade... Não quero te atrapalhar mais...

— Menina, depois de deixar você, nós dois vamos para o teatro... Não tem mais jeito de “alguém” ainda entrar na escola – ela disse fingindo um tom raivoso, apertando a bochecha do filho.

A maioria do caminho foi feita em silêncio, apenas pelos barulhos de Kalleo no banco de trás preso a cadeirinha. Não que fosse um silêncio incomodo, mais eu senti a necessidade de quebrar.

— Obrigada por ajudar...

— O que? – ela perguntou sem entender.

— Sei que você ajudou o Damon a me ver no camarim e o Danny com o plano de me trazer de volta. Obrigada, Genevieve não concordava com o nosso relacionamento, você sabe... – ela assentiu...

— Quer saber se eu aceito? – ela riu sem graça, não era bem isso mais meu silêncio foi como um “sim” – Elena, eu aceito o fato do Damon estar feliz e do meu filho ser apaixonado por você.

Ela deu uma pausa. Senti como se desejasse que eu lhe respondesse alguma coisa mais não respondi. Querendo ou não me era um tanto incomoda essa situação, ter Lexi sempre por perto, pois sabia o quanto Damon a amou e o quanto ele ainda era especial para ela. A prova estava no banco de trás.

—O Damon foi uma incógnita pra mim por anos e eu quase desisti de deixa-lo conhecer o filho porque eu tinha um medo idiota de ele... Sei lá... Eu sei que foi um choque no inicio e ele não queria acreditar, mais ele ficou bem, ele reagiu bem, mesmo com o chilique daqueles idiotas que a gente chama de amigos, e eu pude ver que parte disso era por causa de você – ela olhou-me ao estacionar o carro em frente ao prédio da faculdade – Eu não me importava com o seu parentesco, desde que o Damon estivesse bem com isso e que não causasse problemas a nenhum dos dois – assenti, pronta a abrir a porta do carro – Elena – voltei meu olhar em sua direção, ela desviou por um momento o olhar para o filho, como se escolhesse suas palavras – Nossa história ficou no passado, hoje somos unidos pelo nosso filho e sempre vai haver muito respeito um pelo outro, mais você é o presente dele e, vocês – ela tocou carinhosamente minha barriga – são o futuro ... Então, por favor vai tomar um café reforçado antes de ir pra aula!

Sorri por suas palavras, daquele momento em diante eu aprendi que tinha ali uma grande amiga quando precisasse.

— Muito obrigada, Lexi – ela acenou com a cabeça e então me despedi de Kalleo que não parava um minuto parado.

O bloco de artes estava incrivelmente vazio, o que achei estranho não havia sinal da minha e nem das outras turmas, apenas uns gatos pingados andavam por lá, tomei meu celular em mãos e comecei a digitar uma mensagem para Bonnie ainda seguindo para a minha sala, onde a porta estava aberta.

— SURPRESA! – Pulei para trás com o susto, quase toda a minha turma estava ali, com balões coloridos em mãos e muitos outros pelo chão, eles sorriam como se algo muito bom tivesse acontecido. Na parede dos fundos um grande “Bem vinda de volta, Elena!” estava estampado em uma faixa provavelmente feita a mão. Uma música baixa começou a tocar mais não prestei atenção.

Muitos dos meus colegas vinham em minha direção e eu recebi muitos abraços e mensagens de boas vindas até que finalmente vi Bonnie vindo com um pratinho descartável e um sanduiche natural. Ela me abraçou sorrindo e me entregou o prato.

— Come, meu sobrinho ou sobrinha lindo ou linda tem que chegar bem saudável nesse mundo cruel!

— Seu afilhado! – era a primeira vez que a via desde que tinha voltado, Danny estava tão ocupado e ela estava correndo atrás de um papel em uma peça também, motivos para ela não ter ido em casa ainda.

— Sério? – ela perguntou animada, quase pulando. Balancei a cabeça feito um “sim”.

— O que que é sério? – O sotaque britânico me fez virar na direção da voz feminina.

— Rebekah! – a abracei forte.

