Notas iniciais
Fantasmas? Apareçam para dizer oi :) Mas tudo bem, já que esse capítulo está bem diversificado e transbordando de emoções. hsuahsuauhsa, boa leitura

Primeira coisa: eu devia ter ouvido o Percy. Nunca vou admitir isso em voz alta, mas eu devia ter o escutado quando disse para eu não subir na maldita escada bêbada daquele jeito.

Segunda coisa: agora o bairro inteiro pensava que eu estava dando umas fugidinhas com Percy de madrugada.

O choque da escada contra o chão (igualmente o meu corpo bêbado) havia provocado um tremendo barulho naquela madrugada super silenciosa. Cachorros começaram a latir e logo as luzes começaram a se acender, todos pensando que se tratava de um ladrão.

Mas não era. Era apenas uma menina com o tornozelo torcido deitada no chão chorando de dor e um garoto idiota que não prestava para nada a não ser tentar me fazer parar de gritar. Bravo Percy! Bravo!

Eu e ele sabíamos que não tinha como fugir, tentar nos esconder, ou correr para o carro. Em questão de segundos minha mãe apareceu com um robe na janela da cozinha, que dava direitinho para onde sua filha, eu, estava estatelada no chão. Seus olhos se arregalaram e ela pegou o celular depressa, saindo da janela. Fechei os olhos, apenas pensando no quanto eu estava ferrada. As luzes da casa de Poseidon também se acederam, e outras casas ao redor foram ganhando luzes também. Malditos cachorros que não param de latir. Minha mãe apareceu no jardim lateral.

– Polícia, tenho uma emergência, na rua... – ela não terminou de falar, pois o Percy correu até ela e tentou abaixar amigavelmente o celular de sua orelha, balançando a cabeça negativa.

Atena não gostou nada do gesto, mas agora que viu o garoto desligou o celular, talvez na esperança de que ele explicasse tudo direitinho. Minhas costas doíam tanto, parecia que uma bigorna estava em cima dela nesse momento. Tudo pesou, e eu até dei graças a Deus por estar perdendo a consciência.

***

Aquela manhã foi bem tensa.

Eu havia acordado sozinha numa cama de hospital, com o pé enfaixado e levemente erguido, minha cabeça doía muito e eu sentia como se tivesse comido alguma coisa estragada. Por alguns segundos eu não me lembrei de nada, mas logo a consciência veio até a mim e eu me lembrei de todas as besteiras que tinha feito naquela madrugada. Na festa em que o Percy havia me levado. Tinha uma rosa bem vermelha ao lado de minha cabeceira, uma única rosa solitária com um pedaço de papel. Pego a flor, analisando a bem, e por último pego o bilhete.

“Dá próxima vez, não quebre só o tornozelo. – T”

Quanta sinceridade, Thalia. Respirei fundo, tentando conter a raiva que sentia da garota, amassei o bilhete e joguei em algum canto do quarto. Não queria me preocupar com aquela garota louca quando tinha outros problemas para resolver.

Uma enfermeira com semblante profissional e de quem havia tomado várias xícaras de café entrou na saleta, anotando coisas numa prancheta. O rosto dela era tão branco que poderia ser comparado a Michael Jackson, os cabelos negros caiam numa cascata encaracolada pelos seus ombros.

– Onde está minha mãe? – perguntei, tentando me sentar naquela maca desconfortável.

– Ela mandou avisar que está numa reunião de negócios, Srtª Chase – ela disse, me impedindo de sentar – Seu tornozelo não foi nada grave, poderá ter alta a tarde. Tem uma pessoa lá fora esperando para ter ver, manda entrar?

– Sim, por favor.

A enfermeira abriu a janela e saiu do quarto. Eu estava sonolenta, os olhos tinham muita dificuldade de se manterem abertos, a ressaca e a dor no tornozelo... Que combo horrível.

– Oi... tudo bem meu amor? – disse Piper, aparecendo na porta com uma cara preocupada.

Suspirei.

– Por onde você andou? Sumiu – eu digo, com azedume. Não era tão amiga da garota assim para sempre a ter perto como melhores amigas unidas para sempre, mas como não havia mais ninguém que eu nessa cidade e ela foi a única que quis ser minha amiga de verdade.

– Desculpe. É que... eu e Jason, enfim. Como que isso aconteceu?! – ela conseguiu mudar do embaraço para a preocupação. Revirei os olhos sem ela notar, não aguentando aquilo. Pelo menos ela aparecia nas horas ruins, né. Piper se sentou na pontinha da cama, olhando para meu pé enfaixado.

– Eu fui numa festa com o Percy – eu digo, não me importando em dar mais detalhes.

Ela olhou para mim como se só agora percebesse que eu era um zumbi louco maníaco. Sua boca se escancarou e sua feição era de indignação.

– VOCÊ OQUE?! – ela gritou, logo cobrindo a boca com as duas mãos. – Você não devia ter caído na conversa dele, tudo que está ligado a ele acaba se machucando.

