Notas iniciais
Este prólogo é, na verdade, um trecho do diário da Cherrie. A história é ambientada em Londres e é bem contemporânea, eu acho. Desculpe se cometi muitos erros de português e/ou digitação, não tive tempo de reler o texto. Os dois primeiros capítulos já estão prontos, então logo logo posto o cap. I. c:
Personagens:
Cherrie Houston - Imaginei ela mais ou menos como uma versão mais lânguida e desleixada da Kaya Scodelario (sim, ela é bonita, só não tem tempo para cuidar de si mesma .-.).
Evan Mills - Eu imagino ele tipo o Gale (HW). Cabelos escuros, olhos escuros e pele azeitonada. Bem gatão. :3

Eis a pergunta que escuto com mais frequência: "Por que você é assim? Tão isolada, tão quieta, tão fria... ?".

A verdade é que eu ainda não tive muito tempo para ponderar sobre essa questão. Geralmente, estou ocupada demais limpando garrafas de vodka da sala, escondendo meu irmão mais novo da minha mãe e recebendo enésimas ofensas das pessoas do meu colégio. É um pouco desgastante ter de viver tudo isso e, ainda por cima, ganhar uma exurrada de críticas.

Agora você provavelmente está pensando: "Meu Deus, como essa garota é dramática". Sinceramente? Eu até entendo sua opinião, já que a única pessoa que sente os problemas é quem os tem. Só peço que não diga isso enquanto eu estiver vivenciando meu reles "drama pessoal".

Mesmo que você não queira ouvir, irei contar um pouco da minha história.

Há um tempo atrás, quando eu estava na escola (vulgo inferno apinhado de biscates), fui chamada para a Diretoria. Você sabe: esse tipo de coisa só acontece quando a pessoa é um estorvo para todos, ou quando a pessoa é muito exemplar. No meu caso, a segunda opção é sempre descartada.

De qualquer forma, ainda lembro-me da expressão da diretora quando me viu; exorável, compadecida, condoída até demais. Ao seu lado, chorosa e cabisbaixa, havia uma versão mais jovem da minha mãe. Lembro-me de ter observado a cena calada por algum tempo. Alguns minutos depois, a diretora levanta-se e sai da sala, como se quisesse conceder um pouco de privacidade para mim e para minha mãe.

Cena estranha, aquela.

– Sente-se. — murmurou minha mãe.

Obedeci.

– O que aconteceu? — indaguei, ciente de que a resposta não seria das melhores.

Ela hesitou por o que pareceu uma eternidade. Parecia estar selecionando as palavras, e isso nunca é um bom sinal.

– Filha, aconteceu algo ruim. Seu pai... ele... — pausa para uma conferida rápida na minha reação — ele não está mais aqui conosco.

– Como assim?

– Houve um problema no avião no qual Johnnie estava viajando e... ele não sobreviveu, querida.

Franzi o cenho, enquanto tentava processar a informação. Meu pai. Acidente de avião. Explosões, fogo, cinzas. Não está aqui conosco. Demorou um bom tempo para cair a ficha, e temo que até hoje ela não tenha caído por completo. Meu pai está morto; aquele homem tão vivaz e inteligente, tão gentil e tão adorável. Não, isso não pode ter acontecido.

Os dias que se sucederam foram os piores da minha vida. Minha mãe, abalada com a perda, não saía de casa e não botava um grão de arroz na boca. Só bebia, bebia e bebia. Meu irmãozinho (na época, com cinco anos), perguntava a toda hora se meu pai voltaria da viagem logo. Comecei a trabalhar, já que minha mãe estava sem condições de levantar da cama na maior parte do tempo. Meus avós haviam morrido há pouco tempo, e eu temia ser transferida para um abrigo de crianças. Não sabia como lidar com aquilo; era impotente como um passarinho engaiolado.

A partir desse acontecimento, as pioraram em uma escala perturbadora. E o pior de tudo é que não tinha a quem recorrer; comecei a agir de forma diferente e perdi todos os "amigos" que conquistara. Fui transferida três vezes de colégio, e em todos era tratada com desprezo. Precisei arranjar um emprego cedo, com aproximadamente catorze anos. Com o trabalho, meus dias se atrofiaram violentamente.

Foi então que conheci o blog "Contos e poemas". Pertence a um garoto chamado Evan Mills, o qual escreve seus textos sob o pseudônimo de DarkFenix. Lia suas crônicas diaramente, usando-as como uma espécie de terapia; assim, canalisava minha atenção para os personagens das histórias, e não para meus próprios problemas. Comecei a conversar com Evans por Messenger sempre que podia.

Acredito que esta foi a melhor coisa que me aconteceu desde o acidente.

Notas finais
Sei que ainda não dá pra saber muito sobre a história, mas...
reviews? -v-
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.