— Primeira e única, finalmente estou de volta – Fazia muito tempo que não a via, ela havia pedido uma autorização da faculdade para fazer um curso com o irmão na Grã-Bretanha – Voltei e soube pela Bon Bon que você havia se mudado...

— Foi mais umas férias – menti, o que eu menos queria era falar sobre meu tempo longe – Precisamos botar o papo em dia, mais não agora... Escuta, cadê o povo do bloco de artes?

— Tinha uma palestra com um diretor de teatro no auditório para todas as turmas, mais como estávamos querendo te dar boas vindas...

— Perderam a palestra? Que maluquice! Eu não sou motivo!

— Talvez “alguém” tenha conseguido uma palestra exclusiva para essa sala. “Alguém” que seja amigo do palestrante – outro sotaque britânico inconfundível era o de Elijah. Sorri e ele me abraçou – Parabéns, fico feliz que esteja de volta, você tem um caminho brilhante pela frente.

— Obrigada – agradeci antes que Bonnie me puxasse de lá.

— Anda, come – ela parou em frente a mesa de comidas, agradeci por meus enjoos terem quase parada, o cheiro de comida estava forte – Meu afilhado tem que ficar forte, droga!

(...)

Vesti um vestidinho preto solto com um sinto na cintura e uma sapatilha um tanto folgada, uma maquiagem clarinha e básica, brincos, gargantilha e pulseira e os cabelos soltos sobre os ombros já bastavam pra mim. Damon havia me avisado sobre um jantar, ele queria me contar algo, disse que era uma ocasião especial, mais pra falar a verdade, eu preferia poder ficar em casa e assistir a um filme no sofá.

Por volta de 20h ele chegou com Kalleo nos braços, só então percebi que ele havia esticado, eu mesma já não o carregava, mais para Damon ele ainda era pequeno. Ambos riam de alguma piada interna e eu sorri com a alegria dos dois.

— Pronta?

— Sim – respondi a Damon, pondo o celular na bolsinha de alça. Ele vestia uma calça jens, sapato social escuro e uma blusa social branca, a barba por fazer e o cabelo levemente despenteado o deixavam ainda mais sexy e mais uma vez eu desejei poder ficar em casa. O menino também estava bem vestido e eu acabei me questionando onde iriamos, pensando se havia me arrumado de maneira apropriada.

— Nossa reserva é as 20h30, ainda bem que é perto – ele sorriu e eu assenti.

Chegamos exatamente 20h30 e o Metre nos levou até a mesa, era um restaurante de classes altas, com gente muito elegante e bem vestida. Nos sentamos próximo a um casal mais idoso.

— Porque nos trouxe aqui? – Perguntei ao receber um cardápio e ele outro, enquanto Kalleo brincava com dois carrinhos ao nosso lado.

— É uma forma de comemorar – ele respondeu animado, tenho novidades para você meu amor, e chegou a hora de Kalleo saber das nossas também. Faça um pedido.

Concordei com a cabeça enquanto vasculhava o menu. Tinha fotos e tudo, mais os nomes mais pareciam estar escritos em outra língua e eu não conseguia reconhecer nenhum prato. A careta que fiz deve ter passado uma impressão de reprovação.

— Não gostou de nada? – ele perguntou em um tom um pouco triste. Não quis o magoar.

— É que... – tentei responder mais não consegui disfarçar, então achei melhor sussurrar a verdade – Eu nunca comi nada dessas coisas, nem ler isso eu sei... Desculpe... – ele soltou uma risada um tanto alta, e eu acabei pensando que havia passado vergonha.

— Também não faço ideia do que são essas coisas, vamos continuar fingindo que sabemos de algo – ele sussurrou de volta, com ar de constrangido e dessa vez eu acabei gargalhando, o que chamou a atenção não só do casal de idosos, mais também das outras pessoas a volta.

— Senhores, já escolheram? – o senhor de ainda a pouco estava de volta com um olhar um tanto reprovador. Troquei olhares com Damon e ele pareceu pensar antes de falar.

— Ainda não, mas qual seria sua sugestão hoje?

— Fortress Stilt Fisherman Indulgence, senhor, feito de ingredientes deliciosos, incluindo chocolate, frutas exóticas, e creme irlandês. Retrata um pescador, esculpido em chocolate.