– Bem, eu não tinha ninguém aqui e ele estava lá. E você é amiga dele.

– Mas eu não beijo ele, não gosto dele e não saiu com ele sozinha.

– E eu também não.

Ela fez uma cara do tipo “ata, finjo que acredito”. Eu não queria contar toda aquela longa história, até mesmo porque Piper não merecia, mas o olhar dela fazia-me ter muita vontade de contar. Ajeitei meu travesseiro e me sentei na maca, mesmo que a enfermeira tenha dito que não. O sol brilhava lá fora, e segundo o relógio do quarto era 2:00PM. Daqui a algumas horas eu devia estar em casa.

– Conte logo – ela pediu exigente.

– Não grite por favor, é estranho. Percy apareceu no meu quarto e disse que iriamos nos divertir com a turma. Eu pensei que era você, Jason, Leo, Nico... e não uma festa no meio do Golden Park. De qualquer forma, eu estava mal e bebi muito, e encontrei Thalia e Leo. E eu beijei um garoto que parecia muito com Luke, mas eu não sei o nome dele. Eu vi Thalia e Percy quase fazendo sexo numa pedra e depois tudo ficou confuso. Acho que a polícia chegou lá e todo mundo começou a correr, Percy me puxou pelo braço e fugimos pela floresta. Conseguimos chegar ao carro dele, mas...

– Annabeth, respira! – ela disse, me cortando. Eu realmente estava falando tudo muito rápido. Ela pegou uma garrafa de água na mini geladeira do local e me entreguei. Tomei vários goles de água, percebendo o quanto eu estava desidratada.

– Percy queria que dormíssemos ali e voltássemos pra casa de manhã, quando eu não estivesse tão bêbada, mas ai eu comecei a insistir para ele me levar para casa. Então eu fui subir a escada do lado de fora do meu quarto e cai bem feio. Foi basicamente isso.

Ela olhou para frente, sem saber muito bem oque dizer. Virei a garrafa de água até terminar o liquido.

– Isso foi bem idiota.

– Sim eu sei.

– Onde está sua mãe?

– Bem, que mãe? Enfim, ela foi para uma reunião.

Piper exclamou alguma coisa do tipo “nossa” e logo o silêncio preencheu a sala. Eu não sabia muito bem como conversar naquela situação, tudo que eu queria era descansar até toda aquela dor física passar. Piper pareceu entender a falta de assunto, beijou minha testa e se despediu, me deixando novamente sozinha.

***

Atolar-me de várias coisas era a melhor solução, por isso estava inscrita em vários cursos como de pintura, mergulho e vôlei. Não gostava de fazer essas coisas, mas nunca havia tentado. Na verdade, foi minha mãe que me inscreveu. Quando havia recebido alta depois de ter o tornozelo fraturado, Atena dissera que eu estava ali para me tornar controlada e não ser pior que antes. Desde aquele dia eu não vinha saído de casa com frequência, estava terminando de fazer um projeto de arquitetura (era o meu hobby profissional, como eu chamava), também aproveitava e escrevia alguns contos, para distrair minha mente. Quando minha mãe veio com essa bomba de que eu iria fazer cursos de coisas que não faria a menor diferença na minha vida professional eu explodi. Odiava ter que fazer as coisas porque minha mãe mandava, gostava de ser livre, mas ela não me deixou escolha, já havia me cadastrado e pagado todo o curso, se eu não fosse todo o dinheiro sairia do meu futuro salário na empresa.

Que ótimo.

Para melhorar ainda mais minha vidinha perfeita, Piper mal dava as caras. Havia ligado 10 vezes. Eu ignorei 6. Ela aparecera aqui apenas 3 vezes, e duas vezes ela estava acompanhada de Jason, oque fez com que eu me sentisse uma vela. Leo e Nico se mostraram verdadeiros amigos, vieram aqui juntos todos os dias para me dar uma força, nem que seja por 10 minutos. Às vezes eles traziam sorvete, nutella e outros mimos. Conversamos bastante e eu gostei de tê-los como amigo. Não maldei a nossa amizade, oque já é um bom começo. Eu podia ficar despreocupada. Descobri que Leo não dava em cima de mim, mas assim que era o jeito dele mesmo.

– A sua mãe é realmente muito doida, cara – disse Leo, ao telefone.

Estava deitada na cama, com o notebook no colo fazendo um projeto de arquitetura em 3D. Fazia exatamente duas semanas que havia ido aquela festa com Percy. Estava a noite e eu já me encontrava de pijama, enrolada numa coberta.

– Eu sei, mas acho que vai ser bom para mim. Eu ando querendo extravasar, beber, ir a festas. Se eu me ocupar com outras coisas talvez eu tire essa vontade.

– Isso deve ser normal, Anna, você passou por muita coisa. Mas sabe que pode contar comigo para não te deixar subir escadas quando estiver bêbada.

