Notas iniciais
Para ajudar com a imaginação postei uns links no final do capítulo. Quem quiser dar uma conferida. "Olhe bem no fundo dos meus olhos E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar O universo conspira a nosso favor A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar" R.C.

Clara saiu da casa de leilões com a alma leve e uma sensação de que todo o universo estava conspirando a seu favor, afinal de contas, que outro motivo levaria-a a encontrar de novo aquele senhor e no mesmo lugar um dia antes de seu casamento? Então, ela sorriu lembrando o convite inusitado que acabara de fazer e ainda mais pela resposta recebida.

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_ Ei – Marina falou cumprimentando Helena e Juliana com um beijo no rosto e Clara com um selinho na boca – e aí, gostaram? — Perguntou e olhou em volta fazendo referência à decoração do estúdio.
_ Uau Marina você caprichou, hein? Nem parece o mesmo lugar.
Clara, embora admirada, não estava surpresa. Se acostumara com a capacidade de inovação — por assim dizer — da noiva. Mesmo assim fez questão de elogiá-la considerando que tudo estava mais que incrível. O estúdio naquela noite havia sido transformado em uma verdadeira “tenda árabe” com tudo a que se tinha direito.
Vanessa, Flavinha e Gisele, companheiras inseparáveis de Marina, já estavam ali acomodadas em confortáveis almofadas quando as integrantes da família Fernandes chegaram e entre um cumprimento e outro a fotógrafa foi mostrando a estas — que acompanhavam admiradas — os detalhes de tudo.
_ Bom, já não teremos garotas saindo de bolos e coisas assim eu achei que fazer uma coisa diferente pra esse momento não faria mal, não acham? — Marina se explicou.
_ Eu acho que garotas saindo do bolo seria bem divertido. — Juliana falou rindo. — Mas, acho que assim também tá ótimo.
_ Jú! — Helena bateu nela em censura pelo que acabara de dizer.
_ Que, que tem Leninha? Uma coisinha ou outra divertida de vez enquanto não faz mal. Você devia experimentar, sabia? Fica sempre lá na sua vida toda certinha com o Virgílio, aguentando os problemas e lamentações da família inteira, preocupada com a Luíza e quase nunca faz nada de interessante, pô.
_ Ela tem razão sabe, irmã.
_ Querem que a gente ligue para as garotas? — Vanessa interrompeu o que poderia virar uma espécie de “terapia familiar” fazendo com que todas rissem do comentário.
_ Não. É melhor deixar pra próxima, Van. — A fotógrafa respondeu com um riso solto certa de que jamais haveria uma “próxima vez”.

As sete se acomodaram e prosseguiram conversando de forma descontraída em meio a drinks e petiscos todos, na opinião de todas elas, maravilhosos e surpreendentemente saborosos. Logo no começo Helena, Clara e Juliana confessaram que conheciam muito pouco sobre a culinária árabe ao que as outras quatro foram apresentando-a a elas.
Em certo momento Clara chamou Marina para perto de si em uma conversa privada a fim de contar-lhe do encontro inesperado de mais cedo e do convite espontâneo que saíra de sua boca.
_ Jura que você fez isso? — A fotógrafa perguntou desacreditando do que a noiva acabara de lhe contar.
_ Saiu, quando eu vi já tinha falado. — Justificou envergonhada ao que a outra soltou uma gargalhada.
_ Essa eu quero ver!
_ Pára, Marina! É o nosso casamento, não …
_ Tá. Tudo bem, mas você tem que reconhecer que vai ser … como se duas mulheres se casando já não fosse o bastante. Não vejo a hora de ver a cara dos convidados. — A fotógrafa definitivamente não conseguia deixar de se divertir com o que a noiva acabara de lhe contar e esta acabou, vencida, reconhecendo que de fato havia motivo para se divertir imaginando a cena.