— Ah – Ele respondeu, enquanto eu fazia um discreto aceno de “não” com a cabeça – Vamos pensar mais um pouco...

— 14.500 dólares – sussurrei em sua direção.

— Pra comer um pescador de chocolate? – ele estava mesmo espantado – Não mesmo... O que vocês querem jantar?

— Mc Donald’s, Mc Donald’s! – Kalleo gritou e mais uma vez as pessoas nos olharam.

— Elena?

— Melhor ideia da noite – respondi concordando.

— Senhor, pode cancelar nossa reserva – ele tentou segurar o riso ao pegar Kalleo que comemorava. Segui em seu encalço e saímos rindo daquele restaurante absurdamente caro.

A sorte era que o Mc Donald’s ficava virando a esquina e fomos até lá a pés mesmo, cantarolando um ritmo para uma música que o pequeno cantava. Voltamos a ser o centro das atenções quando adentramos o lugar, nossas roupas não condiziam nada com o ambiente e Kalleo e Damon ainda cantarolavam alto.

— Dois BigMac e um Mc Lanche Feliz, por favor – pedi quando chegou nossa vez.

— McNuggets senhora?

— Eca! – Kalleo falou nos braços de Damon.

— Não – sorri de sua careta – Hambúrguer mesmo...

— Ok, aguardem o pedido. Obrigado.

Seguimos para uma mesa próxima, em pouco tempo fomos chamados e Damon trouxe a comida.

— Que foi? – Ele me perguntou enquanto mordia seu hambúrguer e eu apenas encarava o meu – Enjoou? Não consegue comer?

— Deve estar delicioso! – abri um largo sorriso, senti que finalmente estava sem enjoou de nada. Dei uma bocada enquanto ele me observava sorrindo – Quatro meses é mesmo a melhor época, Senhor!

— Quatro meses o que, papai? – Kalleo perguntou enquanto mordia uma batata frita. Lembrei então que havia motivos para estarmos ali.

— Lembra que ontem o papai te perguntou se você já quis ter um irmãozinho? – ele balançou a cabeça em um “sim” – Lembra o que você me disse? – ele forçou Kalleo a ficar de frente pra ele.

— Falei que a mamãe disse que não ia ter outro neném, só eu...

— Filho, o papai tem que te dizer que ele vai ter outro neném.

— Mais os pais não tem nenéns... Só as mães... – sorrimos de seu comentário por um instante.

— O neném do papai ta dentro da tia Lena – ele arqueou as sobrancelhas e se virou em minha direção um tanto quanto alarmado.

— Não... – ele disse baixinho, desviando o olhar pro chão. Fitei Damon com medo de sua reação e ele chamou a atenção de Kalleo de volta pra si.

— O que foi, filho? Pensei que ficaria feliz...

— Na escola tem um menino chamado Caio, o Caio tem um irmão neném e ele disse que irmãos nenéns não são legais, eles choram e não fazem nada, nem brincam e o pai e a mãe do Caio só olham pra ele. Papai e a tia Lena só vão olhar pra ele também...

— Não! – disse um tanto alto demais, mais não me importei — Não, Kalleo – levantei e puxei minha cadeira para perto dele e de Damon – Nada vai mudar porque vocês vão ser iguais, vocês vão ser irmãos e nenhum dos dois vai ser mais amado do que o outro.

— Ele vai ter o meu tamanho, então?

— Não foi isso que a Elena quis dizer... Ela quis dizer que nem eu e nem a sua mãe vamos deixar de brincar com você e nem nada, o papai e a Elena também vão amar e brincar com os dois da mesma forma, entendeu? – ele balançou a cabeça em um outro “sim”. Damon me olhou um tanto quanto preocupado mais a verdade era que ali, eu estava mais perdida do que ele no que dizer.

— Quando que eu vou ver ele? – Kalleo perguntou rompendo o silencio.

— Ah, vai demorar um pouco, ele ou ela ainda é pequeno demais pra gente ver... – respondi quando ele me olhou.

— Mais é menino ou menina?

