Unbreakable Destiny

17 Tudo se supera ao lado de quem amamos


Notas iniciais
Desculpem a demora, pessoal... a escola está apertada para ambas. Música do cap>> Jessie J - Flashlight: https://www.youtube.com/watch?v=7l-ZWWksqZQ

— Para quieto, August! -Regina fala enquanto limpa o ferimento no rosto do amigo.

— Mas isso arde... -Ele reclama em um sussurro, mas o suficiente para que Henry escutasse.

— Lutou com um policial treinado, mas não aguenta água oxigenada? -O pequeno fala rindo dos dois na sala enquanto sobe para o quarto.

— A água oxigenada não merece apanhar... -Ele fala baixo para que somente Regina pudesse ouvir enquanto aperta os olhos devido a dor.

— Desculpa. –Regina murmura.

— Não foi nada. -Ele percebe a feição triste da amiga.

— Não pelo remédio.... Por ter feito você passar por tudo isso. -Ela fala cabisbaixa.

— Não tem que se desculpar por nada, eu sou adulto, sei cuidar de mim. Além do mais, a culpa não foi sua, você sabe disso, não é? -August fala pegando a mão da amiga de forma fraterna.

— Em parte é... Mas eu também sou adulta e deveria saber o que é bom para mim e o que não é.

— Antes de você conhecer o Robin, pensei que seu coração pertencia a outra pessoa.

— Como assim? -A prefeita pergunta intrigada.

— Você sabe do que estou falando...

— Ah não... Eu e Emma? Qual é... -Ela se faz de desentendida.

— Vou fingir que acredito... -Ele dá de ombros.

— Emma e eu somos APENAS amigas... – Ela dá ênfase na penúltima palavra. ---Além do mais, eu já estraguei quaisquer de algo a mais acontecer... -Regina não podia negar que em sua mente já tinha pensado nisso milhares de vezes, mas isso não torna nada mais fácil ou possível.

— Pensei que vocês já estivessem evoluindo depois da briga...

— E evoluímos, mas isso com o Robin foi uma nova burrada. -Ela fala colocando a mão no rosto. –Eu sou uma imbecil, por que alguém deveria querer alguém como eu? –Sua voz tremula tentava terminar a frase mas não conseguia.

— Para de carregar o peso nos ombros. -August puxa delicadamente as mãos da morena. – Não pense que isso é culpa sua, escolhas ruins todos fazemos, mas isso não dá o direito a ninguém de contesta-las, principalmente usando a força bruta.

— Pare de tentar amenizar minha culpa! -Regina eleva o tom de voz o suficiente para entender que nada dito faria ela mudar de ideia. – Por mais difícil que seja, mas isso é uma coisa que eu mesma tenho que lidar.

— Eu sei, mas você não está sozinha. -August se levanta e abraça a amiga. – Você vai ficar bem? Quer que eu fique aqui caso aconteça algo?

— Estou bem, quero conversar com o Henry sobre tudo que aconteceu. -Ela explica enquanto olha para porta do garoto de forma pensativa, tentando pensar no que dizer ao filho. -- Vou ligar para um dos seguranças da prefeitura, não precisa se incomodar.

— Tem certeza?

— Absoluta! -Ela fala abraçando o amigo. – Muito obrigada por hoje, te devo uma.

— De tantas outras que salvei a tua pele e a da Emma... -Ele brinca arrancando um sorriso da morena e sai pela porta.

Algumas horas se passaram, Henry estava no quarto lendo, queria conversar com a mãe, mas estava dando dar um tempo para Regina pensar em todos os últimos acontecimentos.

— Querido, podemos conversar? -A prefeita fala abrindo a porta do quarto gentilmente.

— Claro. -Ele dá um sorriso encorajador a mãe, que agora já estava sentada na cama.

— Eu sinto muito que tenha visto tudo que aconteceu hoje... -Regina pega nas mãos do pequeno tentando encontrar as palavras certas. Mesmo tendo passado horas pensando no que dizer, ela nunca foi uma pessoa boa em expressar o que sente.

— Mamãe, não precisa falar sobre isso se não quiser. -Ele fala ao ver o desconforto da mãe.

— Não é que eu não queira, apenas não sei como começar esse assunto, você é o meu filho e nos últimos dias minhas ações exigiram muito da sua maturidade... Eu não quero que você sobrecarregue, querido.

— Eu entendo, mas também uma mulher muito sábia me ensinou uma importante lição. -Ele fala cheio de orgulho em direção da morena.

— E qual é? -Ela pergunta curiosa.

— Tudo acontece por uma razão, o destino é uma peça inquebrável, coisas ruins acontecem para que coisas boas possam surgir. -Regina havia dito isso a Henry quando ele quebrou a vidraça de casa ao cair jogando bola com o amiguinho, o pequeno tinha perdido 2 dentes de leite e estava aos prantos. Foi a tanto tempo e o fato dele lembrar disso mostrava que ela não precisava dizer mais nada, seu garotinho não é mais um garotinho.

