Unchained Melody
31 Cotidiano
Notas iniciais
(...)Confirmou a fotografa tranquila e continuou:
_Dividi a cama, dormi só isso.
Clara fitou-a incrédula.
_Quer que eu acredite que você do jeito que é... só dormia?
_Do jeito que eu sou? Tá querendo dizer o que com isso?
_Não é óbvio?
_Não, não é. E saiba que não seria a primeira vez, mesmo antes de você. A Vanessa é minha amiga, minha melhor amiga e sempre foi antes de mais nada. É como uma irmã pra mim. E do jeito que eu sou, eu sou com você, apenas. Você não?
_Sim, eu sim. Mas ela não te vê dessa forma.
_Então não é difícil acreditar que eu também sou assim só com você. E se ela não me vê assim, não é um problema meu. Faz muito tempo que eu tento fazê-la perceber que o nosso relacionamento acabou.
A assistente começou a rir.
_Tenta? Esse é o seu jeito de dizer que não quer mais nada com uma pessoa? Dormindo com ela?
Perguntou irônica.
Agora quem tinha a incredulidade estampada no rosto era Marina. A fotografa não conhecia aquele lado de Clara.
_Eu já te disse, a Vanessa é minha amiga. Sempre tive esse hábito e as vezes é difícil superar certos hábitos.
_É deve ser difícil mesmo se livrar do hábito de transar com a ex namorada.
Aqui Clara acabou sendo mais rude do que pretendia fazendo com que Marina se ofendese, embora ela tenha feito o possível para não deixar transparecer.
_Isso eu também já disse. O fato de eu dormir com a Vanessa não significa que eu tenha transado com ela – a namorada ria para ela novamente incrédula – Porque é tão difícil de acreditar? A não ser que você tenha mentido quando disse que o Cadu nunca encostou em você desde que nós nos conhecemos, porque até onde eu sei, você também “dormiu” — ilustrou as aspas com os dedos das mãos — com ele por muito tempo.
Agora quem se ofendera fora Clara. Marina estava tentando reverter a situação a seu favor. Pensou.
_Você tá querendo comparar o meu casamento com a sua relação com a Vanessa? Você mesma já deixou muito claro pra mim que nunca foi fiel, que nunca acreditou em exclusivismo. Já eu tinha uma relação equilibrada, honesta...
_Minha relação com a Vanessa também sempre foi honesta. Aliás, não só com ela. Eu nunca precisei mentir pra ninguém. E é verdade nunca fui a favor do exclusivismo e continuo não sendo. Amor e posse pra mim não combinam.
O queixo de Clara caiu. Haviam conversado sobre isso uma vez, mas ela não imaginava que Marina continuaria afirmando isso depois que elas começaram a namorar.
Marina vendo a confusão e decepção estampada no semblante da outra e continuou:
_Clara a gente não é criança e eu não sou prisioneira. Não tenho obrigação nenhuma de viver como se fosse o que eu faço ou não faço é única e exclusivamente porque eu quero ou não quero. Nunca precisei mentir pra ninguém, sempre fui muito sincera, com a Vanessa, inclusive, e eu não ia deixar de ser agora.
A fotografa sabia que estava sendo um pouco rude, mas a verdade é que estava magoada pelo modo com que a namorada a acusou.
Clara a olhou impassível por segundos que pareceram séculos, e eles foram o suficiente para Marina se arrepender do que havia dito. Não pelas palavras em si mas pelo tom. No entanto, nada fez para consertar. Se dissesse mais alguma coisa corria o risco de estragar mais que consertar.
A assistente então, decidiu que não queria ouvir mais nada e que também não queria falar. Pegou a bolsa que estava próxima e se mandou porta a fora. Ela seguiu para o Leblon pensando se acreditava ou não em Marina e também na relação estranha entre ela e Vanessa. Viviam discutindo, mas permaneciam sempre juntas, morando juntas e de certa forma dividindo a vida tal qual um casal. Deu-se conta, então que nunca soubera nada consistente sobre o relacionamento das duas. Sabia apenas que as duas tinham namorado e que mesmo após terminarem continuaram dividindo o mesmo teto, no entanto, até aquele momento nunca tinha se dado ao trabalho de querer saber qualquer coisa a mais sobre o assunto. Talvez porque até agora nunca tivesse visto em Vanessa uma ameaça. Ria de si mesma por isso.
A cabeça deu voltas tantas quanto a própria Clara até chegar no Leblon e no final a única resposta que tinha na verdade não era e sim uma pergunta: “Confiaria nela ou conviveria com a dúvida para sempre?”