— Não sabemos. Você prefere um menino ou uma menina?

— Qual quer um, eu gosto de meninos e de meninas – Damon e eu voltamos a sorrir, um pouco menos despreocupados.

Ao meu ver, ainda não parecia que Kalleo havia aceitado bem as coisas. Na verdade parecia que ele apenas tivesse concordado como alguém impotente diante de uma situação que foge a seu controle e isso não estava bem pra mim. Quando terminamos, voltei no banco de trás ao lado dele para casa, ficando o mais próximo dele que a cadeirinha em que estava permitia.

— Elena, coloca o cinto – Damon me chamou a atenção e conforme sua orientação eu o fiz, sabia que de certa forma, por tudo o que lhe aconteceu, qualquer ato de segurança dentro de um carro era importante pra ele. Ainda assim, conversei e brinquei com Kalleo o trajeto todo. Decidi que faria as coisas tentando o trazer pra perto de mim, para que se acostumasse com o irmão ou a irmã que estava ali dentro, o faria pegar em minha barriga, conversar com ela e ficar perto, para que acompanhasse cada estágio de crescimento, para que se unisse ao irmão ou irmã antes mesmo de ele ou ela nascer.

(...)

— E ai? Contou pra ela? – Danny disse animado na sala de casa quando entramos. Estava apenas de calça jens e enxugava o cabelo com uma toalha. Damon tossiu alarmado enquanto colocava Kalleo no chão – Que foi, cara? Ta legal? – ele perguntou ainda rindo, enquanto Damon o olhava de uma forma que não decifrei.

— Ta legal... O que ta rolando aqui? – perguntei alternando o olhar entre um e outro. Danny estava prestes a falar quando Damon começou.

— Nada! O que poderia ta acontecendo, não é mesmo? – desconversou tentando parecer o mais normal possível — Elena, leva o Kalleo lá pro quarto pra trocar de roupa que eu vou beber uma água e pegar um pouco de sorvete pra gente e já vou...

— Tá legal – Kalleo seguiu na frente em direção ao corredor e eu não pude questionar – Não demora... – Ele assentiu e esperou até que eu desaparecesse dentro do quarto. Eu não sabia dizer o que era naquele momento, mais alguma coisa eles estavam aprontando.

POV DANNY

— O que você acha que ta fazendo, idiota? – sussurrei raivoso depois de puxar Danny pra cozinha.

— Quê, maluco?

— Eu não disse que era segredo?

— Mais vocês não saíram por que iam falar coisas importantes?

— Eram coisas importantes pro Kalleo! Uma coisa não tem nada a ver com a outra!

— Desculpa. Você tem que aprender a explicar as coisas melhor...

— Sou eu ou você que é cabeça oca?

— Sou eu ou vocês tão cochichando ai? – ela pergunto alto da entrada da cozinha. Para nosso alível ela seguiu direto para a geladeira – Ta demorando muito esse sorvete... – ela olhou sugestiva na minha direção ao pegar um copo e encher de água gelada.

— Parabéns, quase coloca tudo a perder, gênio... – disse após ela sair – Quanto tempo pra sair essa sentença? – Ele parou pra pensar um pouco.

— Mais umas duas semanas no máximo. Parecer super favorável, Damon. – sorri lhe dando as costas. Nunca estive tão feliz ao pegar um pote de sorvete como naquele momento, mesmo não sendo pelo sorvete em si.

Eu estava tão ansioso mais tão ansioso que durante aquelas duas semanas me segurei pra não pular em cima de Elena e dizer de uma vez o que eu tava armando. Tudo finalmente parecia caminhar pro esperado final feliz e era nisso que eu me agarrava. Até mesmo a descoberta do sexo do bebê veio a calhar, Caroline não deixou que ninguém soubesse, uma forma de deixar ainda mais especial a surpresa pra Elena, mais ao mesmo tempo de aumentar minha ansiedade de pai.