_ Gente... – Vanessa chamou – gente, a conversa tá muito boa mas isso aqui é uma despedida de solteiro. Ou melhor, solteiras. Quer dizer, no caso, solteiras – todas riram, agora já influenciadas pelo álcool – ou não é? — Sem esperar pela resposta ela continuou — pois então, podemos começar a nos divertir de verdade e entregar os presentinhos?
_ Eu começo! — Gisele manifestou empolgada.
_ Olha lá o que você foi me aprontar hein, Gi. — Marina falou.
_ Acho que você não deveria se preocupar comigo, prima. Devia se preocupar mais com a Vanessa isso sim.
_ Eu? Por que eu? Falando assim você me faz parecer uma louca, Gisele.
_ Você é louca, Vanessa. — Marina afirmou. O que foi suficiente para que as risadas generalizadas retornassem.
Instantes depois Gisele voltou a chamar a atenção de todas.
_ Pessoal! Posso entregar o meu presente agora?
_ Pode, pode sim Gi. — Confirmou Clara.
_ O primeiro é o da Marina ou o da Clara? — Flavinha perguntou.
_ Acho que tudo vai acabar sendo pra as duas, não? — Respondeu – Mas é pra Marina. Digo, pra Marina usar.
Houveram “uhnss” e a prima da fotógrafa entregou à mesma uma caixa decorada com um laço em cima. Marina abriu, olhou dentro e logo fechou escondendo com falso embaraço o que havia lá dentro.
_ Ah não, Marina! Você sabe que tem que mostrar pra todo mundo se não, não tem graça. — Gisele expressou indignada e foi acompanhada pelas outras no protesto.
Clara olhava, encabulada, para a noiva. Sabia que os presentes daquela noite seriam todos de cunho erótico e ela ainda se sentia um pouco desconfortável com isso em relação à tia e à irmã.
Após ainda fazer um pouco de charme com o recato que inventara apenas para deixar as outras curiosas a fotógrafa mostrou-lhes o ousado conteúdo da caixa: Uma calcinha fio-dental preta que trazia uma tira quase inexistente no meio e tiras mais largas dos lados.
Mais uma rodada de “uhhhnss” invadiu o ambiente causando um inevitável rubor na assistente.
_ Acho que isso aqui ficaria mais interessante se tivéssemos combinado que as duas teriam que vestir os presentes. — Disse Vanessa em mais um de seus comentários afiados.
As expressões pensativas de Juliana e Helena transmitiam um “será”? Enquanto Flavinha e Gisele se lamentaram por não terem tido essa ideia.
_ Taí, Van. Finalmente você deu uma boa ideia. — Flavinha manifestou.
_ Também acho. — Gisele concordou e Vanessa já ia falar algo mais quando Marina falou:
_ Vamos vestir sim, tudo! Mas, não agora e não pra vocês. — Declarou encerando a discussão.
_ Isso ai. A Marina falou, tá falado.- Clara expressou em um alívio que acabou provocando graça nas outras, inclusive, na noiva. Ela sabia muito bem o quanto a Clarinha podia ser tímida as vezes, e o quanto podia não ser, em outras.
_ Agora sou eu. — Juliana falou chamando a atenção para si — O meu primeiro vai pra Marina também.
_ Ih gente, só eu ganho presente aqui hoje?
_ Acho que isso diz algo sobre você hein, Marina. — A ruiva proferiu sarcástica.
_ O que? — Perguntou a outra em falsa inocência.
_ Que você é pervertida, talvez...
Todas riram.
_ Não gente, juro que a minha intenção não foi essa. Só quis ser gentil com a anfitriã que muito em breve será um membro da nossa família...
_ Eu sei Ju. E as meninas também, mas é que elas são bobas assim mesmo. Não liga, não.

