Unchained

10 Capítulo 10


Killer Frost


“Pronto?”. Perguntei a Unchained e ele acenou com cabeça. Abrindo a porta lateral da van preta que roubamos, ele me deu um sinal de positivo e se abaixou como um corredor olímpico. “Vai!”. Gritei e ele correu.


Correu bem rápido pela rua pouco movimentada uma hora antes do fim do horário comercial, direto para a porta do banco e através dela. Eu o segui logo atrás, e entrei de ré pela porta quebrada. O primeiro segurança nem teve tempo de sacar a arma quando um soco de Unchained estourou sua cabeça. O segundo teve o peito perfurado e terceiro guarda se rendeu sem lutar.


“Juntem-se todos! Sem gracinhas ou todo mundo morre!”. Ele gritou e os funcionários começaram a gritar mais alto, mas obedeceram com um pouco de incentivo, ou seja, após um homem ser jogado pelo colarinho até um canto. O alarme tocava freneticamente, sinal de que tínhamos pouco tempo.


Comecei a guiar os reféns para um canto enquanto Unchained pulou pela janela de uma sala no segundo andar. Menos de dois minutos cronometrados depois ele voltou, carregando um pacote com mais de dez pessoas amarradas, todas trabalhavam nos andares superiores.


“Sabem com quem estão lidando?”. Um homem em um terno caro disse tentando se desamarrar. “Vocês dois estão mortos quando o dono desse banco souber disso!”.


“Você acha que eu ligo?”. Unchained rosnou para o homem caído e apertou sua cabeça, o sangue começou a sair lentamente de seus olhos e ouvidos. Unchained parou aí, não esmagou o homem e apenas deixo-o agonizando no chão, talvez tenha sido um destino pior que a morte.


“Estão todos aqui?”. Perguntei e ele assentiu.


“Todos os que eu encontrei”.


“Ótimo”. Respondi enquanto congelava os pilares e vigas de sustentação do prédio.


Unchained não esperou para ver isso e já havia quebrado algumas barras de segurança para chegar ao cofre e quando eu cheguei, comecei a congelar as dobradiças e os pontos onde achei que haveriam reforços na porta pesada.


“Acho que deve ser o suficiente”.


Com um grunhido ele agarrou a porta que se amassou onde seus dedos apertaram. Os dentes rangendo e os músculos saltando de tanta força, mas ele conseguiu arrancar a porta com mais de um metro e meio de espessura. Com um baque pesado, ele a arremessou para o lado e começamos a limpar todo o dinheiro que estava no cofre.


Colares, anéis, barras de ouro e montes e montes de notas foram rapidamente jogados nas malas que levamos. Unchained em pessoa levava mais de vinte e estava cômico de se ver seu estado quando jogamos tudo na parte de trás da Van, ele tinha uma alça até na boca.


Acenamos mais uma vez, entrei na Van e pisei fundo no acelerador. Arrancando para fora do prédio eu cheguei a quase um quarteirão de distância quando parei e esperei o estrondo. Unchained se chocou contra as colunas de sustentação congeladas do primeiro andar uma de cada vez. No sétimo estrondo, o prédio cedeu começou a desmoronar.


Do meio da poeira e o vi correr até mim, ele não entrou na Van, pelo contrário, foi pela frente dele e a empinou. Fiz dois apoios de gelo para manter a Van nessa posição e Unchained terminou de erguê-la nas costas.


“Acha mesmo que consegue?”. Perguntei pondo o cinto, um protetor bucal para os dentes e segurando o volante firmemente.


“Consegui no teste que fizemos antes, não é?”. Ele me disse resmungando.


“Mas agora é diferente, estamos no meio da cidade e eu não quero morrer porque você não ganhou altura suficiente”. Eu reclamei mas ele não respondeu, simplesmente terminou de erguer a Van nas costas e pulou.


O voo não foi tão ruim mas o pouso no topo de um prédio foi pesado e sem o cinto eu teria batido a cabeça no para-brisa. “Essa não foi uma boa ideia!”. Gritei mas Unchained pulou mais uma vez me ignorando.


Ele não tinha jeito com isso, carregando um carro carregado pesando mais de três toneladas, era pior ainda.


Pousando em uma rua auxiliar, mais ou menos onde havíamos combinado a mais de dez quilômetros do banco, Unchained largou o carro e entrou do lado do passageiro. “Vamos rápido!”.


“Se essa droga de carro ligar depois da quantidade de impactos que levou!”. Eu gritei para ele e o som da injeção falhando em conseguir dar a partida era uma maldita tortura.


“Vamos! Vamos sua lata velha!”. Xinguei tentando dar a partida e quando o som do motor veio, infelizmente não era o nosso, era o som de um motor muito mais potente.


Arrancando pela rua e com os pneus cantando, uma motocicleta vermelha e com pneus largos parou em nossa frente. O Robin havia nos encontrado.


Unchained me olhou e descemos do carro procurando algum reforço, provavelmente a Batgirl ou o Asa Noturna nos telhados próximos. Robin jamais nos enfrentaria sozinho dessa forma, mesmo não tendo chance de escaparmos com o dinheiro, éramos demais para ele lidar sozinho, provavelmente.


“Vou te dizer uma vez só garoto, saia da minha frente”. Unchained disse em um tom gelado e eu também me preparei para lutar.


“Killer Frost e… como você se chama mesmo? Tanto faz, quando ouvi que atacaram um banco sabia que vocês estavam metidos nisso, também sabia que tentariam fugir o mais rápido possível antes de tomarem uma rota mais tranquila, é um padrão que vocês repetiram muito nesses dias, sabiam?”.


Unchained avançou rápido, não querendo mais conversa e pronto para tirar o sorriso do rosto de Robin, porém uma mão segurou seu soco no antebraço, e eu soube que a situação estava péssima agora. O Superboy também tinha vindo.


“Sabe, admito que tive um pouco de ajuda para achá-los, mas quando se luta contra alguém tão forte quanto dizem que você é cara, eu me permito umas pequenas trapaças”.


“Olá”. O Superboy disse antes de socar Unchained no rosto e fazendo-o voar pelo asfalto e abrindo uma rachadura. Em algum ponto Robin me atacou com um bastão e uma série de punhais de gelo que lancei o afastou por pouco.


Ele avançou mais uma vez e eu o chutei na barriga, infelizmente o garoto era treinado em sabe-se lá qual arte marcial, usou seu bastão como vara para pular e me acertar pelas costas. Cair de cara no chão até que ajudou, pois Robin como um bom garoto não me finalizou e deu tempo para eu conseguir preparar mais punhais de gelo.


Com mais acrobacias ele desviou, meus punhais apenas rasgando sua capa preta e de fundo amarelo, mas eu tinha mais em minha manga. Uma camada de gelo se formou no chão bem onde ele pousou e o desequilíbrio foi instantâneo.


Eu não perderia a oportunidade de matar o menino prodígio como ele perdeu, pelo menos foi o que pensei antes que a moto de Robin viesse voando em minha direção e me acertasse pelas costas. A dor foi forte e certamente quebrei alguma costela. Congelei o lugar que doía para diminuir a dor e rapidamente lá estava mais uma vez o menino prodígio em cima de mim pronto para a luta.


Essa noite ficava cada vez pior quando as sirenes da polícia se tornavam cada vez mais altas. “PORRA! Fique parado garoto!”.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.