Elena POV

— Ai caramba! – Gritei ao levar um susto. Havia acabado de acordar e a primeira pessoa que via era Bonnie. Algo parecia estar errado mais ela sorria como se fosse a coisa mais normal do mundo – Bonnie? O que ta fazendo aqui? – Abri meus olhos com dificuldade pela luz que entrava pela janela aberta, levantando aos poucos, mirei o centro do quarto dando de cara com Danny que me olhava de certa forma esperançoso. Com o susto rapidamente segurei a coberta sobre meus seios por instinto.

— Você ta sem sutiã? – ele se espantou virando-se rapidamente de costas.

— Não que você nunca tenha visto, mais aqueles eram outros tempos – falei um tanto envergonhada por Bonnie estar ali, mais ela não pareceu se importar.

— Tudo bem, eu só queria mesmo ver o teu rosto pra guardar de lembrança.

— Anda, sai daqui! – ouvi a voz de Caroline e logo em seguida a porta se fechou.

— Você também tava aqui? – perguntei pois não havia percebido sua presença antes e porque ainda não me considerava amiga daquele ser loiro.

— Sim, faço parte da comissão ANN, como sou mulher tenho que cuidar de você.

— Comissão ANN? Do que você tá falando?

— Mais tarde você vai saber, anda levanta, veste qualquer coisa e desce. Vamos estar te esperando na sala!

Fiz como ela havia me pedido escovei os dentes, me joguei uma ducha rápida, arrumei o cabelo num rabo de cavalo e vesti um vestidinho solto, meu neném já não me deixava muitas opções.

— Cadê o Damon, eim? – perguntei ao chegar a cozinha. Bonnie, Caroline e Lexi discutiam ao até me verem – Bom dia, Lexi! O Kalleo ta aqui? – perguntei animada.

— Ta com a Genevieve, hoje.

— Hoje? Sábado? – perguntei estranhando.

— É que hoje nós tiramos o dia para as mulheres – Bonnie voltou a falar numa animação estranha para as 9h da manhã.

— Não que eu não goste da ideia, mais nós três? – perguntei me referindo a presença de Lexi e Caroline.

— Somos amigas do Damon e do Danny, na verdade eles são como nossos irmãos, o que faz de vocês quase que nossas cunhadas – Caroline me respondeu tomando para si uma maçã da cesta – Queremos nos dar bem com vocês duas, então tiramos esse dia pras garotas.

— Damon está com Danny e os outros, fazia tempo que eles não tiravam um dia só pros homens também então estão aproveitando. Come Elena – Lexi me encorajou e servi meu café.

— Bom, a gente vai se reunir no final do dia na praia no Queens, na área da casa de um amigo do Damon.

— Espera, o dia todo? – perguntei sem acreditar.

— Sim – Bonnie me respondeu, parecia que o sorriso havia aumentado, se é que isso era possível.

— Vamos a um Spa, ao salão de beleza, vamos dar um jeito nas unhas, almoçar num restaurante, comprar umas roupas novas...

Quando disseram dia das garotas não estavam brincando. Literalmente só vi garotas a manhã toda, mesmo não entendendo gostei de toda aquela história, gostei de ir ao salão, de hidratar meus cabelos, de fazer minhas unhas, de ter alguém me maquiando... Parecia que eu não saia a anos.

— O que? Vamos pra algo como um luau? – perguntei ao adentrar a pequena loja que me levaram. Elas se entreolharam por um instante – por que diabos eu não to sabendo de nada?

— Vai ser um luau, a temática é “paz” por isso a gente só pode sair daqui com roupas brancas, entendeu? Mais precisamente vestidos...

— Isso tá estranho... – e estava mesmo mais elas apenas riram de minha desconfiança e eu entrei no jogo – então vamos lá, me falem quando eu vestir um realmente bom...

— Esse! – Bonnie gritou quando eu apareci com um vestidinho soltinho preso a base de elástico um tanto a baixo dos seios. O volume na minha barriga ficou um tanto disfarçado mais ainda assim aparecia.

— É simples, é perfeito pra ele... – Lexi comentou.

— Quer dizer... Perfeito pro luau – Caroline de certa forma pareceu a corrigir.

Já passavam das 16h da tarde quando finalmente saímos da loja, sorri com os olhares cumplices delas pensando o quanto eu estava feliz.