No Leblon a assistente seguiu direto para o galpão pois havia combinado com o ex marido de pegar o filho lá. O menino havia passado a noite na casa do pai e o mesmo tinha buscado-o na escola.
Quase que imediatamente Cadu notou a tristeza no semblante ex esposa.
_Tá tudo bem com você, Clara?
_Tá sim. Problemas no trabalho, sabe como é...
Ele sabia.
_Eu tava aqui preparando uma receita nova pro Ivan provar e dar o “veredito” — falou o homem piscando para o filho divertido – Será que você pode esperar um pouquinho? Aproveita e janta com a gente.
Clara julgava precisar muito colocar a cabeça no lugar, nem precisou se deixar conversar com a cara pidona do filho. Aceitou na mesma hora. Seria bom para distrair ter a companhia do filho e do ex marido que sem dúvida nenhuma era seu melhor amigo.
Quando o prato ficou pronto se sentaram os três para jantar e como Clara havia mencionado problemas no trabalho, inevitavelmente o assunto desviou até Marina.
_Ela é uma pessoa muito agradável, lamento não ter convivido quando era casado com você. Agora entendo a amizade.
A ex mulher sentiu uma fisgada no peito ao ouvi-lo, era o peso na consciência. Mas, o pesar por ter discutido com a protagonista daquele assunto era maior.
Cadu além de elogiar a que ele acreditava ser chefe de sua mulher, também teceu elogios à própria Clara. Notara diferença gritante nela, estava mais séria, mais madura. Passava longe da dona de casa simplória com quem ele viveu durante quase dez anos. Ainda era espontânea, mas a espontaneidade aparecia através de um manto da sobriedade.
Até Ivan percebia e gostava, afirmou o próprio garoto a uma Clara totalmente aérea. A culpa pelo que havia dito a Marina começava a atingir-lhe. Na hora da raiva não pensara, mas era inegável que a fotografa sempre fora sincera com ela, por isso começava a se considerar leviana por acusá-la, e principalmente por ter deixado que Vanessa a envenenasse.
***
Em Santa Tereza Marina também se arrependia pelo que dissera. Afinal de contas, tendo em vista seu antigo histórico, Clara tinha motivos para desconfiar. Sabia que aquilo tinha sido coisa de Vanessa, então foi procurar a ruiva para tirar satisfações.
Vanessa se alegra ao receber Marina em seu quarto, porém a alegria não durou muito diante da expressão séria dela.
_Aconteceu alguma coisa?
_Bem que você queria que tivesse acontecido, né Vanessa?
_Eu? Como assim?
Fez-se de desentendida.
_Eu já sei que você foi fofocar com a Clara. Tô só querendo entender o “porque”. O que, que você tinha a ganhar com isso? Porque devia saber muito bem que com Clara ou sem o nosso relacionamento acabou – Foi enfática na última palavra.
_Opa! Calma. Eu não fui fofocar nada com a dona de casa em crise, a gente tava só conversando.
_Conversando? Vocês estavam “conversando” e dai no meio da conversa você soltou sem querer que dormia comigo, mas esqueceu de mencionar que isso não envolvia sexo?
_É, pode ser isso. Mas, como eu ia adivinhar que a dona de casa em crise ia levar na maldade?
_Fico impressionada com o seu cinismo.
_E eu fico impressionada com tudo em você ultimamente. Não sei o que viu nessa mulher. Parece que tá enfeitiçada.
_Enfeitiçada não.Eu amo a Clara, Vanessa só isso.
_Ama nada. Você nem sabe o que é amor Marina. Você sismou com a Clara porque ela era hétero, casada, com, um filho. Excêntricidade de garota mimada que é o que você é. Sempre foi.
No entanto, as palavras da ruiva não chegavam nem perto da verdade e o desespero dela residia justamente no fato dela perceber que o amor de Marina por Clara era verdadeiro. Verdadeiro o suficiente, inclusive, para a fotografa mudar radicalmente. No trabalho, nos hábitos, na personalidade difícil que tinha anteriormente
_Não me importo com o que você pensa. Fala isso só porque você julga que amor é só aquilo que você sente. Mas uma hora outra vai ter que aceitar que o meu relacionamento com a Clara é diferente de tudo que eu já vivi e é pra valer como se o universo tivesse se inclinado e trazido ela pra mim. E eu não vou deixar nada atrapalhar isso, nada! Tá entendendo?
A ruiva assustara-se com as palavras da outra a tal ponto que mal conseguiu não deixar que isso transparecesse. A fotografa continuou:
_Eu só te peço uma coisa, nunca mais tente causar intriga entre nós duas, tá entendendo?Você sabe muito bem que desde dia que eu olhei pra Clara a primeira vez nunca mais quis saber de mais ninguém. Quanto mais ir pra cama.
