Unbroken
20 Presas
Notas iniciais
Antes que ela pudessem ter algum tempo de reação, suas visões escureceram e não viram mais nada.
Na casa dos Charmings...
— Estava com ela? — Snow encarou David, que havia acabado de chegar
— Com a minha filha? Estava. Algum problema? — cruzou os braços. As cobranças e reclamações dela já estavam lhe incomodando.
— Pra ser sincera, sim. Você esqueceu que tem outra familia? Eu, Emma, Henry... acho que esqueceu! — cruzou os braços também
— Mary, quer me dizer o porque da sua irritação? Foi você mesma que disse que eu poderia ir atrás de quem quisesse, que você não se importava. Agora fica com reclamações e cobranças! Emma nunca vai deixar de ser minha filha, e está aceitando a situação melhor que todos. Até o Henry que é quem mais deveria implicar com tudo isso... você é a única que parece que não tá no esquema. E sem nenhuma razão de ser. Marissa é minha filha, e nada vai mudar isso. Eu vou cuidar dela, como não pude fazer até hoje e vou ser o pai dela. Quer você queira ou não! — respondeu
— Me atinge a partir do momento que ela também é filha da Regina, a mulher que tentou me destruir a todo custo e porque eu ache que quer roubar você de mim! — esbravejou
— Roubar? Você acha mesmo que amor de filho se compete á amor de homem e mulher? — ele a encarou, incrédulo — está com ciúmes da Marissa? — ele continuou — e não se esqueça que antes dela destruir sua vida, você destruiu a dela! — soltou algo que estava preso em sua garganta á muito tempo
Snow paralisou.
— Agora defende ela? — deixou escorrer uma lágrima dos olhos — Gold estava certo. Você se apaixonou por ela. Eu não disse que Marissa ia tirar você de mim, a mãe dela vai tirar você de mim. Já está tirando... ela conseguiu... vai realmente me destruir...
— Regina não vai me tirar de você. Você está nos afastando um do outro. Ela não quer destruir ninguém, tá no canto dela, tentando viver a vida dela. Deixe-a em paz e para com esse drama. Ninguém aguenta mais ouvir isso de você. É sempre a mesma coisa. Sempre se faz de vitima e coloca a culpa em alguém. Chega de bancar a princesa que precisa do príncipe e os amigos fiéis da aldeia pra lutar contra a vilã malvada. Segue em frente, Mary Margaret. Vira a página! Todo mundo já fez isso, só você que continua com essa ideia! — esbravejou
— Quer que eu siga em frente? Pois bem... — respirou fundo — eu quero o divórcio! — foi direta
— O que? — ele pareceu não acreditar nas palavras dela
— É isso que você ouviu. Estou seguindo em frente. Não vou ficar com uma pessoa que tudo o que faz é pensar em outra. Eu quero me separar de você! Siga a sua vida com a Marissa, a Regina ou quem quer que seja, e eu vou seguir a minha!
— Ok! — bufou — você terá o divórcio, não se preocupe. Nosso casamento já deu no que tinha que dar mesmo... — suspirou — vou pegar as minhas coisas, e amanhã mesmo já entramos com o processo de separação! — disse, e após recolher todos os seus pertences, saiu em direção á pensão da Granny's, onde ficaria até arranjar uma casa.
Não muito longe dali...
Marissa abriu os olhos, e uma dor de cabeça terrível começou a lhe incomodar. Tentou se mover, mas percebeu que suas mãos estavam amarradas pra trás e que ela estava presa em uma cadeira. Olhou em volta, e percebeu que estava em uma sala de estar. Ao seu lado esquerdo estava um sofá, ao direito uma mesinha de centro e a sua frente uma poltrona, que atrás da mesma havia um acesso pra um corredor. As paredes eram pintadas de branco, haviam imensas pinturas espalhadas pela parede e um piano idêntico ao que sua mãe lhe dera no canto do local. Aquilo não parecia um cativeiro. Virou a cabeça mais um pouco e pode perceber Belle também amarrada em uma cadeira atrás de si.