— Bem na hora... – Caroline que olhava o celular olhou em nossa direção sorrido – Os meninos já estão lá, hora da gente correr! – ela virou-se seguindo direto pro carro.

— É isso ai! – Bonnie pareceu se animar ainda mais, segurou em minha mão e me puxou junto com ela.

O percurso não durou mais de 25 minutos, ao chegarmos a casa que mais parecia uma mansão pude ouvir um som baixo de violão vir de dentro.

— Lion Mei – Caroline disse em meu ouvido enquanto as meninas entravam pelo portão semiaberto – Casa do Juiz Jhonson. Ele devia uns favores pro Damon que eu mesma fiz questão de cobrar... – Não me importava muito com o que Caroline dizia então sai em direção as meninas – Elena! – ela me chamou fazendo-me parar. De frente pra mim, ela mirou meus olhos seria – Eu sei que eu posso ter aprontado algumas coisas pra você e...

— Algumas coisas? – perguntei arqueando a sobrancelha.

— Querida eu não sou santa, mais nós duas sabemos que você também não é – sorri em deboche e novamente dei um passo, queria sair de lá e encontrar as outras, mais outra vez ela me parou, agora segurava o meu braço– o caso não é esse e essa nem é hora pra discutir sobre isso, mais antes de você entrar lá eu quero que saiba que eu to deixando tudo pra trás por que o Damon é e sempre vai ser uma pessoa importante pra mim. Eu só quero saber se você pode deixar o que eu fiz pra prejudicar vocês no passado também. Eu me arrependo, mais eu realmente pensei que era a coisa certa a fazer...

Desviei o olhar para não encara-la por um instante. Eu não era o tipo de pessoa que deixava nada barato mais não aceitar Caroline por perto poderia magoar Damon de certa forma e até ali, era somente o Damon quem me importava.

— Eu admito que eu não fui fácil de conviver, convenhamos que desde que nos vimos ficou evidente que não nos daríamos bem, mais Caroline, o que eu menos quero é magoar a pessoa que eu amo ou as pessoas que são próximas a mim, então... Fica na tua que a gente pode conviver muito bem.

Ela riu falsamente mais soltou meu braço e eu pude seguir até a entrada. Eu não acreditava realmente que poderia ser amiga daquela loira um dia, mais era aquele ditado... Mantenha seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda.

Adentrei pelo portão e segui em meio a um lindo jardim, o som do violão ficando mais alto. Bonnie me esperava na varanda com uma linda tiara de rosas vermelhas em mãos.

— Que lugar lindo...

— Espere pra ver lá atrás! – ela respondeu ao colocar a tiara em minha cabeça.

— Estamos atrasadas! – ouvi a voz de Rebekah soar alto atrás de mim – Elena tira a sandália – ela inquiriu me fazendo rir.

— Quê? – perguntei, estava engraçado porque eu não tava entendendo nada.

— Fica descalça mana – ela olhou para o corredor a frente ao mesmo tempo que o violão parou de ser tocado – Anda pega Bonnie – tirei a sandália enquanto ela entregava um ramo de flores vermelhas para a morena. Em seguida fez com que eu segurasse um ramo também.

— Não estou entendendo, Rebekah... Bonnie...? – mais Bonnie apenas riu de minha cara confusa empurrando-me em direção ao corredor escuro. Ouvi uma musica conhecida soar lá de fora que eu poderia jurar que era... Estremeci ao me dar conta da verdade – O que ta acontecendo aqui? – perguntei rápido e no mesmo instante duas portas foram abertas e a luz do fim de tarde iluminou o corredor.

— Teu casamento, idiota! – Rebekah falou ao meu ouvido e em seguida pude ver Damon me esperando junto a um homem negro e forte de meia idade no que parecia ser um altar.

Meus pés tocaram a areia fofa e morna e eu senti o vento acariciar meu rosto enquanto soprava meus cabelos. Naquele momento tudo pareceu fazer sentido, as conversas estranhas de Lexi durante todo o dia, a excitação de Bonnie, o papo de Caroline e até os cochichos de Damon e Danny no apartamento. Ele planejara tudo aquilo?