Vanessa gargalhou em tom de deboche ao ouvir a última frase.
_Você é volúvel, duvido que vai conseguir ter apenas uma na sua cama.
_Ela me satisfaz Vanessa como ninguém nunca nem sonhou em satisfazer. Talvez seja por isso, inclusive, que eu nunca me contentei a uma só. Mas com ela é diferente. Você sabe do que eu tô falando.
_Sexo?
_Isso mesmo. Além do amor.
Marina não queria ter sido tão dura com a ruiva, menos ainda fazer comparações, no entanto, julgou que não havia outro jeito de se fazer entender, já tentara todos.
Porém, Vanessa não pretendia deixar que aquilo ficasse daquele jeito. Embora soubesse que Marina falara sério. Precisaria mudar a estratégia. Se deu contar que estava usando a abordagem errada e isso só afastava a fotografa.
***
Clara estava deitada com o celular na mão preparando-se para ligar para namorada e pensando no que diria a ela quando o mesmo tocou.
_Ainda tá chateada comigo?
Estava mesmo era louca de saudades por não ter se despedido direito. Não se fez de difícil, não havia espaço para esse tipo de comportamento entre elas. Eram transparentes.
_E eu consigo?
Marina que estava tensa, aliviou-se.
_Então, posso passar ai?
_O que? Agora? Tá tarde.
_Só um pouquinho.
_É perigoso.
_ Hoje não tive a minha dose diária de você.
Marina insistiu e Clara cedeu.
_Tudo bem, mas não vai ser um pouquinho. Você dorme aqui, não vou te deixar voltar tão tarde pra Santa Tereza.
“Como Clara era fofa e cuidadosa”. Pensou feliz a fotografa assim que desligou o telefone.
***
Conversavam aninhadas uma na outra na cama, a certa altura Marina soltou uma gargalhada ouvindo uma história que Clara contava sobre quando Cadu a pediu em casamento.
_Xiuuu. Ivan e Bolinha tão dormindo. Se o cachorro começa a latir acorda o prédio inteiro, ele é fogo.
Dessa vez as duas riram. Clara por lembrar da Bolinha peluda que comia seus sapatos sempre que tinha a oportunidade e Marina por imaginá-lo acordando o prédio inteiro, seria uma situação hilária.
Ali entre elas não havia nem sinal da discussão que acontecera mais cedo. No entanto, havia algo sobre o que Clara queria falar, aliás, perguntar. Queria saber mais sobre o relacionamento da fotografa com Vanessa, então em dado momento não conseguiu se conter, acabou perguntando.
_Bom, eu a conheci aqui no Rio, acho que já te falei isso, né?
Clara fez que sim com a cabeça.
_Então, foi em uma boate. Não vou lembrar o nome agora... — ia continuar mais a outra a interrompeu.
_Uma boate gay?
A fotografa teve vontade de rir ao ver e ouvir a maneira com que a outra falara, pareceu estar se referindo a algo de “outro mundo”, mas resolveu não chamar a atenção para isso, até porque se você levasse em consideração a vida que Clara tivera e a família da qual viera não era estranho que isso fosse realmente lhe fosse algo de “outro mundo”.
_Não. Era uma boate hétero de um casal de amigos que eu conheci em Londres. Como estava no Brasil fui até lá prestigiá-los.
_Uhm.
_A Van também era amiga deles ai eles me apresentaram ela logo no começo da noite, foi quando eu me dei conta que... Assim, eu nunca tinha ficado com uma ruiva.
Riu ao mesmo tempo que corava.
_Nem vou falar nada sobre isso dona Marina. Continua, eu quero ouvir tudo.
_Bom, a gente conversou bastante durante a noite e acabamos descobrindo que tínhamos uma prima em comum, a Gisele. Você sabe.
_Nossa! Mas, vocês são praticamente da mesma família e foram se conhecer e saber disso só nesse dia?
_Sim, porque eu nunca tive muita convivência com o meu primo e com a Gi. Passei a conviver com ela mais quando ela veio trabalhar com a gente e mesmo assim quem trouxe foi a Van, não eu.
_Ah tá, entendi.
_E foi assim, conversa vai, conversa vem... Na hora de ir embora eu ofereci uma carona... E o resto você já pode imaginar.
_É posso mesmo. Mas e depois?
_Depois namoramos, ao mesmo tempo em que íamos ficando cada vez mais amigas. Quando ficamos amigas demais o namoro acabou.
_Acabou pra você né, porque pra ela...