O presente de Juliana foi uma camisola azul marinho – Sexy Baby Doll-, transparente que se fechava na frente apenas na altura do seio onde possuía um bojo como o de um sutiã e deixava todo o resto exposto. Junto à camisola havia também uma calcinha que se diferenciava da outra apenas na cor e na espessura das tiras dos lados. As dessa eram mais finas.
_ Tá difícil pra mim ficar assistindo esses presentes de vocês, viu. — Clara falou.
_ Não tá gostando, amor? — Marina perguntou de forma inocente, mas a noiva conhecia muito bem as intenções por trás da carinha de anjo.
_ É. Não tá gostando, Clarinha? — Vanessa provocou tentando, através da provocação, que Clara abandonasse um pouco da timidez que a estava atrapalhando curtir a noite.
_ Digamos que – pausou – eu vou gostar de “usar” — falou corando.
_ Que isso, Clara? Tá com vergonha por causa de nós duas? — Juliana perguntou finalmente percebendo o constrangimento da sobrinha com a situação.
_ Não, Jú. É só que...
_ Só que nada. Tá com vergonha sim. Pára com isso! Ninguém aqui é criança. Nós sabemos muito bem o que vocês duas fazem, aliás, o que todo mundo faz, né Leninha?
_ Verdade, Clara. Eu até que pouco tempo atrás não sabia exatamente o que vocês faziam, mas … — O comentário de Helena saiu mais engraçado do que o pretendido e ela mesma começou a rir após ouvir as próprias palavras.
_ Agora sabe … — Vanessa concluiu completando o ensejo para que todas voltassem a gargalhar.
_ Eu não sei exatamente o que vocês fazem não, mas acho que hoje é uma ótima oportunidade de vocês me explicarem, morro de curiosidade – mais risos. – Mas, por hora, se solta, Clarinha. É sua despedida de solteira. Não viemos aqui pra te podar. Viemos te apoiar e, nos divertir, é claro. Vamos nos divertir, pô! — Juliana falou.
_ Vou tentar. Vou tentar.
_ E – Vanessa em um suspense. — pra tirar a timidez da Clarinha o meu primeiro presente vai ser o dela. Prepare-se, Clarinha.
E Clara tentou mesmo se preparar porque vindo de Vanessa ela podia esperar qualquer coisa. A ruiva com certeza não teria pensado em pudores antes de escolher o que quer que fosse.
_ Achei a sua cara. — Vanessa disse a ela rindo e orgulhando-se do próprio humor ácido.
Quando abriu a caixa e olhou o que tinha dentro Clara não pôde deixar de reconhecer que o senso de ironia de Vanessa era fantástico. Na mesma hora a assistente se lembrou de todas as vezes que a noiva contara-lhe sobre as reprimendas da ruiva em relação às marcas em seu corpo.
Ao tirar o objeto lá de dentro o que as outras viram fora um chicote de couro e ainda havia mais: Uma máscara também de couro. Dois acessórios que, quando e se, usados por Clara deixariam-a no melhor estilo “dominadora.
_ Acho que agora vocês duas podem — digamos que — fazer as coisas de um jeito mais apropriado.
Flavinha e Gisele que também já tinham tido a oportunidade de notar as marcas pelo corpo de Marina não precisaram de maiores explicações. Helena e Juliana, porém, ficaram sem entender apesar que presumir não fora algo, em absoluto, difícil.
_ É Vanessa, acho que você me conhece bem... — Clara respondeu a declaração anterior da ruiva.

Assim a entrega de presentes prosseguiu.
De Flavinha, Clara ganhou uma calcinha comestível sabor morango. Remetendo à preferência confessa que a fotógrafa tem pela fruta.
_ Esses presentes todos estão colocando coisas na minha cabeça e isso não é bom. — A assistente falou agora mais à vontade e consequentemente começando a se divertir.
_ Por que, Clara? Não tá curtindo a expectativas de usá-los todos na viagem de vocês? — Juliana perguntou.
_ Nem um pouco.
Tia. Irmã e prima não entenderam e pela maneira com que ela olhou para Marina, Marina para Vanessa e a ruiva começou a rir descontrolada elas souberam que havia alguma coisa errada, algo que não sabiam.
_ O que, que tá acontecendo aqui, hein? — Gisele perguntou.
_ Conta você, amor. Isso é coisa sua.
E apesar de relutar Clara contou às outras sobre o mês em abstinência gerando mais um coro de risadas, mas, também, declarações que, de certa forma, a iniciativa havia sido uma coisa romântica. “Mais ainda o fato de nós duas termos conseguido nos controlar”. Pensaram as duas intimamente.
_ Hoje em dia ninguém espera mais pelo casamento para fazer essas coisas, então, quando chega grande dia já não se tem muito com o que se surpreender. E perdemos aquele frio na barriga, o nervosismo, a emoção e todas as outras coisas que vemos, por exemplo, nos filmes e que crescemos sonhando — Disse Helena em certo momento da conversa fazendo com que as outras considerassem a verdade em suas palavras. — Bom, Agora é a minha vez. — Disse ela chamando a atenção das meninas novamente para a entrega dos presentes. — Mana, eu não sabia o que dar a vocês, por isso a Luíza me ajudou. Quer dizer, na verdade foi ela quem comprou e eu nem sei o que tem aqui dentro. Quando eu pedi para ver ela disse que era melhor eu deixar pra abrir só aqui, então, é um presente dela né, não meu e será uma surpresa pra mim tanto quanto pra você.
Luíza comprara para a tia um vibrador de dedo o que, de fato, não surpreendeu ninguém mais do q à própria mãe.
Clara, por sua vez, olhava para o objeto com interesse.
_ Isso eu ainda não conhecia. — Falou, agora já à vontade, dirigindo um olhar para noiva como se perguntasse e acusasse ao mesmo tempo: “Por que eu ainda não conhecia isso”?.
_ Você ainda não conhece muita coisa, meu amor. — A fotógrafa respondeu piscando e o que viu no rosto da amada foi a saudosa e insinuante mordida nos lábios.
_ E já que eu entreguei o da Clarinha vou aproveitar e entregar o da Marina de uma vez. Esse fui eu mesma que comprei então, eu pelo menos, não vou ter nenhuma surpresa.
Entre o presente de Helena e os demais estavam: Um jogo de cartas “Kama Sutra” que ilustravam posições variadas (este causando bastante curiosidade em Juliana) e mais lingeries provocantes, em especial, um sexy corset acompanhado de ligas e meias 7/8 branco.