Nas poucas cadeiras dispostas em 4 únicas fileiras do lado esquerdo do altar estavam Matt, Caroline, Nathan, Genevieve, Dr. Alaric, Elijah, Lexi, Kalleo, Danny e alguns amigos da faculdade, todos bem simples nada estravagante. O Altar era decorado com pisca piscas, flores brancas e amarelas e ao fundo podia se ver o mar azul límpido. O sorriso de Damon era encantador. Trajava uma bermuda preta e uma camisa branca, no pescoço estava um colar das mesmas rosas da tiara em minha cabeça. Ele estendeu a mão em minha direção e eu a segurei de bom grado. Ele depositou um beijo quente em meu rosto e eu senti que havia corado.

— Foi demais? Eu exagerei? – ele perguntou baixo enquanto o homem a nossa frente abria seu livro.

— Está perfeito! – respondi sorrindo, enquanto me segurava pra não derramar nenhuma lágrima e ele apertava a minha mão.

— Boa tarde aos amigos aqui presentes – o homem se pronunciou após o fim da música – Eu sou o Juiz Jhonson e conduzirei hoje a celebração da união entre Elena e Damon – ele nos sorriu – Não, este velho não vai perguntar se vocês se amam... Vou perguntar se vocês sabem o que é o amor... Reflitam... Quando eu era criança meu avô me contou uma história sobre um marinheiro que não sabia o que era o amor. Durante uma parada em uma praia, esse marinheiro perguntou ao seu almirante, mais antes que este pudesse responder, alguém que passava por lá riu da pergunta, um senhor que provavelmente era um marinheiro também. Mais então o Almirante o parou pensando se tratar de uma grosseria e ele disse “ você que ri deste homem, acha que sabe o que é o Amor?” Sem ter resposta do marinheiro ele o questionou novamente “Fala-nos do Amor!”. O marinheiro ergueu a fronte em silencio e disse, “Meu senhor, para cada pessoa o amor é algo diferente! Eu não posso lhes dizer o que é o Amor, assim como o senhor não pode dizer o que é o Amor para este homem. Se ele não sabe o que é o amor, é porque o amor ainda não lhe chamou” então o homem se pôs de costas ao dois e mirou o mar, um mar límpido e cristalino como o que nos rodeia nesse momento, e disse “Eu só posso lhe dizer, filho, que, para quando o amor vos chamar, segui-o, embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados... E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe, embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos e, quando ele vos falar, acreditai nele, embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim”. Mais o homem achou aquele conselho estranho e quis argumentar “Ora, porque então eu aceitaria qualquer coisa de um amor que pode me fazer mal?”, e o Almirante também achando estranho lhe falou “O Amor é algo que vem para o bem, não algo do mal! Porque diz isso a ele?”, o senhor riu “Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica” e virando-se de frente aos dois ele disse “Mais isso não é uma notícia ruim. O que tens de saber, meu caro, é que o Amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio!”. Estando aqui hoje, vejo que Damon e Elena não são o único casal presente e por isso lhes digo que nenhum amor é igual ao outro e que só sabe o que sente, quem sente.

O homem fez então uma pausa, depositando frente a nós dois no altar uma caixinha de camurça vermelha aberta, onde duas alianças de ouro brilhavam.

— A história que a muito tempo o meu velho avó me contou e que hoje “velho” eu lhes conto, é para que pensem, Damon e Elena, para que cheguem a conclusão de que são coisas boas o que desejam e o que querem fazer um pelo outro. Porque o amor nada mais é do que o reflexo daquilo que cultivamos no relacionamento. Se cultivamos o bem, é o bem que receberemos de volta, se cultivamos o ódio, o amor um dia vai deixar de existir. Lembrem-se, “O Amor nada dá senão de si próprio, e nada recebe se não de si próprio”. Agora eu pergunto a você, Damon Joseph Salvatore – ele desviou o olhar terno a Damon – Por livre espontânea vontade você aceita Elena Aguiar Gilbert como sua esposa?

— Sim – ele respondeu com o sorriso lateral que tanto me afetava, que eu nem me importei do porque “Salvatore” não havia sido pronunciado em meu sobrenome.