— Belle! — chamou a amiga, que ainda parecia estar desacordada — Belle! — empurrou costas dela com as mãos com força, fazendo ela acordar.
— Marissa? — perguntou, ainda em transe — ai, minha cabeça... — reclamou — onde estamos? — indagou
— Eu não sei. A mocréia trouxe a gente pra cá, mas isso não parece nem um pouco com um cativeiro! — falou
— Parece uma casa de luxo... — observou, agora mais sóbria
— Mocréia? — Zelena adentrou o local, surpreendendo ambas — que falta de respeito com a sua querida tia. Minha irmãzinha está precisando lhe ensinar bons modos! — ironizou
— O que quer conosco? Porque nos trouxe aqui? — Belle perguntou, assustada
— A princípio, com você eu não queria nada. Mas... pensando melhor, porque não torturar ainda mais o Rumple usando o grande amor da vida dele? — soltou uma risada
— Poupe-nos desses suas risadas ridículas. Com certeza a pior tortura é ter que aguentar um abacate relinchando igual cavalo com mistura de hiena de zoológico. Falo sério! — Marissa bufou — se for nos matar, mate-nos logo. Irá doer menos! — sorriu irônica
— Eu não vou matar vocês, ao menos não agora... quero ouvir as súplicas desesperadas de Regina e David atrás da garotinha deles, assistir Rumplestiltskin derramar lágrimas de sangue pela sua amada Belle, enquanto eu finalmente triunfarei e alterarei o passado. Onde nenhuma das duas existirá, tão pouco a Evil Queen, ou Snow White, ou a pacata Storybrooke. Eu finalmente serei rainha! — sorriu
— Ah, fala sério, você viaja. Meu Deus! — Marrisa observou — ao invés de falar besteiras, será que pode me dizer onde estamos? — indagou
— Sintam-se em casa. Acho que já está na hora do chá! — o mesmo homem que haviam visto na floresta e colocado o bracelete no pulso de Marissa também adentrou o local
— Você... eu conheço você... — Belle observou — é o mesmo homem que me libertou da ala psiquiátrica no dia em que a maldição foi quebrada e mandou eu ir atrás do Rumple denunciar a Regina! — se lembrou — quem é você? Porque está do lado dela? — perguntou
— Pera ai... o olhar psicótico, a voz pesada, a risada esquizofrênica, o chá... e a cartola na cabeça... — Marissa observou — você é o chapeleiro maluco, da história da Alice no País das Maravilhas! — ligou os pontos
— Pelo jeito você é esperta... adivinhou... — deu uma risada — me chamo Jefferson! — falou
— Porque está do lado dela? Não é possível que as histórias sejam tão diferentes á tal ponto de você ser um vilão! — Marissa disse
— E não sou, minha cara princesa... isso se chama justiça!
— Justiça? Mas o que foi que eu e Belle te fizemos? — indagou, indignada
— Vocês não... sua mãe! — elucidou — ela não só nos mandou pra cá, como me separou da minha filha, e mesmo aqui, prometeu que me ajudaria com ela, no entanto, falhou com a promessa. Achei que Gold quando soubesse de Belle faria minha vingança, mas pelo que percebi ele é da mesma laia que ela! — Jefferson disse
— Esquece o passado. Você tá com a sua filha agora, não tá? Pra que isso? — Belle indagou
— Porque quero que ela sinta o mesmo que eu. Quero que ela tenha a sensação de ter sua filha arrancada de seus braços. Sua menininha separada de você sem você poder fazer nada. Eu quero justiça! — afirmou, com frieza no olhar
— Se eu fosse você, não confundiria justiça com vingança. Isso é ridículo! — Marissa repreendeu
— Não me importo com o que pensa, você continua aqui até ela — apontou pra Zelena — quiser! — disse
— Muito bem! — Zelena sorriu — você terá sua vingança, Jefferson. Eu prometo! — afirmou — tenho uns afazeres, volto depois! — disse, e desapareceu numa fumaça verde
— Eu até poderia vigia-las, mas — as encarou por um instante e riu — acho que não vai precisar. Com licença, "majestade"! — se curvou irônicamente pra Marissa e saiu.