Nós dois rimos, embora eu tenha decifrado um traço de humor negro em sua frase. Só faltou ele dizer, ‘diferente de Percy’.

– Bem, desde que eu fique longe do Percy e Thalia, eu sei que não vou me meter em confusão.

– Ele foi falar com você?

– Ligou três vezes, eu não atendi.

Silêncio. Sempre era assim. Não é a minha intenção colocar Leo e Nico contra Percy, mas parece que é justamente isso que estava acontecendo, e eu receava o final dessa história. Todos não gostavam da atitude do Percy. Nessas duas semanas eu sempre via Thalia em seu quarto, seja a noite ou de dia. Duas semanas seguidas, ela estava sempre lá.

– Amanhã traga batata frita... hmmm – eu digo, rindo ao final. Ele me acompanhou nos risos e acrescentou:

– Claro, o chefe Leozão vai ver se está disponível para atender a senhorita. As gatinhas são muito exigentes e tomam todo meu horário.

– É, realmente, o computador toma mesmo todo o seu horário.

A porta de vidro da sacada se abriu, e por trás da cortina um garoto de sorriso malicioso e olhos verdes apareceu. Sua pele estava mais bronzeada e seus cabelos estavam molhados. Meu semblante tomou um aspecto sombrio e irritado. Como ele ousava aparecer aqui no meu quarto? Sem bater. Que raiva. Que vontade de empurra-lo daquela sacada.

Ignorando sua presença, me levantei ainda com Leo ao telefone. Fechei a porta do meu quarto e a tranquei.

– Tudo bem, chefe Leozão, traga com queijo e calabresa, não esqueça da coca-cola. Combinamos tudo melhor amanhã, tenho que terminar um projeto... Aham... Tá bom... Beijos, boa noite.

Desliguei o telefone e peguei um sobretudo, o vestindo. Não iria mais dar espaço para Percy, as coisas nunca seriam tão complicadas para ele.

– Oque você quer? – minha voz saiu dura. Cruzei os braços e esperei sua resposta.

– Vim saber como você está.

– Acho que chegou atrasado, muito atrasado.

– Não teria, se você tivesse atendido minhas ligações.

– Por que eu atenderia? Você nem se deu o trabalho de ir me ver no hospital, nem se deu o trabalho de vim aqui em casa para saber como eu estava. Sendo que foi você que me levou para aquela festa estúpida.

– Eu fui te ver no hospital sim, você estava dormindo, e mais tarde sua mãe não deixou eu te ver. Ela não deixa eu vim aqui, Atena me quer longe de você. E não fui eu que fiz a idiotice de subir numa escada bêbada.

Por um momento fiquei sem argumento, ele era bom, mas não o bastante.

– Oh sim, claro, eu estava dormindo. Não conhece deixar recados? Flores? Um copo de água? Percy, não me venha com desculpinhas baratas. Vi você com Thalia todos os dias no seu quarto. Aliais, use a cortina para me livrar de certas imagens, okay? Foi bom você aparecer, quero você longe da minha vida, te dei uma chance e você estragou tudo – eu disse, um pouco mais alto do que gostaria.

O pior de tudo nessa história não era nem Percy em si, mas o fato de eu não conseguir me livrar dele. Ele sempre voltava, sempre aparecia.

– Quantas vezes eu vou ter que dizer que eu não tive culpa de você ser tão idiota em querer subir a porra da escada bêbada?

– Eu sou idiota?!

– Sim, você é! E acho que puta também, pois você ficou com aquele cara sem ao menos saber o nome.

– Não venha com lição de moral comigo, Percy, você pega uma a cada noite. Homem é bonito fazer isso e mulher é feio? Eu não faço isso igual a você, eu só o beijei porque ele é extremante parecido com o homem que eu amo. Você está de mimimi porque eu beijei ele e não você!

– Se você ama tanto esse homem por que ficou com esse cara? Cadê esse tal homem que você ama, Annabeth?!

Senti meu sangue virar gelo, ou talvez fogo. Ardia de qualquer forma. Comecei a empurrar Percy para a sacada, me surpreendendo com a força que aplicava no ato.

– ELE ESTÁ MORTO, PERCY, MORTO.

Fechei a porta da sacada e deixei um perplexo Percy do lado de fora. Fechei a cortina para não vê-lo mais.

Me acabei de chorar até dormir, tendo os piores pesadelos.

Notas finais
Quero agradecer a todos que comentaram e favoritaram a história, vcs são demais, muito importantes para mim s2 Lembrando que esse bonus especial vai esclarecer MUITA coisa da vida de um personagem... Quem sabe os mistérios de Annabeth acabam? Ou quem sabe saberemos oque está acontecendo com a Piper? Ou o que se passa pela cabeça de Percy? Aah, talvez descobrimos porque a Thalia é tão paranoica com o Percy! Bem, vocês só vão descobrir se comentarem, favoritarem, recomendarem e etc... O capitulo bonus vai ser curto, mas muito revelador ;-; HSUAHUAH, beijinhos