_ O último, porém não menos especial, é o que eu comprei pra Marina sei que vocês duas já tem até mais de um, com certeza. Mas, como vão se casar amanhã pensei que seria, sei lá, bom renovar. — Vanessa manifestou entregando a ultima caixa a fotógrafa. — Espero que gostem.
Tratava-se de um strap-on, o que deixou Helena e Juliana particularmente impressionadas, pois tinham ouvido falar na coisa, mas nunca tinham visto um pessoalmente tão de perto e aquele não era exatamente do jeito que nenhuma das duas imaginaram, pois a semelhança da prótese — presa à uma cinta branca com tiras largas que consequentemente proporcionariam mais estabilidade e conforto — com o “original”, por assim dizer, era assustadora. Podia-se notar, inclusive, saliências que imitando veias e que atuavam como estimulante.
O curioso em relação a ultima surpresa da noite era que Vanessa acertara em seu comentário sobre “renovação”. Dias atrás elas, as noivas, tinham chegado a mesma conclusão e resolvido renovar comprando coisas novas para uma vida nova, por assim dizer. A visita ao sexy shop tinha sido muito produtiva. Apesar disso o presente não era, em absoluto, um excesso. Muito pelo contrário.


As ultimas a ficarem no estúdio foram as noivas, precisaram de tempo e força de vontade para se despedirem. Marina ficaria em sua casa enquanto Clara voltaria para o Leblon com a irmã e a tia. A partir daquele momento a próxima vez que se veriam seria no altar e só de pensar nisso o frio na barriga se tornava tao intenso que as deixava praticamente congeladas.
_ Se você não for logo, não vou conseguir mais deixar você ir. — Marina falou entre um beijo e outro.
_ Tô indo. Te segurei aqui pra dar tempo das meninas entrarem na casa com a Leninha e com a Ju antes que a minha surpresa chegasse.
_ Surpresa? Que surpresa?
_ Você achou que me daria essa festa linda, que nós duas seriamos presenteadas por todo mundo e que eu não te daria nada?
_ Não pensei nisso.
_ Que bom. Porque ai a surpresa fica melhor. — Nessa hora o telefone de Clara tocou e ela pediu para a pessoa com quem falava no telefone entrasse. — Algo me diz que você gosta dessas coisas. — Clara piscou, deu o ultimo beijo na noiva e foi saindo, indo embora deixando-a para trás com a presença do visitante inesperado que acabara de chegar.
Então, quando entendeu o que estava acontecendo um sorriso brotou no rosto da fotógrafa lembrando das ultimas palavras da noiva “ algo me diz que você gosta dessas coisas”. Estava ali em sua frente algo sobre sua intimidade que nunca – exatamente — compartilhou com a amada, mesmo assim, de alguma forma ela presumira. Clara a conhecia mais do que ela, Marina imaginava. Concluiu.
A conclusão fez com que ela se sentisse em paz. Na mais profunda e sublime paz trazida pela certeza convicta de que tudo daria certo. Soube que não havia motivo para quaisquer dúvidas como as que vinham afligindo-lhe no últimos dias porque ela e Clara eram, definitiva e incontestavelmente complementares uma a outra.

Notas finais
Eeeeeeitaaaaaa Giov... ops... Marin... ops... CLARA!!!! MAOQ???? http://www.openshows.com.br/site/images/repository/fotos/decoracao%20festa%20arabe%201.jpg http://araman.com.br/wp-content/uploads/2014/10/50dad_comida-arabe.jpg http://1.bp.blogspot.com/-5djsPIJnYHc/TdQOQ8biSiI/AAAAAAAAAWA/ed1zSAQv5po/s1600/falso2.jpg O resto vocês podem procurar por conta própria, né? kkkkk