_Pois é. Acho que isso acontece porque assim como você, até então ela nunca tinha tido nada com nenhuma mulher.
_Sério? Isso eu não sabia.
_Sério, dai durante o tempo que namoramos ela passou por essa crise de identidade comum a todo mundo quando se descobre, ai veio aquela fase de se assumir pra família. Então acho que isso influência muito nessa questão dela não conseguir superar.
_Realmente. Eu por exemplo, toda vez que penso nisso objetivamente chego a sentir minha cabeça girar. É muito louco essa coisa de se descobrir gostando de uma mulher, vivendo e pensando diferente de tudo o que você já viveu ou pensou.
_Bom, comigo é um pouco diferente porque sou assim desde que me conheço por gente, mas imagino que seja mesmo.
Nesse ponto a conversa continuou no que dizia respeito ao envolvimento entre duas mulheres, mas desviou totalmente de Vanessa indo parar no que elas mais gostam uma na outra e no que mais gostam que a outra faça, assim, o tom da conversa tornou-se indecente.
Marina falou do clitóris de Clara, mas tinha também a bunda. Clara, por sua vez, falou que o que mais gosta é sentir o quanto Marina é apertadinha e os seios. Já sobre a segunda questão, Clara disse que Marina a chupa como ninguém, mas que também enlouquece quando ela a come, tanto na frente, quanto atrás.
_Mas a verdade, a verdade mesmo é que eu gosto de tudo.
Falou sincera.
_Quando você começa lenta e vai aumentando a velocidade aos poucos. Me enlouquece. — expressou a fotografa em contrapartida.
Além disso, Marina falou também do jeito firme com que Clara a pega e que ele faz com que ela se desmanche toda.
–É irresistível, quando você me pega assim, só consigo pensar em dar pra você o mais de pressa possível.
Aquila conversa, sem dúvida, se tratava de uma provocação mútua e as duas estavam cientes disso.
Havia um acordo silencioso ali, mais um dos tantos já comuns a elas, naquela noite se aguentariam.
Elas conversaram aconchegadas até pegar no sono, mais grudadas que nunca pois o fato era que ainda estavam abaladas após a primeira briga.
***
Ué, você tá aqui Marina?
_Sim, vim tomar café com vocês.
Antes o casal tinha resolvido que seria melhor não contar que Marina dormira lá.
_Que bom, com você aqui minha mãe capricha.
_Olha que abusado, então o senhor tá querendo dizer que eu não capricho todo dia.
Ele sorriu culpado e tentou consertar.
_Capricha, mas quando tem visita capricha mais.
Os três riram.
Bolinha já tinha corrido para o colo da fotografa, oferecendo-lhe uma recepção canina muito calorosa, com lambidas e pedidos ostensivos de carinho na barriga.
_Então é melhor o senhor sentar, tomar seu café se não vai se atrasar pro colégio. Daqui a pouco o seu pai passar pra te pegar.
Bolinha tinha ido ao chão e agora fazia suas coisinhas de cachorro.
Assim, tomaram o café da manhã juntos, Clara, Marina, Ivan e o amigo peludo.
***
Naquele dia não tinham nenhum ensaio marcado, e aquela manhã era uma das que Marina tinha experiente no galpão. Clara a acompanhou. Estando sempre ao seu lado Almoçaram no bistrô e o trabalho acabou se estendendo por parte da tarde.
Quando iam saindo a assistente se manifestou:
_Sabe o que eu tô com vontade de fazer?
_O que?
Fez um certo suspense antes de falar, então fez:
_Pegar um cineminha, que tal?
***
Durante o passeio, podia-se notar que Clara estava mais solta em relação aos carinhos em público.
Depois da praia tinha refletido muito sobre isso. Aliás, já vinha refletindo sobre isso há tempos, mas até então alguma coisa dentro dela ainda a impedia. No entanto, naquele final de tarde, sentia-se mais preparada, mais livre. E quando fez um carinho no rosto da namorada enquanto esperavam a pipoca que pediram Marina ficou parada por instantes com cara de boba, sem acreditar.
_Eu adoro cinema, mas quase nunca venho.
Comentou Clara em um outro momento.
_Eu também, mas o dia-dia é tão corrido que acaba não sobrando tempo pra gente fazer esse tipo de coisa, ainda mais assim, no meio da tarde. Você se deu conta que é a primeira vez que viemos ao cinema juntas?
_Sim, eu pensei isso na hora que você pediu a pipoca. Eu não sabia que você gostava de misturar pipoca doce com a salgada.
_Amo!
Respondeu a fotografa já com balde de pipoca nas mãos.