— Que ótimo. Já não basta estar presa pela Zelena, ainda somos obrigadas a ouvir as risadas e discursos ridículos dela e desse cara completamente louco, ainda tenho que ouvir que sou da realeza. Definitivamente, as coisas não podem piorar! — Marissa afirmou
— Mas se parar pra pensar, você é uma princesa. Tanto aqui, como na floresta encantada. É filha da Rainha com o príncipe, e aqui é filha da prefeita com um dos xerifes. Isso te torna princesa! — Belle lembrou
— Eu? Uma princesa? Ah, não, definitivamente não — negou — não levo jeito pra isso, e nem quero. Odeio esse papo de sapatos de cristal, vestidos de festa, coroas, um principe pra te salvar e todas aquelas frescuras! — explicou — aliás, eu nunca fui muito fã de princesinhas de contos de fadas. É engraçado pra mim ver que todos os desenhos que eu assisti ou li, eu meio que entrei dentro deles! — comentou
— Ah, é verdade. Nossas histórias... eu ainda não tive tempo de conhecer como elas exatamente são nesse mundo. Sério que você não gostava muito de princesas? — indagou
— Mais ou menos. Tinha umas que eu gostava, como a pequena sereia, a Bela e a Fera... mas princesas no estilo da Branca de Neve, Bela Adormecida e afins, eu odiava. Sério... a Mary é um pouco diferente da história dela. No desenho dá raiva, ela é muito morta. Só sabe correr e cantar, não faz mais nada! — explicou
Belle riu.
— Mary é corajosa, no nosso mundo ela luta, toma a frente das coisas... mas, qual a sua preferida, então?
— Mulan! — Marissa disse — ela nem é uma princesa, mas de onde vim, consideramos ela uma. Ela é corajosa, forte... assim como eu, era sempre criticada e todos diziam que ela nunca seria nada. Mas ela fez mais do que apenas se casar, ela enfrentou uma guerra e salvou a China. Não sei se o filme bate com o que ela é na realidade, mas se for, seria um sonho conhecê-la. Digamos que ela é minha heroína de infância! — explicou
— Se for exatamente como você está me contando, bate sim — sorriu — eu a conheci. Ela é realmente corajosa, e salvou a China. Eu não a vi em Storybrooke, acho que deve ter ficado no nosso mundo. Mas com certeza, ela adoraria te conhecer! — Belle disse — mas me fala, eu apareço realmente em alguma história? — perguntou curiosa
— Sim, a Bela e a Fera. O Rumple também aparece, mas de uma forma diferente da realidade. Na verdade, ele aparece em duas histórias que eu conheço no meu mundo. A Bela e a Fera, e Rumpelstiltskin. De formas diferentes em ambas, mas aparece! — explicou
— Uau... e como eu sou nessa história? Sou parente de algum protagonista, ou coisa assim?
— Você é a protagonista! — Marissa deu de ombros
— Sério? — perguntou, surpresa
Marissa então, começou a contar a história pra ela. Enquanto isso, nas ruas de Storybrooke...
Mary caminhava sem rumo. Precisava esfriar a cabeça. Com certeza, Regina estava destruindo sua vida mais uma vez. Estava roubando seu marido, e com ele sua felicidade mais uma vez. Caminhou por muito tempo até chegar na praia. Chutou a areia com força. Estava com raiva. Raiva de Regina, de Charming, de Marissa, de todos.
— É tão triste ver tudo ser arrancado de você, não é mesmo, querida Snow? — Zelena apareceu em sua frente
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