Ela não sabia o que dizer diante daquilo então o abraçou de lado e deu um beijo em sua cabeça e disse que lhe ama. Ficaram um tempo abraçados e refletindo quando Henry levantou a cabeça do peito da mãe e perguntou:

— Mãe, eu posso ir com você ver a Emma amanhã?

— Claro que pode, meu amor. — Ela responde e ele volta a se deitar.

Em minutos o garoto já está dormindo e a morena nota que já é tarde pela hora no relógio, que fica no quarto do pequeno. Ela decide tomar um banho e depois voltar e ficar ali acalentando seu menino. Depois de arrumar Henry na cama, tirar a roupa e sente a água do chuveiro sobre suas costas, ela finalmente desmorona.

Ela senta no chão do box, abraça seus joelhos e começa a chorar, as lágrimas se misturam com a água, mas infelizmente a dor ainda estava ali, as marcas em seu braço são a prova disso, elas não sairão tão cedo e serão mais um lembrete doloroso do sofrimento interno e externo. Primeiro sentiu ódio de sim mesma por se permitir casar com aquele monstro que fazia seu estômago revirar só de lembrar dele. Depois sentiu-se violada de todas as formas possíveis mesmo que ele não tenha conseguido concluir seu objetivo, sentia que estava suja de uma forma que aquele banho não conseguiria limpar.

Não consegue não lembrar do desespero de querer sair daquele sofá, das mãos dele passeando por seu corpo e aquilo fazia uma ânsia subir por sua garganta, queria vomitar, colocar aquela coisa asquerosa que sentia para fora, mas não conseguia. Permanece quase uma hora debaixo do chuveiro até que se acalma e se convence que ela não deveria sentir aquilo, ela não tem culpa se aquele homem é um babaca nojento. Levantou-se, respirou fundo e saiu, se vestiu e voltou para a cama do filho.

As horas passam e a tão esperada manhã chegou, Henry está disposto a dar um passo à frente no relacionamento não só dele e da Emma, mas dos 3. Família não é somente aquela que surge quando nascemos, mas também as pessoas que estão dispostas a ajudar nos piores momentos, a dar apoio e perdoar. Após uma longa lista de problemas ao longo do caminho, finalmente uma nova fase começa a surgir.

— Olá... -Henry fala em fio de voz ao bater na porta aberta do quarto.

— Oi, entrem. -Emma abre um sorriso encantador ao ver as duas pessoas que mais importavam. Era nítido o nervosismo dos três.

— Como você está? -Henry pergunta ao entrar no cômodo do hospital com Regina. A morena estava calada, mas um sorriso brincava em seus lábios.

— Melhor agora... – Ela fala sentando na cama, a loira estava feliz por ele estar ali, mas sabia que era devido a acontecimentos infelizes, claro que não tirava a importância, todavia ainda a fazia sentir um peso. – E vocês, estão bem? -Ela fala notado uma preocupação no olhar de Regina.

— Mais ou me...

— Estamos bem. -Regina beija Emma na bochecha em forma de comprimento, afim de interromper o filho, não queria trazer mais preocupações a amiga, pelo menos não agora.

— O médico disse que serei liberada em 3 dias. -Emma fala tentando puxar assunto, seria grosseria perguntar de cara, e sabendo como os dois são, não responderia, ou responderiam com respostas evasivas.

— Sério? -A expressão de Henry não tinha uma resposta conclusiva, não dava para saber o que ele estava pensando, e isso irrita Emma, porque é uma das melhores habilidades dela. – Já sabe o que vai fazer quando receber alta?

— Bom... Não sei... -Aquela pergunta pegou a paciente de surpresa, foram tantas emoções que não havia pensado nisso.

— Me desculpe, sei que andou com a cabeça cheia, não quis ser inconveniente. -Ele fala ao notar a saia justa que a colocou, de fato ele não tinha o objetivo de falar tanto, mas viu como Regina estava abatida e não queria mostrar a Emma, então resolveu dar cobertura.

— Por que você está tão quieta? -Emma fala dirigindo-se a Regina e só então notando o que parecia ser a ponta de uma atadura saindo de ambos os braços da morena, eles de fato haviam sido escondidos pelo blazer preto.

— Nada, apenas pensando em alguns problemas da prefeitura... Mas retomando a pergunta de Henry, você está frágil, vai voltar para o Granny’s nesse estado?

— E para onde eu iria? Além do mais, são apenas alguns ferimentos leves... -Emma sempre achava que todo o ferimento ou doença que tinha era leve, “não tinha problema nenhum”.

— Preciso lembrar a você que passou por uma cirurgia e teve hemorragia? -Regina lança um olhar zangado, mas ao mesmo tempo protetor para a amiga.