— Elena Aguiar Gilbert, por livre e espontânea vontade, você aceita Damon Joseph Salvatore como seu esposo?

— Sim.

— Então após a troca de alianças... – o juiz apontou para as duas alianças. Damon pegou a menor e a colocou em meu dedo enquanto eu não me aguentava mais derramando as primeiras lágrimas. Então eu peguei a outra aliança e coloquei em seu dedo enquanto ele acariciava meu rosto sorrindo, limpando as lagrimas com a outra mão – O noivo pode beijar a noiva!

Damon então agarrou-me pela cintura segurando meu pescoço com a mão livre, seu beijo era acolhedor, calmo e singelo, em meio a festa feita pelos poucos convidados, as palmas e os gritos de “parabéns” a felicidade parecia me transbordar, aquilo era quase como um grito de “finalmente”. Finalmente eu podia mostrar que ele era meu e eu era apenas dele. Quando ele se separou de mim e abri os olhos, pude ver que além dos grãos de arroz que tocavam meu corpo, jogavam sobre nós pétalas rosas.

— É menina! – Danny gritou – É uma mini Elena!

Enquanto eu ria maravilhada pela notícia e tudo aquilo ele me puxou para longe, para próximo a algumas pedras, a areia sobre meus pés estava molhada e começava a escurecer.

— Gilbert? – perguntei quando ele parou – Sem Salvatore?

— Foi uma forma de tornar esse casamento legal. Danny mudou o Salvatore por Gilbert, o sobrenome da minha mãe, entre outras coisas...

— Boa ideia... Mais podiam ter tirado Aguiar também... Só deixado Gilbert...

— Eu não sabia que você não queria...

— Não, tudo bem. Finalmente está tudo muito bem, Damon! – eu desviei o olhar, observando a beleza daquela paisagem a minha volta.

— Eu não te assustei, assustei? – Ele perguntou se aproximando de mim – Com tudo isso... Com tudo isso e sem nenhum aviso...

— O quê? – Perguntei sem acreditar – Isso tudo parece um sonho! Se for um sonho eu não quero acordar!

— Sabe... – ele disse em meio ao sorriso que eu amava — Eu, que mal cuidava de mim, me aventurei a cuidar de você. E mesmo eu sendo um pessimista, com você tudo parecia dar certo. Agora eu também vou cuidar desta flor, essa menina linda, que cada dia cresce mais ai dentro. Tudo que eu tenho e tudo o que eu sou de bom, eu serei por vocês!

Ouvindo aquilo o que eu fiz foi o abraçar, o abracei com todas as forças que consegui. Subi minhas mãos por suas costas, trazendo comigo a camiseta que ele vestia e que deixou que eu tirasse. Joguei na areia ao meu lado, beijei sua boca e arranhei com força do seu ombro até a sua cintura, realmente cravando as unhas, deixando marcas. Ele gemeu baixo e fez uma careta.

— Machuquei você? — ele sorriu contra os meus lábios.

— Foi uma dor gostosa — respondeu.

— Tô marcando território — passei a mão por onde havia arranhado, fazendo só carinho dessa vez.

— E isso significa que...?

— Você é meu. Você finalmente é meu, Damon!

— Eu sempre fui – ele sussurrou antes de beijar-me novamente.

Notas finais
Atenção: sobre o casamento de Damon e Elena, eu não sei como se processaria de verdade para que um casamento (devido ela ter sido adotada pelo irmão dele) ocorresse na vida real. Essa foi apenas a forma que eu queria encerrar minha história. Sobre a história contada pelo Juiz Jhonson, é baseada e contem trechos de "O Amor" de Khali Gibran. Muito obrigada a todos que estiveram acompanhando desde o inicio essa fic e aos que chegaram depois e não abandonaram. Agradeço por cada comentário, cada favorito e cada recomendação recebida!! ♥ Por favor comentem, me falem o que acharam do último capítulo, se esperavam mais para os dois, se queriam mais para os dois. Estou ansiosa pra saber! E, antes de dizer adeus... Quem puder recomendar a história, ficaria ainda mais grata! ♥ :3 Fiquem com Deus!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!