_Eu gosto de saber mais sobre você. Tipo essas coisinhas do dia-dia, sabe?
Marina sabiam. Entraram na sala do cinema como aquilo que realmente eram: Um casal apaixonado.
Assistiram um filme romântico e Clara chegou ao chorar durante vários momento dele ao que Marina ria dela por isso.
_Ih, sou mulherzinha, tá? Choro com filme romântico, sei lavar, passar, cozinhar...
_Você já comentou. Eu acho tão estranho essa não parece a mesma Clara que eu conheço.
_Pois eu sou uma mulher de mil e uma utilidades, meu amor.
Brincou e elas riram. O riso entre as duas era fácil, sempre.
***
_Marina, será que a gente pode conversar?
_Se for pra você começar a falar da Clara...
_Não, eu não vou falar nada da Clara – se esforçou para não ser cínica ao pronunciar o nome – eu queria me desculpar e dizer que não vai mais acontecer nada do tipo. Você tinha razão em tudo o que disse e o melhor pra mim é tentar aceitar esse seu relacionamento.
_Fico feliz por você finalmente ter entendido.
E ela ficava mesmo, sentia falta da Vanessa amiga de todas as horas.
_Posso te dar um abraço?
Marina não esperou, tomou a iniciativa por si e abraçou-a.
_Você me amor de verdade, né?
_Eu ainda te amo de verdade.
_Não. Tô falando de quando a gente namorava.
_amei sim, Van e sinto muito a sua falta hoje em dia. Queria muito que você se desse bem com a … que eu escolhi.
_Vou tentar, prometo.
***
Marina teve que passar pelo galpão em um inicio de noite para uma reunião com os professores. Quando já estava de saída viu de longe o garoto loiro andando pelo bistrôde Cadu olhando aqui e ali como um homenzinho tomando conta do negocio que um dia seria seu. “Coisa fofa” pensou na hora e não resistiu em ir até lá mexer com ele.
Enquanto abraçava e conversava um pouco com o menino, o ex marido de Clara apareceu, sorridente cumprimentando-a e convidando-a a se sentar.
_Senta, toma um café comigo. Eu bem que tô precisando parar por um minuto — Marina ainda se constrangia um pouco perto do chef, também pudera... Contudo, não podia negar que o mesmo era uma companhia bastante agradável por isso acabou aceitando.
Conversaram amenidades mas no fim é claro que acabaram no assunto que tinham em comum: Clara.
Cadu falou da mudança da ex e que ficava feliz.por ela. Reconheceu que o casamento deles acabou servindo de obstáculo para muita coisa na vida dela e que ele mesmo durante muito tempo não se dera conta disso. Acostumou-se a ter uma "mulherzinha". Mas, enfim, agora agradava-o vê-la indo atrás dospróprios sonhos.
A certa altura ele acabou sendo chamado. Havia um problema na cozinha e ele precisava resolver. Enquanto isso Marina ficou na companhia de Ivan. Conversavam sobre as aulas no galpão. O menino gostava tanto do lugar que queria fazer aula de tudo: Piano, Bateria, dança, …
_Você sem dúvida vai ser um artista quando crescer.
_Ah, isso vai mesmo, eu garanto – disse o pai se aproximando deles.
_Marina desculpa mas a coisa foi mais séria que eu esperava vamos ter que deixar o final desse café pra outro dia.
_Tudo bem, nós dois estamos sempre por aqui mesmo.
Ela sorriu e ele sorriu de volta em agradecimento pela compreensão.
_ih, filho sua mãe vai me matar por chegar com você tarde – dirigia-se agora para o menino que também estava sentado a mesa.
_Se quiser eu levo ele pra casa – interrompeu a fotografa.
_Ah Marina, eu não quero te atrapalhar.
_Mas não me atrapalha. É bom que a gente termina essa conversa das aulas no caminho, né Ivan? Quero que você me conte tudo.
O garoto assentiu empolgado.
_Tudo bem então, mas não vai dar trabalho pra Marina em filho?
_Ih pai, a casa da mamãe é logo ali, relaxa.
Tanto Marina quanto Cadu riram do jeito que o garoto falou.
_Bom, então vamos? Cadê suas coisas?
_Tá lá atrás, vou pegar.
Cadu o seguiu pois precisava realmente lidar com problemas na cozinha. Mais tarde quando comentasse sobre Marina com Verônica se assustaria demasiadamente ao lhe ser revelado por ela a sexualidade da fotografa:
_Jura? Eu nunca ia imaginar!
_Pensei que a Clara tinha comentado.
_Não, não comentou nada.
Respondeu pensativo.
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