— Com certeza ela não se parece nada com o August... -Henry deixa uma risada escapar ao lembrar do fiasco com a água oxigenada.

— Concordo! -Regina ri, mas percebe que foi um erro, porque nunca se dá um nó sem ponta perto de Emma.

— Como assim? -A loira pergunta confusa.

— É que uma vez o August nos ajudou a pregar uma prateleira lá em casa e cortou a mão... -A morena tenta contornar a brecha com algo que realmente aconteceu, mesmo fazendo algum tempo. Tecnicamente não era uma mentira, era uma omissão da verdade. – Fui enfeixar e colocar remédio, ele faz cara de quem chupou limão azedo.

— Não é nenhum segredo que ele não puxou os talentos do pai... Por falar em August, ele veio me visitar hoje mais cedo.

— É mesmo? -Regina sentiu um arrepio na espinha. Henry não sabia se o rapaz tinha contado algo, mas sabia que as duas precisavam conversar.

— Eu acho que vou pegar um refrigerante... -Ele fala ao ver que elas precisavam mesmo conversar, mesmo que a mãe não queira. – Querem algo?

— Não, obrigada! -As duas dizem e Regina pega a carteira para dar o dinheiro.

— Beleza, já volto. – O rapazinho sai do quarto.

— Não. -Emma diz logo que Henry sai do quarto.

— Não o quê? -A morena pergunta confusa.

— August não contou o que aconteceu, se é isso que você está pensando, mas ele estava com 1/3 da expressão abalada que você está... Então isso significa que aconteceu algo a você.

— Você e esse super poder... – Regina revira os olhos ao perceber o cheque mate.

— Vem cá. -Ela fala fazendo sinal para que a prefeita se aproximasse.

— Emma... Eu não quero falar sobre isso.

— Quer sim, se não quisesse, não teria se aproximado. -Emma fala apontando para a posição iniciar da amiga.

— Mas não agora, não sei como, não consigo pôr em palavras...

— O que aconteceu com suas mãos? -A loira fala pegando gentilmente as mãos da morena.

— Por favor, não me faça falar sobre isso. — Regina fala baixo, olhando para as mãos de Emma que tocavam as suas.

— Tudo bem. Não precisa falar se não quiser, mas isso me deixa desapontada porque você nunca me deixou de contar nada e ainda mais preocupada pois pelo jeito foi algo grave. — Emma fala soltando as mãos da morena e a olhando fixamente nos olhos.

— Não é que eu não queira te contar, é que só de tocar no assunto sinto como se estivesse acontecendo de novo. — Regina se pronuncia, sentindo seus olhos marejados e o típico reboliço no estômago.

— Foi tão grave assim? Eu estou aqui com você, juro que o que tiver acontecido não vai voltar a acontecer. Mas preciso que me diga porque, já estou ficando angustiada. — Emma diz com medo do que possa ter acontecido. Regina respira fundo para não acabar chorando, olha para as mãos tentando criar coragem para "reviver" novamente a última noite. Ao voltar a olhar para Emma ela pede para que ela se sente na cama como da última vez e Regina o faz.

A morena contou tudo e sentiu toda aquela coisa ruim. Não via a expressão de Emma pois evitava olhá-la, se sentia de alguma forma envergonhada. Quando se deu por conta, ao terminar, estava com a cabeça deitada no ombro da loira com as mãos palmas dela passando por suas costas e a outra apertando sua mão. A loira sabia que não havia o que ser dito, mesmo que tivesse passado por coisas horríveis com o pai de Henry, nunca havia passado por um desespero semelhante ao da amiga.

Ela sentia uma dor tão profunda que era a junção da de perder Killian e a dor de não ter podido fazer nada em relação a uma pessoa que ela ama tanto. Sentia-se mais impotente do que nunca, pois as duas dores eram provocadas pela sua incapacidade de fazer algo para ajudar em ambas as situações. Quando viu que a morena terminou apenas tentou passar todo carinho que podia e ficaram alguns minutos em silêncio até que uma sombra pequena apareceu na porta.

— Tem um lugar para mim na cama? — O pequeno fala entrando e vendo as duas abraçadas. Henry não sabia explicar, mas nunca havia visto a mãe daquela forma ela parecia tão calma e diferente do que era quando estava com Robin. Sabia que as duas são amigas a muito tempo, mas vê-las o fez sentir algo estranho, não um estranho ruim, apenas estranho.

— Claro que tem. — Regina fala, levantando a cabeça e chegando um pouco para o lado criando um espaço entre as duas onde o menor tratou de se enfiar. Emma não ficava tão perto do pequeno desde a conversa na praia, então quando o pequeno pegou sua mão entrelaçando-a com a dele, seu coração quase parou. Um sorriso involuntário se formou no canto de sua boca e ela olhou para Regina que também tinha um sorriso contido no canto do lábio.